29-10-2025 Quarta-feira
Número de vítimas da megaoperação deve ultrapassar 130; familiares e moradores do Complexo da Penha enfileiraram os mortos que não constam na contagem oficial
Na madrugada desta quarta-feira (29), moradores do Rio de Janeiro começaram a reunir na Praça São Lucas, no Complexo da Penha, outros 72 corpos encontrados em área de mata após a megaoperação policial que já era considerada a mais letal da história.
Na contagem oficial do governo do estado, havia 64 mortos, sendo quatro policiais, além da prisão de 81 pessoas. Agora, com os 72novos corpos que não haviam sido contabilizados, esse número pode ultrapassar 130, ou até mais, uma vez que o Hospital Estadual Getúlio Vargas recebeu ao menos seis corpos durante o conflito, segundo a TV Globo.
Até o momento, a Polícia Militar não se pronunciou oficialmente. O secretário da corporação, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, no entanto, chegou a afirmar que os cadáveres não estavam incluídos na contagem anterior.
Ativistas sociais denunciam o confronto como chacina. É necessário aguardar algum posicionamento público sobre a contagem para saber se não há duplicidade nos registros. Uma coletiva de imprensa deve acontecer ainda nesta quarta-feira.
A iniciativa de reunir os corpos partiu de moradores e familiares, com o objetivo de que a imprensa registrasse o número de vítimas antes da remoção pelo Instituto Médico-Legal.
“Operação Contenção”
A “Operação Contenção” contra o tráfico de drogas e a expansão do Comando Vermelho ocorreu nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense.
A medida foi amplamente criticada pela exposição à qual o governador Cláudio Castro (PL) submeteu a população da cidade e os policiais.
Castro tem se notabilizado por operações com alto grau de letalidade, sendo acusado de empilhar corpos para sustentar a sanha punitivista do bolsonarismo, ao passo que amplia a insegurança no Rio de Janeiro ao aterrorizar os cidadãos e acirrar o confronto contra o crime organizado.
Relatos reunidos pela reportagem do jornal O Globo dão conta da revolta de familiares na Praça São Lucas. O clima de consternação se misturava ao de revolta, com familiares levantando os lençóis que cobriam os mortos para reconhecer seus parentes.
Entre os presentes, há testemunhas de que muitas vítimas haviam se entregado e, mesmo assim, foram assassinadas.
Ainda existe a possibilidade de mais corpos serem encontrados pelos moradores do Complexo da Penha. Os cadáveres reunidos na Praça foram encontrados na mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, entre a Penha e o Alemão. Foi na localidade onde os confrontos mais sangrentos ocorreram.
A ONG Anjos da Liberdade, que acompanhou a retirada dos mortos, relatou que muitos tinham sinais de execução, com tiros na nuca e facadas.
Vermelho
