Arquivo mensal: maio 2020

No Dia do Agente de Limpeza Urbana, Prefeitura de São Luís homenageia e destaca o trabalho essencial da categoria

16-05-2020 Sábado

Neste momento de pandemia decorrente do novo coronavírus, são os agentes de limpeza urbana parte dos heróis que travam, diariamente, uma batalha contra a Covid-19, trabalhando incansavelmente para o restabelecimento da normalidade, a partir de cada ação de limpeza intensificada em vários espaços públicos. Neste Dia do Agente de Limpeza Urbana, celebrado em 16 de maio, a Prefeitura de São Luís homenageia os profissionais da área, essenciais para a manutenção da conservação e limpeza da capital maranhense para garantir o bem-estar de cada ludovicense. Atualmente, o município dispõe de um efetivo  cerca de mil agentes, divididos entre coletores, varredores e ajudantes.

“Hoje, em especial,  queremos dizer muito obrigado a todos os agentes de limpeza. São eles que, todos os dias, contribuem recolhendo resíduos de porta em porta, realizando a varrição de todos os espaços públicos e fazendo a cidade amanhecer sempre limpa e cada vez melhor”, expressou o prefeito Edivaldo Holanda Junior, que não deixou de observar a essencialidade dos agentes neste momento de combate à pandemia. “Não posso deixar de reconhecer o grande empenho  e contribuição dos nossos agentes de limpeza no enfrentamento à Covid-19″ completou o gestor. 

Diariamente, cerca de mil agentes de limpeza da Prefeitura de São Luís distribuem-se entre os bairros da capital para proporcionar mais qualidade de vida à população. Esse batalhão, como destaca a presidente do Comitê Gestor de Limpeza, Carolina Estrela, garante que os resíduos gerados pelos cidadãos da cidade de São Luís tenham o tratamento e a destinação correta, atividade que faz do município um dos mais sustentáveis da região Nordeste, de acordo com o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU), em edição de 2019. É também resultado desse trabalho realizado com tanto rigor pelos agentes de limpeza a melhoria da qualidade de vida e saúde da população e preservação do meio ambiente.

Um dos agentes que vem atuando nessa frente de trabalho é José Raimundo Cordeiro, de 30 anos. Diariamente, ele trabalha por oito horas na coleta domiciliar, contribuindo para a conservação de vias residenciais e saúde dos moradores. “Para mim, é um privilégio trabalhar na limpeza da cidade, porque me vejo contribuindo para a saúde dos cidadãos”, destacou. Morador do Parque Timbira, o coletor, que é pai de uma menina de dois anos, também falou sobre o esforço neste momento de pandemia e aproveitou para pedir o apoio da população. “Mesmo com o vírus, eu e meus colegas continuamos trabalhando e com ainda mais garra, mas é sempre bom poder contar com o apoio da população. Para que a gente continue trabalhando, precisamos de saúde que, agora, depende de como cada morador descarta sua máscara de proteção, por isso peço mais valorização”.

PROTEÇÃO

Por ser a limpeza urbana serviço essencial que segue sendo prestado diariamente, além do equipamento de proteção individual diário, os agentes de limpeza recebem da Prefeitura álcool em gel a 70% e os caminhões de coleta passaram a contar com água, sabão e papel toalha para que eles possam manter a higiene das mãos, entre outras medidas de prevenção. Para quem trabalha na capina e roçagem foi montada uma estrutura com um carrinho onde são transportados água e sabão, além de álcool em gel a 70%.

Os veículos onde os profissionais da limpeza são transportados estão sendo higienizados a cada troca de turno, cerca de três vezes por dia. O mesmo está sendo feito com os caminhões da coleta, máquinas de remoção mecanizada, caçambas e outros maquinários e equipamentos usados diariamente para a execução dos serviços. Além disso, os agentes são orientados a evitarem o contato próximo com outras pessoas durante o expediente.

