Arquivo mensal: maio 2020

“Totalmente perdido”, avalia Márcio Jerry sobre gestão de Nelson Teich

08-05-2020 Sexta-feira

Na última quarta (6), Brasil bateu seu segundo recorde de mortes registradas em um só dia, com 615 novos óbitos, o sexto país com mais óbitos no mundo

Por Nathália Bignon

Vice-líder do PCdoB, o deputado federal Márcio Jerry (MA) criticou nesta quinta-feira (7) a falta de respostas do ministro Nelson Teich sobre o avanço da pandemia da covid-19 no Brasil.

Durante a reunião virtual da Comissão Externa de Ações Preventivas ao Coronavírus da Câmara, a primeira com a participação de Teich, o chefe da Saúde tentou explicar ações que vem sendo desenvolvidas desde que assumiu o comando da pasta, em 17 de abril, mas não detalhou como fará para conter o avanço da doença.

“E o ministro Teich não deu um alento hoje em reunião com a Comissão Externa da Covid-19. Relatou dificuldades e não explicou como fará concretamente para entregar os kits para testagem nem tampouco os kits de UTIs. Totalmente perdido, eis a impressão que deixa a cada vez que fala”, disse Jerry.

Como?

Além das dificuldades para aquisição de respiradores, Nelson Teich e secretários relataram a entrega de 3 mil leitos para o atendimento de pacientes infectados pelo coronavírus em todo o país e afirmaram que até setembro, 46 milhões de testes deverão ser entregues a estados para detecção dos casos.

No entanto, não explicou porque até o momento apenas 13% deste número foi distribuído e nem como irá adquiri-los. Na comissão, Teich também informou que encomendou de empresas nacionais mais de 14 mil respiradores, com entrega de 200 unidades por semana. Mas nesse ritmo, os estados só receberiam todos os aparelhos em 2021.

Bolsonaro

O ministro também preferiu não se manifestar quando questionado sobre como encarava a presença do presidente Jair Bolsonaro em recorrentes manifestações, a respeito dos números de mortos registrados nos últimos dois dias e como fará para garantir o aumento de respiradores, cuja carência já é verificada na maior parte dos estados.

Quando perguntado sobre a recomendação do ministério sobre a necessidade do isolamento social, Teich se esquivou novamente.

“Esta é decisão de estados e municípios e é preciso analisar caso a caso”, desconversou, um dia depois de defender o lockdown nos locais onde a doença já é considerada crítica. “O que estamos fazendo é integrar as informações existentes, para criar indicadores, que não existiam, para que a gente possa ter um sistema e entender o que está acontecendo”, disse.

Recordes de mortes

Na última quarta (6), o Brasil bateu seu segundo recorde de mortes registradas em um só dia, com 615 novos óbitos, se tornando o sexto país com mais óbitos no mundo. Ao todo, ainda foram 10.503 novos casos confirmados, fazer o país chegar à marca dos 125.218 infectados.

Flávio Dino diz que ida de Bolsonaro ao STF conspira contra federação

08-05-2020 Sexta-feira

Pelo terceiro ano consecutivo, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), participa da “Brazil Conference at Harvard & MIT”, dessa vez com o tema “Desafios dos estados na crise”. Na videoconferência, ele falou sobre o inédito “desfile” do presidente da República na última quinta-feira (7) induzindo líderes empresariais a ferir duas cláusulas pétreas da Constituição Federal: a repartição vertical, a forma federativa dos estados, e a horizontal, que é a separação de poderes.

“Ele foi conspirar contra a forma federativa de estado a pretender que haja poderes absolutistas, ele quis matar a federação. Um desfile presidencial em direção ao Supremo, para pretender que o Supremo reveja uma decisão é algo nunca antes visto. As pessoas foram levadas a mais uma aventura que tem o peso da Presidência da República, mas há um peso maior ainda que o peso do desprezo com a vida de milhares de brasileiros”, disse Flávio Dino.

