A animação tomou conta das ruas do Bairro do Coroadinho na tarde de segunda-feira (12). Uma multidão participou de uma caminhada, comandada por Weverton Rocha (PDT), candidato ao governo do Maranhão pela Coligação “Juntos pelo Trabalho”.
Weverton fez questão de ir até a casa dos moradores para saudá-los, sendo recebido com muito carinho. Por onde passava o candidato recebia abraços e palavras de incentivo e apoio a sua candidatura. Weverton também ouviu com atenção as reivindicações da comunidade e falou sobre seus projetos.
“A comunidade do Coroadinho é formada por pessoas unidas, trabalhadoras, que mesmo com todas as adversidades lutam por melhorias. Quero dizer que no nosso governo o jovem terá oportunidade, por meio do programa “Primeiro Emprego”, a mulher com mais de 40 anos voltará ao mercado de trabalho, com o programa “Segunda Chance”, vamos criar a Casa do Empreendedor para você que quer ser dono do seu próprio negócio. Nosso objetivo é garantir os direitos dos maranhenses de forma digna e respeitosa”, afirmou ele.
Junto com Weverton na caminhada estava o vereador Nato Jr (PDT), liderança da região. Também presentes na caminhada os vereadores Raimundo Penha (PDT), Charles dos Carrinhos (PRTB), os candidatos à reeleição Senador Roberto Rocha (PTB), o deputado federal Juscelino Filho (União Brasil) e o deputado estadual Neto Evangelista (União Brasil), o candidato a deputado estadual, Osmar Filho (PDT), os candidatos a deputados federais Jefferson Portela (PDT), Jonas Magno (Republicanos) e Brenda Carvalho (PL).
O ex-governador e candidato ao Senado pelo Maranhão Flávio Dino (PSB) usou as redes sociais para destacar que as pesquisas eleitorais que mostram Jair Bolsonaro (PL) atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm levado os apoiadores do atual ocupante do Palácio do Planalto a ampliarem o nível de ameaças e coações contra os adversários. Dino publicou um vídeo em que o agricultor Cássio Joel Cenali humilha a diarista Ilza Ramos Rodrigues com o alerta de que ele cometeu um crime ao tentar coagir a trabalhadora após ela afirmar que iria votar em Lula.
“Como ameaças tem se repetido em todo o país, e devem aumentar em face do desespero com a pesquisa de ontem, lembro que é CRIME: Art. 301. Usar de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido, ainda que os fins visados não sejam conseguidos: Pena – reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa”.
A postagem faz referência à Lei nº 4.737, de 15 de Julho de 1965, que instituiu o Código Eleitoral. Segundo a última pesquisa Ipec, contratada pela Globo e divulgada nesta segunda-feira (12), Lula lidera a disputa presidencial com 46% das intenções de voto e Jair Bolsonaro ficou na segunda posição, com 31%. Nos votos válidos, Lula teve 51% (eram 50% na pesquisa anterior (5).
A pesquisa ouviu 2.512 eleitores entre os dias 6 e 12 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01390/2022. (Brasil 247)
O candidato a deputado estadual Osmar Filho (PDT) segue percorrendo o estado rumo a uma vaga na Assembleia Legislativa. No fim de semana, a agenda intensa incluiu programações nos municípios de São Luís, Cajari e Nova Olinda do Maranhão.
Na capital maranhense, Osmar esteve no sábado (10), no bairro da Vila Palmeira. Ao lado do candidato a deputado federal Daniel Foca (PCdoB). “Fico muito feliz em ter o apoio desse grande líder comunitário, que tanto contribui com a nossa sociedade”, disse o pedetista.
Também no sábado, a programação ainda incluiu uma caminhada na região do Turu/ Vila Luizão, ao lado do vereador Marquinhos (DEM) e do deputado Pedro Lucas Fernandes (PTB). “Quero seguir ajudando a transformar a vida das pessoas por meio do meu trabalho – agora no Parlamento Estadual”, afirmou o atual presidente da Câmara Municipal de São Luís.
