Arquivo mensal: janeiro 2023

Avanço do trabalho análogo ao do escravo exige medidas que enfrentem o capital 

28-01-2023 Sábado

Em meio à fome, ao desemprego e ao desmonte do Estado nos últimos anos, Brasil viu crescer número de pessoas exploradas em condições de trabalho análogas à escravidão

Mais um 28 de janeiro chega sem que o Brasil tenha conseguido eliminar uma de suas grandes mazelas históricas: a do trabalho análogo ao escravo. Às vésperas da data dedicada a reafirmar a necessidade do combate a este tipo de prática, escolhida em homenagem às vítimas da Chacina de Unaí, números do próprio Ministério do Trabalho indicam que mais do que estarmos ainda longe de eliminá-lo, regredimos nessa área nos últimos anos. 

Ao todo, em 2022, 2.575 pessoas foram resgatadas em situação análoga à de escravo, maior número dos últimos dez anos. O site Repórter Brasil lembra que desde maio de 1995, quando foram criados os grupos especiais de fiscalização móvel, base do sistema de combate à escravidão no país, foram contabilizados 60.251 resgates, além de R$ 127 milhões pagos em salários e valores devidos a esses trabalhadores. 

Nos últimos anos, ações e omissões dos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro pioraram o quadro. Além do desemprego, da fome e da vulnerabilidade social, que  levam as pessoas a se sujeitarem às mais degradantes situações para sobreviver, o desmonte das estruturas públicas, a precarização do trabalho, o encorajamento implícito e a “vista grossa”, sobretudo do bolsonarismo, a práticas desumanas formaram o cenário ideal para o agravamento dessa situação.

Adilson Araújo. Foto: reprodução

Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), lembra que a partir de 2016, com agenda de Temer e depois com a eleição de Bolsonaro, “tudo aquilo que se construiu por mais de uma década se transformou em letra morta.  Todos aqueles espaços de diálogo social, de trabalho efetivo, foram literalmente dissolvidos, seja pelo esvaziamento da função do trabalho da fiscalização e inspeção do trabalho, seja pela falta do concurso público que não renovou a capacidade de responder ao crescimento da demanda, seja pelo esvaziamento do órgão”. 

Neste mesmo sentido, o desembargador Marcelo D’Ambroso, do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), recorda que uma das primeiras medidas do governo anterior foi extinguir o Ministério do Trabalho, já no dia 1º de janeiro de 2019, que acabou tendo de ser recriado depois. “Obviamente, houve decréscimo de atuação da inspeção laboral a partir de sucessivos desmontes operados desde o golpe de 2016 que foram empreendidos contra o Estado social e democrático de direito, precarizando os serviços públicos de atenção ao povo ao mesmo tempo em que se prestigiava pagamento de juros de dívidas públicas ao grande capital, redirecionando a máquina estatal para a reprimarização da economia”, destaca. 

Em sua avaliação, esse movimento “se destinou a converter o Brasil em grande fazenda/território de fornecimento de recursos naturais e mão-de-obra barata para grandes potências (neocolonialismo), mantendo o foco no processo de acumulação por despossessão do povo em favor da grande elite financeira, e sucessiva militarização do país, com diminuição da classe média e aumento da pobreza”. 

Mas, para além do ambiente produzido nos últimos anos e das condições históricas criadas pela escravidão no Brasil, há aspectos jurídicos e do próprio sistema capitalista que acabam dando sustentação e perenidade à exploração extrema dos trabalhadores. 

O desembargador argumenta que um dos entraves para a superação desse tipo de exploração diz respeito à falta de atuação de polícia judiciária. “Salvo raras exceções, os casos de trabalho análogo ao escravo ficam na esfera cível, das indenizações trabalhistas, por dano moral, dano moral coletivo, das ações civis públicas do Ministério Público do Trabalho, das penalidades administrativas impostas pela inspeção do trabalho. Apesar de constituírem uma forma de reparação, não são suficientes para reprimir e inibir a prática”.

Ele explica que o delito está previsto no Código Penal (artigo 149), mas dificilmente é aplicado “por força de um limbo policial e judiciário que não avança para efetividade da norma”. 

Mas, para ele, a grande questão é que “a legislação penal do capitalismo se direciona à proteção da propriedade/patrimônio (leia-se capital), e os dados do sistema penitenciário brasileiro são reveladores quanto a percentuais de encarceramento por delitos contra a propriedade (furtos, roubos), que constituem a maioria disparada das prisões e dos processos criminais”. 