Sobre o papel dos governadores nesse período de crise sanitária e econômica, Dino disse que há uma tentativa de transferir para os governadores as terríveis mortes. Ele disse que os governadores não têm a responsabilidade de gerir a política macroeconômica do país.

“Os instrumentos macroeconômicos estão concentrados na União. Quem emite moeda? Quem emite títulos dívida pública? Nós queremos a conjugação de investimentos públicos e privados, mas quem tem que liderar é o Governo Federal. É preciso ter lealdade federativa, uma federação se constrói em torno de normas e valores, portanto não dá para transferir uma responsabilidade que é da União para os governadores”, enfatizou o governador do Maranhão.

Assessoria de Comunicação do governador Flávio Dino

Lula: “Bolsonaro está induzindo os brasileiros à morte”

08-05-2020 Sexta-feira

“Bolsonaro desrespeita as instituições diariamente. Ataca o STF, o Congresso, governadores. Ele pensa que pode dar um novo golpe autoritário”, adverte Lula. “Não temos um presidente”, sentencia ele, diante de uma crise sanitária que já chega a 10 mil mortes.

Bolsonaro não fala a palavra pandemia, só fala que o povo tem que voltar a trabalhar, afirmou o ex-presidente Lula em entrevista ao jornalista Nonato Cavalcante, da Rádio Clube do Pará. “Bolsonaro faz tão mal ao Brasil quanto o coronavírus”, advertiu Lula. “Não temos um presidente”, destacou, enquanto o país chega a 10 mil mortes. Na entrevista, Lula prestou solidariedade ao povo e ao governador do Pará, Elder Barbalho, e também destacou o papel do senador Paulo Rocha (PT-PA) e dos deputados federais petistas no Congresso Nacional para assegurar os direitos dos paraenses.

Para Lula, o país precisa de um presidente comprometido com o Brasil, que se preocupe com o povo. “Alguém civilizado, com sensibilidade, humanismo e coração”, definiu, citando o exemplo positivo do presidente Alberto Fernández, da Argentina. “O que Bolsonaro fez ontem foi um ato de pirotecnia” para pressionar o STF de uma forma autoritária pela flexibilização do isolamento social. Para Lula, Bolsonaro também está isolado internacionalmente, envergonhando o país perante o mundo. “Eu não queria ficar falando mal toda hora do governo. Mas é insuportável ver a insensibilidade com a vida das pessoas”, disse o ex-presidente.

A gravidade da crise que aumenta a cada dia deveria ter outra forma de atuação do governo federal, advertiu Lula. “Primeiro, trabalhando junto com um comitê de governadores, prefeitos e especialistas, fazendo o que a ciência recomenda”, diz ele. Ao mesmo tempo, deveria chamar os empresários para promover uma reconversão da indústria para produzir insumos médicos. E também manter relações civilizadas com outros países para trocar experiências, especialmente com a China, completa ele.

Bolsonaro induz brasileiros à morte

Ao povo cabe cumprir com o isolamento social, defende Lula, ressaltando que até agora não existe vacina contra o coronavírus. No entanto, ressaltou, “Bolsonaro está induzindo os brasileiros à morte. Ele acha que colocar o povo pra voltar a trabalhar vai resolver o problema. O cara só vai poder cuidar da família se ele estiver vivo”, advertiu. Ao governo, diz ele, cabe pagar o que o Congresso Nacional aprovou, criando alternativas para o saque dos R$ 600,00, evitando as filas. Lula criticou a condução oficial da crise, que colocou à frente do Ministério da Saúde, “um homem de negócios, que não conhece a saúde pública, que desconhece o SUS”.

