Extremista de direita usa dinheiro público em comícios feitos de ameaças veladas a adversários e instituições. Senadores do PT reagem
Nem as demais autoridades da República se prestaram a participar do tradicional desfile militar-estudantil de Brasília, que, em seguida, foi transformado em comício. Sempre ao lado de Bolsonaro estava o empresário catarinense investigado por atentar contra o estado de Direito, o autodeclarado Veio da Havan.
E quem esperava um pronunciamento de chefe de Estado, abordando a trajetória do país nos últimos 200 anos, desde a Independência, frustrou-se. Bolsonaro sequer citou a palavra “Portugal”, cujo presidente, Marcelo Rebelo de Souza, prestigiou o desfile da Independência, pouco antes, na mesma Esplanada dos Ministérios.
Em Brasília, o discurso foi marcado pelas mentiras de sempre e pela baixaria. No território das mentiras, cuspiu nos outros a culpa pela má condução do combate à pandemia, tentou se apropriar dos louros do auxílio emergencial – que, não fosse o Congresso, nem teria havido – e disse que seu governo não tem corrupção, escondendo sob o palanque os casos de pelo menos dois ministros investigados – um deles, inclusive, foi preso – e, ainda, a suspeita de origem ilícita do dinheiro vivo usado na compra de 51 imóveis por ele e seus familiares.
Mas à tarde, na beira da praia, voltou a fazer ameaças e inventou nova lorota: disse que no Brasil morreram menos pessoas de Covid que na Europa. Sim, isso mesmo: comparou o número de mortos pela pandemia no Brasil, país com população de 215 milhões, com os mortos na Europa, continente de 750 milhões de habitantes. Na tentativa de encobrir a política negacionista de seu governo, Bolsonaro se enrolou. O Brasil teve mais mortes, na proporção de habitantes, que a Europa.
Falou, ainda, em extirpar adversário político, referindo-se a Lula, atacou o Congresso Nacional e ameaçou as demais instituições, de forma velada, em caso de ser bem sucedido na tentativa de reeleição.
Entre constantes saudações religiosas e citações a Deus, também reafirmou, nos dois comícios, pautas ideológicas, contrárias a uma política responsável sobre o aborto, à descriminalização das drogas e a direitos LGBTQIAP+, por exemplo.
Mas foi no departamento da grosseria que ele, de novo, se superou. Em Brasília, usou a esposa, Michele, para fazer comparação com outras mulheres e gritou várias vezes a palavra “imbrochável”, sem, no entanto, explicar se o coro tinha a ver com a compra, neste ano, de 35 mil comprimidos de medicamento contra disfunção erétil, por seu governo.
O senador Jean paul Prates (PT-RN) classificou a fala de Bolsonaro como deplorável. “Discurso completamente incompatível com uma celebração oficial do Bicentenário da Independência. Fez comício eleitoral, falou de si, atacou adversários e mais uma vez mandou indiretas para o STF”, listou o senador. Na ofensa indireta aos ministros do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro fez uso de espécie de jogral, terceirizando ao público a tarefa de completar com vaias a frase “sabemos quem é o STF”.
Possíveis crimes
Para além da baixaria, o ocupante da cadeira presidencial pode também ter cometido crime eleitoral ao utilizar evento oficial da República para discursar como candidato. Da foto no desfile militar-estudantil ao discurso no palanque político, a diferença é apenas a retirada da faixa presidencial.
Vários partidos anunciaram nas redes sociais o ingresso, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com ações contra Bolsonaro por abuso de poder econômico e político neste 7 de setembro. A Justiça deve analisar o possível uso de aparato de Estado, em Brasília e no Rio de Janeiro, para promover comícios na data de celebração do Bicentenário da independência do Brasil.
Outra investigação foi aberta pelo Ministério Público Federal (MPF), que recebeu denúncias de coação a servidores de ministérios para que participassem do ato político em Brasília.
Uma outra Nação
Diante dessas denúncias de abuso, do comportamento belicoso com autoridades de outros poderes, da sucessão de mentiras e das falas chulas e desrespeitosas, o vexame parece inarredável. Mas o senador Fabiano Contarato (PT-ES) receita, como antídoto, a esperança e a reação democrática dos brasileiros em busca do resgate da alma do país.
“O Brasil é grande, belo, com um povo batalhador e criativo, que merece olhar para o futuro e ter esperança… Que rompamos com a ideia de que o nacionalismo é algo negativo e de domínio fascista! Somos brasileiros e temos que voltar a ter orgulho disso!”, proclamou Contarato, no caminho de outra independência.
“Se esses eleitores (da terceira via) resolverem migrar logo no primeiro turno para Lula, pode ser que tenhamos uma antecipação de segundo turno com voto estratégico”, diz diretor da Quaest
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornou pública a meta de vencer a eleição 2022 já no primeiro turno, no próximo dia 2 de outubro. “Se o cara que tem 1% quer ir para o segundo turno, por que nós não podemos ganhar no primeiro turno, se falta apenas um tiquinho? Quanto falta para a gente chegar lá?”, declarou Lula, na terça-feira (6), durante reunião com a coordenação de sua campanha presidencial.
Afinal, de quantos votos o petista precisa para cumprir esse objetivo?
A última rodada da pesquisa Quaest, contratada pela Genial Investimentos e divulgada nesta quarta-feira (7), mostra Lula com 44% das intenções de voto. Seus adversários, juntos, somam 47%, sendo 34% de Jair Bolsonaro (PL), 7% de Ciro Gomes (PDT), 4% de Simone Tebet (MDB), 1% de Felipe D’Ávila (Novo) e 1% de Soraya Thronicke (UB).
A eleição se define em um único turno se qualquer candidato tiver mais da metade dos votos válidos (excluindo-se brancos e nulos). Hoje, Lula tem 48,35% desses votos nominais e está a apenas a 1,65 ponto percentual da vitória no primeiro turno. Este é o “tiquinho” que lhe falta para derrotar de forma mais breve o bolsonarismo.
Embora ainda haja eleitores indecisos – que podem migrar em maior número para Lula e antecipar o final da disputa –, a coligação Brasil da Esperança aposta no voto útil. A perspectiva é tirar votos que estão atualmente com Ciro e Tebet – os dois candidatos chegam, somados, a 11%.
Segundo o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, bastaria a Lula tirar apenas um quarto dos votos da terceira via para vencer num turno só. Porém, desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, o bloco da terceira via foi justamente o que mais cresceu na preferência do eleitorado.
