PEC aumenta valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, reajusta o valor do vale gás e cria benefício de R$ 1.000 para caminhoneiros – o vale diesel
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta terça-feira (12), em primeiro turno, por 393 votos favoráveis e 14 contrários, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 01/2022, chamada de PEC do Desespero ou PEC do Auxílio.
A PEC aumenta o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, reajusta o valor do vale gás e cria benefício de R$ 1.000 para caminhoneiros – o vale diesel. Tudo isso vale apenas até dezembro, após as eleições que vão escolher o novo presidente da República.
Como o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição está em segundo lugar, atrás do ex-presidente Lula (PT), em todas as pesquisas de intenções de voto, a proposta foi apelidada de PEC do Desespero. Com as medidas, que têm custo estimado em R$ 41,2 bilhões, Bolsonaro espera reverter parte da vantagem de Lula na corrida eleitoral.
O texto veio do Senado sem modificação, portanto, após aprovada em segundo turno na Câmara a PEC será sancionada pelo Congresso Nacional, como ocorre com as emendas à Constituição, que não precisam ser sancionadas pelo presidente da República.
Além de ampliar o vale-gás, criar o vale diesel e aumentar o valor do auxilio brasil, a PEC prevê o cadastro de 1,6 milhão de novas famílias no programa.
Oposição
Os partidos de oposição ao governo Bolsonaro indicaram voto favorável ao texto, mas afirmaram se tratar de uma medida “eleitoreira”.
Líder do PSB, o deputado Bira do Pindaré (MA) afirmou que, durante a votação dos destaques, a oposição pretende assegurar a permanência dos benefícios. “Nós não concordamos é que esse auxílio seja limitado ao período eleitoral. Não concordamos com medidas eleitoreiras. Vamos defender a nossa posição de que essa seja uma política permanente, e não essa enganação do Bolsonaro, que quer aumentá-lo apenas no período eleitoral”, disse.
Para a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), é necessário denunciar o “caráter eleitoreiro” da medida. “Lá atrás, Bolsonaro e sua base não quiseram o valor que estamos votando agora. Querem agora para conseguir diminuir a rejeição que vai tirá-los do poder em outubro. A segunda denúncia é que a culpa desse horror é de Bolsonaro e sua base”, afirmou.
O líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE), criticou o precedente de se instituir um estado de emergência por emenda constitucional. “Em um país como o Brasil, no clima político existente no Brasil, a 80 dias da eleição, você consagrar no texto constitucional, mesmo que nas disposições transitórias, o estado de emergência é um risco que não há nenhuma necessidade de nós corrermos”, alertou.
“Por fim, espero contribuir com o andamento desta Casa e inspirar tantas outras mulheres a também lutar por seus espaços”, disse vereadora. / Leonardo Mendonça
Em sessão solene realizada na manhã desta terça-feira (12), na Câmara Municipal, Rejanny Braga (DC) tomou posse como vereadora de São Luís. Ela substitui o vereador Thyago Freitas (DC), que solicitou licença de até 121 dias para tratar de assuntos particulares.
Durante a cerimônia, Rejanny Braga entregou a documentação necessária, prestou juramento e, em seguida, assinou o termo de posse.
A mais nova vereadora da capital ludovicense iniciou seu discurso de posse memorando sua trajetória: “Quem diria que aquela menina pobre da periferia da zona rural de São Luís, sem muitas expectativas de vida, hoje estaria aqui, representando milhares de pessoas que lutam dia a dia por uma vida mais justa? Quem conhece minha história sabe o quanto eu lutei para chegar onde cheguei”.
Rejanny Braga falou também sobre sua perspectiva de atuação política: “Sei que posso contribuir para o desenvolvimento dessa cidade porque coragem e muita força de vontade eu tenho. Terei tempo para elaborar leis e fiscalizar o poder executivo, estarei atenta aos interesses da população e coloco meu gabinete à disposição de todos. Por fim, espero contribuir com o andamento desta Casa e inspirar tantas outras mulheres a também lutar por seus espaços”.
Na sessão plenária desta terça-feira (12), o presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto (PCdoB), repudiou o assassinato do guarda municipal e tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu (PR), vítima de intolerância política. O parlamentar também falou sobre outro crime que chocou o país, na última semana, cometido pelo anestesista Giovanni Quintella, que violentou uma mulher durante o parto.
Em seu pronunciamento, Othelino Neto afirmou que nada justifica a forma cruel com que Marcelo Arruda foi assassinado, vitimando não só a ele, mas toda a família, pois deixa esposa e quatro filhos. O chefe do Legislativo maranhense ressaltou, ainda, que há muitos anos não se via acontecer crimes dessa natureza no Brasil.
“Marcelo Arruda foi assassinado de forma absolutamente covarde e injustificável. Nenhuma divergência justifica um ato de estupidez e de violência como aquele. O que leva alguém ao extremo da estupidez, da loucura, da maldade, da desumanidade, de se sentir no direito de tirar uma vida porque o cidadão, que estava comemorando o seu aniversário, homenageava um líder político?”, assinalou o parlamentar.