Diante da crise e das necessidades do país, Bolsonaro não tem mais condições de estar à frente do comando da Nação, avaliou Lula. “Bolsonaro desrespeita as instituições diariamente. Ataca o STF, o Congresso, governadores. Ele pensa que pode dar um novo golpe autoritário. E a mesma Câmara que não teve vergonha de colocar em votação o impeachment da Dilma, não tem coragem de colocar o do Bolsonaro”, disse. Para Lula, Bolsonaro já cometeu “crime de responsabilidade”.

O ex-presidente também comentou a última farsa jurídica da condenação do TRF-4 que manteve sentença “cópia e cola”da juíza Gabriela Hardt, ignorando provas de sua inocência. Dizendo que sua defesa vai continuar recorrendo da sentença, segundo ele sustentada pela Rede Globo, em mais de 400 horas de Jornal Nacional. “O Brasil vai saber da grande mentira, da grande sacanagem que fizeram contra mim, contra o PT e contra Dilma”, sentenciou Lula.

Fonte: PT

Assembleia Legislativa do Maranhão realiza dia 11 sessão com votação remota para apreciar matérias de enfrentamento à Covid-19

08-05-2020 Sexta-feira

A Assembleia Legislativa do Maranhão vai realizar, na próxima segunda-feira (11), às 10h, nova Sessão Extraordinária com Votação Remota por Videoconferência, ocasião na qual serão apreciadas matérias urgentes relacionadas às estratégias de enfrentamento à Covid-19 no estado. A convocação foi feita pelo presidente da Casa, deputado Othelino Neto (PCdoB), nesta sexta-feira (8). 

A sessão será transmitida ao vivo pela TV Assembleia, no canal aberto digital 51.2, canal 17 na TVN, site http://www.al.ma.leg.br/tv, rádio web, http://www.radioalema.com, e na página oficial da TV no Facebook.

Entre as proposições em pauta estão os Projetos de Lei Ordinária 125/2020 e 126/2020, do deputado Othelino Neto (PC do B), sendo que o primeiro estabelece normas de concursos públicos para profissionais da área de saúde que atuaram no combate à Covid-19, no âmbito da Administração Pública Estadual do Maranhão; e o outro que dispõe sobre o registro do Boletim de Ocorrência, na Delegacia Online, dos crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher, durante o período de duração da pandemia, no estado. 

Na Ordem do Dia, constam ainda dois projetos de lei de autoria do deputado Dr. Yglésio (PROS), entre eles o PL 081/2020, que suspende os prazos relativos aos concursos públicos em razão da pandemia da Covid-19; e o 099/2020, que trata das diretrizes para o enfrentamento do estado de calamidade pública decorrente da pandemia, no âmbito do Maranhão.

Plano de contingência

Também serão apreciados o Projeto de Lei 086/2020, do deputado Neto Evangelista (DEM), que dispõe sobre medidas de proteção aos maranhenses durante o plano de contingência do Governo do Estado ao novo coronavírus; e o PL104/2020, de autoria do deputado Felipe dos Pneus (PRTB), que estabelece isenção no pagamento de multa pela rescisão contratual (cláusula de fidelidade) nos contratos mantidos por consumidores com empresas de telefonia, TV a cabo, internet e assemelhadas, durante o período em que for reconhecida a situação de calamidade pública no Maranhão.

Os Projetos de Lei 111/2020 e 100/2020, de autoria da deputada Helena Duailibe (Solidariedade), também estão na pauta: o primeiro disciplina a venda de álcool em gel e outros produtos higiênicos em farmácias e demais estabelecimentos comerciais e o outro estabelece a suspensão do desconto salarial de empregados públicos e aposentados pelo Fundo Estadual de Pensão e Aposentadoria.

E, ainda, o Projeto de Lei 124/2020, de autoria de Duarte Júnior (PCdoB), sobre o atendimento bancário no estado do Maranhão durante o estado de calamidade causado pela pandemia de Covid-19.

Na pauta da sessão com votação remota desta segunda-feira também consta a Medida Provisória 311/2020, que altera a Lei 11.251, de 1º de abril de 2020, isentando do pagamento de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS), até 31 de julho de 2020, as operações internas e de importação do exterior com mercadorias destinadas à prevenção da Covid-19.