Osmar Filho iniciou o domingo (11) no município de Cajari – precisamente nos povoados de Enseada Grande I e II. “É um momento de rever amigos da região e de reforçar nosso compromisso em favor do município. Na Assembleia Legislativa serei uma voz ativa em favor da população da Baixada”, garantiu o candidato, defendendo ainda os nomes que compõem sua coligação, como o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL) e Weverton (PDT), candidato ao Governo do Maranhão.
Por fim, o pedetista esteve, ainda no domingo, no município de Olinda Nova do Maranhão, a convite da ex-vice-prefeita Moça de Riba e de seu marido, Riba, onde prestigiou as quartas de final do Copão Coque de Futebol Feminino.
Ainda acompanhado de Moça de Riba, Osmar encerrou sua passagem pelo município com uma grande carreata, que contou com a participação dos vereadores Macilene da Colônia, Ronilson, Valdemir, entre outras lideranças locais, que estão com ele neste projeto. “Desde o primeiro dia na Assembleia Legislativa voltarei minhas ações para Olinda Nova e para a nossa Baixada Maranhense, que está no meu sangue, pois sou filho de baixadeiro”, falou.
Em entrevista à CNN, Lula diz que Brasil precisa superar o “governo da confusão” para voltar a crescer. “Não quero governar o Brasil, quero cuidar do povo brasileiro”, afirma
Paz para crescer. É disso que o Brasil precisa e é isso que Lula se comprometeu a construir caso ganhe as eleições para presidente, durante entrevista à CNN Brasil (assista à íntegra abaixo), na noite desta segunda-feira (12).
“Você não pode presidir um país para tentar instigar a confusão. Este país precisa de paz para crescer, para melhorar. E quem pode fazer isso é o presidente da República. É o comportamento dele que dita um pouco as regras do que vai acontecer na sociedade”, analisou.
Na opinião de Lula, os brasileiros não conseguem viver em paz e sonhar com dias melhores com um presidente como Jair Bolsonaro. “O atual presidente vive de provocar, de instigar, de desrespeitar, de ofender ministro da Suprema Corte. E eu não faço isso. Vamos ganhar as eleições para reconstruir a paz neste país, para que a família brasileira possa viver bem e voltar a ter esperança. Não quero governar o Brasil, quero cuidar do povo brasileiro”, disse.
Essa forma de governar também acabou isolando o Brasil internacionalmente e facilitando ataques aos indígenas, quilombolas e ao meio ambiente. “O Brasil desapareceu (internacionalmente). E o Brasil tem voltar. O Brasil nunca teve contencioso com ninguém, quem criou foi o atual presidente”, observou.
Lula disse que pretende restabelecer as relações com outros países para atrair recursos tanto para o desenvolvimento econômico quanto para a preservação das florestas. E disse contar com o apoio dos empresários do agronegócio brasileiro que são sérios.
“Os quilombolas têm que ter direito à sua terra, os indígenas não podem ser vítimas de garimpo. Nós sempre vamos governar para todos, mas os mais necessitados terão a nossa preferência no tratamento. E, aí, tem empresários grandes na área da agricultura que se comportam dignamente, que produzem, vendem, exportam e respeitam. Para quem não quiser respeitar, existe a lei”, afirmou.
Para governar para todos, Lula disse que sua prioridade será retomar os investimentos públicos para financiar grandes obras e gerar empregos. Também afirmou que buscará governar transmitindo credibilidade, estabilidade e previsibilidade.
E garantiu que, por ser muito mais experiente hoje do que era em 2003, quando assumiu a Presidência, tem certeza de que o Brasil tem jeito. “A razão pela qual estou candidato hoje é porque eu tenho certeza de que é possível a gente recuperar a economia, voltar a gerar emprego, voltar a aumentar o salário mínimo e garantir que a sociedade volte a comer três vezes ao dia.”
Bolsonaro deve explicações
Questionado no começo da entrevista sobre corrupção, Lula lembrou que a grande diferença entre ele e Bolsonaro é que no seu governo era permitido investigar e que, no atual, há sigilo de 100 anos para tudo. Além disso, Lula já provou sua inocência na Justiça, enquanto Bolsonaro permite o orçamento secreto e não explica como sua família usou dinheiro vivo na compra de 51 dos mais de 100 imóveis que adquiriu.
