Governo avalia viagem à Índia como marco do terceiro mandato de Lula

22-02-2026 Domingo

Viagem consolidou acordos, anúncios de investimentos e nova ambição comercial com a Índia. Governo pretende elevar trocas bilaterais e reposicionar o Brasil no cenário internacional

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a viagem oficial à Índia, encerrada neste domingo (22), como a mais bem-sucedida em termos comerciais do terceiro mandato e como “o marco de uma nova relação entre Brasil e Índia”, segundo afirmou o próprio presidente.

Entre os principais resultados apontados estão anúncios de investimentos, a participação de mais de 300 empresários brasileiros e a ampliação de acordos e iniciativas de promoção comercial em setores estratégicos, como minerais críticos, saúde, tecnologia, indústria farmacêutica, defesa e inteligência artificial.

“Nenhum encontro foi mais denso, com maior resultado que esse aqui na Índia”, afirmou Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, ao fazer o balanço da missão empresarial.

A avaliação ocorre após quatro dias de compromissos em Nova Déli, que reuniram uma comitiva formada por 11 ministros, parlamentares e representantes do setor privado. 

Lula defendeu elevar o intercâmbio econômico entre os dois países para um patamar superior ao inicialmente discutido com o governo indiano. 

“O [Narendra] Modi defendeu que a gente chegue a US$ 20 bilhões até lá, mas eu acho que é pouco. Nossa meta é chegar a US$ 30 bilhões”, afirmou o presidente, em entrevista coletiva antes de deixar o país. 

Segundo ele, o potencial das duas economias e as demandas da chamada nova indústria brasileira permitem uma expansão mais ambiciosa das trocas comerciais.

Ao todo, foram assinados 11 acordos governamentais e 10 instrumentos entre empresas, em uma agenda que o Palácio do Planalto passou a tratar como referência do esforço de reposicionamento internacional do Brasil após o isolamento diplomático do governo anterior.

Entre os exemplos citados está um investimento estimado em US$2,5 bilhões em mineração e infraestrutura portuária no Rio Grande do Norte, além de um aporte de R$5 bilhões do grupo Aditya Birla para expansão da produção e reciclagem de alumínio em Pindamonhangaba (SP). 

Também foram mencionadas a ampliação de investimentos do grupo Tata após a aquisição global da Iveco, um memorando entre Embraer e Adani para cooperação industrial e projetos da Vale voltados à cadeia do minério de ferro.

Ao se dirigir a executivos indianos, Lula buscou enfatizar previsibilidade institucional e ambiente favorável a novos aportes. “Investir no Brasil é vantajoso”, afirmou o presidente. 

Segundo integrantes da comitiva, parte das empresas envolvidas já opera no Brasil e sinalizou novos ciclos de expansão, enquanto outras avaliam a entrada no mercado brasileiro a partir dos entendimentos firmados durante a viagem.

A leitura do ambiente empresarial foi tratada pelo governo como um ativo político da missão. Lula afirmou ter se surpreendido com o entusiasmo demonstrado por investidores indianos em relação ao Brasil, em contraste com o ceticismo frequentemente observado no empresariado doméstico. 

“Gostaria que muitos empresários brasileiros vissem o discurso dos empresários indianos sobre o Brasil”, disse o presidente, ao comentar o tom das reuniões. 

Segundo ele, a percepção externa reflete a recuperação da credibilidade internacional do país e o impacto da política de reconstrução de pontes diplomáticas adotada no atual mandato.

Além da dimensão econômica, a viagem reforçou a convergência política entre Brasil e Índia em fóruns multilaterais. Os dois países mantêm atuação coordenada no BRICS, no G20 e no G4, grupo que defende a reforma do Conselho de Segurança da ONU. 

Para Lula, a articulação entre economias emergentes é também uma resposta às assimetrias do sistema internacional. “Se você permitir que o país pequeno negocie com o país maior, o acordo sempre será prejudicial ao país menor”, afirmou, ao defender maior coordenação entre países do Sul Global.

A agenda incluiu ainda temas ligados à tecnologia e à economia digital. Antes do início da visita de Estado, Lula participou da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, onde defendeu a regulação das grandes plataformas e apresentou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê R$23 bilhões em investimentos até 2028.

Vermelho

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