É como se o ex-presidente tivesse de iniciar uma nova tática agora, a 24 dias da eleição, para colher mais à frente eventuais dividendos eleitorais. “Talvez esteja aqui o grande movimento que pode acontecer na reta final. Se esses eleitores (de Ciro e Tebet) resolverem migrar logo no primeiro turno para Lula, pode ser que tenhamos uma antecipação de segundo turno com voto estratégico”, diz Felipe Nunes. “Melhor esperar mais duas semanas, pelo menos.”
Um recorte da pesquisa Genial/Quaest mostra que há razões para certo otimismo. Dos eleitores de Ciro, 56% declaram que votariam em Lula num segundo turno contra Bolsonaro. Entre os eleitores de Tebet, esse índice é de 41%. Se metade desses potenciais eleitores de Lula antecipar seu voto no ex-presidente já no primeiro turno, as eleições 2022 acabam em 2 de outubro.
O documentário ‘Me chame Donana Jansen’ terá estreia simultânea na TV Assembleia (canal aberto digital 9.2, da MAXX TV, no canal 17, e pela Sky, no canal 309) e no canal da emissora no Youtube, nesta quinta-feira (8 de setembro), às 20h. O especial marca a celebração pelo aniversário de 410 anos de fundação de São Luís.
A direção-geral e a idealização do especial são assinadas pelo diretor de Comunicação da Assembleia Legislativa, jornalista Edwin Jinkings, que destacou a exibição feita de forma sincrônica.
“O documentário é uma celebração a São Luís e essa estreia simultânea, pela TV Assembleia e Youtube, foi pensada para que o especial ‘Me chame Donana Jansen’ e a história dessa personagem lendária da nossa cidade alcancem o maior número de pessoas possível”, ressaltou Edwin Jinkings.
Após a estreia na noite desta quinta-feira (8), o documentário ‘Me chame Donana Jansen’ terá reapresentações na programação da TV Assembleia e ficará disponível no canal da emissora no Youtube.
Pesquisa
O documentário resgata a trajetória de uma das personagens mais emblemáticas da história da cidade: Ana Joaquina Jansen Pereira. Traz pesquisa aprofundada, visita endereços e logradouros ligados à história de Ana Jansen, relembra causos que marcaram sua trajetória e reúne entrevistas com descendentes da personagem e pesquisadores.
Dona de posicionamentos firmes e opiniões vanguardistas, Ana Jansen marcou seu tempo também por atitudes pouco condizentes para uma mulher de sua época. Sua força e influência foram tantas que a matriarca figura entre as lendas de São Luís, segundo a qual até hoje vagueia nas madrugadas das sextas-feiras em sua carruagem fazendo assombração pelas históricas ruas de São Luís.
O roteiro é da jornalista Márcia Carvalho, com entrevistas da Elda Borges e Márcia Carvalho, e produção de Ananda Fontenele e Natália Coutinho. As imagens são assinadas por Fábio Lima e a edição e pós-edição, por Leoti.
Realizada há mais de 50 anos, pais, mães, filhos e filhas de santo sairão em cortejo da Praça Pedro II a Igreja do Desterro
Como acontece há mais de cinco décadas, na quinta-feira(08), a partir das 16h30, centenas de pais, mães, filhos e filhas de santo de todo o Maranhão estarão concentrados em frente ao Palácio La Ravardiere, sede da Prefeitura, para realizar a tradicional Procissão dos Orixás. O evento, promovido pela Federação de Umbanda e Culto Afro Brasileiro do Maranhão – Fucabma – com apoio da Prefeitura de São Luís, integra o calendário das atividades em comemoração ao aniversário da cidade.
A entidade é comandada pelo pai de santo Biné Santos, e tem como patrono o vereador e pai de santo Astro de Ogum, decano no parlamento ludovicense. A procissão tem como objetivo homenagear Dom Luís Rei de França, santo que deu nome à capital maranhense, e Nossa Senhora da Vitória, padroeira de São Luís.
TRAJETO –
Antes da saída do cortejo, ao som das caixeiras, integrantes de terreiros cantarão hinos louvando voduns, orixás e caboclos, como Oxalá e Iemanjá. Em seguida, os tambores da macumba rufarão para que os adeptos e simpatizantes mostrem a força da religião de matriz africana e, dançando, saudarão os 410 anos de fundação de São Luís.
Na frente, um grupo de crianças irá representar a corte imperial do Divino Espírito Santo. A caminhada vai percorrer a Rua dos Afogados, Rua do Egito, Rua da Palma até chegar ao Largo do Desterro.
Dentro da igreja haverá saudação à corte do Divino e as imagens de São Luís Rei de França, Santa Bárbara (Iansã), Iemanjá e São Sebastião (Oxóssi). Após a lavagem da escadaria da Igreja do Desterro, sob a proteção dos guias e orixás, os tambores e cabaças irão rufar.
SEMPRE PRESENTE –
À frente da procissão estará o pai de santo Astro de Ogum. O vereador, que é filho de Oxumaré com a cabeça emprestada para Ogum, ratifica que o ritual é uma forma de realizar a limpeza espiritual da cidade.
“Há mais de 50 anos, essa obrigação faz parte da minha vida. O ato da lavagem da escadaria da Igreja do Desterro, uma das mais antigas da cidade, nos permite promover o congraçamento entre os cultos de matriz africana. Neste momento, somos movidos pela fé, pedindo paz, saúde e harmonia aos povos do mundo inteiro”, ressalta Astro de Ogum.
O vereador, que em parceria com a Fucabma coordena o evento há mais de duas décadas, afirma que com indumentárias a caráter e na sua grande maioria na cor branca, os presentes participarão do ato de fé e religiosidade. “O que nós queremos, a cada ano, é pedir saúde, paz e prosperidade para todas as pessoas, independente de religião, uma vez que a forma de chegar a Deus depende da escolha de cada um. Em 2022 aproveitamos, também, para pedir pelo fim do conflito na Europa que já decimou milhares de inocentes tanto na Rússia quanto na Croácia”, finalizou.
Entre 2003 a 2021, foram registrados 50 assassinatos de indígenas Guajajara no Maranhão; em nota os Guardiões da Floresta denunciam violência
Na madrugada do último sábado (3), dois indígenas do povo Guajajara foram mortos no Maranhão, e outro encontra-se hospitalizado. Os três são da Terra Indígena Arariboia, sendo um deles integrante do grupo de agentes florestas indígenas “Guardiões da Floresta”. Com autonomia de gestão do território e suas formas próprias de organização, o grupo atua na defesa contra invasores.