Lula ainda se comprometeu a continuar apoiando a investigação de crimes, mas alertou que o péssimo exemplo da Lava Jato não pode se repetir: “O problema foi terem beneficiado bandidos (com delações premiadas) para tentar colocar a culpa em mim”.
Na contagem geral, sem excluir brancos e nulos, Lula tem 46% das intenções de voto, 15 a mais do que Bolsonaro (31%)
O ex-presidente Lula (PT) tem 51% dos votos válidos, soma que exclui brancos e os nulos, critério utilizado pela Justiça Eleitoral para contabilizar o resultado final da eleição, e pode vencer a disputa pela presidência da República no primeiro turno, no dia 2 de outubro. Vence quem tiver 50% mais um voto.
O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, tem 35% dos votos válidos.
Os dados são da pesquisa Ipec (ex-Ibope) e foram divulgados nesta segunda-feira (12).
De acordo com a pesquisa, na soma geral, incluindo brancos e nulos, Lula tem 46% das intenções de voto contra 31% de Bolsonaro no primeiro turno da eleição.
O petista tem 15 pontos de vantagem sobre Bolsonaro. E todos os candidatos juntos somam 44%, 2 a menos do que Lula o que também indica chance de vitória no 1° turno.
Demais resultados do 1° turno
Em terceiro lugar está o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com 7% das intenções voto. Em quarto está a senadora Simone Tebet (MDB-MS), com os 4%.
Felipe d’Avila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil) se mantiveram com 1%.
Não chegaram a 1%: Vera (PSTU), Constituinte Eymael (DC), Léo Péricles (UP), Padre Kelmon (PTB) e Sofia Manzano (PCB).
Brancos e nulos
– 6% dos eleitores disseram que vão anular o voto ou votar em branco.
– 4% não souberam ou não quiseram responder.
Recortes que mostram onde Lula tem mais intenções de voto
– entre quem avalia negativamente a gestão Bolsonaro (76%);
– entre os que vivem no Nordeste (61%);
– entre as famílias com renda mensal de um salário mínimo (55%);
– em residências em que ao menos uma pessoa receba auxílio do governo federal (55%);
– entre pessoas com ensino fundamental (55%);
– entre católicos (52%);
– entre pretos e pardos (50%).
Onde Bolsonaro vai melhor
– entre os que acham a gestão dele ótimo ou bom (82%);
– entre evangélicos (48%);
– entre os que vivem no Sul (41%) e Centro-Oeste (39%);
– entre homens (36%);
– entre quem tem ensino médio (35%).
Segundo turno
O Ipec também pesquisou a intenção de votos em um eventual segundo turno. Lula vence por 53% a 36% no cenário pesquisado
Metodologia da pesquisa
A pesquisa ouviu 2.512 pessoas entre os dias 9 e 11 de setembro em 158 municípios.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O nível de confiança é de 95%.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01390/2022.
O levantamento também mostra que 45% dos brasileiros consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo. Pesquisa foi realizada entre 9 e 11 de setembro.
A pesquisa Ipec (ex-Ibope), encomendada pela TV Globo e divulgada na noite desta segunda-feira (12), aponta que 59% dos brasileiros desaprovam a administração de Jair Bolsonaro (PL) no governo. Os que aprovam somam 35% e outros 5% não souberam responder.
Em relação a rodada anterior, divulgada em 5 de setembro, Bolsonaro registrou uma queda na aprovação, indo de 38% para 35%, acima da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Já o número dos que desaprovam o governo oscilou para cima, dentro da margem de erro, passando de 57% na última semana para 59% nesta. Desde o início das pesquisas, em 15 de agosto, Bolsonaro não registrava mudanças em suas avaliações, oscilando apenas dentro da margem de erro.