Othelino disse também que, tão lamentável quanto o crime bárbaro cometido por um policial penal, provando que não tem a mínima condição de portar uma arma, é ver o próprio presidente da República, em muitos momentos, dar declarações genéricas que estimulam a radicalização e a violência.
“É óbvio que o presidente da República não é culpado no aspecto legal ou criminal pelo ocorrido, mas ele tem a responsabilidade política por estimular a violência e o uso de armas e, certamente, será responsabilizado no momento em que for analisado por Deus. Esse, sim, fará o julgamento daqueles que cometem ou estimulam esse tipo de violência”, declarou.
Violência
Ainda na sessão plenária, o chefe do Parlamento Estadual também repercutiu o estupro sofrido por uma mulher, em São João de Meriti (RJ), que foi violentada durante o parto pelo anestesista Giovanni Quintella.
“Aquilo chocou a todos, imaginar que uma mulher, no momento do parto, pudesse sofrer aquele tipo de violência. Infelizmente, percebemos no dia a dia vários tipos de violência contra a mulher, desde o feminicídio às agressões verbais, violência psicológica e diversas formas de constrangimento. Mas, essa realmente nos assustou ainda mais”, lamentou Othelino Neto, desejando que crimes como esse parem de acontecer.
“Que este anestesista perca o registro e que o Conselho Regional de Medicina, de nenhuma forma, proteja ou protele a punição deste profissional. Que a Justiça cumpra o seu papel e o mantenha fora de circulação, porque ele é um perigo para a sociedade”, finalizou.
O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, participou do ato público do Vamos Juntos pelo Brasil realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, na noite desta terça-feira (12). Lideranças políticas e sociais do PSB e de diversos partidos políticos, militantes e apoiadores da chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-governador Geraldo Alckmin lotaram o local.
Na ocasião, Siqueira declarou a satisfação de estar representando os socialistas “na chapa da vitória” nas eleições deste ano. “Essa é a chapa da vitória, da democracia, da justiça social. É aqui que vamos nos reencontrar com o Brasil e com a democracia brasileira. É aqui que vamos falar um não rotundo e bem alto a Jair Bolsonaro, esse genocida, esse sujeito que deforma a democracia do nosso país”, disse.
O presidente do PSB ainda afirmou que há data exata para os brasileiros lutarem e dizerem “fora Bolsonaro!”. “Nós não vamos aceitar o retrocesso e não vamos aceitar que Jair Bolsonaro continue a mandar em nosso país. Todos aqueles que gostam deste país, que querem o desenvolvimento deste país, que querem a justiça social têm que lutar para vencer o autoritarismo e o ódio”. Nós temos dia e hora para dizer: FORA BOLSONARO!”
O pré-candidato a vice-presidente da República pelo PSB, Geraldo Alckmin, destacou que o slogan da campanha é “coragem e esperança” e defendeu a luta pela paz e pelo amor, não pelo ódio, para derrotar Bolsonaro nas urnas.
“Quando vejo essa bela festa, maravilhosa, emocionante, eu entendo que não é que o Bolsonaro não confia na urna, ele não confia é no voto do povo porque sabe que não merece o voto para um segundo mandato. Vamos mudar o Brasil! Em vez de desemprego, fome, desalento… Lula, 20 milhões de empregos, valorização do salário mínimo, educação de qualidade, saúde, preservação do meio ambiente, democracia. Nosso slogan é coragem e esperança porque não vão nos atemorizar, Lula é esperança”, defendeu.
O ex-presidente e pré-candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, direcionou seu discurso contra a violência na campanha eleitoral, relembrando a morte do petista Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu, no último domingo.
“Já disputei muitas eleições e já perdi muitas. Nunca deixei de cumprimentar um adversário, nunca cultuei inimigos. Em todas as campanhas que eu participei nesse país, nunca falei em violência em campanha. Entretanto, o Brasil mudou. Ainda não sei por que o Brasil mudou tanto, mas estão tentando fazer das campanhas eleitorais uma guerra. Estão tentando colocar medo na sociedade brasileira”, lamentou.
Lula também criticou a atuação de Bolsonaro em diversas áreas e aspectos, como na pandemia, e afirmou que o atual presidente do Brasil é “uma pessoa do mal, que não tem compaixão e nem respeito pela sociedade brasileira”.
“Se o Bolsonaro quiser visitar as pessoas pelas quais ele é responsável pela morte, ele vai ter que ter muita viagem porque ele não chorou uma lágrima pelas quase 700 mil vítimas do Covid”, disse.
Para finalizar, Lula afirmou que “nossa arma é a sede que temos de melhorar a vida do povo brasileiro”. Disse também que quer voltar a ser presidente da República para mudar a vida das pessoas e voltar a fazer o Brasil crescer, melhorando a qualidade da educação, estimulando a agricultura familiar, tendo uma boa política internacional, hospitais e médicos de ponta e em cidades do interior, com políticas de saúde para todos. Citou ainda a “questão climática séria” e as muitas potencialidades do pais.
