Pouca representação política na recepção a Bolsonaro no Maranhão

30-10-2020 Sexta-feira

De todas as visitas presidenciais ao Maranhão desde a volta da democracia, a do presidente Jair Bolsonaro, ontem, foi, de longe, a mais desconectada da realidade, sem importância nem estatura.

Nas suas inúmeras visitas entre 1985 e 1990, o presidente José Sarney sempre foi recebido com festa por multidões, tendo trazido na sua companhia o colega português Mário Soares, vários mandatários da África lusófona, o colombiano Virgílio Barco e o uruguaio Juan Maria Sanguinetti, além de visitantes importantes, como escritor francês Maurice Druon, o célebre autor de “O Medido do Dedo Verde”, entre outros. Depois dele, o presidente Fernando Collor (PRN) veio duas vezes ao Maranhão, uma delas para declarar apoio a João Castelo, então inimigo do Grupo Sarney, mas o então governador João Alberto foi devidamente comunicado da visita presidencial. Nos seus oito anos de governos, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) visitou o Maranhão três vezes, dando grande dimensão a cada visita. O presidente Lula da Silva (PT) fez várias visitas ao estado ao longo dos seus dois mandatos, o mesmo acontecendo com a presidente Dilma Rousseff (PT).

A visita do presidente Jair Bolsonaro diferiu de todas. Para começar, seu desembarque se deu sem um traço sequer do que o ex-presidente José Sarney (MDB) chama de “liturgia do cargo”. Suado, de manga de camisa e mostrando os contornos de um colete à prova de balas, não usava máscara e parecia comandar uma tropa caótica. Acompanhado do senador Roberto Rocha (PSDB), seu ativo porta-voz, o presidente foi recebido por nove dos 18 deputados federais Edilázio Júnior (PSD), Aluízio Mendes (PSC), Juscelino Filho (DEM), André Fufuca (PP), Pedro Lucas Fernandes (PTB), Cléber Verde (Republicanos), Pastor Gildenemyr (PL), Júnior Lourenço (PL) e Merreca Filho (Patriotas). Não houve registro da presença de deputados estaduais, nem o deputado Pará Figueiredo (PSL), que num dos raros discursos que fez declarou apoio ao Governo Bolsonaro, e a deputada Mical Damasceno (PTB), que vez por outras discursa apoiando posições bolsonaristas do Governo Federal. Não foi registrada também a presença de prefeitos da região nem de vereadores de São Luís.

Dos candidatos a prefeito de São Luís, o único que esteve no aeroporto foi Silvio Antônio (PRTB), mas não teve acesso à comitiva e só conseguiu um aperto de mão depois de haver atropelado apoiadores escanchado no pescoço de um partidário. O presidente provavelmente o cumprimentou sem saber que ele o candidato do partido do vice-presidente Hamilton Mourão à Prefeitura de São Luís.

Repórter Tempo

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