Segundo a pesquisa, o pior desempenho do presidente é entre moradores da região Nordeste, onde ele tem 71% de reprovação. Eleitores sem religião ou que não são católicas ou evangélicas representam 66% e católicos, moradores de periferias e pessoas com renda familiar de até um salário-mínimo são 64%.
45% julgam administração ruim ou péssima
O levantamento também mostra que 45% dos brasileiros consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo, antes eram 43%. Para 23%, a gestão é regular, antes eram 25%, e para 30% ela boa ou ótima (mesmo índice da semana anterior).
O Ipec entrevistou 2.512 pessoas entre 9 e 11 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o protocolo BR-01390/2022.
A Câmara de Vereadores de São Luís realizará, nesta terça-feira (13), mais uma sessão ordinária. Estão na pauta, para deliberação do plenário, 21 projetos de lei, 12 projetos de decreto legislativo, oito projetos de resolução, 23 requerimentos, duas moções e 11 indicações.
Entre os projetos de lei, estão pedidos para consideração de ‘utilidade pública’ a entidades que prestam serviços relevantes à população, proposta de criação de área de convivência social na Vila Riod, alteração de nome de unidade escolar, criação do Programa “Amiguinho dos Animais”, instituição da Semana do Legislativo nas escolas públicas municipais, dentre outras propostas.
Na sessão, o vereador Ribeiro Neto (Patriota) irá apresentar dois projetos de lei que garantem mais direitos aos doadores de sangue e às pessoas portadoras do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Nos projetos de decreto legislativo, estão propostas de homenagem a diversas personalidades que contribuem com avanços nas mais diversas áreas, em São Luís.
Entre os requerimentos e indicações, os vereadores irão deliberar sobre pedidos de melhoria na pavimentação de diversos pontos da capital, bem como na mobilidade urbana.
Na pauta, dois pedidos de moção também estão previstos. O primeiro, de autoria do vereador Marlon Botão (PSB), pede a congratulação do governador do Estado, Carlos Brandão, pela organização do São João 2022, com destaque para o incentivo à geração de emprego e renda no estado. O segundo pedido de moção, do vereador Chico Carvalho (Avante), é uma Moção de Pesar, pelo falecimento do poeta e compositor José Raimundo Gonçalves, em solidariedade a seus familiares e amigos.
Acompanhe a sessão ordinária da Casa por meio da transmissão ao vivo no canal da Câmara no Youtube.
Alenir Ximenes, Neusa Kunhã Takua e David Popygua foram convidados pelo gabinete da ministra para a cerimônia, que ocorre na tarde desta segunda-feira (12)
Três lideranças indígenas foram convidadas para participar da cerimônia de posse da ministra Rosa Weber como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O convite foi feito pelo gabinete da ministra às lideranças Alenir Aquines Ximenes, do povo Guarani Kaiowá, Neusa Kunhã Takua, do povo Guarani Nhandeva, e David Popygua, do povo Guarani Mbya, após visita dos indígenas aos gabinetes dos ministros. A cerimônia ocorre a partir das 17h desta segunda-feira (12), na sede do Supremo, em Brasília.
Ao todo, 1.300 pessoas foram convidadas para a solenidade, na qual a ministra Rosa Weber será empossada como presidente da Suprema Corte e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e o ministro Luís Roberto Barroso assumirá o cargo de vice-presidente do STF.
“É muito importante para nós o STF, pois ali está a base para cumprirem nossos direitos e derrubar o marco temporal”
A Guarani Kaiowá Alenir Aquines Ximenes, liderança da Terra Indígena (TI) Nhanderu Marangatu, no Mato Grosso do Sul, considera que a presença indígena na cerimônia é um “momento histórico”.
“Estou aqui representando o Mato Grosso do Sul na posse da Rosa Weber. É muito importante para nós o STF, pois ali está a base para cumprirem nossos direitos e derrubar o marco temporal. Neste momento, é muito importante a entrada dela e a nossa presença, porque é um momento histórico”, afirma Alenir.
Neusa Kunhã Takua, vice-cacique da TI Tekoha Jehy (Rio Pequeno), em Paraty (RJ), afirma que o momento representa também a esperança de que os direitos constitucionais indígenas sejam garantidos.