A população também pode e deve ajudar a proteger a saúde dos agentes garantindo que os resíduos domésticos sejam acondicionados da forma correta. No caso dos resíduos gerados por pacientes em isolamento domiciliar ou por quem lhe presta assistência, em caso suspeito ou confirmado de infecção pelo novo coronavírus, os resíduos devem ser separados, colocados em sacos de lixo resistentes e descartáveis, fechados com lacre ou nó e não ocupar mais que 2/3 de sua capacidade.

Após isto, o primeiro saco deve ser colocado em um segundo saco limpo, resistente e descartável, de modo que os resíduos fiquem acondicionados em sacos duplos, de modo a não causar contaminação ou consequências ao agente de limpeza urbana e para o meio ambiente. Somente após estes procedimentos o resíduos podem ser encaminhados para a coleta.

Aos agentes de limpeza urbana, o município agradece por cada hora do dia dedicada à conservação de praças, parques, ruas e avenidas e, sobretudo, neste período, às ações de higienização dos espaços por onde parte da população continua circulando, a maioria por necessidade. Mesmo neste momento de isolamento social, os agentes da limpeza seguem com a missão, ainda mais fortalecida, de garantir o bem-estar e proteger do vírus aqueles que não puderam parar durante a pandemia e precisam sair de casa. 

Adiar o Enem para defender o sonho dos estudantes

16-05-2020 Sábado

A manutenção da data do Exame Nacional do Ensino (ENEM) é mais uma demonstração da falta de responsabilidade do governo Bolsonaro.

Por Rozana Barroso

O país foi atingido em cheio pela Covid-19, as aulas estão suspensas, assim como muitos outros serviços. A vida das pessoas mudou e o governo continua fazendo de conta que nada está acontecendo. São mais de 10 mil mortes, mas e daí?, afirma o presidente.

Daí que a juventude é atingida em cheio pelo descaso e por essa política genocida. Em São Paulo, as mortes pelo Covid-19 aumentaram dez vezes entre crianças e adolescentes desde o inicio de abril, e seis vezes entre pessoas de outras faixas etárias. Isso, porque a doença se espalha para a periferia onde condições de saúde e saneamento são ainda mais precárias. Lavar as mãos e manter distância mínima entre pessoas é a melhor forma de se prevenir. Mas como fazer isso em locais onde a água não chega, o esgoto não é tratado e famílias inteiras convivem em um ou dois cômodos.  

Segundo o Perfil dos Municípios Brasileiros (IBGE, 2018), são quase 35 milhões de brasileiros sem o acesso à água potável. Uma, em cada sete mulheres brasileiras, não tem acesso à agua, assim como 14,3% das crianças e dos adolescentes. E 7,5% das crianças e dos adolescentes têm água em casa, mas não é filtrada ou procedente de fonte segura. As disparidades regionais também se apresentam. Enquanto no Sudeste, 91,25% tem acesso à agua, no Norte esse percentual cai para 57,49%; e no Nordeste, são 73,25%.

Quando se fala de coleta de esgoto. São quase 100 milhões de brasileiros sem acesso. Cerca de 13 milhões de crianças e adolescentes não têm acesso ao saneamento básico. E 3,1% das crianças e dos adolescentes não têm sanitário em casa. Essa é a realidade de milhões de brasileiros que o governo não enxerga.

Além disso, há no Brasil um número alarmante de desempregados e submetidos ao subemprego; a maioria dos estudantes secundaristas não tem a mesa, o celular nem o computador presente no comercial inadmissível do Ministério da Educação.

O que dizer da manutenção do Enem, com milhares de estudantes sem aula e sem condições de estudar? Esses estudantes que não tem acesso à agua teriam computador e internet para o ensino a distância? Não tem. Sua realidade é muito diferente da propaganda governamental.

Pesquisa realizada pela Casa Fluminense, organização que estuda a vida urbana nas periferias, 2,3 milhões de estudantes, quase metade dos inscritos no Enem não tem computador em casa. Esses estudantes, em geral, precisam compartilhar seus quartos, sem ter o ambiente silencioso e dividem seus horários com atividades profissionais, cuidados com a família, filhos e outras atividades necessárias para a sobrevivência.

