Presidente Lula é homenageado pela Acadêmicos de Niterói e povo vai ao delírio na Sapucaí

16-02-2026 Segunda-feira

Desfile em homenagem ao presidente teve críticas ao bolsonarismo, ala de opositores e desistência de Janja de última hora

A Acadêmicos de Niterói abriu o Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro com um desfile dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em sua estreia na elite da folia carioca, a escola levou para a Marquês de Sapucaí uma narrativa que misturou a trajetória pessoal do petista a episódios marcantes da política recente, com alegorias e alas que provocaram reações de apoiadores e críticos.

A agremiação entrou na avenida às 22h13 e encerrou a apresentação às 23h32, dentro do tempo regulamentar. Antes mesmo de o abre-alas avançar, o Setor 1 da arquibancada, tradicionalmente popular, puxou um coro de “olê, olê, olá… Lula, Lula”, em recepção ao homenageado.

O desfile foi estruturado como uma narrativa biográfica, que partiu da infância pobre no Nordeste, passou pela migração para o Sudeste, a atuação sindical e a ascensão política até chegar ao Palácio do Planalto. Ao longo da apresentação, no entanto, a escola também levou para a avenida representações diretas de conflitos políticos recentes, o que gerou controvérsias.

Entre os pontos mais comentados esteve a encenação do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Uma das primeiras alas mostrava um boneco representando o ex-presidente Michel Temer assumindo a faixa presidencial, numa leitura alinhada à interpretação do PT de que o processo foi um golpe.

Outro destaque foi a representação do ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço. Em um dos carros alegóricos, ele aparecia de terno azul caracterizado como “Bozo”. Em outra alegoria, surgia com uniforme de presidiário e tornozeleira eletrônica danificada, em referência a um episódio político recente.

A escola também levou para a avenida a ala chamada “neoconservadores em conserva”, que representava opositores de Lula com fantasias que faziam alusão a setores como agronegócio, elite econômica, defensores da ditadura e evangélicos. A caracterização gerou críticas de parlamentares ligados à direita e alimentou debates nas redes sociais.

Durante o desfile, integrantes da escola fizeram o gesto do “L”, símbolo associado ao presidente. A manifestação foi interpretada por adversários como ato de campanha política dentro da avenida, embora a escola não tenha se pronunciado oficialmente sobre o episódio.

Outro momento que repercutiu foi a desistência da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, de participar do desfile. Ela havia sido anunciada como destaque do último carro alegórico, chamado “Amigos de Lula”, mas decidiu não desfilar pouco antes da apresentação, sob o argumento de evitar interpretações de campanha antecipada ou uso político do Carnaval. Janja ficou no camarote ao lado do presidente e de aliados.

Em determinado momento, Lula deixou o camarote e foi até a pista cumprimentar o casal de mestre-sala e porta-bandeira, acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes. O gesto também gerou comentários nas redes, com críticas de opositores que viram a cena como espetáculo político.

Apesar do tom político de algumas alegorias, a escola apostou em uma narrativa popular e épica sobre a trajetória do presidente. Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile trouxe referências à fome, à migração nordestina, às lutas trabalhistas e a personagens históricos como Betinho, Zuzu Angel e Rubens Paiva.

O samba-enredo acompanhou essa linha narrativa, exaltando a origem humilde do personagem central, a força do movimento sindical e a ideia de ascensão social. A composição apostou em um tom de celebração popular e esperança, conectando episódios pessoais à história recente do país.

A apresentação teve assinatura do carnavalesco Tiago Martins, com interpretação de Emerson Dias e bateria comandada pelo mestre Branco. 

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