Também estão na pauta da sessão extraordinária desta segunda-feira, solicitações de reconhecimento de estado de calamidade pública encaminhadas pelas Prefeituras dos municípios de Balsas, Caxias, Santa Helena, Mirinzal, Presidente Dutra, Tutoia e Formosa da Serra Negra.

Votação remota

A nova modalidade de votação remota por sistema de videoconferência teve início no dia 24 de março, de maneira inédita na Assembleia Legislativa do Maranhão. Nas sessões extraordinárias com votação remota, realizadas anteriormente, os parlamentares aprovaram diversas medidas também de enfrentamento à pandemia da Covid-19.

Márcio Jerry e Rubens Junior debatem a crise do governo Bolsonaro

08-05-2020 Sexta-feira

Evento foi organizado pelo Organismo de Base da Educação do PCdoB Maranhão, com mediação de Ismael Cardoso e Rafael Bogoni

Por Saulo Marino

A crise do governo Bolsonaro foi tema principal do debate virtual entre o deputado federal Márcio Jerry e o Secretaria das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Rubens Junior, pré-candidato à prefeitura de São Luís. O evento, realizado nesta quinta-feira (7), foi organizado pelo Organismo de Base da Educação do PCdoB Maranhão, com mediação de Ismael Cardoso e Rafael Bogoni.

Presidente estadual do partido, Jerry criticou a maneira como Jair Bolsonaro (sem partido) e sua equipe estão conduzindo a gestão da crise causada pelo coronavírus.

“O oportunismo político não faz as contas da morte. A crise econômica é grave, a economia está derretendo. E o presidente é incapaz, amolecado, Bolsonaro não compreendeu até agora o que é o cargo Presidente da República”, disse.

Jerry pontuou ainda uma relação entre a covid-19 e a crise capitalista. “Entre as lições da pandemia, estamos vendo que o sistema econômico global é frágil. O ‘rei capitalismo’ está nu. Demonizaram o papel do Estado, mas sua mediação é imprescindível para resolver a crise”, afirmou o parlamentar.

Para o pré-candidato Rubens Junior, a crise sanitária ‘enterrou de vez o Século XX’. “Comércio, hospedagem, viagem, alimentação, a importância do Estado, tudo ganhou outro significado. E nisso, mudou também a forma de fazer campanha. Eleição, carreata, não é mais só isso. Precisamos fazer política de modo diferente, estar atentos, com muita mobilização e debate nas redes sociais”, explicou o secretário.

Esperança

Sobre políticas públicas, assunto colocado em pauta por mais de 70 espectadores que acompanharam o debate, Rubens lamentou que esse não seja um assunto de interesse do Governo Federal. “Todos nós [de esquerda] concordamos com a renda básica, mas quem tem que liderar esse debate é o Governo Federal. Infelizmente, perdemos a eleição de 2018. Mas uma coisa ficou clara, a tese do Estado mínimo foi embora, todos que defendiam isso estão calados, pedindo socorro ao Estado”, comentou.

“O capitalismo vive uma fase de esgotamento. E a pandemia tem uma carga simbólica, estamos sendo privados do aperto de mão, do beijo e do abraço. Precisamos refletir sobre tudo isso, buscar uma nova sociedade, marcada pela solidariedade e amor ao próximo. Em meio à crise sanitária, econômica, política e eleitoral, precisamos ser os porta-vozes da esperança”, completou Márcio Jerry.

PCdoB

Governo do Maranhão entrega mais 38 leitos destinados ao enfrentamento do coronavírus em São Luís

08-05-2020 Sexta-feira

Para fortalecer a luta contra o coronavírus (Covid-19) no Maranhão, o Governo do Estado inaugurou, nesta sexta-feira (8), 35 novos leitos clínicos e mais 3 de isolamento. Resultado da parceria entre o executivo estadual e a Prefeitura de São Luís, a estrutura foi montada na Clínica São José, localizada na Rua São Pantaleão, Centro da cidade. O espaço conta com leitos exclusivos para a assistência de pacientes infectados pelo vírus. 