Fazer o Enem é das poucas esperanças para uma imensa maioria de estudantes melhorar sua vida. Digo por experiência própria. Comecei a trabalhar aos 14 anos como camelô e quero ser a primeira da minha família a cursar o ensino superior. Meus pais não tiveram essa oportunidade. Hoje, são estudantes secundaristas do ensino de jovens e adultos. Como eu, milhares de estudantes depositam no Enem o sonho do acesso à universidade. Por isso, queremos que o Enem seja adiado, para garantir condições mínimas de estudo para todos. As condições de participação dos estudantes das escolas públicas e mais pobres são mais difíceis mesmo em condições normais. A pandemia amplia essas desigualdades sociais.

Por isso, a UBES convoca, para 15 de Maio, o Dia Nacional pelo Adiamento do ENEM e pelo boicote ao Ensino a Distância, com a campanha #AdiaEnem. Não podendo estar nas ruas estaremos nas redes, mobilizados para garantir um direito que é nosso, fundamental para construir nossos sonhos.

Vamos aproveitar para lembrar neste 15 de maio, um ano do Tsunami da Educação, momento histórico para o movimento estudantil que derrotou os cortes e o início do pesadelo dos inimigos da educação.

Nosso movimento é justo e tem o apoio de amplos setores da sociedade. Por isso, mais uma vez seremos vitoriosos.

Estudantes vão às redes pelo #AdiaEnem

Portal Vermelho

Governo do Maranhão fará entrega do Hospital de Campanha de São Luís nesta segunda (18)

16-05-2020 Sábado

Nesta segunda-feira (18), às 9h, o Governo do Maranhão entrega o primeiro Hospital de Campanha de São Luís com 200 leitos. Localizada no pavilhão de eventos do Multicenter Negócios e Eventos, de propriedade do Sebrae-MA, a estrutura conta com 190 leitos clínicos e 10 de UTI.

O espaço para a montagem do hospital foi requerido por meio de decreto governamental e a montagem da estrutura é resultado de uma parceria entre a Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), Vale, Secretaria de Estado da Saúde (SES) e Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH), que será a administradora da unidade.

SERVIÇO:

O QUÊ: Entrega de 200 leitos no Hospital de Campanha
QUANDO: Segunda-feira (18), às 9h
ONDE: Multicenter Sebrae, Av. Jerônimo de Albuquerque, s/n – Alto do Calhau

Márcio Jerry: “Bolsonaro ataca governadores, mas não combate pandemia”

15-05-2020 Sexta-feira

Vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry afirmou, nesta quinta-feira (14), que Jair Bolsonaro (sem partido) ‘não joga duro com a pandemia porque gasta tempo atacando governadores’ brasileiros.

Em reunião com um grupo de empresários na tarde de ontem, o presidente brasileiro conclamou participantes a pressionarem governadores pela reabertura do comércio no país. Bolsonaro afirmou que o embate em torno da reabertura do comércio havia se tornado uma “guerra” e que o setor empresarial precisava “jogar pesado” com os chefes de governo nos estados.

“Bolsonaro não joga duro contra o coronavírus porque precisa gastar o tempo para jogar duro atacando governadores. A confissão do presidente de mandar jogar duro com governadores é mais um flagrante de abuso dele, cada vez mais indigno da Presidência”, disse Jerry, em tom de indignação.

200 mil infectados

Nesta quinta, o Brasil passou a marca dos 200 mil infectados pelo novo coronavírus, com o recorde de 13.944 novos registros entre ontem e hoje. O número de óbitos subiu de 13.149 para 13.993, um aumento de 844 registros nas últimas 24 horas. Os números seguem aumentando enquanto Bolsonaro defende o fim das medidas de isolamento, mesmo com o colapso da estrutura de saúde na maior parte dos estados brasileiros.

