Maduro se declara inocente nos EUA e diz ser “prisioneiro de guerra” em NY

6-01-2026 Terça-feira

Em primeira audiência em Nova York após o sequestro em Caracas, Maduro rejeita acusações, reafirma mandato presidencial e classifica a ação dos EUA como agressão militar ilegal

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (5) diante da Justiça dos Estados Unidos, durante sua primeira audiência em Nova York desde que foi capturado por forças norte-americanas em Caracas.

Diante do juiz federal Alvin Hellerstein, Maduro afirmou que segue sendo o chefe de Estado venezuelano e definiu sua detenção como um sequestro em contexto de agressão internacional, classificando-se como “prisioneiro de guerra”.

Durante a audiência realizada no Tribunal Federal Daniel Patrick Moynihan, em Nova York, Maduro rejeitou formalmente todas as acusações apresentadas pela promotoria norte-americana e afirmou que não reconhece o processo como criminal, mas como resultado de uma ação militar contra um chefe de Estado em exercício.

“Sou o presidente da Venezuela e me considero prisioneiro de guerra. Fui capturado em minha casa, em Caracas”, declarou ao magistrado, antes de ser interrompido. Em seguida, afirmou: “Sou inocente, sou um homem decente e sigo sendo o presidente do meu país”.

A manifestação pública marcou a primeira vez que Maduro falou diante de autoridades judiciais desde o episódio ocorrido no último sábado (3), quando forças norte-americanas realizaram um ataque militar em Caracas, com bombardeios e o sequestro do casal presidencial, removendo-os ilegalmente do país.

A acusação, formulada originalmente em 2020 e atualizada recentemente pelo Departamento de Justiça dos EUA, imputa ao presidente venezuelano crimes como conspiração de “narcoterrorismo”, tráfico internacional de cocaína e posse de armas e explosivos. 

Maduro e sua esposa ouviram formalmente a leitura das acusações durante a audiência e ambos se declararam “não culpados”.

A defesa do presidente sustentou que a prisão é ilegal e levantou questões centrais sobre imunidade presidencial, jurisdição e ausência de notificação prévia dos cargos. Segundo os advogados, Maduro afirmou ao juiz que não havia sido informado formalmente das acusações antes de sua detenção, ponto considerado sensível do ponto de vista do devido processo legal.

A defesa de Maduro é conduzida pelo advogado Barry Pollack, criminalista norte-americano que ganhou projeção internacional por integrar a equipe jurídica do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em processos relacionados à extradição e à acusação apresentada pelos Estados Unidos. 

Segundo a defesa, Pollack atua no caso venezuelano com foco nas questões de legalidade da prisão e de imunidade de chefe de Estado.

A primeira-dama Cilia Flores também se declarou inocente e solicitou visita consular. Seu advogado, Mark Donnelly, informou ao tribunal que Flores sofreu ferimentos durante a operação militar que resultou em sua captura e que, até o momento da audiência, não havia recebido atendimento médico adequado.

Segundo a defesa, as lesões são visíveis e incluem fortes hematomas, com suspeita de fraturas, o que configuraria violação de tratados internacionais sobre o tratamento de pessoas detidas. 

O juiz determinou que a defesa coordene com a promotoria os procedimentos para garantir avaliação médica, sem fixar prazo específico.

A situação foi apresentada pelos advogados como incompatível com normas internacionais de proteção a prisioneiros e detidos, incluindo obrigações humanitárias previstas em convenções multilaterais.

Vermelho

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