“A clínica servirá ao estado e aos municípios da Ilha de São Luís durante seis meses. Com a estrutura, nós ganhamos mais leitos e equipamentos que serão utilizados no combate à doença, todavia isso não diminui o nosso pedido para que as pessoas colaborem ficando em casa. Não cessamos em nenhum momento de ampliar a nossa rede hospitalar para acolher o máximo de pessoas possível, reafirmando o nosso compromisso de cuidar e salvar vidas”, disse o secretário de Estado de Saúde, Carlos Lula. 

Para o presidente da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (Emserh), Marcos Grande, a inserção da clínica na rede do estado irá diminuir os danos causados pelo coronavírus. “O Governo do Estado tem feito um esforço gigantesco para aumentar a sua capacidade hospitalar, e os leitos entregues fazem parte desta investida. Mas, precisamos lembrar que só com ajuda da sociedade no cumprimento das regras de isolamento social é que vamos sobrepor barreiras e retornar o quanto antes ao cotidiano”, enfatizou.

Médico clínico geral Roger Leonardo Cordero Rivero (Foto: Márcio Sampaio)

O novo espaço contará com o apoio de 96 técnicos, 30 enfermeiros e 5 médicos. Entre eles está o médico clínico geral Roger Leonardo Cordero Rivero, que também faz parte do contingente de profissionais da Convocação para Médicos, realizada pela SES. “Nós só temos a agradecer a oportunidade de poder ajudar os nossos colegas de profissão aqui do Brasil a salvar vidas. Estamos juntos pela mesma causa que é o combate a este mal chamado coronavírus”, destacou. 

Presente no momento de entrega dos leitos, o secretário de saúde de São Luís, Lula Fylho, reiterou que os executivos estadual e municipal estão de mãos dadas para ajudar a população. “A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, participa desta contrapartida destinando recursos que serão utilizados para a operacionalização da unidade. Desta forma, beneficiamos quem mais precisa neste momento, que é a nossa população”, ressaltou.

PSOL pede convocação de Regina Duarte na Câmara por apologia à ditadura militar

08-05-2020 Sexta-feira

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados apresentou um requerimento de convocação para que a secretária especial de Cultura, Regina Duarte, participe de uma sessão virtual do plenário para esclarecer suas declarações em entrevista à rede CNN na última quinta-feira (7). Regina Duarte relativizou as mortes ocorridas no período da Ditadura Militar no Brasil e minimizou a censura e as torturas ocorridas no período. A Secretária também se irritou com uma crítica apresentada pela atriz Maitê Proença.

Os parlamentares do PSOL destacam no requerimento que em nenhum momento a Secretaria de Cultura se posicionou sobre a drástica redução da fonte de renda dos artistas diante a pandemia de Covid-19 e não trabalhou para garantir renda e dignidade à classe.

“As declarações da Secretária especial de Cultura atacam a democracia e a memória de tantos artistas brasileiros que lutaram contra o regime militar. Esse é o verdadeiro modus operandi do governo Bolsonaro”, argumentam os parlamentares no pedido de convocação.

“A Secretária sequer é capaz de ouvir críticas democráticas de uma artista consagrada, como é o caso de Maitê Proença, que questionou o silencio da Secretária diante do falecimento recente de artistas como Moraes Moreira e Aldir Blanc. O gene da intolerância é parte integrante da cúpula do Governo Federal”, ressalta o pedido do PSOL.

