“Se África e América Latina estiverem fortes, teremos blocos extraordinários para incidir no mundo”, afirmou Lula, no Fórum Brasil África. “Não podemos ser vítimas de uma nova guerra fria entre EUA e China”
Os desafios para retomada das relações entre Brasil e África, hoje esquecidas pelo governo Bolsonaro, foram tema do Fórum Brasil África 2021, realizado pelo Instituto Brasil África nos dias 23 e 24 de novembro. Em discurso na abertura do evento, que reuniu autoridades brasileiras e internacionais, o ex-presidente Lula reafirmou a importância histórica dos laços entre o país e o continente africano e argumentou que políticas de integração pelo desenvolvimento da Região farão bem à geopolítica mundial, trazendo um pouco mais de equilíbrio nas relações multilaterais.
“O Brasil precisa urgentemente voltar a ter um governo democrático, a ter uma visão benéfica do mundo, para que a gente possa voltar a fazer investimento na África, para que possamos ajudá-los a se desenvolver”, afirmou Lula, para quem as parcerias estratégias entre América do Sul e a África são uma grande trunfo para o crescimento entre blocos.
“Se a África, a América Latina estiverem fortes, a gente forma blocos extraordinários com força econômica, política e cultural para termos incidência no mundo”, explicou o ex-presidente. “Não podemos ser vítimas de uma nova guerra fria entre a China e os EUA, não queremos mais guerra fria. Queremos um comércio livre, ter o direito de participar”, opinou o ex-presidente.
“A África não pode continuar vivendo num processo de ser segregada”, reagiu Lula. “O Brasil tem uma tarefa, uma dívida com o continente africano. Se o PT voltar, podem ficar certos que faremos uma política muito grande de aproximação com a África”, assegurou Lula.
Dívidahistórica
“Sonhei muito em estreitar relações do Brasil com a África”, afirmou Lula, em vídeo exibido no evento. “Tinha dois sonhos, estreitar as relações do Brasil com a América do Sul e América Latina e com a África. Cada vez que eu olhava o mapa do Brasil e olhava o mapa da África, eu achava que havia muita similaridade entre os povos, a cultura, o potencial agrícola”, ressaltou o ex-presidente. “Eu sonhava muito em a gente poder contribuir para a África se desenvolver”.
“O Brasil tinha uma dívida histórica com o continente africano, porque foram 350 anos de escravidão. Tínhamos de pagar em solidariedade, em transferência de pesquisa, em ajuda, em investimento”, observou. Lula frisou que tomou a decisão política de estreitar laços e detalhou a estratégia adotada pelo chanceler Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores de seu governo entre 2003 e 2011.
Reaproximação
“Discuti muito com o companheiro Celso Amorim e começamos a colocar em prática nossa política de reaproximação com o continente africano”, lembrou Lula. “Visitei mais de 30 países na África quando presidente, e 12 depois. Abrimos 18 embaixadas novas no continente africano, na perspectiva de mostrar que não era apenas um sonho, era uma decisão política de nos aproximar”.
“Foi pensando nisso que levamos a Embrapa, nossa grande empresa de pesquisa em agricultura, para Gana, para desenvolver na savana africana a mesma capacidade produtiva do cerrado brasileiro”, disse Lula.
“Eu imaginei que a gente poderia desenvolver parte da produção de etanol do Brasil na África para que pudesse vender o etanol ao continente europeu”, relatou. “Foi pensando nisso que planejamos levar uma fábrica de antirretrovirais para Moçambique, a fim de produzir remédios contra a Aids”, ressaltou.
UNILAB
Lula citou a criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), feita em parceria com o Ceará, como um dos esforços visando o desenvolvimento do povo africano.
“Só fizemos isso para os países de língua portuguesa mas era importante fazer para todo o continente africano para que esses jovens pudessem estudar no Brasil. Para ter contato com o povo brasileiro, voltar ao continente e devolver ao seu povo, em forma de benefício, tecnologia e qualidade profissional aquilo que aprenderam”, defendeu.
“Montamos uma universidade à distância em Maputo, Moçambique, em parceria com o Ceará. Eu sonhava que uma das formas do Brasil poder pagar a África era com educação”, citou.
