12-07-2023 Quarta-feira
As investigações do caso são importantes para colocar Bolsonaro não como um mero ouvinte dos planos golpistas, mas como um dos mentores
O ex-presidente Jair Bolsonaro depõe nesta quarta (12) na Polícia Federal (PF), em Brasília. No quarto depoimento à PF desde que deixou o Executivo, Bolsonaro deve ser ouvido no âmbito das investigações que envolvem o senador Marcos do Val (Podemos-ES) e o ex-deputado Daniel Silveira.
O inquérito contra o senador foi aberto em fevereiro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em junho, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador.
No aparelho celular apreendido, os agentes encontraram mensagens do senador Marcos do Val em que ele compartilhava uma reunião que teve com o então presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado, no Palácio do Alvorada.
Nas mensagens, Marcos do Val afirma que o trio teria traçado um plano para gravar o ministro Alexandre de Moraes, do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador se licenciou do cargo no dia 21 de junho, seis dias após ser alvo de busca e apreensão pela PF. A assessoria de Marcos do Val alegou que o parlamentar “teve um mal-estar em seu gabinete e (…) foi aconselhado pela junta médica a licenciar-se imediatamente”.
O relatório dos investigadores revelam que no início da troca de mensagens Do Val costumava ser mais cauteloso e orientava as pessoas apagarem as mensagens após as lerem. Depois, contudo, passou a compartilhar áudios entusiasmados sobre a preparação do golpe.
As investigações do caso são importantes para colocar Bolsonaro não como um mero expectador que ignorava os planos de golpe da claque que o rondava, mas como um dos mentores do golpe para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
4º depoimento desde que saiu da presidência
05/Abril: Joias Sauditas
26/Abril: Atos Golpistas do 8 de Janeiro
16/Maio: Fraude nos Cartões de Vacinação
Desde que saiu da presidência Jair Bolsonaro já prestou outros três depoimentos à Polícia Federal. Em abril, Bolsonaro foi ouvido no inquérito das Joias Sauditas sobre a tentativa de liberação dos presentes do regime saudita avaliados em R$5 milhões. Os materiais entraram irregularmente no país e foram apreendidos pela Receita Federal. Já no fim do mandato, uma equipe da presidência tentou reavê-los, sem sucesso.
O ex-presidente prestou depoimento à corporação em inquérito que apura os Atos Golpistas de 8 de Janeiro. Bolsonaro é suspeito de ter incitado o levante contra os prédios dos Três Poderes. Dois dias após o ataque da extrema-direita, o ex-presidente publicou vídeo questionando a lisura das urnas eletrônicas. Aos policiais, disse que estava sob efeito de remédios.
Recentemente, Bolsonaro também foi ouvido no inquérito que apura Fraude nos Cartões de Vacina. A Operação Venire da PF descobre inseração de dados falsos nos cartões de vacinação da família do então presidente e de seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid.
As adulterações foram feitas antes da delegação bolsonarista fugir para os Estados Unidos após a derrota eleitoral. Bolsonaro e seu Mauro Cid foram alvo de busca e apreensão em 3 de maio. Para os investigadores, Bolsonaro disse que negou ter orientado a falsificação do certificado.
Lucas Toth