PSOL

Contrário à gestão de leitos privados pelo SUS, Teich agrava crise

08-05-2020 Sexta-feira

A capacidade de reação do governo brasileiro frente ao avanço da pandemia do coronavírus encontra-se moribunda, na UTI. Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde Nelson Teich exibe desconhecimento sobre a gravidade da crise sanitária e práticas básicas de gestão pública. Com o sistema de saúde sufocado pela falta de leitos nos hospitais, Teich, confrontado com a necessidade de o país discutir a gestão de leitos privados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), afirmou que irá conversar com o setor hospitalar privado quando a situação chegar no “limite”. O que o ministro deixa de considerar é que o governo federal derrubou todos os limites pela falta de bom senso e responsabilidade social.

“Nós vamos precisar dos leitos do setor privado e do setor público. Do contrário, será uma pandemia seletiva, matar os pobres e proteger os ricos”, afirma o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), que é médico especialista em saúde coletiva. “É fundamental discutir com os planos de saúde e o setor privado para que o setor de terapia intensiva seja integrado e atenda a todos os brasileiros, independente da sua condição social”, observa. A bancada do PT apresentou uma séria de propostas para o enfrentamento da pandemia, entre elas o uso compulsório de leitos privados disponíveis pelos entes federativos como medida de fortalecimento do SUS.Alessandro Dantas

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, que é médico, aponta que os leitos privados precisam ficar sob a gestão do SUS durante a pandemia

“Caso você chegue no limite, você vai sentar com a iniciativa privada e descobrir uma forma de trazer a saúde suplementar para fazer parte dessa solução do SUS de uma forma com uma cooperação e não com uma tomada”, alega Teich. Enquanto isso, outro triste recorde de mortes por infecção do vírus foi batido em 24 horas, com mais 615 óbitos para a conta do governo. Só no Rio de Janeiro, mais de 1,1 mil pacientes aguardam uma vaga na UTI. Pelo menos metade dos doentes está em estado grave. Boletim da Organização Mundial de Saúde (OMS) desta quinta-feira aponta que o Brasil teve quase 10% das mortes diárias por Covid-19 registradas nas últimas 24 horas. Situação só não é mais grave do que nos EUA e no Reino Unido.

Em editorial, a revista científica The Lancet, uma das mais importantes na área médica do mundo, aponta que o presidente Jair Bolsonaro é hoje “a maior ameaça à resposta do Brasil ao Covid-19”. A publicação sugere que ele precisa mudar a conduta ou será “o próximo a sair”. Em texto da edição de 9 de maio, disponível para assinantes, a revista editada no Reino Unido destaca que o Brasil é o país com mais infecções e mortes pela doença (125.218 casos e 8536 mortes) na América Latina e diz que esses números são “provavelmente substancialmente subestimados”.

Tutelado pelo Planalto

Há 20 dias no cargo, o hesitante ministro da Saúde não demonstra convicção quando aborda o isolamento social por medo de ir contra a política inconsequente do presidente Jair Bolsonaro, notório defensor do relaxamento da quarentena. Teich encontra-se encurralado na arapuca governista. Nesta quinta-feira, Bolsonaro levou um grupo de empresários ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pressionar estados e municípios a relaxarem medidas de restrição de circulação de pessoas. A  estridência radical de Bolsonaro parece exercer efeito ainda mais anestesiante no vacilante ministro.

Por pressão dos secretários estaduais de Saúde, com quem reuniu-se somente nesta semana, Teich concordou em lançar uma campanha de esclarecimento e orientação sobre a doença para a população. A campanha, se sair, chega tarde, no momento em que governadores adotam o lockdown – o bloqueio total de circulação de pessoas – em estados como Maranhão e Pará para segurar o avanço desenfreado da doença.Bruno Caramori

O ministro da Saúde, Nelson Teich: “Cada lugar vai ter a sua necessidade de distanciamento, nós vamos mapear com base nos casos novos e infraestrutura para atender”

Sobre a medida extrema, Teich abordou o assunto genericamente. “Cada lugar vai ter a sua necessidade de distanciamento, nós vamos mapear com base nos casos novos e infraestrutura para atender”, esquivou-se, novamente. Toda vez que é confrontado, o ministro volta a insistir na necessidade de reunir mais dados para avaliar as medidas que serão tomadas. Na prática, é como se interpretasse, de modo mais civilizado, o bordão de seu superior: “E daí?”.