No município de Amarante (MA), Janildo Oliveira Guajajara foi assassinado com tiros nas costas na madrugada do último sábado. Esse mesmo episódio deixou um adolescente de 14 anos, que não será identificado por segurança, baleado, e encontra-se internado em uma Unidade de Saúde da região, que também não foi divulgada por segurança. Os indígenas temem que haja uma nova tentativa contra a vida.
“Desde então, ele e outros guardiões da região sofrem ameaças constantes e cada vez mais as ameaças se intensificam”
Janildo Guajajara. Foto: Guardiões da Floresta
Janildo Guajajara atuava desde 2018 junto aos Guardiões da Floresta, em aldeia próxima de uma estrada aberta por madeireiros e fechada pelos guardiões. Desde a criação do grupo de guardiões, em 2007, 32 ramais madeireiros foram fechados. “Desde então, ele e outros guardiões da região sofrem ameaças constantes e cada vez mais as ameaças se intensificam”, denunciam os indígenas.
Na madrugada do mesmo dia (3), no município de Arame (MA), Jael Carlos Miranda Guajajara, de 34 anos, também foi morto. Informações preliminares apontam que a morte teria sido por atropelamento, porém o povo Guajajara desconfia que se trata de outro assassinato. No entanto, apenas uma investigação esclarecerá o que levou à morte de Jael Guajajara.
“Os três casos evidenciam a escalada da violência que os indígenas no estado já vinham denunciando. Entre 2003 e 2021, foram registrados 50 assassinatos de indígenas do povo Guajajara”
Os três casos evidenciam a escalada da violência que os indígenas no estado já vinham denunciando. Entre 2003 e 2021, a plataforma Caci, que sistematiza os casos registrados pelo relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, do Cimi, registrou 50 assassinatos de indígenas do povo Guajajara no Maranhão; destes, 21 eram indígenas da TI Arariboia.
Em 2007, preocupados com a enorme presença de madeireiros, caçadores e outros invasores, indígenas do povo Guajajara criaram o grupo de Guardiões da Floresta para realizar monitoramento territorial e coibir as ações ilegais no interior da TI. Desde então, seis guardiões já foram assassinados, em represália contra as ações em defesa do território.
“Por todos esses anos fizemos e continuaremos a fazer a proteção territorial mesmo sendo ameaçados e mortos. Somos contrários a violência que mata e destrói, por isso lutamos pela vida”, afirmam os Guardiões da Floresta em nota.
“Por todos esses anos fizemos e continuaremos a fazer a proteção territorial mesmo sendo ameaçados e mortos”
Jael Carlos Miranda Guajajara. Foto: Povo Guajajara
Com a impunidade nos casos de assassinatos contra indígenas no Maranhão, os indígenas têm questionado quais as ações de órgãos como a Polícia Federal, as Secretarias de Segurança Pública e Direitos Humanos e Participação Popular, juntamente com a Força Tarefa de Proteção à Vida Indígena (FT Vida), e as Delegacias Regionais de Arame e Amarante, estão sendo realizadas para coibir e punir os responsáveis por estes crimes.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Maranhão, como aliado, se solidariza mais uma vez com as famílias enlutadas e exige justiça para esses assassinatos. Reforçamos a necessidade de mais segurança nos territórios indígenas e mais ações do poder público que venham coibir o derramamento de sangue nas comunidades indígenas, destaca o regional.
Terra Indígena Arariboia – Maranhão, 05 de setembro de 2022
Os Guardiões da Floresta da Terra Indígena Arariboia – Maranhão por meio de sua Associação Ka’a Iwar vem se manifestar e denunciar a continuidade da violência contra suas vidas e contra o seu território. No último dia 3 de setembro mais um guardião da floresta foi assassinado em uma emboscada. Já são seis guardiões da floresta assassinados violentamente sem que a justiça tenha sido feita, sem que houvesse a devida punição e responsabilização pelos autores desses crimes.
O guardião Janildo Oliveira Guajajara já atuava conosco desde 2018 e atuava na região do Barreiro – Terra Indígena Arariboia, em aldeia próxima do local de uma estrada aberta por madeireiros e que foi fechada pelos guardiões. Desde então, ele e outros guardiões da região sofrem ameaças constantes e cada vez mais as ameaças se intensificam.
Por todos esses anos fizemos e continuaremos a fazer a proteção territorial mesmo sendo ameaçados e mortos. Somos contrários a violência que mata e destrói, por isso lutamos pela vida.
Nosso povo clama por justiça e exigimos a devida investigação desse e de outros assassinatos contra o povo Tentehar e queremos resposta da justiça de mais esse crime bárbaro.
Seguiremos fortalecidos na nossa luta pela coletividade, pelo nosso território, pelo nosso povo Tentehar e pelo povo Awá Guajá.
Associação Ka’a Iwar dos Guardiões da Floresta da Terra Indígena Arariboia
Fórum Nacional da Enfermagem fará dia de mobilização nesta sexta-feira para pressionar STF. Se não houver decisão favorável aos trabalhadores, greve pode ser realizada no dia 19 de setembro
Enfermeiras e enfermeiros em todo o país realizarão nesta sexta-feira (9) um dia nacional de mobilização pela revogação da liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que suspendeu a Lei do Piso da categoria e, portanto, os pagamentos a partir da segunda, dia 5.
Articulada pelo Fórum Nacional da Enfermagem (FNE), a mobilização desta semana já tem atos marcados em várias cidades com indicativo de paralisação já no dia 19 de setembro, caso não haja nenhuma decisão favorável aos trabalhadores.
O dia 9 foi escolhido para a mobilização por ser a mesma data em que os ministros do STF darão início à votação virtual, que vai decidir se mantém ou não a liminar de Barroso. A votação termina no dia 16.
Cada estado organizará seus atos, cujos locais e horários devem ser definidos até esta quinta-feira (8), disse a presidenta da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), Shirley Morales.
“Os sindicatos da categoria já estão se reunindo para definir como serão os atos. Mas a mobilização em torno na greve do dia 19 também já será tratada em assembleias”, afirmou.
Além dos atos presenciais em frente a unidades de saúde na sexta-feira, haverá mobilização nas redes sociais e outros atos serão feitos ao longo dos dias no intuito de reforçar a luta para que a liminar seja revogada.