“Hoje, eu estou mais exigente, mais maduro, mais consciente da responsabilidade de governar um país e das dificuldades, porque é importante vocês saberem que vamos pegar um país com situações econômicas, políticas e sociais muito piores do que herdei do Fernando Henrique Cardoso. Mas eu sou destinado e predestinado a aceitar desafios e eu quero que a sociedade brasileira saiba que eu quero voltar a ser presidente da República desse país e agora eu não quero apenas que as pessoas tomem café, almocem e jantem”, concluiu.
Antes da eleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) já fazia discurso de ódio estimulando a escalada de violência contra petistas e outros adversários de esquerda. O portal Vermelho faz um levantamento das dezenas de episódios que mancharam o ambiente democrático, desde então.
Apesar da escalada de ataques, agressões e até assassinatos a militantes e políticos de esquerda, são poucas as respostas contundentes da polícia, da justiça e até da mídia, garantindo a impunidade. Contam-se dezenas de incidentes ocorridos ainda antes da campanha de Bolsonaro, em 2018. É possível reunir pelo menos 64 casos mais simbólicos e tornados públicos na imprensa, envolvendo apoiadores do presidente em agressão a opositores.
O assassinato do dirigente petista Marcelo Arruda neste fim de semana em Foz Iguaçu (PR) é mais um, que mostra a parcialidade da abordagem do crime pela imprensa e pela polícia, assim como pelos políticos bolsonaristas que se omitem em mais um episódio de violência política estimulada pela extrema direita.
As declarações de Bolsonaro incentivando a ofensiva violenta contra a esquerda revelam uma tática fascista para tumultuar o processo democrático e enfraquecer as instituições.
O relatório “Violência Política e Eleitoral no Brasil (2020)” elaborado pela Terra de Direitos e Justiça Global, mapeou 436 casos de violência política entre janeiro de 2016 e novembro de 2020. Foram registrados 205 assassinatos e atentados, 85 ameaças, 62 agressões, 59 ofensas, 21 invasões e quatro casos de prisão ou tentativa de detenção de agentes políticos, pré-candidatos, candidatos ou eleitos.
De acordo com a pesquisa, o aumento dos atos violentos contra a vida nos últimos anos saltou de 19 assassinatos e atentados mapeados em 2017, para 32 em 2019 e 107 casos de assassinatos e atentados contra agentes políticos até 29 de novembro, um número cinco vezes maior do que o quantitativo de 2017. Apesar de nem todos estarem relacionadas diretamente ao bolsonarismo, estes casos coletados confirmam que o ambiente político tornou-se mais violento com o estímulo verbal de Bolsonaro, e a facilitação de acesso a armas de fogo.
A pesquisa “A Violência Política Contra as Mulheres Negras (2020)”, elaborada pelo Instituto Marielle Franco, Justiça Global e Terra de Direitos, entrevistou mulheres negras que foram candidatas e mostrou que, entre as participantes, 42% relataram ter sofrido algum tipo de violência. Entre elas, 13,3% receberam ameaças de morte durante o período de pré-campanha ou campanha eleitoral.
Relembre alguns casos significativos da escalada de violência bolsonarista nos últimos anos:
14 de março de 2018 – Vereadora e motorista mortos a tiros no Rio
A vereadora Marielle Franco (Psol) foi morta com quatro tiros na cabeça dentro de um carro no Estácio, região central do Rio. O motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e morreu. Uma outra assessora foi atingida por estilhaços. O crime foi considerado uma execução, mas não foi resolvido depois de quatro anos.
As investigações sofreram interferência federal, devido a irregularidades ocorridas no âmbito da polícia civil, com várias trocas de comando. Houve depoimento falso de miliciano para confundir a investigação, um policial preso por sumir com as armas do crime, desistência de duas promotoras que conheciam muito bem o caso e a morte de um miliciano que tinha relações com o gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL). Dois ex-policiais foram presos pelo assassinato, sendo que um deles entrou no condomínio onde mora Bolsonaro, pouco antes do crime.
Logo após o assassinato, começaram a ser disseminadas fake news sobre Marielle, acusando-a de ter relações suspeitas com o crime organizado. O contexto todo revela envolvimento político na execução da vereadora, sem ter-se chegado ao mandante do crime.
27 de março de 2018 – Tiros contra a caravana de Lula no Paraná
Dois ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram alvo de três tiros. Ninguém saiu ferido e o ônibus do ex-presidente não foi atingido. De acordo com passageiros, os veículos foram alvejados logo depois de deixarem a cidade de Quedas do Iguaçu (PR), na mesma região onde, agora, Marcelo Arruda foi morto. Antes disso, os ônibus já haviam sido alvejados por pedras, paus, bombas e ovos em outras localidades.
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná se omitiu e fez afirmações falsas sobre o incidente. A imprensa criou dubiedades sobre o episódio, criticando o MST na região.