Daí que a realidade se impõe. O Brasil tem 127,3 mil casos registrados e mais de 8,6 mil mortos. Com número explosivo derivado das subnotificações, o país pode abrigar um número cinco a dez vezes maior de casos não registrados no país, advertem pesquisadores. A doença mantém ritmo alto de interiorização, com cerca de 44% das cidades de médio porte (entre 20 mil e 50 mil habitantes) com infecções por Covid-19.

País continua sem testar

Como o ministério não providenciou até agora os kits de testes necessários para a coleta de dados, autoridades de saúde estão no escuro quanto à real taxa de disseminação do vírus em solo brasileiro. O país testou até agora apenas 339,5 mil habitantes, quando deveria aplicar testes nessa quantidade de pessoas todos os dias, no mínimo. Assim, estados e municípios não dispõem dos instrumentos necessários para mapear a propagação da doença e implementar estratégias.

Segundo último balanço da Fiocruz, as internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), mantiveram a tendência de alta na semana entre 26 de abril e 2 de maio. Pelos dados da instituição, tanto internações quanto óbitos encontram-se em “zona de risco”, com atividade semanal alta. Já foram reportados 57.017 casos no ano, sendo 16.260 com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 19.424 negativos, e pelo menos 16.839 aguardam resultado. Considerando os atrasos no repasse da informações, o número total pode variar para 74 mil, em média. Dos registros positivos, 82,7% foram causados pelo Covic-19. O aumento dos acometimentos graves reforça a tese das subnotificações.

Unificação das redes pública e privada

Sem medidas de emergência de contenção do vírus, como o lockdown e a testagem em massa,o efeito de esgotamento em cascata que derrubou o SUS em alguns estados pode paralisar o país em questão de dias. A ocupação de leitos já chega a mais de  90% em pelo menos quatro estados – Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Roraima – e oito capitais, segundo a Folha de S. Paulo. A interiorização da pandemia só agrava o quadro, em função da situação de abandono da rede hospitalar em milhares de municípios, asfixiada pelos cortes brutais no financiamento da saúde levados a cabo pelos governos Temer e Bolsonaro.

Organizações da sociedade civil têm pressionado o Ministério da Saúde para que sejam adotadas medidas de unificação das redes pública e privada a fim de aliviar a sobrecarga do SUS e atender a demanda dos pacientes que aguardam leitos. A iniciativa tem o apoio da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa e Serviço Social (Abepss), Associação Paulista de Saúde Pública (APSS), Faculdades de Medicina e Saúde Pública da USP, e movimentos como o Vidas e Iguais e Leitos para todos.Michael Dantas/AFP

Cemitério de Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, onde os enterros estão ocorrendo em valas comuns, por causa do aumento dos óbitos na capital amazonense por Covid-19.

Uma das propostas, que ganhou o apoio público de figuras públicas como o compositor Chico Buarque, e o neurocientista Miguel Nicolelis, entre várias outras, é a utilização da fila única. Pela proposta, a gestão dos leitos privados é transferida ao SUS enquanto durar a pandemia do coronavírus. Mas o tutelado Teich mostra-se refratário à medida.

Respaldo jurídico

Pesquisadores afirmam que mudança temporária no modelo de gestão encontra respaldo jurídico, já que a rede privada tem capacidade para oferecer 55% dos leitos disponíveis a 25% da população, enquanto o SUS responde sozinho pelos leitos disponíveis a 75% dos brasileiros. “A regulação unificada de leitos públicos e privados pelo Poder Público é uma medida necessária e viável juridicamente”, defendem a doutora em Saúde Pública pela Unicamp, Lenir Santos, e o professor da Fiocruz, Francisco Campos Braga Neto, em artigo conjunto pra a Agência Fiocruz de Notícias.