Nova governança
Lula voltou a defender um novo modelo de governança global, pelo qual os países que integram o G20 promovam ações de desenvolvimento das nações emergentes, sobretudo da África.
“Quando houve a crise de 2008, eu cheguei a discutir em Londres, com o G20, a necessidade de os países ricos fazerem investimentos nos países africanos para dotá-los de poder de consumo e aquisitivo para, inclusive, poder comprar o que os países ricos produziam”, disse o ex-presidente, prometendo levar o assunto novamente aos líderes mundiais.
Nesta sexta-feira (26), a Câmara Municipal de São Luís vai promover um painel destacando a atuação e a importância dos conselheiros tutelares. O tema é fruto de requerimento do vereador e presidente da Casa, Osmar Filho (PDT), em referência ao Dia do Conselheiro Tutelar, celebrado anualmente em 18 de novembro. A proposta foi aprovada por unanimidade.
O Conselho Tutelar é regulado pela Lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – e se encarrega de zelar pelo cumprimento dos direitos deste público, sendo de máxima importância no contexto social moderno. “Esses profissionais são essenciais na proteção da criança e do adolescente e merecem o nosso reconhecimento”, defendeu Osmar Filho.
O presidente da Casa contabiliza diversas iniciativas em benefício desta categoria. Tem como marca de sua atividade parlamentar, a atuação parceira com os conselheiros e forte apoio às suas atividades. Já garantiu veículos a conselhos tutelares da capital, contemplando instituições nos bairros Anil, Bequimão e São Francisco.
Defesa de direitos
Segundo o ECA, cada município deve ter pelo menos um Conselho Tutelar. O conselheiro tem funções importantes, como prestar atendimento a crianças, adolescentes, pais e responsáveis, requisitar serviços públicos em todas as áreas, além de encaminhar casos ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Pode ainda, recomendar que o Estado afaste do convívio familiar qualquer criança e adolescente que esteja sofrendo violações.
Para dar anda mais legitimidade ao conselheiro tutelar, este deve ser escolhido pela população. Candidatos precisam ter pelo menos 21 anos e morar na cidade onde vão atuar. Essa presença junto à comunidade garante que ele conheça a realidade do local e sua população, podendo servir com mais eficiência. O Brasil conta com mais de 30 mil conselheiros tutelares.
A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) é apontada, segundo o jornal Valor Econômico, como a favorita para relatar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do Senado, a indicação de André Mendonça a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o jornal, o presidente da CCJ, David Alcolumbre (DEM) afirmou que oito senadores pleitearam a indicação mas alguns já fizeram chegar à Eliziane que aceitam abrir mão da relatoria em favor dela. Ela conta com o apoio das bancadas evangélica e feminina.
Mesmo sendo uma parlamentar de oposição do presidente Bolsonaro, Eliziane já revelou ser favorável à indicação de Mendonça. Ela, segundo o jornal Valor Econômico, foi uma das primeiras a estar com o indicado, ainda em julho.
A Câmara Municipal de Timon aprovou nesta quarta-feira (24) um título de Cidadão Timonense ao presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (FAMEM) e prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier, do PDT. O título foi uma proposta do vereador Pedro Augusto, o P.A. , do Partido Liberal.
A mais importante honraria do município foi aprovada por todos os vereadores presentes no momento da votação e recebeu votos favoráveis de 16 parlamentares.
Segundo o vereador P.A., o título é um reconhecimento pelo trabalho de Erlânio Xavier à frente da Famem, instituição que segundo ele, tem sido importante parceira na ajuda a Timon ao longo dos anos de mandato do gestor de Igarapé Grande.
“Durante a pandemia foi através da Famem que o município de Timon recebeu várias ajudadas como kits de higiene, cestas básicas, ações que foram desenvolvidas em parceria da Federação dos Prefeitos do Maranhão e governo do estado. Além disso, Erlânio é um dos principais articuladores políticos de Weverton Rocha, senador que tem enviado emendas importantes para o desenvolvimento de Timon”, destacou o vereador Pedro Augusto ao justificar ao eliaslacerda.com a entrega do título. (Do site do Elias Lacerda)
Uma das referências na defesa dos direitos humanos no Brasil, o religioso fala de sua atuação na periferia de São Paulo em amparo a jovens em conflito com a lei, população de baixa renda e em situação de rua, detentos em liberdade assistida e pessoas com HIV/aids. Padre Julio comenta ainda os ataques que sofre e como atua nas redes sociais.