“É uma honra poder estar aqui representando a população indígena, é a primeira vez da população indígena dentro dessa cerimônia. É muito importante, e a gente vem com essa esperança, de que nossas leis sejam de fato respeitadas, nossa Constituição Federal”, avalia a liderança Guarani Nhandeva.
Para David Popygua, cacique da aldeia Tekoá Itu, na TI Jaraguá, em São Paulo, a participação das lideranças indígenas na solenidade é ainda mais significativa no atual contexto político do Brasil, em que os direitos dos povos originários vêm sendo duramente atacadas por projetos legislativos que tramitam no Congresso Nacional e por medidas do governo federal.
“Estamos muito felizes com esse convite para participar deste momento tão importante para o Brasil, e estamos aqui para mostrar que nós, indígenas, estamos vivos, lutando e resistindo a todo esse cenário que foi causado, esse grande desastre desse governo que está nos exterminando e atacando nossos direitos”, avalia o líder Guarani Mbya.
A presença de indígenas na cerimônia de posse de uma presidente do STF é carregada de simbolismo e ineditismo, explica Paloma Gomes, assessora jurídica do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
Antes da posse de Rosa Weber, a única vez em que indígenas foram convidados para a posse de um presidente da Suprema Corte foi em 2018, quando a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) foi convidada para a cerimônia de empossamento do ministro Dias Toffoli como presidente.
“Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 até agora, em 34 anos, esta é a vigésima presidência do STF e apenas a segunda vez em que lideranças ou representantes dos povos indígenas foram convidados a participar da posse de um ministro do Supremo como presidente da Corte. É muito simbólico isso”, avalia a assessora.
Mesmo após a redemocratização e a promulgação da Constituição Federal de 1988, que dedica um capítulo inteiro “aos índios”, os povos indígenas demoraram até mesmo a serem mencionados nos discursos de posse de presidentes da Suprema Corte.
“A primeira menção a povos e nações em um discurso de posse de presidente do STF ocorreu somente dez anos após a promulgação da Constituição. O termo indígena veio a ocupar os dizeres de um novo presidente empossado somente em 2008, ou seja, vinte anos após a Carta constitucional”, aponta Paloma.
“Isso mostra que, apesar da ideia de um país plural, que possui diversas nações indígenas, diversos povos e comunidades tradicionais, como os quilombolas, essa diversidade nunca esteve representada num discurso de posse e muito menos em um convite de participação dessas coletividades a uma solenidade como essa”, prossegue.
O convite às lideranças para a cerimônia sinaliza, por isso, um aceno e uma abertura aos povos e sua luta pela garantia dos direitos que já foram reconhecidos pela Constituição – como o direito originário às suas terras, o direito a viver de acordo com seus próprios modos de vida e formas de organização social e, ainda, o direito de acesso à justiça.
“Isso simboliza que aos poucos o Supremo está se abrindo à matéria indígena e entendendo a importância da participação dos povos indígenas no acesso ao poder Judiciário”, analisa a advogada.
“O Supremo precisa pôr um fim ao marco temporal. Por conta do marco temporal estar tramitando no Supremo, as terras indígenas estão sendo atacadas, e o governo federal tem se aproveitado dessa situação para não defender os territórios indígenas”
Repercussão geral e marco temporal
As lideranças convidadas para a posse também aproveitam o momento para marcar a posição dos povos indígenas contra a tese ruralista do chamado “marco temporal”, e pedir ao STF que conclua o julgamento sobre o tema.
Com repercussão geral reconhecida pela Corte, o processo que envolve o território do povo Xokleng, em Santa Catarina, servirá de referência para todos os casos envolvendo a demarcação de terras indígenas – e, portanto, terá consequências para todos os povos originários do Brasil.
“O Judiciário, o STF tem um papel fundamental de nos proteger. Nossos territórios estão sendo invadidos, o marco temporal precisa ser rapidamente julgado e anulado. O Supremo precisa pôr um fim ao marco temporal. Por conta do marco temporal estar tramitando no Supremo, as terras indígenas estão sendo atacadas, e o governo federal tem se aproveitado dessa situação para não defender os territórios indígenas”, aponta David Popygua.
