07-08-2025 Quinta-feira
Conhecido mundialmente por suas extensas dunas e lagoas de águas cristalinas, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses vive um período de forte alta no turismo.
O crescimento acelerado, embora comemorado por setores que lucram com a atividade, também acende alertas sobre impactos ambientais, pressões urbanísticas e dificuldades enfrentadas por moradores da região.
O destino maranhense foi eleito o principal local de luxo para turistas brasileiros, segundo o Anuário de Tendências de Luxo 2025.
Além disso, apareceu em quarto lugar entre os destinos nacionais mais buscados por estrangeiros em 2024, de acordo com dados da plataforma SimilarWeb.
Esse interesse crescente se refletiu diretamente na movimentação econômica da região, com geração de emprego e renda em cidades como Barreirinhas, Santo Amaro, Atins, Tutóia e Paulino Neves, principais portas de entrada para o parque.
No entanto, o fluxo intenso de visitantes também tem provocado sobrecarga na infraestrutura, ocupações irregulares e pressões sobre o meio ambiente.
Segundo Cristiane Figueiredo, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o número de turistas nos Lençóis vem crescendo ano após ano, especialmente desde o período pós-pandemia.
Em 2021, o parque recebeu mais de 280 mil visitantes. Em 2024, esse número saltou para cerca de 440 mil. A visibilidade internacional também contribuiu para esse avanço.
Em julho de 2024, os Lençóis Maranhenses foram reconhecidos como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, o que atraiu ainda mais atenção para o destino.
Outros fatores, como investimentos em infraestrutura viária e o reforço da divulgação por parte de autoridades e influenciadores digitais, também ajudaram a impulsionar o interesse.
Entretanto, a expansão não veio sem custos. Um dos principais problemas ambientais é o excesso de veículos dentro do parque.
Muitos condutores não possuem credenciamento e desrespeitam as áreas delimitadas para circulação, provocando degradação do solo e da vegetação, conforme alerta Cristiane.
Há também registros de motoristas dirigindo em alta velocidade, sob efeito de álcool e com som alto.
Atualmente, o parque não possui um limite fixado de visitantes por dia, e o ICMBio estuda formas de regulamentar o fluxo para preservar a biodiversidade local.
Em maio de 2023, operadores de turismo organizaram um protesto cobrando fiscalização mais rigorosa contra veículos irregulares dentro da área protegida.
As denúncias incluíam comportamentos perigosos por parte de condutores clandestinos.
Além da pressão turística, cresce também o interesse imobiliário nos arredores dos Lençóis. A busca por imóveis para segunda moradia ou fins comerciais vem impulsionando a expansão urbana, nem sempre de forma regular.
Cristiane aponta que ao menos cinco empreendimentos nas cidades vizinhas apresentam irregularidades ambientais.
Um dos casos mais preocupantes é o do condomínio Terra Ville Residence, em Santo Amaro, que foi alvo de ação do Ministério Público Federal (MPF) por construções em área sensível, a apenas 200 metros do campo de dunas. O plano de controle ambiental do empreendimento não menciona a proximidade crítica com o parque.
A estrada que dá acesso ao loteamento também levanta questionamentos. Parte da via está situada sobre a zona de amortecimento ambiental e foi aprovada pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) sem a anuência do ICMBio.
Diante das irregularidades, o MPF pediu à Justiça a suspensão da licença ambiental concedida pela Sema, bem como do alvará de construção e da aprovação do loteamento e da estrada de acesso.
Em nota, a Sema afirmou que “o processo de licenciamento ambiental do empreendimento (…) foi conduzido com rigor em total conformidade com as legislações ambientais federais e estaduais.