A dirigente alerta para movimentos autônomos e isolados que vêm sendo realizados com a participação de grupos fascistas, segundo ela, para chamar paralisações de forma aleatória que podem acarretar consequências para a população.
“Esses grupos entendem que só haverá uma decisão favorável com prejuízo à população e nós discordamos disso. Passamos a pandemia inteira salvando vidas e discordamos de atos descoordenados”, afirma Shirley Morales.
Deliberação do FNE
Em reunião virtual nesta terça-feira, o FNE aprovou medidas que visam pressionar o STF a revogar a liminar de Barroso.
Confira o que foi aprovado:
Realização de atos de rua em defesa do piso, preferencialmente em frente aos hospitais e casas de saúde. Realização em todos os estados, dia 9 de setembro, sexta-feira, das 11h às 14h.
Reunião virtual dos representantes do Fórum com os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com apoio do gabinete da Senadora Eliziane Gama.
Produzir maior volume de publicações de cards nas redes sociais, com hashtags, cobrando Deputados e Senadores para que agilizem a tramitação dos projetos que versam sobre as fontes de financiamento para a saúde.
No Congresso há discussões em torno de três projetos para facilitar o pagamento do piso da enfermagem.
O que tramita com maior aceitação é o projeto que propõe a legalização dos jogos de azar, já aprovado na Câmara com a previsão de destinar um percentual para a saúde.
Outro projeto levanta a possibilidade de usar recursos dos royalties do petróleo e da mineração para o pagamento do piso da enfermarem.
E um terceiro propõe a desoneração das folhas de pagamento da área da saúde.
Nota de esclarecimento e posicionamento do Fórum contra a decisão liminar proferida na ADI-STF.
Atos desta sexta
Ainda em andamento, a organização dos atos desta sexta-feira – mobilização com caráter de pressão e indicativo de greve para o dia 19 – deve definir até o dia 8 locais e horários dos vários atos que serão realizados pela categoria em todo o país. No entanto, algumas cidades já se anteciparam e definiram as manifestações:
Goiás:
Em Goiânia, apesar de não estar definido um local, o horário do ato já está confirmado. Será às 9h, na sexta-feira e está sendo organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde-GO), pelo Conselho Regional de Enfermagem em Goiás (Coren-GO) e pela Associação Brasileira de Enfermagem Seção Goiás (Aben-GO). A categoria já realizou um protesto na segunda, dia 5.
Paraná
Em Curitiba, ato em frente ao Hospital Evangélico Mackenzie, às 9h, organizado pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecidos de Serviços de Saúde de Curitiba (Sindesc)
Mato Grosso do Sul
Em Campo Grande, um ato está marcado para às 10h, na Praça do Rádio. Além do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Enfermagem do MS (Siems), o protesto também contará com a presença do Sindicato dos Trabalhadores em Enfermagem do Município de Campo Grande (Sinte).
Rio Grande do Sul
Em Porto Alegre, o ato será realizado às 9h, em frente ao Hospital Santa Casa. A organização é do Sindicato dos Profissionais do RS (Sindisaúde-RS) e do Sindicato dos Enfermeiros no Estado do RS (Sergs)
Em Lajeado e Estrela, os atos serão realizados nesta quarta, dia 7. Em Lajeado, o protesto inicia às 9h, e terá como ponto de partida o Hospital Bruno Born. Já em Estrela, o ato ocorrerá mais tarde, após o meio dia, em frente ao Hospital Estrela.
Santa Catarina
Em Florianópolis está sendo organizada uma Assembleia Geral Unificada para a próxima sexta, dia 9, às 12h30, no trapiche da beira-mar. Antes, às 9h, enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras serão convocados em seus locais de trabalhado para mobilização.
Em Blumenau, mobilização nesta quarta-feira (7), às 8h, na Praça do Teatro Carlos Gomes.
Em Criciúma, também nesta quarta-feira (7), às 8h, no Parque das Nações.
A decisão de Barroso
O ministro Luís Roberto Barroso suspendeu no domingo (4) o pagamento do piso salarial da enfermagem, em uma decisão monocrática, e enviou o caso para o plenário. Deu ainda um prazo de 60 dias para que estados, municípios, e entidades do setor privado expliquem o impacto econômico da nova legislação.
A liminar não questiona a constitucionalidade do piso, mas aponta a ausência de fontes de custeio. As entidades que representam a categoria vão pressionar congressistas para a aprovação de projetos de lei que sirvam como alternativas para captar verba para o novo salário dos enfermeiros, além de dialogar com os ministros do STF para que tenham maioria quando a pauta for para plenário.
Quem entrou com ação no STF para não pagar o piso
A direção da Confederação Nacional da Saúde, Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNSaúde) propôs a ação direta de inconstitucionalidade contra o piso. Eles ameaçaram demitir e fechar leitos se nada fosse feito.
Quais os valores do piso
A lei do piso salarial da enfermagem estabelece uma remuneração mínima de R$ 4.750 para enfermeiros e enfermeiras, de R$ 3.325 para técnicos e técnicas de enfermagem, e de R$ 2.375 para auxiliares de enfermagem e parteiras. Entrou em vigor em 5 de agosto.
Quem tem direito ao piso
O Brasil tem mais de 2,6 milhões de trabalhadores ativos nos quatro segmentos da enfermagem, sendo 642 mil enfermeiros, 1,5 milhão de técnicos, 440 mil auxiliares e 440 parteiras, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Confen). A entidade alerta, porém, que o profissional pode ter registro em mais de um segmento.
Fake news
Grupos bolsonaristas tentam, nas redes sociais, capitalizar o tema para si ao atacar o Partido dos Trabalhadores (PT), afirmando que a iniciativa de questionar a constitucionalidade da Lei partiu do presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto.
Internautas mal intencionados têm se aproveitado da semelhança entre os nomes das entidades (Confederação Nacional da Saúde, Hospitais, Estabelecimentos e Serviços e Conselho Nacional de Saúde) para promover fake news atribuindo ao CNS a responsabilidade do questionamento.
Em nota o CNS desmentiu as notícias falsas. “Sempre estivemos ao lado dos trabalhadores e faremos tudo para que o piso salarial nacional seja efetivado o mais rápido possível, porque isso é fazer justiça a esta categoria profissional tão importante para o povo do nosso país”, afirmou o presidente do CNS, Fernando Pigatto
“O comprometimento do presidente Kaio Saraiva nos faz sentir filhos desta instituição”. Foi assim que o advogado criminalista Adriano Cunha definiu a reunião da manhã desta terça-feira, 06/09, na qual a OAB Maranhão ouviu as principais dificuldades enfrentadas pela advocacia criminal do estado.