3 de setembro de 2018 – “Vamos fuzilar a petralhada”, comanda Bolsonaro em Rio Branco (AC)
Em campanha eleitoral na cidade de Rio Branco, no Acre, o então candidato Jair Bolsonaro fez gesto de arma, imitando um fuzilamento, enquanto discursava em cima de um carro de som.
“Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre, hein? Vamos botar esses picaretas para correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem de ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela, hein, galera. Vão ter de comer é capim mesmo”, disse enquanto imitava tiros.
A assessoria do candidato afirmou à imprensa que o ato “foi uma brincadeira como sempre”. Na época, houve representação criminal do PT, PCdoB e Pros por injúria eleitoral e incitação ao crime.
7 de outubro de 2018 – Primeiro turno da eleição registra dezenas de atentados
No dia do primeiro turno das eleições, bolsonaristas atropelam o cineasta Guilherme Daldin, em Curitiba; e a cantora trans Juliana Iguaçu foi agredida na cabeça, assim como várias outras agressões LGBTfóbicas são relatadas pelo país. Três dias antes das eleições, viralizou nas redes sociais um vídeo em que um grupo de homens entoava um grito de guerra homofóbico no metrô de São Paulo: “Ô bicharada, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado”.
Pelo menos 50 casos de violência política promovida por bolsonaristas foram registrados nos dez dias anteriores em todo o país.
“Eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam”, disse Bolsonaro. Há vítimas que relatam desistir da denúncia após verem material de campanha de Bolsonaro nas delegacias e mesas dos policiais. Em outros casos, os policiais ainda gritam “Aqui é Bolsonaro” para as vítimas ou mesmo as agridem.
Um caso famoso desse período é da cozinheira Luisa Alencar, na periferia de São Paulo, que, depois de muitas agressões teve que ficar nua numa cela e dizer “Ele sim”, enquanto policiais riam. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo emitiu nota na qual afirma que “não há indícios de irregularidade na ação dos PMs e da delegada responsável pelo registro da ocorrência” e acusou a manifestantes de posse de droga.
8 de outubro de 2018 – Bolsonarista assassinou com 12 facadas o Mestre Moa do Katendê em Salvador
O mestre capoeirista Moa do Katende foi morto com 12 facadas nas costas em um bar em Salvador, após dizer que tinha votado em Fernando Haddad (PT) para presidente.
O autor do crime, que começou a discussão, manifestou aos gritos seu apoio a Jair Bolsonaro, ao chegar ao bar, de acordo com informação oficial da assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA).
“Quem levou a facada fui eu, pô. O cara lá que tem uma camisa minha e comete um excesso, o que é que eu tenho a ver com isso?”, declarou Bolsonaro no episódio. Ele também disse que o clima “não está tão bélico assim” e que os casos ocorridos até agora são isolados. Espera que não ocorram mais. “Agora, a violência vem do outro lado. Eu sou a prova viva disso daí”.
10 de outubro de 2018 – Dez bolsonaristas armados atacam a Casa do Estudante na UFPR, em Curitiba
Um estudante recém-formado foi agredido na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, por usar um boné do MST. A vítima, que estava reunida com amigos em uma praça do campus, foi espancada sob gritos de “Aqui é Bolsonaro”, segundo testemunhas. “Eram uns 10 homens. Eles chegaram a quebrar garrafas na cabeça do rapaz”, conta M.H.O., presidente do Diretório Central de Estudantes, que presenciou a agressão e fez a denúncia. Os agressores também teriam depredado a Casa do Estudante da universidade, cujas janelas foram quebradas.
28 de novembro de 2019 – Bolsonarista assassina idoso a socos e pontapés em Balneário Camboriú (SC)
Apoiador de Jair Bolsonaro, Fábio Leandro Schwindlein, de 44 anos, matou o idoso Antônio Carlos Rodrigues Furtado, de 61 anos, após agressão com socos e pontapés por discussão política. O crime ocorreu na região central de Balneário Camboriú, Santa Catarina (SC).
“F.L.S iniciou com as agressões. Após o ato, a vítima caiu no chão, e o autor continuou a agredí-lo. Em ato contínuo, a vítima levantou-se e pediu para cessar com a agressão, pedido este ignorado pelo autor do fato. Neste momento, a vítima caiu novamente no chão, desta vez, desacordado”, diz o boletim de ocorrência. Rodrigues teve uma parada cardíaca no local e morreu.
7 de setembro de 2021 – Grupo de bolsonaristas armados tenta invadir acampamento indígena em Brasília
Na madrugada, defensores do presidente Bolsonaro tentaram invadir o acampamento indígena Luta pela vida, em frente à Funarte. Por volta das 3h, cerca de 10 manifestantes pró governo provocaram e mostraram armas aos indígenas que faziam a segurança do local. “Vieram pelo banheiro. Eles fizeram questão de mostrar armas e defenderam muito o Bolsonaro. Não temos apoio da polícia, somos só nós. Mas não vamos ficar de braços cruzados se vierem de novo”, afirmou Anderson, do povo Krenak de Minas Gerais (MG).