D’Ambroso argumenta que “ainda é um tabu discutir sobre delitos do capital contra a sociedade, especialmente contra trabalhadoras e trabalhadores, lembrando que o anteprojeto de um novo código penal simplesmente suprime o capítulo dos delitos contra a organização do trabalho”. 

Trabalho escravo “moderno”

Marcelo D’Ambroso. Foto: TRT-4

Na dinâmica exploratória do sistema capitalista, novas formas de atividades laborais vão surgindo, mas sempre tendo como foco o princípio da busca pelo lucro em detrimento do respeito à vida e à dignidade. Um desses “avanços” veio com aplicativos de transporte e entrega, que precarizaram profundamente as condições de trabalho e de vida, sobretudo entre jovens. 

O desembargador Marcelo d’Ambroso classifica esse tipo de exploração como crime “no qual se aproveita a novidade algorítmica para mascarar práticas exploratórias cruéis da classe trabalhadora. Veja bem, quando uso o adjetivo cruel me refiro às centenas de mortes e lesões de trabalhadores e trabalhadoras por aplicativos, sobretudo na função de tele-entrega, na qual a pessoa, sem cobertura previdenciária, sem vínculo empregatício reconhecido, sem limitação de jornada, sem décimo terceiro, sem férias, sem FGTS, sem direitos – a não ser a remuneração estrita pelo serviço prestado —, perde a vida ou adoece trabalhando”. 

Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, “não há razão alguma para, em pleno século 21, a gente conviver com esse tipo de trabalho degradante, desumano que tem ceifado vidas de jovens que, enganados pelo canto da sereia de que há uma boa oferta de emprego em dadas áreas, terminam sendo forçados ao trabalho à exaustão, sem possibilidade alguma de desvinculação porque a não regulação desse trabalho e a forma de contratação termina sendo uma bola de ferro nos pés para que esse trabalhador seja submetido às imposições de patrões que não têm nenhum nível de sensibilidade”. 

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a situação dessas pessoas “beira o trabalho escravo”, posição reafirmada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho. O presidente promete que o governo apresentará proposta para regulação trabalhista para o setor. Além de enfrentar o desequilíbrio nas relações de trabalho, a ideia é também garantir direitos a esses profissionais. 

Novo ciclo para o combate à exploração

A chegada de Lula à presidência abre um cenário de novas perspectivas também para o enfrentamento dessa chaga social. “A gente vai precisar, com esse novo ciclo que se inaugura, resgatar primeiro a centralidade da agenda do trabalho decente e dar voz à sociedade civil organizada”, defende Adilson Araújo. 

Para ele, “se o Brasil hoje reivindica o seu legítimo direito enquanto nação de não constar no mapa da fome, eu penso que do mesmo modo temos o grande desafio de tirar o país da lista suja do OIT (Organização Internacional do Trabalho). Esses são pressupostos reivindicados pelas centrais sindicais e eu penso que nós devemos seguir ambicionando esse propósito: promover as transformações do nosso tempo por um trabalho digno, um salário justo, com direito à igualdade, liberdade, saúde e segurança”.

O desembargador Marcelo D’Ambroso salienta que hoje é necessário “um acordo político, interinstitucional, envolvendo os Três Poderes, para estabelecer parâmetros de humanização do capitalismo brasileiro (enquanto tal sistema permanecer vigente no país), passando pela implantação de polícia judiciária para os crimes praticados pelo capital contra a classe trabalhadora”. 

Neste sentido, ele defende medidas como, por exemplo, a definição de competência da Polícia Federal e criação de Delegacias de Polícia especializadas não só em crimes de exploração de trabalho em condições análogas à escravidão, como também de fraudes contra a legislação do trabalho e acidentes do trabalho; definição de competência judiciária para apuração desses delitos, preferencialmente na Justiça do Trabalho; capacitação e requalificação em Direitos Humanos de delegados, juízes, membros do Ministério Público, funcionalismo do Executivo, Legislativo e Judiciário e o reaparelhamento da inspeção do trabalho, do Ministério do Trabalho.

Em síntese, conclui, “se queremos avançar, é necessário rediscutir o projeto de desenvolvimento do Brasil, que não pode se dar às custas de exploração do meio ambiente e da classe trabalhadora”. Enquanto permanecer o sistema capitalista no país, diz, “temos de lutar pela sua humanização”.

