16-01-2026 Sexta-feira
Alexandre de Moraes atendeu ao pedido de transferência do líder da trama golpista para uma sala de Estado-Maior; agora ele terá fisioterapia, cozinha e médico 24 horas
Nesta quinta-feira (15), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a transferência de Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha. Moraes atendeu aos repetidos pedidos da defesa e da família, o que resultou em mais privilégios ao detento, já transferido.
É importante lembrar que durante sua trajetória política Jair Bolsonaro foi um contumaz crítico dos direitos humanos, defendendo, sempre que podia, condições degradantes para as pessoas no sistema prisional. No entanto, agora que está detido, reivindica benefícios incompatíveis com tudo o que já proferiu, como: “Se cadeia é lugar ruim, é só não fazer a besteira que não vai para lá. Vamos acabar com essa história de ficar com pena de encarcerado.”
Como já destacou o jurista Pedro Serrano em entrevista à Fórum, Bolsonaro “é punitivista para os outros e para si é ultragarantista”.
Privilégios de Bolsonaro
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a trama golpista. No despacho, que o transferiu para a Papudinha, Moraes também fez concessões relativas à custódia, como assistência médica 24 horas por dia, sem necessidade de comunicação prévia ao Judiciário. Em casos de urgência, o detento poderá ser levado para hospitais, com posterior comunicação ao STF.
Ele também será submetido a uma junta médica, incluindo profissionais da Polícia Federal, para avaliar as suas condições de saúde. Um laudo deverá ser apresentado em dez dias.
Além disso, o ex-presidente poderá receber sessões de fisioterapia e equipamentos, assim como receber alimentação especial. O local conta com uma cozinha própria.
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Estão autorizados a visitá-lo às quartas e às quintas-feiras, em três horários definidos, a esposa, Michelle Bolsonaro, os filhos Carlos, Flávio, Jair Renan e Laura Bolsonaro, e a enteada Letícia Firmo da Silva. As demais visitas devem seguir os padrões do sistema penitenciário do Distrito Federal sob observação do STF.
Um dos pedidos que Moraes negou a Bolsonaro é o de ter na cela uma televisão smart TV com acesso à internet – ele fica somente com a televisão tradicional.
Apesar das concessões, em seu despacho o ministro do STF destacou que as condições anteriores na Polícia Federal já eram “extremamente favoráveis” quando comparadas à realidade do sistema prisional brasileiro, em que 384.586 (trezentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e seis) condenados cumprem pena privativa de liberdade em regime fechado e não recebem o mesmo tratamento.
Moraes ainda listou estes privilégios de antes, agora ampliados, destacado pela comunicação do STF: “sala individual de 12 m² — o dobro do tamanho previsto na Lei de Execução Penal (LEP) —, com banheiro exclusivo, frigobar, televisão e ar-condicionado, benefícios inexistentes para a maioria dos presos em regime fechado.”