Por Adriano de Lavôr
Há 35 anos ele abraçou a missão de levar a fé às ruas, sempre ao lado das pessoas em situação de vulnerabilidade. Prestes a completar 73 anos de idade [o aniversário é dia 27 de dezembro], padre Julio Renato Lancellotti é vigário episcopal para a população de rua da Arquidiocese de São Paulo e pároco na igreja de São Miguel Arcanjo, bairro da Mooca, região leste da capital. Um dos líderes religiosos mais atuantes no campo social, seu trabalho ganhou notoriedade nacional durante a pandemia de Covid-19, quando quebrou a marretadas pedras instaladas pela prefeitura de São Paulo sob viadutos que serviam de moradia para pessoas sem moradia.
Agraciado nos últimos meses com o prêmio Zilda Arns, de Direitos Humanos de 2021, concedido em agosto pela Câmara dos Deputados, e com o Colar de Honra ao Mérito, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em novembro, padre Julio nunca buscou holofotes ou reconhecimento. No dia em que concedeu esta entrevista à Radis, no fim do mês de setembro, foi enfático em descartar qualquer interesse ou projeto relacionado ao poder — “Se tem alguma coisa que eu não aspiro é o poder. Nenhum tipo de poder, nem o eclesiástico” — ao seguir sua rotina de articulação em defesa dos mais vulneráveis e acolhimento dos que precisam de um prato de comida, um teto para viver, um olhar de atenção.
Padre Júlio Lancelotti – Foto: Reprodução/Instagram
Nascido no bairro do Brás, filho de pai comerciante e mãe secretária, não é de hoje que padre Julio não se deixa envolver em polêmicas e segue firme no propósito de acolher quem precisa, mesmo nos dias em que o risco da pandemia exigia estratégias de distanciamento social. “Regras sanitárias não significam incomunicabilidade. E não significam o desconhecimento do outro, a negação do outro”, declarou nesta entrevista, em que também destacou a importância da comunicação e da humanização nas ações de saúde e criticou a solidão que acompanha o uso das redes sociais.
Teólogo, educador e técnico em Enfermagem por formação, foi um dos fundadores dos grupos da Pastoral da Criança e colaborou na formulação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Desde que se ordenou padre, em 1985, atua junto a adolescentes em conflito com a lei, detentos em liberdade assistida, pessoas com HIV/aids e populações de baixa renda e em situação de rua. Nos anos 1990, fundou casas de apoio para crianças que vivem com HIV e atuou diretamente na assistência às pessoas que viviam na região conhecida como Cracolândia, no Centro da Cidade.
Ativo e ativista na defesa do respeito às diferenças e da celebração da diversidade, ele defendeu uma formação menos positivista e mais integral para profissionais de saúde, chamou atenção para os riscos de uma “espiritualidade alienante” e mostrou o poder da inclusão e da interlocução para construir uma realidade mais justa e saudável: “A gente tem que aprender a conviver com a diversidade e a pluralidade, sem querer destruir ninguém”.
Padre, em uma homilia recente, o senhor comentou uma passagem da Bíblia que fala dos “microscópicos, dos descartáveis, das pessoas que ninguém vê”. O senhor tem um histórico de trabalho com as populações invisíveis. Como é trabalhar com os microscópicos de hoje?
É ser desvalorizado, também. É entrar na mesma lógica. Se você está do lado dos descartados, você vai ser descartado também.
E qual a contribuição que os profissionais de saúde podem dar para mudar este cenário?
A contribuição que todos podem dar, e não há algo específico que cada um possa dar, é que todos temos que resistir ao massacre. Nós estamos vivendo um massacre. E cada um, à sua maneira e como pode, tem que tentar resistir ao massacre.