Ao todo, 13 advogadas e advogados estiveram presentes no encontro. O grupo foi ouvido pelo presidente da Seccional e pelas diretorias da Comissão de Assistência, Defesa e Prerrogativas do Advogado; Comissão da Advocacia Criminal e Comissão de Política Penitenciária.
Entre as pautas, ganhou destaque: a solicitação do atendimento mais humanizado no sistema prisional, assim como a melhoria das estruturas físicas, e o mau funcionamento dos e-mails institucionais das unidades prisionais.
“O diálogo com a advocacia é um dos principais pilares desta gestão. É preciso conhecer as demandas da classe para levar aos órgãos competentes e buscar soluções. Por isso, as portas da Casa estão sempre abertas para receber as advogadas e advogados do estado”, expressou o presidente da Ordem, Kaio Saraiva.
O presidente falou ainda da importância de fortalecer o sistema de prerrogativas para, justamente, conseguir conhecer, entender e atender as demandas mais urgentes da classe.
“A motivação que nos traz aqui é um bem comum de todos os ramos da advocacia. Hoje, nós temos enfrentado grandes problemas junto aos Sistemas Prisionais em todos os aspectos. Por isso, essa reunião foi muito proveitosa e serviu para alinharmos alguns pontos que, de forma direta, beneficiará a classe e levará conforto para que todas as advogadas e advogados possam desenvolver o mister com mais amor e respeito”, comunicou o advogado criminalista Adriano Cunha.
Em relação aos apontamentos ligados ao atendimento da Unidade Prisional de Ressocialização Máxima (UPMAX), foi informado que “a OAB já tinha tomado ciência e providências. A resposta da SEAP foi no sentido de que o advogado não precisa de procuração e iria ser modificado o artigo que exigia essa procuração”, ressaltou a presidente da Comissão de Assistência, Defesa e Prerrogativas, Sandra Macedo.
Outro ponto de destaque na reunião foi em relação ao SIIPS, tais como dados incompletos e ineficiência dos links de atendimento online, cumprimento dos alvarás e a limitação de acesso aos dados.
Em resposta, a Ordem comunicou os recentes diálogos feitos com os órgãos competentes em relação a algumas pautas e se comprometeu em buscar soluções para as demais.
No dia 4 de outubro, a OAB Maranhão agendou uma nova reunião com o mesmo grupo de advogadas e advogados para que todos avaliem as soluções dadas aos problemas apresentados.
Além dos 13 advogadas e advogados criminalistas, estiveram presentes, o presidente da OAB Maranhão, Kaio Saraiva; a Tesoureira da Casa, Mariana Berredo; a presidente da Comissão de Assistência, Defesa e Prerrogativas do Advogado, Sandra Macedo; o presidente da Comissão da Advocacia Criminal, Erivelton Lago; e o presidente da Comissão de Política Penitenciária, Raimundo Nonato Lemos.
O Brasil chega ao 7 de Setembro com sua independência atacada por um presidente que não respeita a democracia, a soberania e o povo brasileiro. Mas é possível reconquistá-la
Independência não se proclama. Independência se constrói diariamente e, principalmente, se vive. Isso significa que a independência de um país nunca é uma garantia. É algo que precisa ser preservado, porque pode ser perdido. Mas também pode ser reconquistado.
Como dizer que um povo é independente se está à mercê de um presidente que dá cada vez menos saúde e educação e um salário cada vez menor para sua população, que entrega o patrimônio nacional aos interesses estrangeiros e que esconde a verdade, seja por meio de mentiras contadas diariamente, seja por meio de sigilos de 100 anos? De um presidente que se mantém no poder graças à compra de apoio com orçamentos secretos?
Lula quer voltar porque não admite ver o Brasil ter sua independência destruída, dia após dia, por um presidente incompetente e desumano. “Nós estamos de volta para fazer uma nova independência deste país. Uma nova independência que garanta dignidade, respeito e harmonia do nosso povo”, disse.
E lembrou que este ano, teremos dois dias de independência. O primeiro, claro, é o 7 de Setembro. “Mas a verdadeira independência acontecerá em 2 de outubro, quando o povo for à urna e transformar o Brasil em um país soberano”, previu.
Independência é…
…soberania de verdade
Um país independente é sobretudo um país soberano, ou, como Lula gosta de dizer, um país “dono do próprio nariz”. Em outras palavras, um país com a capacidade de tomar as decisões que quer e em benefício de seu próprio povo.
Já definiu Lula, certa vez: “Soberania não é apenas o país ser forte e ter independência. Soberania é o povo comer, estudar, trabalhar, ter saúde”.
…comida na mesa do povo
Lula também já disse: “Você não tem soberania com fome”. Afinal, como sonhar com independência se nem as necessidades básicas você consegue satisfazer? Se, para realizar o básico direito de se alimentar, você depende da caridade de outros?
Depois da alimentação, a saúde é outro direito básico sem o qual ninguém pode se dizer independente. Sem um corpo saudável, forte, é difícil trabalhar, estudar, construir uma vida melhor.
Por isso, saúde sempre foi uma prioridade dos governos de Lula e do PT, que quintuplicaram o orçamento do setor e criaram o Samu, o Mais Médicos, as UPAs, a Farmácia Popular, o Brasil Sorridente e tantos outros programas que garantiam acesso à saúde de qualidade.
…educação para todo mundo
Nenhum país se desenvolve e passa a competir de igual para igual com outras nações sem antes investir em educação. Da mesma forma, ninguém alcança independência sem ter acesso à educação de qualidade. Sem ensino, ficamos sujeitos aos piores empregos e aos menores salários.
Por isso, para Lula, educação não é gasto, é investimento. “Esse país vai mudar a partir da educação. Juventude do meu Brasil, pagar para vocês estudarem não é gasto, é investimento. Porque cada jovem bem formado trará de retorno para o Brasil um cientista, um engenheiro.”
E isso deve ser para todos: “Eu só vou sossegar quando o filho de uma empregada doméstica puder sentar no mesmo banco de universidade da filha da patroa e disputar a mesma vaga em igualdade de condições”.