“Passaram o tempo zoando. Eu acho que vieram testar, ver como a gente está”, disse o segurança do acampamento Pablo, do povo Puri do Amazonas (AM).
15 de outubro de 2021 – Bolsonarista armado ameaça radialista em Campinas
O radialista Jerry de Oliveira sofreu várias ameaças de um bolsonarista que mora no seu bairro, chamado Lourival Bento. Além de intimidações verbais, o filho de Lourival chegou a se dirigir a ele com uma arma na mão dizendo que “ninguém mais falaria mal do Bolsonaro”.
O bolsonarista gravou vídeo reafirmando as ameaças e disse que a polícia queria matar o radialista, também. “Ele deu a entender que estaria sendo acobertado ou ajudado pela polícia. E realmente, quando fomos à delegacia, os policiais sequer queriam nos ouvir ou ver o vídeo com as ameaças. Não quiseram ir ao local em que fui fechado e ameaçado com a arma para pegar vídeos de segurança do comércio local com as imagens do crime”, relatou.
13 de dezembro de 2021 – Equipe da TV Bahia é agredida por bolsonaristas em Salvador
Os repórteres da TV Bahia e da TV Aratu, afiliadas da Globo e do SBT, tentaram se aproximar para entrevistar Bolsonaro, mas a equipe de segurança agiu para impedir. Um dos seguranças deu mata-leão na repórter Camila Marinho. A pochete da repórter também foi arrancada por apoiador de Bolsonaro. Outro segurança tentou impedir que os jornalistas erguessem os microfones em direção a Bolsonaro. Os jornalistas da TV Aratu, Xico Lopes e Dário Cerqueira, também tinham sido agredidos.
A comitiva presidencial seguiu para dentro de uma escola. As equipes de reportagem não acompanharam, para evitar novas confusões. Somente então a assessoria de imprensa da Presidência chamou os repórteres dos dois veículos para dentro do local.
27 de janeiro de 2022 – Relatório da Fenaj aponta Bolsonaro como autor ou incentivador de 175 ataques contra jornalistas
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou no Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2020 que houve um aumento de 105,77% nas violências sofridas pelos profissionais da área no último ano. O presidente Jair Bolsonaro (PL) é o principal agressor.
Sozinho, Bolsonaro é responsável por 175 dos registros de violência, ou seja, 40,89% do total de 428 casos computados pela federação. Foram 145 ataques genéricos, direcionados a veículos de comunicação e a jornalistas, 26 casos de agressões verbais, um de ameaça direta aos profissionais, uma ameaça à Globo e dois ataques à Fenaj.
17 de maio de 2022 – Deputado bolsonarista agride vereadora trans no Rio de Janeiro
O Ministério Público Eleitoral denunciou o deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PTB) pelo crime de violência política de gênero contra a vereadora trans Benny Briolly (PSOL), do município de Niterói. Amorim se referiu à parlamentar como “aberração da natureza” e “boizebu” durante um debate sobre políticas de inclusão para a população LGBT+. Amorim é o mesmo deputado que quebrou a placa em homenagem à vereadora Marielle Franco.
Na semana anterior, a Justiça do Rio condenara o vereador bolsonarista Douglas Gomes (PL) pelo crime de transfobia contra Benny. Ele se referia à vereadora insistentemente no masculino.
14 de junho de 2022 – Deputado bolsonarista ameaça deputada do PSOL em Pernambuco
O efeito das chuvas em Pernambuco foi tema de um debate acalorado entre a codeputada estadual Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas (PSOL) e o também deputado estadual Alberto Feitosa (PL), em uma sessão da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
“Com relação à arma, a arma está aqui para ser usada contra quem tentar violar a minha integridade física, a da minha família ou a minha residência. A senhora entendeu? Arma foi feita para isso. Não foi feita para ser guardada, não; arma foi feita para as pessoas se defender. E arma não mata, arma foi feita para se defender. Quem mata são as pessoas e a gente assiste aí as pessoas morrerem de pedrada, de cassetete. Então, deputada, não tenha ojeriza à arma não, muito pior faz algumas pessoas que envenenam”, disse o deputado na plenária. O caso gerou bastante repercussão após as imagens da sessão terem sido transmitidas pelo canal da TV Alepe.
15 de junho de 2022 – Drone pilotado por bolsonaristas lança veneno sobre o público que aguardava ato com Lula em Uberlândia.
Um drone atirou fezes e urina em parte do público que aguardava um evento com Lula e Alexandre Kalil (PSD), em Uberlândia (MG). Um suspeito de ser o dono do drone foi preso e a placa do carro foi identificada.
5 a 7 de julho de 2022 – Três episódios de violência política em sequência
Em Brasília, estrume, terra e ovos no carro do juiz Renato Borelli, que acatou um pedido da Polícia Federal para prender o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e os dois pastores trambiqueiros que agiam no MEC por orientação de Bolsonaro. No Rio, explode uma bomba de cocô próxima a um ato de campanha do ex-presidente Lula. Em São Paulo, um tiro numa vidraça da Folha de S.Paulo não fere ninguém, mas causa perplexidade.