Vermelho Priscila Lobregatte

Lula anuncia caravana pelo Brasil para “conhecer os reais problemas” do povo

28-01-2023 Sábado

Presidente da República ainda indicou que levará os seus ministros nas viagens

247 – O Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em suas redes sociais neste sábado (28) que irá fazer uma caravana pelo Brasil para “conhecer os reais problemas” do povo. 

“Eu tenho quatro anos para provar que o Brasil pode voltar a ser um país que respeita o seu povo. Vou voltar a viajar o país para conhecer os reais problemas, e levarei nossos ministros, porque um país como o Brasil não pode ver o povo passando fome. Bom dia para todos”, anunciou o presidente”. 

Nesta sexta-feira, Lula participou de uma reunião bem sucedida com os 27 governadores e indicou um clima de unidade. 

“Nós vamos mostrar ao povo brasileiro que o ódio acabou. Que o que aconteceu no dia 8 de janeiro não vai se repetir. Vamos recuperar a democracia nesse país, e a essencialidade da democracia é falar o que quer, desde que não obstrua o direito do outro falar. Por isso, eu falo que o Brasil vai voltar a normalidade”, declarou.

Brasil 247

Golpistas pedem PIX para liberar pagamento da revisão da vida toda

28-01-2023 Sábado

Golpistas acessam dados públicos, usam foto do advogado contratado pelo aposentado e pedem PIX para liberar pagamento. Todos os serviços do INSS são gratuitos. Veja como se prevenir contra o golpe

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou a revisão da vida toda de constitucional, milhares de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entraram com ação para requerer o direito de ter um benefício com o valor um pouco maior. Confira abaixo o que é revisão da vida toda e quem tem direito.

Rapidamente, um novo golpe surgiu na praça. Criminosos fingem ser os advogados contratados pelos aposentados para pedir a revisão no INSS e pedem PIX por meio do WhatsApp para liberar o novo valor do benefício e o pagamento retroativo da diferença entre o valor novo e o antigo de até cinco anos atrás.

Os honorários do advogado só são pagos depois que o INSS deposita o valor dessa diferença na conta do aposentado. O INSS não cobra nada para que o valor seja liberado.

Mas o golpe pode confundir alguns aposentados, já que os criminosos usam um fotos dos advogados que eles contrataram, criam uma conta falsa no WhatsApp e mandam a mensagem pedindo PIX para liberar o pagamento.

Os golpistas acessam pela internet informações públicas como CPF do aposentado, número do processo e nome do advogado. 

Depois disso, fica fácil cria uma conta falsa no WhatsApp.

Há casos em que a possível vítima recebe uma carta em PDF pelo WhatsApp mencionando “pendências e confirmações” que precisam ser concluídas para o valor ser liberado, segundo o UOL.

Se cair no golpe, vai ser muito difícil o aposentado recuperar o dinheiro.

Como se prevenir contra o golpe?

O INSS orienta os aposentados a:

– bloquear o número do telefone do golpista

– fazer um Boletim de Ocorrência (BO)

– tentar entrar em contato com o escritório de advocacia pelo telefone que já tinha ou ir pessoalmente ao local.

Por meio de nota publicada no site, o INSS informa ainda que não entra em contato com seus segurados por telefone ou outros canais para oferecer serviços ou benefícios e tampouco revisões de valores.

Outras dicas para se proteger

– Não passe dados pessoais, como CPF, telefone, endereço ou número do benefício para ninguém.

– Não envie fotos de documentos ou fotos pessoais pelas redes.

– Nunca compartilhe a senha de acesso ao Meu INSS com outras pessoas.

– Não faça depósitos, pagamentos ou transferências que forem pedidas em nome do INSS.

-Todos os serviços do INSS são gratuitos.

CUT

Cortejo dos blocos tradicionais agita foliões pelas ruas do Centro de São Luís

28-01-2023 Sábado

Os blocos tradicionais do pré-Carnaval e do Carnaval do Maranhão agitaram os foliões, no final da tarde desta sexta-feira (27), durante as festividades do pré-Carnaval 2023, do Governo do Estado. O ponto de concentração dos brincantes foi a Praça Dedoro, local de onde eles partiram para a Rua Grande, em seguida foram apara a praça João Lisboa e encerraram o trajeto na Praia Grande.