Quais são os impactos desse massacre na saúde das pessoas que vivem em situação de rua?
Acho que aumenta o sofrimento mental, aumenta a distorção de percepção. Uma das coisas que mais me chama a atenção é aquilo que a [escritora] Simone de Beauvoir já falava: “Os opressores não teriam tanto poder se não tivessem tantos cúmplices entre os oprimidos”. E o que depois o Paulo Freire coloca: “Se você não tem uma educação libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”. A população de rua é atingida pela mesma ideologia dominante. Então eles também reproduzem a mesma forma de pensar. O fato de você ser da rua não significa que você tenha um pensamento libertário. Na rua também tem “terraplanista”, na rua também tem negacionista, e eles também vão encontrando os diversos expedientes da lógica neoliberal para agir. Eles também querem acumular, eles também querem ter vantagens, como todo mundo. Eles não são imunes à forma dominante de pensamento. Eles são invisíveis, dependendo do momento, mas há momentos em que são extremamente visíveis: quando eles estão perturbando.
“Nós estamos vivendo um massacre. E cada um, à sua maneira e como pode, tem que tentar resistir ao massacre”. Padre Julio
Essa é uma estratégia de chamar atenção para si?
Não só isso. A sociedade não os vê porque a percepção é seletiva. Você só percebe aquilo que quer. Ou você percebe segundo a sua forma de percepção. Então a percepção dos grupos sociais, se eles estão sofrendo, mas não estão incomodando, não importa. Se ele está com fome, mas está lá no buraco onde ele mora e eu não estou vendo, então não importa. Mas se eu vejo, importa.
Diante deste cenário, como o senhor avalia a atuação da Saúde?
Nós padecemos de um grande mal, que é a compartimentalização da saúde. Se a pessoa está com um problema em determinada especialidade, o profissional não é capaz de vê-la como um todo. Esse é um problema geral da Saúde, que atinge todos, as pessoas de rua também. Então o que acontece é que elas vão ser atendidas por um profissional daquela especialidade, mas o sofrimento delas, na totalidade, não é somente cardíaco, ou renal, ou ortopédico; o sofrimento está na existência delas. Então o profissional não olha para a existência da pessoa, olha para aquela área que trabalha. Assistente social vai ver uma área, psicólogo outra, médico outra. Ele, inteiro, quem vai ver? É um problema geral, mas que na população de rua se agudiza mais.
O senhor tem formação nas áreas de Saúde e de Educação. Como essa trajetória lhe ajudou a se sensibilizar para as causas com as quais trabalha hoje?
A grande questão é ver a totalidade da pessoa. Nenhuma pessoa é uma coisa só. Ou: ninguém é um problema só. Na população de rua, por exemplo, o pessoal acha que se tiver emprego vai resolver o problema. Não é uma verdade absoluta para todos. “Ah, se tivesse moradia resolveria!” Também não é uma verdade absoluta. A gente vive o mundo do individualismo, do subjetivismo, mas é do “meu” subjetivismo, do “meu” individualismo. Eu não aplico isso para os outros. Falta pensar: Qual é a percepção que ele tem de mim? Eu sei qual é a percepção que tenho dele, mas dificilmente eu faço um exercício para saber qual é a percepção que ele tem de mim.
Falta escuta?
Isso é geral! Saiu um livro recentemente, que recebi ontem, que fala da solidão. A gente nunca viveu tanto em massa e tão solitário. A solidão na rua é ainda mais grave. Em todas as atividades que a gente faz, a gente busca mais que entregar o pão; não é somente porque esse pão vai matar a fome da pessoa, mas porque entregar o pão é um instrumento de quebra da incomunicabilidade. Você entrega o pão e olha para a pessoa. E a pessoa te vê, também. Então há uma interação. Você viu aqui que eu não estava entregando nada. Mas eles fizeram uma interação comigo. Quem é que interage com uma pessoa de rua? Quando acontece, é uma interação muito pragmática. Eu vou falar com você porque você vai tirar documento ou ter uma consulta. Eu não falo com você porque você é uma pessoa e quero conversar.