Portal Vermelho

Weverton: “veto de Bolsonaro à ampliação do auxílio emergencial a outras categorias profissionais é inaceitável”

15-05-2020 Sexta-feira

O senador Weverton (PDT-MA) criticou a decisão do presidente Jair Bolsonaro de vetar a ampliação do benefício para profissionais como motorista de aplicativos, vendedores de porta a porta, pipoqueiros, pescadores artesanais e ambulantes de praia. Com a decisão, esses trabalhadores não terão direito a receber o auxílio emergencial de R$ 600 aprovado pelo Congresso Nacional.

“É um absurdo a falta de sensibilidade desse governo. São pessoas que estão sem ter como trabalhar e se alimentar nessa crise. São vidas! É inaceitável! Vamos trabalhar no Congresso para derrubar esses vetos e fazer justiça com essas famílias”, afirmou o parlamentar.

O PL 873/2020, do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), altera a Lei 13.892, promulgada no início de abril, que instituiu pagamento para trabalhadores informais e desempregados durante o período da pandemia. o projeto foi aprovado pelo Senado no dia 22 de abril.

“É preciso que o estado brasileiro tenha um olhar para quem mais precisa. Essas categorias que o Congresso incluiu para receber o auxílio são muito importantes. São pessoas que estão passando necessidade e que precisam desse recurso”, ressaltou.

O governo também vetou a possibilidade de homens solteiros chefes de família de receberem em dobro o benefício emergencial. Pelas regras vigentes, apenas mães chefes de família têm a prerrogativa para os R$ 1.200 do auxílio emergencial.

A lei entra em vigor com a sanção, e os vetos terão de ser analisados pelo Congresso. Os parlamentares podem manter ou derrubar a decisão de Bolsonaro.

Pedido de cassação de Carla Zambelli feito pelo PSOL recebe novos fatos

15-05-2020 Sexta-feira

A revelação de novos trechos de conversas por WhatsApp entre a deputada federal Carla Zambelli e o ex-ministro Sérgio Moro fez com que a bancada do PSOL apresentasse um aditamento à representação protocolada na Câmara dos Deputados que pede a cassação da parlamentar.

De acordo com a imprensa, duas horas antes do então ministro da Justiça conceder uma coletiva anunciando seu desligamento do governo, no dia 24 de abril, Zambelli fez sua última tentativa para que Moro desistisse da demissão. As mensagens reveladas agora confirmam que a deputada bolsonarista se configura em mais uma peça na engrenagem que busca blindar o presidente da República e seus aliados das investigações da Polícia Federal.

“Fica ainda mais evidente, através dessas novas revelações, que Zambelli agiu ilegal e abusivamente e de modo incompatível ao decoro parlamentar, com gravíssimas violações à Constituição Federal e ao ordenamento jurídico”, destaca a bancada no aditamento à representação.

Protocolada no último dia 27 de abril, a representação aponta que Carla Zambelli, além de tentar evitar investigações contra o clã Bolsonaro na PF, tentou usar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) para o ex-ministro Sérgio Moro como moeda de troca para tentar evitar a saída do ex-juiz do governo.

PSOL

Vereador Ivaldo Rodrigues (PDT) solicita vacinação contra H1N1 para feirantes de São Luís

15-05-2020 Sexta-feira

Durante a audiência remota realizada na manhã desta quinta-feira (14), com o secretário Municipal de Saúde, Lula Fylho, o vereador Ivaldo Rodrigues (PDT), solicitou à Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), providências no sentido de determinar, em regime de urgência, a vacinação contra H1N1 para os permissionários e feirantes, da zona urbana e rural da Capital, que estão prestando relevantes serviços à população, durante a pandemia do novo Coronavírus.

O Vereador Ivaldo Rodrigues ressalta a grande importância da vacinação desses profissionais, que precisam estar nas ruas exercendo atividades essenciais, colocando em risco suas próprias vidas e de seus familiares.

“Tendo em vista o surto do H1N1, é justa, portanto, a aplicação da vacina, como medida preventiva e de proteção para esses profissionais, que merecem nossa atenção, reconhecimento e respeito”, ressalta Ivaldo Rodrigues.

