7-11-2025 Sexta-feira
Presidente discursou na Cúpula de Líderes em mesa sobre Transição Energética. Encontro antecede a COP 30, que começa na próxima segunda-feira (10)
O presidente Lula discursou, nesta sexta-feira (7), durante a sessão temática da Cúpula de Líderes, também chamada de Cúpula do Clima, sobre “Transição Energética”. O evento pavimenta os trabalhos para a COP 30, que começa na próxima segunda-feira (10).
O encontro de autoridades, realizado no Parque da Cidade, em Belém (PA), já contou com o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que soma US$ 5,5 bilhões para a preservação ambiental.
Antes da fala, os chefes de Estado e lideranças políticas se reuniram para uma fotografia oficial.
Na sequência, para os presentes na mesa redonda, Lula alertou que as decisões acertadas entre eles irão definir o sucesso ou o fracasso na batalha contra a mudança do clima: “Devemos decidir se o século XXI será lembrado como o século da catástrofe climática ou como o momento da reconstrução inteligente.”
Dessa maneira, ele propôs três compromissos centrais:
- implementar o acordo de Dubai de triplicar a energia renovável e de dobrar a eficiência energética até 2030;
- colocar a eliminação da pobreza energética no centro do debate e incluir metas de cocção limpa (cozimento limpo, sem poluição) e de acesso à eletricidade nos planos climáticos nacionais;
- aderir ao Compromisso de Belém para quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035 e acelerar a descarbonização dos setores mais desafiadores.
Transformação em curso
Segundo o presidente, o planeta Terra não comporta mais o modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis, sendo que 75% das emissões de gases do efeito estufa têm origem na produção e no consumo de energia.
Apesar desse cenário desafiador, o líder brasileiro destacou que a ciência e a tecnologia permitem a evolução para o modelo centrado nas energias limpas.
“Essa transformação já está em curso. O uso de renováveis triplicou nos últimos dez anos. No primeiro semestre de 2025, a energia renovável se tornou a maior fonte individual de geração de eletricidade no mundo, ultrapassando o carvão. Em muitas regiões, as energias solar e eólica já são mais baratas do que a gerada por combustíveis fósseis. O preço das baterias caiu 90%”, disse Lula.
Brasil
A partir da visão do governo, o presidente destacou a liderança do país na área ao salientar que 90% da matriz elétrica nacional provém de fontes limpas.
“Também somos pioneiros no desenvolvimento de motores flexíveis e o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis. Nossa gasolina tem 30% de etanol em sua composição e nosso diesel conta com 15% de biodiesel”, afirmou, apontando o etanol como alternativa eficaz ao modelo atual de utilização de combustíveis.
Transição e fim de conflitos
Em seguida, Lula indicou que a transição energética está posta como grande oportunidade. “Em 2023, o setor foi responsável por 10% do crescimento do PIB global e empregou 35 milhões de pessoas”, falou o presidente, reforçando que é impossível discutir a transição energética sem falar dos minerais críticos.
Mesmo com essa potencialidade, o presidente lamentou que os investimentos na área ainda sejam inferiores aos realizados no setor de petróleo e gás.
Ele ainda aproveitou a oportunidade para pedir o fim de conflitos como o da Ucrânia, uma vez que, além do horror da guerra, foram reabertas minas de carvão, que são altamente poluentes. Além disso, frisou que é descabido investir mais em conflitos armados do que na proteção contra as mudanças climáticas: “Gastar com armas o dobro do que destinamos à ação climática é pavimentar o caminho para o apocalipse climático.”

Pobreza energética
Conforme demonstrou Lula, a transição energética precisa ser feita, mas com o cuidado para não aprofundar ainda mais a pobreza energética, colocada nos seguintes termos:
- 2 bilhões de pessoas não têm acesso a combustíveis adequados para cozinhar;
- 660 milhões de pessoas dependem de lamparinas ou de geradores a diesel nas periferias das grandes cidades e nas comunidades rurais da América Latina, da África e da Ásia;
- 200 milhões de crianças frequentam escolas sem acesso à luz elétrica.
Assim, é preciso pensar em combater as mudanças climáticas ao passo em que se equaciona “a injustiça de dívidas externas impagáveis”, pontua.
Por isso, a justiça climática — visão pela qual os impactos da crise climática não devem afetar desproporcionalmente as comunidades mais vulneráveis e menos responsáveis pelas mudanças — deve ser orientada para buscar mecanismos de troca de dívida por financiamento de iniciativas de mitigação climática e que parte dos lucros com exploração de petróleo financie a transição energética mundial.
Vermelho