7 e 8 de julho de 2022 – Em pronunciamentos, Bolsonaro volta a incitar apoiadores a ações violentas contra a esquerda
Bolsonaro engrossou o discurso em prol da violência e dos atos extremistas contra o principal opositor, Lula envolvendo os militares. Em ato oficial no interior paulista, ele disse que o contingente fardado tem o compromisso de se preparar para a possibilidade de agressões internas, destacando que não se pode comungar com uma “traição”.
“Nós militares, todos, vocês jovens cadetes que receberam o espadim há pouco, nós todos fizemos um juramento, dar a vida por nossa pátria, se preciso for. E esse dar a vida não é por possíveis agressões de fora, em especial, por agressões internas. Temos esse compromisso, temos de nos preparar dia a dia para essa possibilidade”, afirmou o presidente.
Na noite anterior, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, Bolsonaro também enviou uma mensagem cifrada a seus apoiadores para que estes passem a tumultuar o processo eleitoral, antes da eleição deste ano. Em sua fala na qual incitou a violência, Bolsonaro chegou a mencionar a invasão ao Capitólio, nos Estados Unidos, quando o ex-presidente Donald Trump, ao ser derrotado nas urnas, provocou seus apoiadores a atacarem os parlamentares para garantir a continuação de seu governo.
“Se o pessoal do Comando de Defesa Cibernética do Exército detectar fraude não vai valer de nada esse trabalho porque o senhor (ministro Edson) Fachin já declarou que isso não muda o resultado das eleições. Não preciso aqui dizer o que estou pensando, o que você está pensando. Você sabe o que está em jogo, e você sabe como deve se preparar, não para um novo Capitólio, ninguém quer invadir nada, mas nós sabemos o que temos que fazer antes das eleições”, adiantou Bolsonaro.
10 de julho de 2022 – Bolsonarista invade festa de aniversário assassina dirigente petista em Foz do Iguaçu (PR)
O presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto (PCdoB), e a vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula Lobato (PSB), participaram, neste domingo (10), do lançamento da pré-candidatura de Mayane Martins (Patriotas) a deputada federal. No ato político, que aconteceu no município de Pinheiro, o parlamentar destacou a importância de ter uma voz da Baixada Maranhense na Câmara Federal.
O evento também contou com as presenças do presidente do Diretório Estadual do Patriotas, Júnior Marreca, dos vereadores Zé Filho, Riba do Bom Viver e Léo Lobato, além de apoiadores e outras lideranças pinheirenses.
Na ocasião, Othelino Neto disse que Mayane Martins é uma mulher baixadeira, que está colocando o seu nome à disposição da população e fortalecendo a participação feminina nos espaços de poder.
“Quanto mais mulheres na política, melhor. É preciso que nós valorizemos essas mulheres tão corajosas, que estão agora se apresentando para o povo do Maranhão”, afirmou.
A vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula Lobato, que é pré-candidata à primeira suplência ao Senado na chapa de Flávio Dino (PSB), afirmou que Mayane Martins é uma mulher forte, aguerrida e corajosa, que tem muito a trabalhar em prol dos pinheirenses e da Baixada.
“Mayane está colocando o seu nome à disposição da nossa Baixada, para termos vez e voz. Ela vai nos representar e trazer melhorias e dignidade para o nosso povo. Estaremos juntas nesta caminhada, que contará com o apoio do deputado Othelino, do vereador Zé Filho e, com certeza, de todos os pinheirenses”, declarou.
A pré-candidata Mayane Martins agradeceu o apoio de Othelino e Ana Paula e reforçou o seu compromisso com os pinheirenses. “Fico muito feliz de ter nomes de peso ao meu lado. Nós, mulheres, precisamos participar ativamente da política. Meu compromisso é com os pinheirenses e a população da nossa Baixada”, declarou.
O vereador Zé Filho também destacou a união do grupo em prol da Baixada Maranhense. “Estamos juntos neste projeto, que levará o nome da Mayane para a Câmara Federal, fortalecendo a nossa Pinheiro e toda a Baixada”, disse.
A Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão lamenta, com profundo pesar, o falecimento do ex-prefeito de São Luís, Vicente Fialho, 84 anos, ocorrido na madrugada desta terça-feira (12), em Fortaleza (CE).
Engenheiro Civil, construtor e pecuarista, Vicente Fialho foi prefeito de São Luís entre os anos de 1969 e 1970 e de Fortaleza, de 1971 a 1975. Também foi ministro de Minas e Energia no período de 1989 a 1990 e deputado federal de 1991 a 1995.
A Assembleia Legislativa presta condolências e se solidariza com os familiares e amigos de Vicente Fialho, desejando que superem a dor da imensurável perda.
