“Fora Bolsonaro” foi grito de guerra da 26ª Parada LGBT+ de São Paulo

20-06-2022 Segunda-feira

Fantasia mais popular foi a bandeira de #forabolsonaro, vendida pelos ambulantes. Mas as declarações de voto a Lula também tomaram a avenida.

Neste domingo (19), quem foi à 26ª. Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo teve a impressão que era obrigatório gritar um “Fora Bolsonaro” para participar. Na verdade, este era o clima entre políticos, ativistas, artistas e público, a todo momento. Mas houve também vários momentos em que as pessoas nos trios elétricos, como a presidenta da APOGBLT-SP, Claudia Garcia, pediram um “joinha” (gesto com o polegar), como senha para que todos levantassem a mão com o L que simboliza a volta de Luis Inácio Lula da Silva.

A maior parada do gênero no mundo nunca foi tão politizada, no sentido eleitoral do termo. Com o tema “Vote com Orgulho, por uma política que representa”, a manifestação expressou a insatisfação da juventude e da comunidade LGBT+ com o governo de Bolsonaro, depois de dois anos sem poder sair às ruas. Este também foi o tom dos discursos.

Claudia disse que estamos votando pelo Brasil, por empregos, por saúde, moradia, comida barata, segurança. “Hoje, a parada está representando o Brasil para que, em outubro, a gente tire o que é ruim e coloque um presidente progressista e um parlamento progressista. Eu sei em quem vou votar e espero que vocês também saibam qual é a pessoa que pode garantir a democracia e a inclusão. Quem sabe em quem vai votar, quero ver um gesto de positivo. Faz um positivo!”, disse a presidenta da APOGLBT-SP.

Foto de Roberto Parizoti

Desde a concentração, ainda pela manhã, muitos manifestantes carregavam cartazes ou bandeiras contra Jair Bolsonaro (PL). Os vendedores ambulantes esgotaram seu estoque de bandeirões com Fora Bolsonaro. Era possível vê-los para todo lado na avenida. Os botons e camisetas com imagens bem humoradas de Lula, fazendo caretas, também eram comuns.

A abertura no início da tarde contou com falas engajadas do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) e de Guilherme Boulos (PSOL), pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados. A deputada trans Erica Malunguinho (PSol-SP) também marcou presença, assim como Eduardo Suplicy (PT), Ivan Valente (PSol), Carlos Gianazzi (PSol), Thainara Faria (PT) e Nilton Tatto (PT). Representantes dos governos municipal e estadual também falaram.

Foto de Roberto Parizoti

“Estamos vivas e vamos continuar, destruindo o ódio e toda essa atmosfera de tristeza que esse governo instaurou no nosso país”, disse Erica Malunguinho. A deputada Isa Penna (PCdoB) lembrou o assédio sofrido na Assembleia Legislativa de São Paulo e disse que o machismo “vai ter que nos engolir na política e nas ruas, porque não vamos dar nenhum passo atrás”. “As mulheres não vão voltar para a cozinha, a negritude não vai voltar para a senzala e nós, os LGBT, não vamos voltar para o armário!”

Foto de Roberto Parizoti

“É bonito ver esta avenida tomada pelo amor e não pelo ódio. Espero que seja o último ano da Parada com um genocida no poder, um intolerante que a gente vai arrancar do Palácio do Planalto”, disse Boulos em cima do primeiro trio da organização, sendo ovacionado. “Aqui estamos semeando a esperança de uma sociedade onde todas as formas de amor sejam respeitadas e valorizadas, onde todas as identidades de gênero sejam respeitadas e valorizadas”.

A vereadora travesti de Araraquara (SP), Filipa Brunelli (PT), fez referência a LGBT+ do interior do estado, que sofrem com o ambiente mais conservador e repressivo a suas identidades de gênero. “Além de tudo ainda chamam a gente de caipira. Eu sou travesti e caipira com muito orgulho!”, disse ela, lembrando que foi eleita numa das cidades mais conservadoras do estado, com apoio da comunidade LGBT+.

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy também compareceu e fez coro às críticas ao governo, mas sem mencionar diretamente Bolsonaro. “Não é um momento qualquer da nossa história, mas um momento decisório para nossas vidas. Nós estamos num retrocesso civilizatório. Tudo o que faz com que tenhamos respeito uns com os outros é o que estamos perdendo nesses anos”, disse ela, salientando que, além da “economia que foi pro brejo”, o que está em jogo são os valores de respeito à diversidade que se perderam nesse período.

Foto por Cezar Xavier

Por Cézar Xavier

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