“Nossa segunda semana de pré-Carnaval com muita alegria, muita segurança. Esse Carnaval é idealizado pelo governador Carlos Brandão e está sendo sucesso de público. São dias de muita festa, muita alegria e de muita geração de renda para famílias”, pontuou o secretário de Cultura, Yuri Arruda.

As batucadas refletem a vivacidade e o ritmo dos grupos que, por onde passavam, arrastavam as pessoas. Ao todo, foram cerca de 10 blocos tradicionais que esquentaram os foliões e marcaram, com animação, as ruas do Centro de São Luís.  

As batucadas nos tambores são feitas com as mãos espalmadas, com força e precisão nos intervalos entre uma batida e outra para que haja cadência. Cada bloco tradicional possui um figurino próprio muito colorido.

Turista da Bahia, o artista Jeferson Marques, falou sobre a experiência de acompanhar pela primeira vez o cortejo dos blocos tradicionais. “Isso é lindo. É a primeira vez que assisto essa festa maravilhosa As roupas chamam muita atenção, é bem ancestral”, disse Marques.

Além da animação, das vestimentas e muita energia positiva, a diversidade de público também marcou o cortejo dos blocos. Crianças, idosos e turistas estavam presentes no evento, que tomou conta dos principais pontos do Centro da cidade.

“Muito legal a iniciativa do governo para fazer um pré-Carnaval aqui em São Luís do Maranhão. Como turista estou achando muito legal”, destacou o servidor público Dionísio Zendrini, que mora em Apucarana, no Paraná. Ele está passando férias pela primeira vez em São Luís com a família.

Um ponto alto do cortejo foi já no final onde cada grupo fez uma pequena apresentação em um palco montado na praça Nauro Machado, o que empolgou o público presente. “É muita alegria, é muito bom. Pra mim é uma terapia eu amo o Carnaval do Maranhão”, afirmou a servidora pública Laice Martins.

Ministra dos Povos Indígenas espera demarcação de 14 áreas este ano

28-01-2023 Sábado

Sônia Guajajara disse que processos estão prontos para homologação

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, afirmou, em entrevista a veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que 14 processos de demarcação de terras indígenas estão prontos para homologação pelo governo federal.

São áreas localizadas em oito estados de quase todas as regiões do país. “Temos 14 processos identificados, que estão com os estudos prontos, concluídos, já têm a portaria declaratória. A gente espera que o presidente Lula possa assinar a homologação”, disse.

As terras indígenas prontas para o reconhecimento definitivo ficam no Ceará, Bahia, Paraíba, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Acre, Amazonas e Mato Grosso. O governo anterior, de Jair Bolsonaro, havia paralisado todos os processos de demarcação de terras indígenas e a retomada desses processos foi um compromisso de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No fim ano passado, durante a transição de governo, o grupo de trabalho temático sobre questões indígenas já havia incluído, no seu relatório, uma lista das 13 áreas prontas para demarcação. Ao todo, elas somam cerca de 1,5 milhão de hectares.

Ameaças

Primeira indígena a assumir um cargo de ministra no governo federal, Sônia Guajajara foi a entrevistada da edição desta sexta-feira (27) do programa Voz do Brasil, da EBC, em que atualizou a situação de vulnerabilidade de diversos povos.

O tema ganhou evidência nos últimos dias com a eclosão da crise sanitária vivida pelos Yanomamis, em Roraima. Segundo a ministra, este caso é apenas “a ponta do iceberg”. 

“Tivemos seis anos de muita ausência do poder público. Yanomami é uma pontinha do iceberg”, afirmou Guajajara. A ministra citou os casos dos povos Arariboia e Guajajara, no Maranhão, Uru-eu-wau-wau, em Rondônia, Karipuna, no Acre, e Munduruku, no Pará. “Todas essas áreas estão com situação grave de madeireiro ou de garimpeiro e, com isso, [há] uma insegurança geral de saúde e alimentar”, disse.

A ministra também mencionou a situação dos indígenas Guarani Kaiowá, grupo que já esteve em evidência há alguns anos, mas que segue grave. Eles vivem em área ainda não demarcada e que é disputada por fazendeiros, as chamadas de áreas de retomada, em que há conflito permanente. “Temos recebido demanda do Guarani Kaiowá. Eles vivem em áreas de retomadas e isso dificulta a produção de alimentos. Tem a situação do povo Pataxó, também numa área de retomada. É uma terra indígena que aguarda portaria declaratória do governo federal. [Há também] os Awá Guarani, no Paraná, que têm procurado a gente para dar uma atenção especial”, acrescentou.