“A grande questão é ver a totalidade da pessoa. Nenhuma pessoa é uma coisa só”. Padre Julio
O senhor considera então que a comunicação é essencial para a garantia do direito à saúde?
A comunicação é essencial em todos os sentidos. Para comunicar sentimentos, emoções. Como a população de rua comunica a dor? A dor não é só física, é uma dor existencial. Se eu vou a um médico com dor de estômago, ele só pergunta do meu estômago, mas não investiga por que será que meu estômago não vai bem.
Falta uma formação mais integral para os profissionais de saúde?
Hoje a formação dos profissionais é muito positivista, aliás, a educação brasileira é muito positivista. Em todas as áreas. Você vê na área médica: as pessoas vão para especialidades, mas não tem ninguém especialista em ser humano. Tem especialista no pé do ser humano, na cabeça, na mão, no olho, no ouvido, na bexiga, mas não tem ninguém especialista no ser humano. Seria quem? O psiquiatra? O psicólogo?
O senhor acredita que a espiritualidade pode cumprir este papel?
A gente quando fala de espiritualidade precisa saber do que está falando, porque existe muita espiritualidade alienante, também. O ateu pode ter uma espiritualidade, o humanista pode olhar para o ser humano e vê-lo inteiro. Há profissionais que fazem isso, por sua própria forma de ser, mas não por ofício.
De que maneira a pandemia de Covid-19 agudizou todas estas questões?
O que a gente viu é que a pandemia, num primeiro momento, gerou muito medo. E esse medo imobilizou as pessoas. Por exemplo: ontem houve a festa de São Miguel aqui. E vieram muitas pessoas que eu não via desde o início da pandemia. Eu percebi o quanto estas pessoas estão sofridas, envelhecidas, descuidadas. Elas estão muito marcadas pelo isolamento, pela solidão, pela não interação.
Como equilibrar o distanciamento social e as demais regras sanitárias com o cuidado com a saúde?
O distanciamento e as regras sanitárias não significam incomunicabilidade. E não significam o desconhecimento do outro. Não significam a negação do outro.
O senhor falou sobre a incomunicabilidade, sobre o fato de que nunca estivemos tão conectados e tão distantes uns dos outros. O senhor mantém no Instagram uma conta com milhares de seguidores. Como o senhor avalia o potencial destas redes tecnológicas de comunicação?
As redes sociais são como uma faca, que serve para descascar uma fruta, mas também serve para ferir os outros. Depende de como você usa. Muita gente usa as redes sociais para me ferir; eu procuro não vigiar a rede social de ninguém, não fazer polêmica. Eu não fico vendo o que cada um pensa para xingar, mas tem gente que se dedica a isso. Tem gente que entra na transmissão da missa para me xingar. Então acho que é uma questão de vontade. Se você vai dar uma palestra e eu não me interesso pelo assunto, eu não vou entrar na sua palestra. E não vou ficar xingando você por pensar daquele jeito. Isso não é comunicar. Isso é uma negação do outro e é uma estratégia da retórica do ódio, que é desqualificar o interlocutor. Ao invés de discutir o conteúdo, eu discuto e desqualifico a pessoa. “Ah, você é um comunista”; “você é um herege”; “você é um louco”.
De que modo o exemplo de São Miguel Arcanjo o inspira para continuar na luta por uma sociedade mais justa e saudável?
Ele me dá inspiração para lutar desarmado, para lutar sem a lógica da arma e da destruição. A frase “combater o mal” é muito dura, a gente tem que aprender a conviver com a diversidade e a pluralidade, sem querer destruir ninguém.
O senhor já disse que “não luta para ganhar, mas para ser fiel”. Como o senhor cuida da própria saúde?
Depende do que entendemos por cuidar. [Risos] Às vezes o autocuidado pode ser um fechamento. Eu não vou ter boa saúde enquanto as pessoas com quem me relaciono estão sofrendo. Eu sou atingido muito pela dor, pelo sofrimento. Eu procurei, durante a pandemia, aprender a ler o olhar das pessoas. Vejo olhares extremamente sofridos, então não é possível cuidar da saúde em um mundo doente. Você não vai se sentir são caso o mundo continue doente.