…um salário que rende mais
Quando Lula era presidente, o salário mínimo era reajustado acima da inflação todos os anos. E, junto com Dilma, ele fez a valorização real passar de 74%.
E o motivo é simples: Lula sabe que o maior desejo de toda trabalhadora e de todo trabalhador é sustentar a família com o resultado do próprio esforço. “A gente apenas quer ser respeitado, trabalhar, criar nossos filhos e cuidar da nossa família com o resultado do nosso trabalho.”
…o desenvolvimento do país
Um país independente é um país que anda para frente, que cresce economicamente para que a vida de sua população seja melhor. É por isso que Lula acredita em um Estado fortalecido, capaz de estimular esse crescimento, que se transforma em empregos, bens de consumo, moradia, estradas, energia elétrica, água encanada e esgoto em casa.
Com Lula e o PT, o Brasil chegou a ser a sexta economia do mundo. Hoje, andou para trás, caindo para a 12ª. “O Brasil não pode continuar sendo pequeno. Quando deixamos a Presidência, esse país estava crescendo. O Brasil era respeitado, era protagonista internacional. Hoje, esse país virou pária”, lamentou Lula.
…o país unido
A divisão interna nos torna mais fracos e, por isso, é a maior ameaça para a independência de um país. Um presidente como Jair Bolsonaro, que trabalha para dividir os brasileiros, estimula discursos de ódio, ataca as demais instituições e lança dúvidas sobre as eleições e a democracia, é um inimigo da independência.
Lula é o oposto. Trabalha para unir o Brasil. E deu a maior prova disso ao estender a mão a Geraldo Alckmin, seu adversário político no passado, hoje seu candidato a vice. Para explicar esse importante gesto de união, Lula cita sempre uma frase de Paulo Freire: “A gente precisa estar junto com os divergentes para combater os antagônicos”.
…o meio ambiente preservado
Sem meio ambiente, não há futuro, só há uma vida cada vez pior. E mesmo o crescimento econômico rápido pode acontecer com respeito à natureza. Lula já provou isso. Foi nos governos do PT que o Brasil se tornou a sexta maior economia do mundo e, ao mesmo tempo, alcançou a menor taxa de desmatamento da história.
Lula promete respeito ao meio ambiente se voltar a ser presidente: “Não haverá mais garimpo ilegal, desmatamento ilegal nem invasão em terras indígenas. Quem tenta invadir a terra são grileiros irresponsáveis, porque um fazendeiro responsável, que planta para exportar, sabe que não pode, porque os gringos não vão comprar mais as coisas que ele produz”.
…garantia de respeito às mulheres
Que nação pode se dizer independente se mais da metade de sua população, responsável por quase metade das famílias, não se sente livre, segura e respeitada? Políticas que garantam direitos às mulheres são parte essencial da construção de uma sociedade, logo de um país independente.
Para Lula e o PT isso é mais que claro, como já foi provado em seus governos, com iniciativas como a Lei Maria da Penha, a PEC das Domésticas, a Casa da Mulher Brasileira e tantas outras. “Se eu voltar a ser presidente, nós vamos ter que governar juntos. Vocês vão ter que participar das decisões das políticas públicas, porque eu não acredito que tenha um ser humano capaz de, sozinho, fazer as coisas”, disse, em encontro com lideranças femininas.
…todos tratados com igualdade
Se um país independente é o país que tem um povo independente, a discriminação, de qualquer tipo, é inimiga da independência. As várias formas de preconceito só servem para roubar de alguns grupos o direito de viver com dignidade e trabalhar para uma vida melhor.
Sobre isso, é bom lembrar um trecho do histórico discurso que Lula fez em 10 de março de 2021, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dois dias depois de finalmente provar sua inocência: “Não tenham medo de mim. Eu sou radical porque eu quero ir à raiz dos problemas deste país. Eu sou radical porque eu quero ajudar a construir um mundo justo, um mundo mais humano, um mundo em que trabalhar e pedir aumento de salário não seja crime. Um mundo onde a mulher não seja tripudiada por ser mulher, um mundo em que as pessoas não sejam tripudiadas por aquilo que querem ser. Um mundo onde a gente venha a abolir, definitivamente, o maldito preconceito racial. Um mundo que não tenha mais bala perdida. Um mundo em que o jovem possa transitar livremente pelas ruas de qualquer lugar sem a preocupação de tomar um tiro. Um mundo em que as pessoas sejam felizes onde quiserem ser. Que as pessoas sejam o que elas decidirem. Um mundo em que a gente tenha de respeitar a religiosidade de cada um. Cada um é o que quer. As pessoas podem ser LGBT e a gente tem que respeitar o que as pessoas fazem. Esse mundo é possível. Esse mundo é plenamente possível”.
…acesso à cultura
Para sermos independentes, precisamos, antes de mais nada, saber quem somos. O que nos torna únicos no mundo? A resposta, claro, não é simples, e só uma cultura viva, livre e pulsante ajuda um país a se enxergar.
Em todos os estados que visita, Lula faz questão de se reunir com o setor cultural. E o faz por dois motivos: primeiro, porque sabe que essa área, se apoiada pelo Estado, é capaz de ajudar no crescimento econômico do país, transformando-se em uma indústria e gerando milhões de empregos.
Em segundo lugar, justamente pela capacidade de mostrar o Brasil aos brasileiros. “O papel do Estado é garantir que as pessoas conheçam o Brasil na sua plenitude, e um país que não desenvolve a cultura é um país fadado a ser pobre espiritualmente”, disse.
…um governo transparente
Independência pode ser definida também como capacidade de escolher. E como escolher o caminho a seguir sem ter as informações necessárias para tomar a decisão?
Sim, é verdade que a verdade liberta. Mas o atual presidente, que adora citar o salmo da Bíblia que assim diz, é um inimigo da verdade. Além de mentir todos os dias, ainda decreta sigilo de 100 anos para esconder
Com Lula, a verdade podia vir à tona. Foram criados em seu governo o Portal da Transparência e a Lei de Acesso à Informação, e os órgãos de controle e da Justiça tinham autonomia para investigar.
…democracia e liberdade
Por fim, independência é liberdade. E liberdade é democracia. E democracia é muito mais que o direito de falar, pedir ou reivindicar. A verdadeira democracia, nos lembra Lula, é principalmente o direito de ter.