Outra fonte de preocupação, de acordo com a ministra, segue sendo a região Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, que concentra o maior número de povos indígenas isolados de todo o país. No ano passado, a região foi notícia mundial com os assassinatos brutais do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

“Nas duas últimas semanas foi encontrada uma bomba dentro da casa de um servidor da Funai [no Vale do Javari]. A Polícia Federal foi chamada e conseguiu desarmar a bomba. O Vale do Javari é uma prioridade para garantir proteção”, revelou a ministra.

“Com essa afirmação do presidente Lula de que vai retomar a demarcação de terras indígenas, de que vai avançar com esses processos, então [isso] já gera uma certa turbulência, animosidade de quem é contra a demarcação e, com isso, eles tentam formas de intimidar a própria atuação do governo federal”, acrescentou.

Ações permanentes

A ministra do Povos Indígenas ainda falou sobre a necessidade de ações permanentes nos territórios indígenas, para repelir ameaças e evitar novas situações de vulnerabilidade.  

“Essa ação é muito importante, é a retomada da presença do Estado no território. E é preciso que seja feito um trabalho articulado com vários ministérios. Para isso, instalou-se uma comissão de enfrentamento que vai começar na segunda-feira (30), e a ideia é que o Ministério da Defesa permaneça ali com essa presença de fiscalização, juntamente com Ministério da Justiça, [com] a Polícia Federal”, finalizou.

Governo Lula integra ministérios e governo estadual para socorrer o povo Yanomami

28-01-2023 Sábado

Equipes do Desenvolvimento Social, Saúde, Desenvolvimento Regional e Cidades chegam em Roraima para atuar junto com o governo estadual na crise humanitária

Na próxima segunda-feira (29) equipes dos ministérios do Desenvolvimento Social, da Saúde e do Desenvolvimento Social começam a chegar em Roraima para colocar em prática um plano integrado com o governo do estado para dar assistência ao Povo Yanomani.

O envio das equipes foi articulado com o governador de Roraima, Antônio Denarium, após uma série de reuniões que contaram com a participação dos ministros da Saúde, Nísia Trindade, Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e das Cidades, Jader Filho, além de secretários nacionais do MDS. As tratativas reunindo diferentes pastas do governo federal tem o objetivo de promover ações integradas para solucionar a grave crise humanitária vivida pelos indígenas em Roraima.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou a importância de uma ação integrada entre o governo federal e o estadual. .“A gente trabalhou uma agenda com um olhar especial no conjunto entre o Governo Federal, o governo do estado, que se integra com os municípios, para esse momento emergencial. Aqui é uma agenda na área de soluções para desafios que temos na saúde, no social e em outras áreas”.

Dias valorizou o papel do governo estadual para contribuir na execução do plano integrado. “O estado tem experiência, juntamente com a área que trabalha no Governo Federal, ali integrado com as comunidades, com a população indígena e com o ministério da área indígena para que a gente encontre um caminho. Essa área de habitação, área relacionada com a Comunicação, se integrando com Educação, Saúde e com Segurança, enfim, para que a gente possa garantir qualidade de vida”, argumentou.

Por sua vez, o governador de Roraima, Antônio Denarium, se comprometeu com o plano de assistência aos Yanomamis e enfatizou a importância da parceria com o governo federal. “Nós vamos receber as equipes técnicas dos ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento Regional. Iremos fazer um levantamento específico em todas as comunidades indígenas e pautar cada necessidade em saneamento básico, educação, saúde, dando prioridade para fazer o atendimento de forma emergencial”.

Ação integrada une ministérios

Já a ministra da Saúde, Nísia Trindade, argumentou que a pasta trabalha com o atendimento e também remoções dos indígenas doentes, com ações a curto prazo e também permanentes.  “Pensamos nas ações de curto prazo, mas também ações permanentes que possam fazer com que a responsabilidade do Ministério da Saúde na atenção primária e o trabalho integrado da saúde junto aos municípios e ao estado de Roraima, possam levar o cuidado à proteção e à superação da grave crise que nós vivemos hoje”, disse Nísia Trindade.

