Roseana revela que quer viabilizar sua candidatura a governadora do MA pelo MDB em 2022

26-06-2021 Sábado

Roseana Sarney (MDB) se prepara para desembarcar no tabuleiro da sucessão do governador Flávio Dino (PSB). Ela admitiu ontem, com todas as letras, em entrevista à TV Mirante, que está trabalhando o projeto de sua candidatura ao Governo do Estado. Não foi, claro, uma declaração formal e enfática, mas o que ela disse foi suficiente para acender o sinal de alerta nos QGs dos pré-candidatos já assumidos, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT).

“Estou tentando viabilizar minha candidatura. Tenho experiência (…) e acho que posso contribuir com o meu estado e com o meu país. Tenho vontade de voltar, e se Deus quiser, no ano que vem vou colocar meu nome à disposição do povo do Maranhão”, disse ela ao ser provocada pelo jornalista Clóvis Cabalau sobre a possibilidade de vir a ser candidata ao Governo do Estado.

O fato confirma o que já é visível: a ex-governadora mandou mesmo sua aposentadoria para o espaço, e retorna à seara político no comando do braço maranhense do MDB. Esse plano será consumado daqui a uma semana, quando o ex-senador João Alberto lhe passará o comando do partido.

Quando saiu das urnas de 2018 com 30,07% dos votos na disputa em que o governador Flávio Dino (PCdoB) se reelegeu com 59,29%, Roseana Sarney (MDB) anunciou que estava cansada e que encerraria ali a sua curta, mas muito intensa e invejável, trajetória política. Afinal, havia sido deputada federal (1991/1994), governadora (1995/2002), senadora (2003/2009) e de novo governadora (2009/2014), tendo nesse período sofrido apenas duas derrotas (2006 e 2018).

A aposentadoria durou menos de dois anos, pois em 2020, foi lançada pré-candidato do MDB à Prefeitura de São Luís, não aceitou, mas fez alguns movimentos bem expressivos na campanha em alguns municípios. Logo depois, já re-envolvida nas teias da política, decidiu arquivar de vez a aposentadoria e voltar à ativa, agora como comandante do MDB.

Pessoalmente, Roseana Sarney anunciou a intenção de se candidatar à Câmara Federal, calculando obter excelente votação e, com isso, ajudar o MDB reeleger seus dois deputados federais e eleger pelo o menos mais dois, formando uma bancada de cinco.

Em todas as pesquisas de intenção de voto para Governo do Maranhão feitas até aqui, a emedebista aparece na liderança, com percentuais que variam de 25% a 33%. Avaliações diversas têm chegado à conclusão de que é esse o seu teto e que ela, se candidata, teria muito dificuldade de ultrapassá-lo.

Por outro lado, a seu favor está o fato incontestável de que, de acordo com as mesmas pesquisas, até aqui nenhum dos pré-candidatos ameaçou sua liderança, o que pode lhe dá incentivo para investir num projeto de candidatura. Tarimbada em pesquisas eleitorais, a ex-governadora sabe que os aspirantes estão apenas no “aquecimento” e que o jogo para valer ainda está para ser iniciado. Isso significa dizer que as pesquisas de agora são retratos do momento que apontam tendências, mas não devem ser tomadas como indicadores definitivos.

Ou seja, a corrida ao Palácio dos Leões tem ainda muito chão e que só será deflagrada para valer quando Flávio Dino, que disputará vaga no Senado, bater martelo em favor de um candidato.

Se está determinada a voltar à seara política, Roseana Sarney dificilmente entrará numa disputa sem uma margem pelo menos razoável de garantia de que sairá das urnas com a vitória. Ela viu seu candidato ser destroçado por Flávio Dino em 2014 e ela própria e seu grupo amargarem uma derrota acachapante para o próprio Flávio Dino e seus aliados em 2018. Não faz muito sentido sair da zona de conforto para entrar num confronto em que as chances de sucesso sejam mínimas. Daí muitos avaliarem que o projeto mais adequado para 2022 será o de disputar uma cadeira na Câmara Federal, contribuindo para fortalecer o MDB no Maranhão e no Congresso Nacional.

A julgar pelo tom da entrevista, a ex-governadora causou a impressão de que tomou fortes injeções de ânimo político nas últimas semanas. A simples ideia de entrar no tabuleiro sucessório já anima os movimentos prévios e criam a expectativa de que o jogo será bem mais disputado do que se restrito a um embate Brandão/Weverton.

Repórter Tempo

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