“Salvar vidas é o objetivo do Estado e para isso ele deve lançar mão de todos os instrumentos jurídicos existentes, como é o caso da requisição de bens e serviços de pessoas físicas e jurídicas, conforme preveem a Lei n. 8.080, de 1990 e a Constituição”, justificam os dois.

Santos, que integra o Conselho Nacional de Saúde (CNS), e Neto, que coordena o Observatório de Política e Gestão Hospitalar da Fiocruz lembram que a estratégia foi adotada em países da Europa e foi recomendada pelo próprio CNS.

“Sem leitos disponíveis no setor público e os havendo no setor privado, a situação de emergência sanitária requer atuação da autoridade pública para salvar vidas, coordenando todos os leitos disponíveis, de modo igualitário, em respeito à dignidade da pessoa humana e como medida de solidariedade, conforme determina a Constituição”, observam.  

PT, com informações de Fiocruz e Agência Fiocruz de Notícias

Senador Weverton destina R$ 2,9 milhões em emendas para a saúde do Maranhão

08-05-2020 Sexta-feira

O senador Weverton (PDT-MA) destinou R$ 2,9 milhões em emendas parlamentares para a saúde do Maranhão este ano. Os recursos irão beneficiar a capital do estado, São Luís, e mais oito municípios. A ideia é que os valores sejam utilizados para reforçar as ações de prevenção e combate ao coronavírus, além da manutenção dos centros de saúde, reformas e custeio dos serviços oferecidos.

“Precisamos reforçar o atendimento das nossas unidades de saúde para que a população, principalmente a de baixa renda, possa ser assistida e acompanhada durante esse período crítico que nós estamos enfrentando”, afirmou o parlamentar.

As emendas apresentadas por Weverton já estão disponíveis para as cidades. São Luís recebeu R$1 milhão e os outros municípios foram beneficiados com R$ 1,9 milhão.
“São recursos que irão beneficiar diretamente os moradores da região, que terão um atendimento com mais qualidade”, ressaltou.

Para Weverton, o destino de emendas parlamentares para a saúde é fundamental neste momento de crise que o país enfrenta.

“Sabemos das dificuldades enfrentadas pelas prefeituras que, com poucos recursos, prestam o melhor atendimento possível. Por isso, destinei as emendas para esses municípios. A saúde precisa de recursos para enfrentar essa pandemia e ter estrutura para atender as pessoas”, finalizou.

Mais 44 novos respiradores chegam ao Maranhão para salvar vidas

8-05-2020 Sexta-feira

Uma nova carga de respiradores chegou ao Maranhão nesta quinta-feira (7) para equipar UTIs em diversos hospitais do Estado. São 44 aparelhos, essenciais para salvar dias de pacientes com coronavírus. 

O lote foi desembarcado no aeroporto de São Luís no fim da tarde. “Mais 44 respiradores chegando para salvar vidas no Maranhão. Esses são fruto de ação judicial contra requisição feita pelo governo federal. O Supremo Tribunal Federal nos deu razão e mandou entregar ao nosso Estado”, disse o governador Flávio Dino. 

No mês passado, o STF determinou a entrega de 68 respiradores comprados pelo Governo do Maranhão da Intermed Equipamento Médico Hospitalar Ltda. 

Os respiradores já deveriam ter sido entregues, mas foram requisitados à empresa pelo Ministério da Saúde. O Maranhão, então, recorreu à Justiça e teve vitória. 

Dos 68 equipamentos, 24 já tinham chegado na semana passada. E agora veio o restante. 

Além destes, o Maranhão comprou outros 187 respiradores no exterior, em parceria com empresas que atuam no Estado. 

São, portanto, 255 respiradores que chegaram ao Maranhão desde o mês passado.