03-02-2026 Terça-feira
Em início do ano do Judiciário, presidente relembra 8 de janeiro, enfatiza que nenhuma autoridade está acima da lei e lembra que democracia exige instituições confiáveis
O ataque frontal às instituições brasileiras em 8 de janeiro de 2023 foi uma tentativa de ruptura institucional que tornou a democracia brasileira mais forte, mais madura e a sociedade mais consciente de seu valor, avaliou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira, 2, ao discursar na abertura do Ano Judiciário no Supremo Tribunal Federal.
“O Brasil demonstrou, mais uma vez, que é muito maior do que quaisquer golpistas e traidores da pátria”, afirmou o presidente. Lula enfatizou que o julgamento dos traidores da Pátria foi um marco histórico do país. “Aqueles que atentaram contra a democracia tiveram julgamento justo, acesso a todas as provas e amplo direito de defesa – o que só é possível em uma democracia. Os julgamentos e as condenações dos envolvidos fortaleceram a legitimidade democrática, a confiança na Justiça, e a ideia fundamental de que nenhuma autoridade está acima da lei.”
O presidente lembrou que, em 2025, o país enfrentou novo ataque à soberania, e se manteve firme. Lula se referia à imposição de tarifas abusivas dos Estados Unidos ao Brasil, sob a administração de Donald Trump. “O Brasil respondeu com altivez, com base no direito internacional, com a força de suas instituições e, sobretudo, com a legitimidade conferida pelo povo. Reafirmamos que nenhuma nação se constrói sob tutela, e que a democracia brasileira não se curva a pressões e intimidações de quem quer que seja.”
Lula destacou o papel do Supremo Tribunal Federal na defesa da democracia e também do Tribunal Superior Eleitoral.Para o presidente, as eleições deste ano trarão “enormes desafios” à Justiça Eleitoral. O presidente listou 5 deles:
1 – Abuso do poder econômico;
2 – Manipulação da opinião pública, por meio do disparo criminoso de fake news;
3 – Uso indevido dos recursos dos algoritmos das plataformas digitais;
4 – Contratação de influenciadores em redes digitais para atacar adversários;
5 – Utilização de inteligência artificial para falsificar fotografias, áudios e vídeos de qualquer pessoa, produzindo realidades paralelas, dentre outras novas armadilhas.
“Democracias ao redor do mundo enfrentam frequentes tentativas de manipulação da opinião pública, com o uso de novas tecnologias. E uma mentira repetida mil vezes tem o poder de influir em resultados eleitorais”, alertou o presidente. Lula tem combatido em vários de seus últimos pronunciamentos o uso da inteligência artificial de forma nefasta, expondo sobretudo crianças e mulheres nas redes sociais. A utilização da tecnologia para construir narrativas políticas falsas de candidatos, durante o pleito, também é uma preocupação do presidente e do PT.
“A Justiça Eleitoral deve ser capaz de agir com rigor, velocidade e precisão. Deve contar com modernas ferramentas tecnológicas, para que a vontade popular prevaleça.Este é o desafio que se impõe não apenas à Justiça Eleitoral, mas à própria democracia”, observou Lula.
