06-02-2026 Sexta-feira
Frustração generalizada foi capturada pela direita, diz presidente do PT em debate no aniversário de 46 anos do partido. Lula é o único capaz de expressar sentimento antissistema
O Partido dos Trabalhadores comemora os seus 46 anos de existência com reflexões profundas sobre os rumos do país e a conjuntura internacional. O encontro está sendo realizado em Salvador. O presidente do PT, Edinho Silva, abriu a mesa “Rumos do Brasil: Estratégia e Projeto de País”, nesta quinta-feira, 5, e fez uma análise sobre o impacto que a geopolítica mundial e o gradual colapso do capitalismo terão nas eleições nacionais.
Edinho afirmou que a derrocada do capitalismo liberal, iniciada em 2008 com a crise da Bolsa de Nova Iorque, se expande desde então. “O mundo está mais pobre, a economia [global] não cresce de forma sustentável. A dinâmica da economia mundial é de recessão”, refletiu o presidente do PT. Tal cenário, disse ele, abre espaço para o avanço dos nacionalismos autoritários. É o velho ditado, lembrou Edinho: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Ainda que o Governo Lula 3, disse Edinho, tenha sido o mais exitoso de todos os governos do PT, com a maior capacidade de entregas, conciliação de estabilidade e crescimento econômico, recorde de empregos, menor inflação acumulada da história, recuperação da renda média da família brasileira, superação a fome, “nada disso mexe na polarização política”, reconheceu o presidente do partido.
“Porque não é só a entrega que move a opinião pública, seja mundial, da América do Sul ou brasileira. A opinião pública hoje se move por sentimentos.” O PT, disse Edinho, precisa sim fazer a disputa da comunicação, mostrar as entregas do governo, mas tem que lidar também com essa realidade: “Temos que enfrentar esse sentimento de decepção com a democracia representativa. A sociedade vai para as urnas, vota, vota, mas a vida não muda, as expectativas não são supridas”.
A tarefa do partido na eleição de 2026, pregou Edinho Silva, é “fazer essa reflexão valorizando nossa construção histórica, nosso legado histórico”. Ele pontuou que o PT foi o único partido da história brasileira que venceu cinco eleições nacionais.
O PT, afirmou, é “o partido que não aceita o sistema que está aí”. “O sistema que está aí não é nossa responsabilidade. Nós não defendemos esse modelo de produção de riqueza e de acumulação de riqueza.” Foi Lula, enfatizou Edinho Silva, que propôs e lutou pela reforma da renda, com a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a cobrança de impostos “do andar de cima”. É o PT e o Governo Lula que defendem o fim da escala de trabalho 6×1, que defende tarifa zero para o transporte público. “É o governo do antissistema.”
“Lula é a única liderança hoje capaz de expressar um sentimento antissistema por meio da transformação”, enfatizou o presidente do PT. E a reeleição de Lula, frisou, será a sinalização para o mundo de que aqui no Brasil vencemos o fascismo e a extrema direita.
O modelo Trump
Assistimos, diante de nossos olhos, enfatizou Edinho Silva, a “ascensão do fascismo mundial, caracterizado pelo pensamento autoritário, a não aceitação dos diferentes, a perseguição de imigrantes”, tendo como exemplo atual mais evidente o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, com a perseguição truculenta do ICE (Immigration and Customs Enforcement), o departamento de Imigração dos Estados Unidos, aos cidadãos não naturalizados estadounidenses.
Valores xenófobos e nacionalistas ascendem no mundo e também em toda a América Latina, alerta o presidente do PT. Segundo Edinho, esse cenário abre espaço para a agenda da direita, enquanto cidadãos de todo o mundo experimentam uma sensação generalizada de insatisfação. A vida não melhora, o trabalho está cada vez mais precarizado, a renda não aumenta, a injustiça social é flagrante, os privilégios crescem para uma parcela ínfima da sociedade.
“A percepção do mundo de que o modelo de organização politica não responde mais às necessidades da sociedade é que gera um sentimento antissistema”, concluiu. A encruzilhada é que as forças políticas da extrema direita e da direita capturaram esse “sentimento antissistema”, como definiu o presidente do PT. E é com essa nova geografia do mundo que o partido precisa encara a tentativa de reeleição do presidente Lula em 2026, na visão de Edinho Silva.
Dirigentes do PT em debate sobre o projeto de país que deve ser defendido no pleito de 2026.
PT representa classe trabalhadora, não a classe dominante
O ex-ministro José Dirceu, que também fez parte da mesa e prepara o novo programa do PT, que será apresentado no 8º Congresso Nacional do partido, em abril, disse que é preciso lembrar que a classe dominante, desde a República Velha, é quem conduz o projeto de país. “Nós não somos a classe dominante. Somos a representação da classe trabalhadora brasileira.”
Dirceu afirmou que o PT tem um projeto de país e precisa deixar claro isso durante a eleição. Esse projeto é o de acabar com a desigualdade, a pobreza, a miséria, de fazer uma revolução político social, apontar os rumos de um novo desenvolvimento industrial e contemplar temas cruciais como uma reforma tributária e o fim da jornada 6×1.
A deputada federal Benedita da Silva foi aplaudida com entusiasmo pelos militantes do partido.
A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), pré-candidata ao Senado, defendeu que o partido mexa com o sentimento das pessoas. Ele enfatizou que Lula sabe que pode contar com o PT nesta caminhada. E chamou todos os dirigentes e militantes à responsabilidade com o processo eleitoral: não adianta só comprar a fantasia para o Carnaval, disse ela. “Se não sabe sambar, não entra. Se for pra atrapalhar, sua escola perde ponto e não vai vencer. O PT é o nosso carnaval, é a nossa escola, é o nosso futebol. E faz parte das nossas religiões”, afirmou.
Pré-candidato do PT ao governo do Espírito Santo, o deputado federal Helder Salomão disse que o “enfrentamento ao fascismo e à extrema direita não pode e não deve se dar apenas no processo eleitoral”. É preciso que seja uma luta diária do partido, de formação e convencimento. Ele defendeu alianças “muito fortes” nos estados e um empenho de todo o partido nas eleições majoritárias para o Senado.
“Nossos melhores quadros têm que colocar seus nomes à disposição para disputar um projeto de nação”, concluiu.
A mesa foi mediada pela secretária nacional de Finanças e Planejamento do PT, Gleide Andrade.
Da Rede PT de Comunicação.