Também o ministro das Cidades, Jader Filho, garantiu que equipes do seu ministério estarão em Roraima na segunda-feira para participar das ações. “Nós estamos na expectativa de, na segunda-feira (29), já podermos estar com todas as nossas equipes em Roraima para identificar que problemas são esses e quais os caminhos para solucioná-los. Estamos de mãos dadas para resolver o problema dos Yanomami, mas também envolvidos em pautas futuras que o estado possa nos trazer”.

Waldez Góes, titular da pasta do Desenvolvimento Regional, lembrou que esse tipo de trabalho intersetorial  na crise humanitária dos Yanomamis poderá vir a ser utilizada futuramente em outras situações no país. “O trabalho com o Povo Yanomami pode ser replicado em várias outras situações que ocorrem no país, não só nas comunidades indígenas. O Governo Federal está mobilizado com essa transversalidade ministerial, das missões que cada pasta tem para levar dignidade à população”.

PT

Comissão de Recesso da Câmara de São Luís deve entregar relatório sobre o Plano Diretor no início de fevereiro

28-01-2023 Sábado

Na tarde da última terça-feira, 24, a Comissão de Recesso da Câmara realizou uma reunião para tratar sobre o novo Plano Diretor de São Luís. O encontro contou com a presença de autoridades, representantes da Prefeitura, de entidades empresariais e movimentos sociais. A próxima reunião para debater a proposta do novo Plano Diretor está prevista para ocorrer na segunda-feira, 30. 

Na ocasião, o vereador Dr. Gutemberg (PSC), relator da revisão do Plano Diretor, informou que o presidente da Casa Legislativa, Paulo Victor (PCdoB), solicitou que a comissão de recesso apresente um relatório no início de fevereiro. 

“Essa Casa vive um momento especial. É até uma coisa inovadora quando o presidente determina uma comissão de recesso, que tem obrigações regimentais muito claras, mas que dá uma responsabilidade para este time, uma responsabilidade hercúlea, que é justamente começar a trabalhar o Plano Diretor. Ele deu uma missão maior ainda, que a gente apresente um relatório, mesmo que seja prévio, no dia 6 de fevereiro”, disse. 

O parlamentar destacou que as discussões do Plano Diretor têm tido boa receptividade pela sociedade ludovicense. “Aonde eu chego, as pessoas perguntam sobre o plano, querem saber como ele está. Nas entrevistas cedidas nós temos mostrado para as pessoas o que é o Plano Diretor e qual a importância deste instrumento para toda a sociedade”, frisou. 

Dr. Gutemberg também informou que no momento os vereadores estão trabalhando como ouvintes e coletando o máximo de informações possíveis. “Neste momento nós vereadores funcionamos como ouvidores, queremos ouvir a palavra de todas as pessoas que têm experiência e de todos os níveis da nossa sociedade, para que no final a gente tenha condições de entregar o melhor Plano Diretor que São Luís já teve”, destacou o vereador. 

Governador Brandão apresenta demandas prioritárias do Maranhão em reunião com Lula

28-01-2023 Sábado

Distrito Federal, com o presidente da República. O governador do Maranhão, Carlos Brandão, levou ao presidente três projetos estruturantes para o estado, que requerem apoio do governo federal.  

Governadores de todos os estados participaram do encontro e, assim como Brandão, cada um listou as três principais medidas a serem executadas pelo Poder Executivo Federal, que foram apontadas como primordiais para cada ente federado. 

“Cada governador ou governadora tem uma obra na cabeça que é a obra dos seus sonhos, que é a obra principal para um estado e uma região. E nós queremos compartilhar com vocês a possibilidade de repartir o sacrifício de fazer uma obra dessa”, afirmou o presidente Lula.

Brandão explicou que também foram apresentadas ao presidente demandas regionais elaboradas por Consórcios de Governadores, como é o caso dos Consórcios Brasil Central, do Nordeste e da Amazônia Legal – blocos interestaduais que o Maranhão integra.   

“Levamos propostas do nosso governo, demandas essenciais na área de Desenvolvimento Econômico, que gera emprego e renda; na área Social, de segurança alimentar e também propostas na área de Infraestrutura. Precisamos melhorar nossa malha rodoviária e precisamos fazer grandes projetos na área de infraestrutura”, sublinhou Brandão. 