“Democracia não é o direito do cidadão dizer que está com fome; é o direito de comer o que quiser e na hora que quiser. Democracia não é pedir educação; democracia é poder estudar. É ter emprego, é ter acesso à cultura. Por isso, nossa palavra de ordem tem de ser ‘volta, democracia’.”
Gustavo Silva da Conceição foi assassinado por homens fortemente armados que atacaram retomada; ataques em série aterrorizam povo Pataxó no extremo sul da Bahia
Na madrugada deste domingo (4), o indígena Gustavo Silva da Conceição, Pataxó de apenas 14 anos de idade, foi assassinado durante um violento ataque contra uma retomada na Terra Indígena (TI) Comexatibá, no extremo sul da Bahia. Além de Gustavo, outro indígena de 16 anos foi ferido no braço por um disparo de arma de fogo. Ele chegou a ser hospitalizado, mas não corre risco de morte.
Segundo relatos dos indígenas, por volta das cinco horas da manhã, cerca de doze homens que estavam em dois veículos atacaram os Pataxó com armas de fogo de diversos calibres e bombas de gás lacrimogêneo. Imagens feitas pelos indígenas mostram diversas cápsulas coletadas no local e vasilhames de gás que foram usados durante o ataque.
“Às 5h25 da manhã, os tiros começaram. Foram quase dez minutos de tiros, muito tiro mesmo. Tinha muita cápsula de pistola, fuzil, calibre 12, calibres intactos e deflagrados, bombas de gás lacrimogêneo, que é coisa de polícia. Foi um trabalho profissional”, relata uma liderança da TI Comexatibá, não identificada por razões de segurança.
“É uma tristeza para nós. Um menino levou um tiro no braço, que saiu do outro lado, e não morreu. Mas o outro correu e levou um tiro na nuca, a uns cem metros de distância. É um serviço profissional, que parece miliciano mesmo”, lamenta o Pataxó.
O ataque ocorreu numa retomada que havia sido realizada pelos indígenas na sexta-feira (2) pela manhã. A fazenda retomada, denominada São Jorge, fica no interior da área identificada e delimitada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2015 como parte da TI Comexatibá.
No final de junho, os Pataxó haviam retomado outra área na mesma região da terra indígena, às margens do rio Cahy. Nas últimas semanas eles vinham sendo vigiados por drones, que eram utilizados para orientar ataques de pistoleiros. Por isso, decidiram retomar a fazenda de onde o drone decolava.
“Foram feitos dois ataques de drone aqui na retomada, um na semana retrasada, e outro no final dessa semana passada”, explica a liderança Pataxó. “Os jovens seguiram esse drone, que pousou numa fazenda vizinha do outro lado do rio, que não estava retomada. Então, os jovens ocuparam a fazenda, porque a retomada estava sendo filmada para pistoleiros virem atacar os indígenas, a mando dos fazendeiros. Por isso foi feita a retomada”.
Após o ataque, a Polícia Militar e a Polícia Civil foram até o local. Os policiais civis realizaram a perícia do local e recolheram diversas cápsulas – inclusive de armamentos cujo uso deveria ser exclusivo das Forças Armadas e da Polícia Militar, como é o caso das granadas de gás lacrimogêneo.
“Houve uma série de retomadas do povo Pataxó desde junho, e houve também um ataque armado dos fazendeiros que dizem possuir terras dentro dos territórios, com sinais de participação de policiais, devido à utilização de armamentos de uso exclusivo das Forças Armadas e da Polícia Militar”, explica Lethicia Reis, da assessoria jurídica do Conselho Indigenista Missionário – Cimi Regional Leste.
Com processos demarcatórios travados por anos, os indígenas enfrentam a falta de espaço para subsistência e o aumento dos conflitos, enquanto veem empreendimentos imobiliários e monocultivos avançarem sobre seu território
Diversas cápsulas foram coletadas pelos policiais que realizaram a perícia no local do ataque, ainda no domingo (4). Foto: povo Pataxó
Morosidade, retomadas e violência
A morosidade do Estado na demarcação das terras indígenas no extremo sul da Bahia tem gerado situação de extrema vulnerabilidade para os Pataxó. Com processos demarcatórios travados por anos, os indígenas enfrentam a falta de espaço para subsistência e o aumento dos conflitos, enquanto veem empreendimentos imobiliários e monocultivos avançarem sobre seu território.
“São duas TIs muito próximas, e essas regiões que estão em conflito são regiões que ainda não foram demarcadas. Uma parte da TI Barra Velha foi demarcada na década de 1980, mas é uma área muito pequena, que está em processo de reestudo desde 2008”, explica a assessora jurídica do Cimi Regional Leste.
“Essa área aguarda a Portaria Declaratória desde 2014 e não há nenhum impedimento para que essa portaria seja expedida pelo Ministério da Justiça. Mas, por falta de vontade política, isso está parado há oito anos”, prossegue a assessora.
No caso da TI Comexatibá, o processo está mais atrasado. O Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) que reconheceu a tradicionalidade da ocupação desta terra indígena, e delimitou-a com 28 mil hectares, foi publicado pela Funai em 2015.
O relatório recebeu 155 contestações ainda naquele ano – e, desde então, o processo demarcatório não avançou mais. A situação semelhante nas duas TIs motivou as retomadas realizadas em junho.
A primeira ocorreu no dia 22 de junho, na TI Comexatibá. Três dias depois, no dia 25, os Pataxó da TI Barra Velha também retomaram uma área localizada dentro de sua terra indígena – e foram expulsos no mesmo dia, durante um ataque realizado por cerca de 50 carros e diversos homens armados, muitos deles encapuzados.
Sem nenhuma decisão ou mandado judicial, alguns dos agressores identificaram-se aos indígenas como “policiais e seguranças de fazendeiros” e, segundo as lideranças, também portavam armamento de uso exclusivo das forças armadas.
Nas redes sociais, integrantes do grupo vangloriaram-se de expulsar “falsos índios” da região e “fazer o que estão fazendo no Mato Grosso do Sul” – onde, naquela semana, o Guarani Kaiowá Vitor Fernandes havia sido assassinado em contexto semelhante.
“Começamos a fazer a autodemarcação do nosso território, que está todo degradado. Somos um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica aqui no sul da Bahia, e estão destruindo todas essas veias de floresta aqui nas margens do rio, com eucalipto, mineração, agropecuária extensiva, cafezais”
Bombas de gás lacrimogêneo, de uso exclusivo das Forças Armadas e da polícia, foram usadas no ataque contra os Pataxó. Foto: povo Pataxó
Acirramento dos conflitos
Além da paralisação das demarcações, as TIs Barra Velha e Comexatibá também foram diretamente impactadas por medidas como a Instrução Normativa 09/2020, da Funai, que liberou a certificação de propriedades privadas sobre terras indígenas não homologadas.