Deputado Othelino Neto Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão
Ameaças de golpe pairam sobre a nação. E só há uma maneira de evitar essas graves ameaças à democracia: nossa mobilização!
Por Frei Betto*
Há muitas razões para votar em Lula para presidente. A principal é tirar Bolsonaro do Planalto e reconstruir o Brasil demolido por essa aliança milicianos-centrão-fundamentalistas religiosos-fanáticos neofascistas-elite gananciosa.
Não há que cantar vitória antes do tempo. Nada garante que Lula será eleito e, se eleito, que tomará posse. Ameaças de golpe pairam sobre a nação. E só há uma maneira de evitar essas graves ameaças à democracia: nossa mobilização!
O que fazer? Aqui enumero várias sugestões:
Em suas redes digitais, organize Comitês Lula Presidente. Contate 5 pessoas, cada uma delas formará outro Comitê de 5 pessoas, e assim se fará a multiplicação geométrica. Nesses contatos, mantenha informações que reforcem a candidatura Lula e enfraqueçam, sempre mais, as candidaturas dos que são apoiados por milicianos.
Evite formar Comitê com muitas pessoas. Há o risco de se ficar no debate interno e não se engajar em ações práticas e efetivas.
Dê ao seu Comitê um nome simbólico: Chico Mendes, Margarida Alves, Luther King, Helder Camara, Vladimir Herzog, Tito de Alencar Lima etc.
Cada Comitê Digital deverá denunciar as notícias falsas (fake news) e relembrar como o Brasil avançou nos 13 anos de governos do PT. Assinale as conquistas: combustível mais barato; cotas nas universidades; Luz para Todos; Minha Casa, Minha Vida; correção anual do salário mínimo acima da inflação; demarcação de terras indígenas; Comissão da Verdade; soberania nacional; Programa Mais Médicos etc.
Inclua na campanha eleitoral o candidato progressista para o governo do Estado, para o Senado, e candidatos a deputados federais e estaduais. Precisamos eleger a base parlamentar que dará sustentação do governo Lula no Congresso Nacional.
Promova, por iniciativa de seu Comitê, iniciativas lúdicas e esportivas Lula Presidente: com skates, bicicletas, motos e carros; apresentações musicais nos bairros da periferia; debates políticos presenciais e nas redes; atos religiosos ressaltando como os mestres espirituais e as grandes tradições religiosas sempre defenderam a justiça e a paz.
Ignore provocadores e golpistas. Como aconselha Jesus no Evangelho de Mateus (7,6), “não joguem pérolas aos porcos”.
Anuncie o amor onde eles querem armas; paz onde querem conflito; respeito onde querem ódio; democracia onde querem ditadura; combate à desigualdade social onde querem tornar os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
É hora de deixar de ser espectador(a) da conjuntura política e atuar intensamente para salvar a democracia brasileira, cujo resgate, após 21 anos de ditadura militar, foi pago com o preço da vida, do sangue e do sofrimento de toda uma geração heroica que não teve tempo de ter medo e fez derreter os anos de chumbo.
Salvemos a frágil democracia brasileira!
*Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do poder” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org.br
Cantora repudiou o assassinato do guarda civil e militante petista Marcelo Arruda pelo bolsonarista Jorge José Guaranho, guarda federal penal, no sábado (9), em Foz do Iguaçu (PR) e declarou voto em Lula
O apoio da cantora Anitta ao ex-presidente Lula (PT), candidato à presidência da República na eleição deste ano, repercutiu na imprensa internacional, mostra o F5, da Folha de S. Paulo. Do norte-americano The Washington Post, ao mexicano 24 horas El Diário Sem Limites Todos, passando pelo argentino Diario Hoy, todos destacaram que a postura agressiva de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, levou a cantora a tomar a decisão de declarar o voto em Lula.
“Se não houvesse uma morte envolvida neste caso do apoiador de Lula que foi atacado por um bolsonarista eu diria que a burrice dessas pessoas chega a ser engraçada. Mas não. É apavorante” escreveu a cantora em seu perfil.
“Pois muito que bem. Eu havia falado aqui nas redes que não apoiaria Lula nas eleições por querer algo novo e diferente para que o Brasil experimente um meio termo entre os ideais da população dos dois lados e realmente pudesse tentar algo diferente do que já tivemos no passado”.
“Mas a apostará (sic) EXTREMAMENTE agressiva e antidemocrática dessa gente não me deixa outra opção. É LULALÁ … seus burros, agressores, autoritários e violentos”, continuou.
“A partir deste momento eu sou Lulalá primeiro turno. E lutarei por uma novidade na politica presidencial brasileira nas próximas eleições”, postou.
Na sequência, a cantora ainda ofereceu os seus perfis nas redes sociais para “fazer ele bombar” na internet.
“Não sou petista e nunca fui. Mas este ano estou com Lula e quem quiser minha ajuda pra fazer ele bombar aqui na Internet, tik tok, Twitter, instagram é só me pedir que estando ao meu alcance e não sendo contra lei eleitoral eu farei”.