Pacto Federativo

Essa é a segunda reunião do presidente do Lula com os chefes das unidades federativas em menos de um mês de gestão do novo governo federal – a primeira foi um dia após os atentados às sedes dos Três Poderes, no último dia 8 de janeiro. Esse retorno das relações institucionais e federativas da União com estados e municípios, o chamado Pacto Federativo, também foi ponto focal do encontro.  

“Estamos muito otimistas porque o governo federal abriu as portas do Palácio do Planalto para receber essas demandas tão importantes para o desenvolvimento do nosso estado e para a geração de emprego e renda”, pontuou Carlos Brandão.   

O presidente Lula adotou um tom de pacificação durante o encontro com o Fórum de Governadores. Ele afirmou que a “disseminação do ódio acabou” e que está aberto ao diálogo com todos os governos estaduais, independentemente de bandeiras partidárias. 

“Não há, da parte do governo, nenhum veto a qualquer companheiro que queira conversar. A porta deste Palácio estará aberta para todo governador e governadora que tiver uma demanda que precisa ser discutida com o Governo Federal”, disse o presidente.

Conselho de Federação

Após o encontro, o governador Carlos Brandão recebeu uma carta da Presidência da República, reafirmando o compromisso do governo Lula com a democracia, com o diálogo e o pacto federativo. 

“O encontro de hoje ratificou o desejo de todos para que o pacto federativo funcione em um ambiente cooperativo e eficiente para superarmos os entraves econômicos e para lidarmos com as grandes necessidades do povo brasileiro”, diz a carta. 

O governo Lula também se posiciona em defesa do uso de consórcios públicos para “resgatar as ferramentas que facilitem uma gestão compartilhada dos recursos públicos entre a União, Estados e municípios”.

Também foi anunciada a criação do Conselho da Federação, onde será definida uma agenda permanente de diálogo e pactuação dos temas prioritários dos estados.

“Todos os nossos esforços serão orientados pela agenda do desenvolvimento para superarmos o desemprego, a inflação, a fome e a pobreza em uma agenda integrada e negociada permanentemente”, afirma a carta. 

Recomposição de receitas estaduais

A reposição das perdas de arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre combustíveis, energia elétrica, serviços de comunicação e transporte público, também foi pauta priorizada pelos governadores durante a reunião com Lula.

O Projeto de Lei Complementar n° 18, de 2022, aprovado durante a gestão Bolsonaro, em junho do ano passado, limitou a alíquota do ICMS sobre os combustíveis; medida adotada à época para tentar conter os aumentos da gasolina e do diesel.

Valor inegociável: Lula e governadores divulgam carta em defesa da democracia

28-01-2023 Sábado

Presidente e os chefes dos executivos das 27 unidades federativas se reuniram nesta sexta-feira e criaram o Conselho da Federação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os governadores das 27 unidades federativas do Brasil divulgaram nesta sexta-feira (27) uma carta em defesa da democracia – que classificam como um “valor inegociável”. Também decidiram criar um Conselho da Federação, que terá representação dos governos federal, estaduais e municipais.

O documento foi divulgado pelo Palácio do Planalto, por meio do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, após reunião com todos eles na sede do Poder Executivo. Ministros também participaram do encontro.

Os governantes também dizem ter um “compromisso” com a estabilidade institucional e social do país. A carta representa uma reafirmação da condenação dos atos golpistas promovidos por bolsonaristas radicais em Brasília, no dia 8.

“A democracia é um valor inegociável. Somente por meio do diálogo, que ela favorece, poderemos priorizar um crescimento econômico com redução das nossas desigualdades e das mazelas sociais que hoje impõem sofrimento e desesperança para uma parcela significativa da população brasileira”, diz trecho da carta.

Batizada de “Carta de Brasília”, o documento também anuncia a criação do Conselho da Federação, um colegiado que será composto por representantes da União, dos estados e dos municípios.

O objetivo do colegiado, segundo a carta, é “definir uma agenda permanente de diálogo e pactuação em torno de temas definidos como prioritários pelos entes federados”.

A peça também fala em “gestão compartilhada” de recursos públicos para ações de desenvolvimento regional.

O conselho deve ser composto pelo presidente Lula, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, pelo ministro de Relações Institucionais, e por representantes dos chefes estaduais, com indicação dos consórcios regionais e das entidades municipais. 