Paralisado desde setembro de 2021, depois de um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, o processo representa a esperança dos povos indígenas de que o Supremo reafirme seus direitos constitucionais, diga não à tese do marco temporal e afaste, com isso, as ameaças de despejo, violência e desterritorialização que rondam várias comunidades indígenas – assim como a realidade enfrentada hoje por povos em muitas regiões do país de conflitos, fome e vulnerabilidade social.
“Nossos territórios estão completamente ameaçados e a violência contra nosso povo tem aumentado muito”, relata David. “Então, fica aqui o nosso apelo e a nossa oportunidade de estar nessa sessão de posse é muito importante. A ministra já está sinalizando que respeita os povos indígenas com esse convite”.
“Queremos cada vez mais ter acesso, vir a Brasília, no Congresso, nossa voz, nossa luta, e derrubar todas essas leis que atacam e matam os povos indígenas”
Os povos indígenas têm reivindicado que o julgamento seja retomado e concluído o quanto antes pelo STF. O processo chegou a ser incluído na pauta do Supremo do primeiro semestre de 2022, mas acabou sendo retirado, e até o momento não teve seu julgamento remarcado.
“Vamos lá, demonstrar que nós indígenas estamos muito preocupados e contamos muito com o Supremo para que protejam nossos direitos, garantam que nossos territórios sejam protegidos e não deixem que esse governo siga avançando sobre nossos territórios com essa política anti-indígena que está em curso”, afirma David Popygua.
“A luta dos povos é para acabar com o marco temporal, que mata e está matando os povos indígenas. Nossa presença é a luta pelo nosso território. Queremos cada vez mais ter acesso, vir a Brasília, no Congresso, nossa voz, nossa luta, e derrubar todas essas leis que atacam e matam os povos indígenas”, diz Neusa Kunha Takua.
Mobilização em Brasília
Além das três lideranças presentes na posse de Rosa Weber, cerca de 120 indígenas dos estados de Maranhão, Bahia, Roraima e Minas Gerais estão presentes na capital federal e realizarão mobilizações e incidências em defesa de seus direitos ao longo da semana.
Participam da mobilização em Brasília lideranças dos povos Apãnjekra Canela, Memortumré Canela, Akroá Gamella, Tremembé do Engenho e Kari’u Kariri, do Maranhão, Macuxi, de Roraima, Pataxó, da Bahia, e Xakriabá, de Minas Gerais.
A posse da ministra Rosa Weber como presidente da Suprema Corte será transmitida ao vivo pela TV Justiça.
A três semanas do primeiro turno da votação, as organizações signatárias – que atuam diretamente na defesa das liberdades de imprensa e de expressão no Brasil – manifestam indignação e preocupação com os ataques direcionados principalmente às mulheres jornalistas nestas eleições. Assim, instam as agremiações políticas a cessarem as hostilidades e a respeitarem o trabalho da imprensa nas próximas sabatinas e nos debates entre candidatos e candidatas.
Entre elas, adotar um discurso público que contribua para prevenir a violência contra jornalistas e comunicadores/as; condenar publicamente qualquer forma de violência ou ataque contra a imprensa; não estimular, direta ou indiretamente, que apoiadores/as ofendam, ataquem ou agridam jornalistas, comunicadores/as e trabalhadores/as da imprensa; e garantir o acesso igualitário de jornalistas a atividades de campanha e a coletivas de imprensa, para que possam realizar a cobertura do processo eleitoral.
Infelizmente, as recomendações vêm sendo desrespeitadas de maneira sistemática. Assim, reforçamos o pedido para que todas as candidaturas, seus partidos e coligações, assinem e acatem a carta compromisso. Até o momento, as candidaturas de Simone Tebet (MDB), Ciro Gomes (PDT), Léo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB) e Vera Lúcia (PSTU) à presidência da República já firmaram o compromisso. Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ainda não se manifestaram oficialmente.
