1º-02-2026 Domingo
Com avanços sociais e na segurança pública, Planalto busca dialogar com classe trabalhadora e classe média para enfrentar a direita hostil
O Governo Federal inicia o ano legislativo de 2026, que será aberto, numa sessão solene, nesta segunda-feira (2), às 15h, com uma estratégia definida para enfrentar um Congresso majoritariamente inamistoso. A tática consiste em levar ao plenário uma combinação de entregas populares — como o fim da jornada 6×1 e a ampliação do programa Gás do Povo — e uma agenda de segurança pública ancorada na PEC da Segurança e na lei antifação.
O objetivo é estabelecer um contraponto à oposição, que se organiza para derrubar o veto à dosimetria dos crimes de 8 de janeiro e para empurrar medidas que testem os limites fiscais do governo, tudo sob a pressão de um calendário encurtado pelas eleições e pela Copa do Mundo.
Fim da jornada 6×1
No centro da estratégia política, o Planalto transformou o fim da escala 6×1 na sua principal bandeira para 2026. Em articulação com a base na Câmara, o governo pretende fazer da proposta o carro-chefe da mensagem presidencial ao Congresso. A medida visa aproximar o Brasil de padrões internacionais de produtividade e responder a uma reivindicação essencial dos trabalhadores, que tem o apoio dos sindicatos e de todas as centrais sindicais das centrais sindicais.
Lideranças do PT, do PCdoB e do PSOL já posicionaram o tema entre as prioridades do primeiro semestre, ao lado da regulamentação do trabalho por aplicativos. A aposta é que a mudança dialogue não apenas com a base organizada, mas também com segmentos de classe média e setores sensíveis ao debate sobre qualidade de vida e saúde mental no ambiente laboral.
Expansão do Gás do Povo
No campo social, a prioridade imediata é a aprovação da Medida Provisória que instituiu o programa Gás do Povo. Substituindo o antigo Auxílio Gás, a nova estrutura redesenha o benefício para garantir que famílias de baixa renda recebam o equivalente a metade do valor de um botijão a cada dois meses, seja por depósito direto ou pela retirada do produto em estabelecimentos credenciados.
O governo projeta alcançar 15 milhões de famílias com a garantia de gás de cozinha gratuito para domicílios com renda de até meio salário mínimo. No Senado, a aprovação da MP é tratada como prioridade absoluta, dado o seu valor simbólico de proteção social direta e o impacto imediato no combate à pobreza energética e à inflação de itens básicos.
PEC da Segurança e o cerco às facções
Na seara da segurança pública, o governo prepara o terreno para duas votações que ficaram represadas: a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifação. A PEC institucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública, reorganizando competências federativas e vinculando fontes de financiamento estruturadas, incluindo recursos provenientes da arrecadação sobre apostas esportivas online (bets) para o Fundo Nacional de Segurança Pública.
Em paralelo, a lei antifação endurece as penas para crimes cometidos por organizações criminosas e milícias, criando tipos penais específicos e ampliando a capacidade de rastreamento de fluxos financeiros. O Planalto enxerga neste pacote uma oportunidade de demonstrar firmeza no combate ao crime sem abandonar a agenda de direitos, tentando enquadrar a oposição em votações de difícil rejeição em um ano de campanha nacional.
A ofensiva da direita e o posicionamento do PP
Enquanto o governo tenta consolidar uma agenda propositiva, o campo conservador articula uma estratégia de desgaste. No Senado, a oposição busca derrubar o veto total de Lula ao projeto da dosimetria, que previa a revisão de penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. O veto foi fundamentado na necessidade de preservar a responsabilização pelos ataques à democracia, mas a direita tenta transformar o tema em combustível eleitoral.
Nesse tabuleiro, o PP assume papel central. Mesmo ocupando espaços na Esplanada, como o Ministério do Esporte, a cúpula do partido trata a derrubada de vetos presidenciais como uma prova de força. O foco não se restringe à dosimetria, alcançando também temas de regularização fundiária e interesses do agronegócio, em uma sinalização direta ao eleitorado ruralista.
O fator Lula e o calendário comprimido
O governo entra nesse embate amparado por pesquisas que mostram Lula à frente em todos os cenários para as eleições de 2026. O desempenho positivo em indicadores sociais e de emprego aumenta o custo político para partidos que optarem pela obstrução sistemática. No entanto, o tempo para o “Congresso útil” é reconhecidamente curto, espremido entre os prazos das convenções partidárias e a agenda da Copa do Mundo.
Diante deste Legislativo, a estratégia do Planalto é isolar os setores mais radicalizados da direita e empurrar o “Centrão” para negociações pragmáticas. Com Lula em vantagem nas sondagens e entregas concretas na área social, o governo aposta que é possível arrancar vitórias estruturantes no Parlamento, transformando o ambiente hostil em uma plataforma de afirmação política para o processo eleitoral que se aproxima.
Vermelho
