30-01-2026Sexta-feira
Em 2025, apenas 5% da população estava desocupada, enquanto os empregados somaram 103 milhões. País também bateu recorde no ganho dos trabalhadores
O Brasil teve, em 2025, a menor taxa de desemprego da série histórica, de 5,1%, com a população ocupada chegando em 103 milhões de pessoas. Os patamares foram os melhores já atingidos desde 2012, segundo a Pnad Contínua, do IBGE, divulgada nesta sexta-feira (30).
De acordo com a pesquisa, com o resultado de dezembro, a taxa anual do indicador de desemprego caiu de 6,6%, em 2024, para 5,6%, em 2025. Em um ano, a média de pessoas sem emprego caiu de 7,2 para 6,2 milhões.
A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, salientou que “a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento, reduzindo a pressão por trabalho. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”.
Também foi recorde o nível de ocupação — percentual de pessoas que estão ocupadas na idade de trabalhar. Conforme os dados, em 2025 esse índice ficou em 59%, enquanto em 2024 era de 58,6% e em 2012 era de 58%. Seguindo a mesma trajetória, o nível de subutilização também foi o menor dos últimos 13 anos, 14,5% — ante 16,2% em 2024.
Quando analisado o quarto trimestre do ano passado, o saldo também é positivo. A taxa de desocupação, de 5%, apresentou queda tanto na na comparação com o trimestre de julho a setembro — com -0,5 ponto percentual — quanto a igual trimestre de 2024. Naquele momento, a marca foi de 6,2%, com redução de -1,1 p.p.
Ao analisar o último trimestre do ano com o anterior (de julho da setembro), o IBGE verificou que as atividades que tiveram maior aquecimento foram os de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (1,6%, ou mais 299 mil pessoas) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,5%, ou mais 282 mil pessoas).
Informalidade em queda
O IBGE também verificou que o país teve aumento no número de empregos formais (com carteira assinada). Conforme a estimativa, o crescimento foi de 2,8% em 2025 na comparação com o ano anterior e atingiu quase 39 milhões de pessoas. O quantitativo também foi recorde, registrando um acréscimo de cerca de 1 milhão de pessoas com carteira assinada em relação a 2024.
Já o contingente anual de empregados da iniciativa privada sem carteira assinada caiu 0,8%, passando de 13,9 milhões para 13,8 milhões de pessoas.
Refletindo o forte processo de precarização e a tendência ao empreendedorismo, os brasileiros que trabalham por conta própria foi o maior da série, com estimativa anual de 26 milhões, crescimento de 2,4% em relação a 2024, quando foi de 25,5 milhões.
Na comparação com o início da série em 2012, quando era de 20 milhões, o crescimento foi de 30,4%. A taxa anual de informalidade passou de 39%, em 2024, para 38% em 2025.
Na avaliação de Adriana, a taxa de informalidade reflete característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro. “A composição e dinâmica da população ocupada ainda é bastante dependente da informalidade, sobretudo, devido à grande participação de trabalhadores no comercio e em segmentos de serviços menos complexos”.
Massa salarial em alta
O quadro positivo da economia e do mercado de empregos também se refletiu no bolso dos trabalhadores: o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, um aumento de 5,7% (ou R$ 192) na comparação com 2024. Na série histórica da pesquisa, desde 2012, o menor resultado havia sido em 2022 (R$ 3.032).
Já o valor anual da massa de rendimento real habitual chegou a R$ 361,7 bilhões, em 2025, o maior da série, com alta de 7,5% (mais R$ 25,4 bilhões) em relação a 2024.
As atividades com melhor performance nesse quesito foram as de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, além do setor de administração pública, defesa, educação, saúde humana, seguridade social e serviços sociais.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, “além desses impulsos setoriais, a valorização do salário-mínimo influenciou o ganho de rendimento nos segmentos de atividades mais elementares e menos formalizadas. Dessa forma, independente da forma de inserção na ocupação, o crescimento do rendimento foi difundido para a população ocupada como um todo”.