“A gente tem que aprender a conviver com a diversidade e a pluralidade, sem querer destruir ninguém”. Padre Julio
Cuidar da saúde então é um sacerdócio?
É uma relação de humanização. O povo da rua não vai ter saúde, por exemplo, se não tiver onde morar, se não tiver um lugar onde se sinta acolhido, se não tiver alimentação e, principalmente, se não tiver autonomia. Nós vivemos uma estrutura de enlouquecimento, que está nos matando. Temos que lutar contra isso.
Os deputados estaduais Rafael (PDT) e Roberto Costa (MDB) destacaram, na sessão plenária desta terça-feira (23), o trabalho realizado pelo diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran-MA), Francisco Nagib.
No Pequeno Expediente, Rafael , que é líder do Governo na Assembleia, disse que Francisco Nagib colhe bons frutos com o trabalho de descentralização dos postos do Detran e que ele vem implementando a atuação do órgão em todo o estado.
“Nagib tem se empenhado no sentido de dar oportunidade aos motoristas, inclusive com as custas de capacitação de mototaxistas que, muitas vezes, não têm condição de ter o capacete e o colete. De forma padronizada, em parceria com os municípios, isto vem sendo feito, de maneira que, hoje, o Detran é um órgão eficiente no Maranhão”, disse Rafael.
O parlamentar acrescentou que Francisco Nagib, embora realize uma boa gestão no Detran, vem sendo atacado injustamente: “A gente não pode aceitar um parlamentar vir à tribuna fazer acusações sem prova alguma, com falácias, com inverdades contra um homem digno, honrado. Foi gestor de uma das maiores cidades do nosso estado, e eu não poderia ficar calado diante de tamanha injustiça. São acusações sem fundamentação legal”, salientou Rafael.
Também no Pequeno Expediente, o deputado Roberto Costa destacou que um dos programas mais importantes do governo Flávio Dino está sendo feito no Detran, sob o comando de Francisco Nagib. Segundo o parlamentar, trata-se do ‘Detran Perto do Povo’, ação que tem proporcionado a distribuição de capacetes a mototaxistas.
“Para mim, este programa que está sendo desenvolvido pelo Detran, coordenado por Nagib, é um dos mais importantes do Maranhão. Ele salva vidas e garante o direito dos mototaxistas, dos trabalhadores e de todas as pessoas que têm uma moto e não conseguem obter um capacete, um direito que agora o governo está assegurando”, ressaltou Roberto Costa.
Gol vai dispensar 37 trabalhadores que recusaram a vacina e a Latam diz que vai começar a demitir no ano que vem
Apesar do boicote do governo federal, que chegou até mesmo a editar uma portaria, já considerada inconstitucional pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), proibindo demissões de trabalhadores que não quiserem se vacinar contra a Covid-19, várias empresas estão dispensando os negacionsitas da ciência, entre elas duas companhias aéreas, a Gol e a Latam.
A Gol anunciou que vai demitir 37 trabalhadores que se recusam a tomar a vacina contra a Covid-19 entre novembro e dezembro. Mais de 99% dos 15 mil funcionários da companhia estão com a imunização completa, segundo a colunista Joana Cunha do Painel S/A, da Folha de S. Paulo.
De acordo com nota divulgada pela empresa, as demissões estão alinhadas ao compromisso da Gol com a saúde pública e a proteção da população.
A Latam, diz a jornalista, também vai exigir comprovante de vacina a partir de 31 de dezembro e quem não se encaixar nas novas regras, também será demitido. Ou seja, as demissões dos não vacinados na Latam começa em janeiro do ano que vem.
A companhia afirma que está fazendo campanhas internas para estimular a vacinação e que todos os funcionários estão cientes da exigência para manter vínculo com a empresa em 2022.
Já a Azul não pretende demitir funcionários sem vacina por enquanto. A companhia afirma que tem trabalhado na conscientização e imunização de seus tripulantes, e que mais de 90% do quadro está imunizado.
A direção executiva do PCdoB Maranhão definiu, na noite desta terça-feira (23), a posição do partido a ser apresentada na reunião do próximo dia 29 acerca da sucessão estadual em 2022.