As organizações destacam que, durante o período eleitoral, o papel da imprensa se torna ainda mais relevante para garantir o acesso à informação necessária para uma participação cidadã no debate público e nas eleições, de forma consciente e crítica. Que todos e todas os/as jornalistas possam exercer seu trabalho num ambiente de liberdade, respeito e segurança.
12 de setembro de 2022.
Assinam:
ARTIGO 19
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)
Ilza Rodrigues, que ouviu de empresário que não receberia mais marmitas por votar em Lula, é o melhor exemplo de que o brasileiro é um povo no qual vale a pena acreditar e investir
O fim de semana que passou foi marcado por um vídeo que mostra o encontro de dois brasis: um digno, pelo qual vale a pena lutar, e um indigno e desumano, que precisa com urgência ser superado.
O vídeo foi feito por um empresário bolsonarista que achou ter o direito de humilhar uma senhora só por ter mais dinheiro que ela. Na filmagem, ao entregar a ela uma caixa com marmitas, ele pergunta em quem ela vai votar. Ao ouvir que será em Lula, o empresário anuncia que não a ajudará mais e recomenda que ela peça as marmitas, a partir de agora, ao ex-presidente.
Identificado depois como Cássio Cenali, o empresário, que vive no interior de São Paulo, não só considerou aceitável fazer o que fez como também achou que seria bom filmar e distribuir o vídeo. Talvez, achou que estaria ensinando algo a alguém.
Dignidade e solidariedade
Pelo contrário. Quem tinha a ensinar era a sua vítima. Entrevistada após a repercussão do caso, a diarista Ilza Ramos Rodrigues deu uma lição de dignidade, honra e solidariedade a Cenalli.
Em entrevista ao veículo Ita News, de Itapeva (SP), onde mora, Ilza se mostrou uma mulher trabalhadora, que ganha a vida como faxineira e que, embora tenha se sentido humilhada e abalada psicologicamente, uma das coisas que mais a preocupou foi o fato de dar a marmita a outras duas famílias, que a partir daquele momento também ficariam sem a ajuda.
“(Eu me senti) Humilhada, porque, pra mim, uma pessoa que tem dinheiro, tem o carro que tem, não tem o direito de humilhar as pessoas mais humildes. Eu sou essa pessoa que eu sou. Eu não esperava que fizesse isso, porque essa marmita, tanto como me ajuda, me ajudava, ajudava também outras pessoas, porque não ficava só para mim. Eu distribuía, eu dava para duas famílias”, contou (veja no vídeo abaixo).
O que eles não entendem é que Lula não defende caridade. Quando presidente, Lula colocou em prática uma política de Estado que busca simplesmente cumprir a Constituição e garantir oportunidade e condições mínimas de dignidade a todos os brasileiros, em especial às crianças e mães, que, muitas vezes são responsáveis sozinhas pelo sustento das famílias.
Lula sabe que os mais pobres não são menos capazes. Só lhes falta oportunidade. Com condições de se alimentar, estudar e trabalhar, os brasileiros crescem. E, junto, cresce o país. E, se hoje 33 milhões de pessoas passam fome no país e precisam de ajuda é porque Jair Bolsonaro desmontou tudo que Lula iniciou e que fez o Brasil sair do Mapa da Fome.
Ao saber do caso, o ex-presidente enviou uma mensagem a dona Ilza: “A fome é culpa da falta de compromisso de quem governa o país. Negar ajuda para alguém que passa dificuldades por divergência política é falta de humanidade. Minha solidariedade com essa senhora e sua família. O Brasil vai voltar a ter dias melhores”, escreveu no Twitter (veja abaixo).
Já Ilza não precisa se preocupar com as próximas marmitas. O MST garantiu o suprimento em sua casa pelos próximos seis meses, e os primeiros produtos já chegaram, sendo muito bem recebidos. “Hoje mesmo eu não tinha o que comer”, contou Ilza à Folha de S. Paulo. Outra coisa que ela contou é que não muda seu voto. “Se eu vou deixar (de votar em Lula)? Não, eu vou votar nele!”