O perfil de Lula compartilhou este último tuite com a mensagem “Vamos juntos envolver o Brasil!”, em referência ao hit de Anitta que chegou a ser a música mais ouvida do mundo no Spotify.
Repercussão mundial
O The Washington Post, dos Estados Unidos, afirmou que Anitta surpreendeu a todos ao dizer que o assassinato do petista Marcelo Aloizio de Arruda pelo terrorista bolsonaristaJorge José Guaranho a convenceu a votar em Lula. Pelas redes sociais, muitos jovens expressaram opinião semelhante.
O argentino Diario Hoy também deu destaque à posição política da artista, destacando a influência do assassinato de Arruda em sua decisão. O mexicano 24 horas El Diário Sem Limites publicou que Anitta é uma das artistas mais influentes no Brasil com 62 milhões de seguidores no Instagram e 20 milhões no TikTok.
O mexicano 24 horas El Diário Sem Limites – país onde a cantora foi jurada do The Voice local– falou que Anitta é uma das artistas mais influentes no Brasil com 62 milhões de seguidores no Instagram e 20 milhões no TikTok. A matéria também lembrou que ela foi cobrada em 2018 por um posicionamento político, mas agora após depois de se educar politicamente declarou voto em Lula.
Pelo Twitter, Pedro Barciela, analista de dados, mostrou como o apoio de Anitta pode ser crucial para a vitória de Lula. A cantora tem grande penetração nas redes sociais e pode conectar o ex-presidente e suas posições e propostas a parcelas do eleitorado mais distante dele.
Na conversa, reafirmou seu compromisso com o combate à fome, criticou o teto de gastos e o orçamento secreto e denunciou o oportunismo eleitoreiro de Bolsonaro, que criou auxílios que só duram até dezembro.
Sobre esse último tema, Lula lembrou que, ainda em 2020, o atual governo queria dar um auxílio emergencial de R$ 200. Foi o PT e a oposição que garantiram, no Congresso, o valor de R$ 600, que Bolsonaro foi reduzindo.
“Agora, ele criou uma série de benefícios em período eleitoral que duram até dezembro. Depois disso, vale a palavra do Bolsonaro, que não vale nada, como o mundo sabe, porque todo mundo sabe que ele é um mentiroso”, alertou o ex-presidente.
Lula, porém, está convencido de que a população não será enganada por Bolsonaro. “Tem gente que pensa que o povo é bobo. O Bolsonaro ficou três anos e meio no poder, não liga para nada, fica passeando de moto e espalhando mentira; chega perto da eleição, tenta comprar o voto do povo, que está em uma situação difícil, vendo o preço de tudo subir cada vez que vai ao supermercado.”
O ex-presidente voltou a aconselhar a população a não negar o benefício e, depois, votar com consciência. “Se essa verba chegar para o povo, o povo tem mais que pegar o dinheiro e depois votar com sua consciência. O povo vai avaliar como Bolsonaro tem desrespeitado os trabalhadores, as mulheres, como foi um desastre na pandemia, que não tem nada de bom para apresentar, e vai votar contra ele”, afirmou.
Combate à fome
Assim, como fez ao assumir a Presidência em 2003, Lula mantém o combate à fome como uma de suas prioridades. “Isso é um compromisso de vida. Conseguimos, com toda a sociedade, criar políticas públicas e promover inclusão social que tirou o Brasil do Mapa da Fome da ONU, e agora estamos de volta. Essas políticas públicas foram desmontadas, e a fome voltou. Nós vamos resolver isso, é a maior prioridade”, garantiu.
Para alcançar esse objetivo, Lula pretende, caso volte a governar o Brasil, trabalhar para que não existam mais nem o orçamento secreto nem o teto de gastos. “O país não pode ter algo chamado orçamento secreto. Eu quero que o país tenha um orçamento participativo, com as pessoas podendo participar pela internet, opinar no destino dos recursos dos seus impostos”, defendeu.
Sobre o teto de gastos, disse: “Eu governei oito anos com responsabilidade fiscal, social, econômica, com todo o tipo de responsabilidade possível, sem precisar de teto nenhum. Em nenhum país existe esse teto. Nem no Brasil, onde a toda hora se cria uma exceção ao teto. O maior problema de teto no Brasil são as milhares de famílias que viraram sem teto nas grandes cidades, morando nas ruas. Esse é o teto que me preocupa”.
Bolsonaro: violento e covarde
Por fim, Lula disse que Bolsonaro não tem outra opção a não ser aceitar o resultado das urnas e, ao ser questionado sobre a possibilidade de Bolsonaro usar o 7 de Setembro para desestabilizar o país, disse que, caso tente isso, o ex-capitão não terá sucesso.
“O Bolsonaro faz um discurso violento, cheio de bravata, bem típico de um covarde, que tenta estimular a violência no país. Inclusive, tivemos essa tragédia em Foz do Iguaçu. Isso de 7 de Setembro, ele, inclusive, já tentou antes. Não deu certo aquela vez e não vai dar certo de novo.”