29-08-2020 Sábado
Todos os sábados eu apresento o programa Sabadão Informativo, ao vivo, na Rádio Timbira AM 1290, das 10h às 12h30. No programa, eu comento os principais assuntos da semana no Brasil. Durante duas horas e meia eu debato com ouvintes e internautas que opinam livremente em toda a programação da nossa emissora, que é estatal e a mais antiga do Maranhão com 79 anos de existência.
Hoje um ouvinte, João do bairro da Alemanha na capital maranhense, me questionou sobre o porquê da recente alta de popularidade de Bolsonaro nas pesquisas?
Fácil de explicar: cresceu graças a ignorância política do povo brasileiro, em especial dos mais pobres.
As pessoas mais vulneráveis socialmente ignoram os trâmites democráticos e a luta dos parlamentares de oposição para aprovar no Congresso Nacional o auxílio emergencial no valor de R$ 600,00 (seiscentos reais).
Para essa camada da população “Bolsonaro é o presidente que gosta dos pobres e por isso está dando esse dinheirinho pra nós”. Ouvi isso, literalmente, de um beneficiário do auxílio.
A oposição não poderia simplesmente cruzar os braços e deixar Bolsonaro dar os 200 reais de auxílio como pretendia? A ética da esquerda a impede de agir estritamente por motivação eleitoral para desmascarar o governo. Preferem garantir um prato de comida para quem tem fome e acabam dando a Bolsonaro o crédito pela concessão dos 600 reais.
O mesmo Bolsosonaro que sempre chamou o Bolsa-Família de “Bolsa-Esmola” ou acusava os governos do PT de compra de voto institucional, agora pega carona nos avanços conquistados pelos adversários para colher dividendos eleitorais.
Seguindo essa mesma lógica hedionda, o governo Bolsonaro taxa os livros e diz ter “saudades dos bons tempos em que crianças podiam trabalhar”, porque só a extrema-direita interessa manter as novas gerações longe dos bancos escolares e analfabetos políticos. Ferramenta indispensável para manobrar as massas e fazer o povo acreditar que o Bozo “ajuda os mais pobres”.
A sociedade precisa informar e esclarecer os chamados “pobres de direita” sobre o que há por trás do auxílio emergencial, do Fundeb permanente e de todas os avanços sociais que a oposição vem conquistando com grande esforço para barrar os ímpetos entreguistas, fascistas e antipatrióticos de Bolsonaro, que não tem nenhum compromisso com o combate à desigualdade social.
Aliás, se dependesse exclusivamente dos delírios desse rascunho de ditador, Bolsonaro, o povo sequer estaria elegendo pelo voto direto seus representantes.
O único objetivo de Bolsonaro é blindar sua familícia de todos os crimes que vem praticando há décadas na política, como esquemas de rachadinha na Assembleia do Rio de Janeiro, lavagem de dinheiro em franquias de venda de chocolates, depósitos no valor total de 89 mil reais feitos por Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, desvio de dinheiro público, funcionários fantasmas, entre outros.
Além dessa árdua tarefa de evitar sua prisão e de seus familiares, Bolsonaro tem outras duas missões: a primeira é vender cloroquina. Para isso se empenha em fazer a propaganda criminosa e muitas vezes letal do remédio em plena pandemia, apenas para gerar lucros a Trump, mesmo após a comunidade científica alertar que esta medicação não tem nenhuma eficácia contra o coronavírus e pode provocar graves efeitos colaterais em alguns pacientes. E a segunda tarefa é liberar a compra de armas e munições não rastreadas para milicianos, cumprida com direito a um escritório do governo nos EUA somente para comprar armamentos.
Nas últimas eleições três fatores propiciaram a ascensão da extrema-direita no Brasil: o golpe jurídico contra Dilma e Lula; as fake news propagadas nas redes sociais e nos templos evangélicos e o ódio ao PT.
Mas nada disso teria dado certo se o povo tivesse acesso à educação ou o mínimo de entendimento das consequências desse voto.
A verdade é que a grande maioria da população brasileira sequer compreende o discurso da esquerda. Quando a oposição fala de combate ao fascismo; em risco de ruptura democrática; volta do AI-5; fechamento do Congresso Nacional e do Judiciário; descumprimento de Leis Ambientais; ameaça à soberania nacional; privatização do patrimônio estatal; defesa do trabalho infantil; apologia à Ditadura Militar; e tantas outras aberrações e crimes defendidos abertamente por Bolsonaro e seus seguidores, o povão não compreende a gravidade dessas denúncias, sequer entende esses termos.
A esquerda precisa urgentemente popularizar o debate. Traduzir para as massas o custo social do voto dado a quem iria acabar com o “kit gay” e a “mamadeira de piroca”, antes que seja tarde demais.
Mônica Moreira Lima – Jornalista, radialista, professora universitária e escritora maranhense