Nos quatros primeiros meses após a publicação da medida, ocorrida em abril de 2020, levantamento do Cimi identificou que as duas TIs foram sobrepostas pelas certificações de 54 fazendas. A medida acentuou os conflitos.
“Começamos a fazer a autodemarcação do nosso território, que está todo degradado. Somos um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica aqui no sul da Bahia, no entorno do Monte Pascoal, e estão destruindo todas essas veias de floresta aqui nas margens do rio, com eucalipto, mineração, agropecuária extensiva, cafezais. Isso aumentou demais. O rio Cahy, que é nossa vida, não está dando conta de encher mais”, explica a liderança Pataxó não identificada.
“Há quantos anos foi publicado o nosso relatório, e até hoje nada?”, questiona o indígena. “Precisamos acelerar isso, porque se continuar desse jeito vai destruir todo o bioma aqui. Estão acabando com nossa casa, e isso não podemos permitir”.
Esse processo de autodemarcação reflete a preocupação dos indígenas com o território e a demora para a conclusão do julgamento de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF), que definirá o futuro das demarcações de terras indígenas, avalia a assessora jurídica do Cimi Regional Leste.
“O povo Pataxó perdeu a paciência e a esperança de aguardar o Executivo concluir a demarcação e o Judiciário julgar o recurso extraordinário de repercussão geral, que dará segurança jurídica para o processo demarcatório. É nesse contexto que os Pataxó iniciaram o processo de autodemarcação destas duas terras indígenas”, analisa Lethicia.
Os ataques “vêm sendo metodicamente planejados” com a “participação de militares que ‘prestam serviços’ extras aos fazendeiros em conflito”
Algumas das diversas cápsulas deflagradas no ataque e registradas em imagens pelos indígenas. Foto: povo Pataxó
Insegurança e ameaças
O clima na região continua tenso e as articulações de ataques contra os Pataxó utilizam, inclusive, grupos de whatsapp. Em carta divulgada nesta segunda-feira (5), lideranças das TIs Comexatibá e Barra Velha afirmam que os ataques “vêm sendo metodicamente planejados” com a “participação de militares que ‘prestam serviços’ extras aos fazendeiros em conflito”.
Os invasores das duas TIs “são os mesmos, os atos violentos vêm sendo protagonizados pela mesma associação de fazendeiros, afirma a nota das lideranças. “É de conhecimento público, visto que a exibição de suas ameaças e atos violentos circulam nas redes de whatsapp da extrema direita bolsonarista locais e regional”.
No dia 29 de agosto, um ofício de diversas organizações indígenas e indigenistas já havia sido enviado à Polícia Federal, solicitando providências em favor do povo Pataxó da TI Barra Velha, do extremo sul da Bahia, “sob cerco e ameaças de grupo armado”.
Após o ataque que resultou no assassinato de Gustavo, o Ministério Público Federal (MPF) enviou ofício ao Ministério da Justiça solicitando o fortalecimento da Polícia Federal de Porto Seguro e maior presença do órgão nas terras indígenas do extremo sul baiano.
O MPF também informa estar em contato com as Polícias Militar e Federal e com a Funai, para garantir medidas de proteção aos indígenas da região. A tensão e a preocupação, entretanto, ainda angustiam os Pataxó.
“Ainda estamos nos sentindo descobertos”, afirma a liderança Pataxó não identificada. “Estamos aguardando a Secretaria de Justiça do Estado, para ver como podem nos apoiar para não ficarmos aqui sozinhos”.
Depois de uma agenda cheia – que contou com carreatas pela caravana “Para o Bem do Maranhão” e com encontros com o candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, encerrou a última semana visitando a 62ª edição da Exposição Agropecuária do Maranhão (Expoema), realizada no tradicional Parque Independência, em São Luís.
Durante a visita, que aconteceu na noite desse domingo (4), Brandão visitou diversos stands do governo do Estado, representado por secretarias e órgãos estaduais. “Fechamos o domingo em visita à Expoema, que está de volta, com muitas novidades, no Parque da Independência. Um momento pós-reforma, que celebra a sua 62ª edição – esta que é a maior exposição agropecuária do nosso querido estado do Maranhão”, celebrou o governador.
Para Brandão, a Expoema, que é promovida pela Associação dos Criadores do Estado do Maranhão (Ascem), em parceria com o governo do Estado, objetiva dar visibilidade tanto ao que ocorre no Maranhão em termos de produção, quanto a proporcionar trocas de conhecimentos e de experiências entre produtores e público.
“Visitamos os stands e vimos de perto como a iniciativa fortalece o setor primário ao dar a atenção necessária à produção de conhecimento, possibilitando a troca de experiências entre os produtores e os criadores, gerando oportunidades de negócios e favorecendo a economia, que deve movimentar cerca de R$ 200 milhões. O nosso governo presente!”, afirmou.
Entre as secretarias e órgãos que representam o governo na 62ª Expoema, estão: Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima); Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged); Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma); Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA); Junta Comercial do Estado do Maranhão (Jucema); Instituto De Metrologia e Qualidade Industrial Do Maranhão (Inmeq); Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc); Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Viva/Procon-MA); Porto do Itaqui; Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA); Secretaria de Turismo (Setur); Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão (Agerp); Secretaria Da Agricultura Familiar (SAF); Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes); Secretaria da Cultura do Maranhão (Secma); Secretaria De Estado Do Trabalho E Da Economia Solidária (Setres); Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran); Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP); Secretaria da Mulher (SEMU); Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SPP); Polícia Civil; Polícia Militar; Corpo de Bombeiros; e Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) – esta com apoio no asfaltamento e na reestruturação do Parque Independência.
Mais da Expoema
Após dois anos de pausa, devido à pandemia do coronavírus, a Expoema retoma a sua programação de eventos do Maranhão. O evento ocorrerá entre os dias 4 e 11 de setembro – com exibição de animais, mostra de maquinários, cursos, atrações musicais, competições, concursos, entre outras atividades.
A expectativa para os oito dias de Expoema é que mais de 500 mil pessoas passem pelo parque e que a movimentação financeira chegue em torno de R$ 200 milhões, com a geração empregos diretos e indiretos.