Os membros da executiva fecharam questão em apoiar integralmente a decisão do governador Flávio Dino no encontro com o colegiado de partidos.
Ou seja, o PCdoB estará com o candidato a governador escolhido por Dino.
“Maranhão no rumo certo, é o que defendemos”, disse Márcio Jerry, presidente do partido.
Ainda na reunião, foi debatido a formação de uma federação entre PCdoB, PSB e outras siglas.
A Câmara Municipal tem discutido e proposto a construção, reforma e implantação de creches e escolas em São Luís. O foco das propostas é garantir o acesso à educação e o adequado acolhimento das crianças em idade escolar. As propostas focam ainda na melhoria da infraestrutura de unidades da rede municipal de ensino e nas condições para o desenvolvimento da educação.
A construção de uma creche no bairro Santa Bárbara, zona rural da cidade, é o mote de requerimento do vereador Francisco Carvalho (PROS). O documento de número 1534/21, solicita que sejam realizados estudos que viabilizem a implantação da mesma. “A construção de uma creche nesta comunidade, irá propiciar às crianças o adequado desenvolvimento psicomotor, bem como trará tranquilidade aos pais, que poderão trabalhar pelo sustento de seus familiares, sabendo que seus filhos estarão em segurança”, frisou o parlamentar.
Chico Carvalho enfatizou o triste cenário nacional, que prejudica, sobretudo, as famílias de baixa renda. “Por conta das dificuldades, muitas crianças são deixadas sozinhas em casa, sob a supervisão de outras crianças e até mesmo a mercê dos perigos da rua, para que seus pais possam trabalhar. Por isso, solicito uma providência para execução dessa proposta”, disse.
Solicitação da vereadora Karla Sarney (PSD), pede que seja construída uma escola municipal no bairro Sá Viana. A facilidade é que, no local já há um terreno que poderá ser utilizado para a obra, a partir da parceria entre o município e o estado. O documento foi enviado à Secretaria Municipal de Educação (Semed).
A comunidade do bairro Cidade Nova será contemplada com requerimento do Coletivo Nós (PT), que propõe a reforma da Unidade de Educação Básica João do Vale, localizada na Avenida Principal, Estrada do Gapara. “A solicitação é que esse pedido seja executado, pelo benefício desta comunidade e pelo acesso à educação de qualidade, que é um direito de todos”, destacou o documento.
A resposta de Lula está clara no vídeo da entrevista, onde defende a alternância de poder. Veja o vídeo sem edição
24-11-2021 Quarta-feira
Em nova fake news contra Lula, informação adulterada distorce entrevista do ex-presidente ao jornal espanhol El País, no final de semana, tentando atribuir a ele apoio à “ditaduras de esquerda’.
É falso e de má-fé afirmar que Lula teria apoiado “ditaduras de esquerda” ou igualado a primeira-ministra Ângela Merkel ao presidente Daniel Ortega, quando comentou as últimas eleições na Nicarágua em entrevista ao “El País” da Espanha.
A resposta de Lula está clara no vídeo da entrevista, que foi editado de forma maliciosa em redes sociais para distorcer sua fala.
Nesta e em outras entrevistas Lula reafirmou:
1) Que defende a alternância democrática de poder (“Todo político que começa ase achar imprescindível ou insubstituível começa a virar um pequeno ditador.”);
2) Que é errado e antidemocrático prender opositores para impedir que disputem eleições, em qualquer país (“Eu não posso julgar o que aconteceu na Nicarágua, não sei o que as pessoas fizeram para ser presas. Mas se Daniel Ortega prendeu a oposição para disputar a eleição, como fizeram no Brasil contra mim, ele está totalmente errado.”);
3) Que deve ser respeitada a autoderminação dos povos em relação ao tempo de mandato dos governantes (“Eu posso ser contra, mas não posso ficar interferindo nas decisões de um povo. Não posso ficar torcendo. Ah… por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não? Por que o Felipe González pode ficar 14 anos aqui na Espanha? Qual é a lógica?”).
Veja o trecho completo em vídeo da resposta de Lula ao “El País” sobre essa questão.