“Será instalado conselho permanente da federação como instrumento único e inovador para discutir agendas comuns, para construir conjunto de ações, como de combate à fome, desafios do acesso à saúde, recuperação de aprendizagem, de estruturas de proteção ambiental, e ambiente econômico seguro, com previsibilidade para quem quiser investir no País, e conduzir reposicionamento do País no mundo”, disse Padilha à imprensa.

“Todos falaram na reunião, todos presentes, reunião de trabalho discutindo saídas comuns para o Brasil, e saí dessa reunião com documento histórico que é a carta de Brasília”, afirmou.

Segundo o texto, o encontro desta sexta-feira ratificou o desejo por um pacto federativo eficiente e cooperativo, que supere os entraves econômicos do país. “Todos os nossos esforços serão orientados pela agenda do desenvolvimento para superarmos o desemprego, a inflação, a fome e a pobreza em uma agenda integrada e negociada permanentemente”, finaliza.

CARTA DE BRASÍLIA

Em reunião realizada hoje, 27 de janeiro de 2023, entre os vinte e sete Governadores e Governadoras dos Estados e do Distrito Federal com o Presidente da República, reafirmamos nosso compromisso com o estado democrático de direito e com a estabilidade institucional e social do país.

A democracia é um valor inegociável. Somente por meio do diálogo que ela favorece poderemos priorizar um crescimento econômico com redução das nossas desigualdades e das mazelas sociais que hoje impõem sofrimento e desesperança para uma parcela significativa da população brasileira.

O encontro de hoje ratificou o desejo de todos para que o pacto federativo funcione em um ambiente cooperativo e eficiente para superarmos os entraves econômicos e para lidarmos com as grandes necessidades do povo brasileiro.

Por meio dos Consórcios Públicos, buscaremos resgatar as ferramentas de políticas públicas que facilitem uma gestão compartilhada dos recursos públicos entre a União, Estados e municípios, e que favoreçam o desenvolvimento regional.

Juntos criaremos um Conselho da Federação. Nele terão assento representantes da União, dos Estados e dos municípios visando definir uma agenda permanente de diálogo e pactuação em torno de temas definidos como prioritários pelos entes federados.

Todos os nossos esforços serão orientados pela agenda do desenvolvimento para superarmos o desemprego, a inflação, a fome e a pobreza em uma agenda integrada e negociada permanentemente.

Brasília, 27 de janeiro de 2023.

Cézar Xavier

Lula herda rombo de R$ 255 bi do governo Bolsonaro e faz pente-fino em contratos

28-01-2023 Sábado

“Deixou o Brasil só na pele e osso”, comentou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann

O governo de Jair Bolsonaro (PL) deixou um rombo de R$ 255,2 bilhões de despesas contratadas e não pagas para 2023 e o governo do presidente Lula (PT) já bloqueou parte dos recursos e determinou um pente-fino nos contratos firmados na passagem de 2022 para 2023.

Em postagem no Twitter, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, lamentou o rombo e disse que Bolsonaro “deixou o Brasil só na pele e osso”.

Essas despesas não pagas são chamadas de Restos a Pagar (RAPs) e se transformam num verdadeiro “orçamento paralelo”, competindo por espaço com os novos gastos, diz o jornal o Estado de S Paulo.

O Tesouro Nacional disse ao jornal que já bloqueou R$ 33,7 bilhões de Restos a Pagar depois que um decreto do governo do presidente Lula (PT) determinou que os ministérios e órgãos públicos façam uma avaliação da necessidade de manter ou não esses contratos.

O decreto faz parte do conjunto de medidas de ajuste de fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, há duas semanas.

“Independentemente do bloqueio já feito, todos os órgãos terão de fazer uma revisão de contratos e convênios”, explicou o subsecretário de Contabilidade Pública do Tesouro, Heriberto Henrique Vilela do Nascimento. “É uma medida de ajuste fiscal porque esperamos que boa parte dessas despesas bloqueadas sejam canceladas”, acrescentou ele.

De acordo com Nascimento “de 2021 para 2022, último ano do governo anterior, os restos a pagar estavam em R$ 233,6 bilhões. A razão principal desse salto foi que, faltando poucos dias para o final do ano passado, o governo Bolsonaro editou R$ 20 bilhões de crédito orçamentário autorizando novas despesas. Como não houve tempo para executá-las, elas foram ‘carregadas’ para 2023, inflando o Orçamento desde ano”, informa a matéria.

CUT