Dino sobre demissão de Teich: “confusão criada por Bolsonaro é única”

15-05-2020 Sexta-feira

O governador do Maranhão, Flávio Dino, reagiu na manhã desta sexta-feira (15) a demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, que permaneceu menos de um mês à frente da pasta.

“A confusão que Bolsonaro cria é única no planeta. Espero que as instituições julguem o quanto antes a produção de tantos desastres, entre os quais a demissão de DOIS ministros da Saúde em meio a uma gigantesca crise sanitária. O Brasil merece uma gestão séria e competente”, escreveu o governador em uma rede social.

Em nota à imprensa, o ministério da Saúde informou que deve ser marcada uma entrevista coletiva com o ministro exonerado na tarde desta sexta-feira (15).

Polêmica

Nesta quinta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro havia voltado a pressionar o ministro da Saúde para que o ministério adote um novo protocolo para o uso da cloroquina em pacientes em estágio inicial da covid-19. A decisão de Bolsonaro vai de encontro à recomendação da comunidade científica. Novos estudos têm mostrado que a cloroquina não é efetiva e que, inclusive, pode gerar sérios efeitos colaterais em pessoas contaminadas pelo novo coronavírus.

Atualmente, o ministério da Saúde tem um protocolo para uso da cloroquina e da hidróxicloroquina em casos graves da covid-19.

Recentemente, usando o Twitter, Teich, que é médico, alertou sobre os efeitos colaterais da substância e afirmou que a prescrição deve ser feita por profissionais de saúde. Ele disse ainda que “O paciente deve entender os riscos e assinar o ‘Termo de Consentimento’ antes de iniciar o uso da cloroquina.”

O Conselho Federal de Medicina (CFM) indicou o uso do medicamento em diversas situações no último dia 23 de abril. A decisão do Conselho, porém, tem sido questionada pela própria classe médica na medida em que a indicação veio junto com a mensagem de que não existe comprovação científica sobre a eficácia e a segurança da substância.

Portal PCdoB

Governador Flávio Dino sanciona lei que reduz valor de mensalidades do ensino privado em até 30%

15-05-2020 Sexta-feira

O Governador Flávio Dino sancionou, na tarde desta quinta-feira (14), lei estadual que prevê desconto nas mensalidades relativas ao ensino privado no Maranhão. Os percentuais variam de 10 a 30%.


O projeto foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Maranhão e autoriza que o desconto seja feito durante o período de suspensão das aulas presenciais, em decorrência da pandemia mundial do coronavírus (Covid-19).


A lei vale para escolas privadas de ensino fundamental e médio, nível técnico, faculdades, cursos de pós-graduação e cursinhos preparatórios.
Para instituições de ensino com até 200 alunos matriculados, o desconto será de 10%; entre 200 e 400 estudantes, de 20%; e acima de 400 alunos, de 30%, assim como as pós-graduações, independente do quantitativo de pessoas matriculadas.

Pandemia avança nas periferias brasileiras e pode ser um massacre para pobres

15-05-2020 Sexta-feira

Ministério da Saúde reconheceu nesta quinta-feira (14) que os casos de Covid-19 seguirão crescendo e que não há perspectiva no momento de estabilização ou redução do avanço da doença. A pandemia do coronavírus no Brasil agora vai chegando à fase da pauperização. Além da interiorização para as cidades de menor porte, a doença arrasa as periferias das metrópoles brasileiras, onde crescem não apenas os casos, mas as mortes decorrentes do Covid-19.

Em São Paulo, os 20 distritos mais pobres registraram aumento médio de 170% das mortes em rês semanas e acumularam 1.279 dos 4.874 óbitos ocorridos em toda a cidade até o último sábado (8). Apenas Marsilac, no extremo sul da cidade, não teve crescimento superior a 100% nos registros.

Esses bairros também são os que possuem menos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com um máximo de oito para cada 100 mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 30 para cada 100 mil. Na capital paulista, 60% dos leitos de UTI estão concentrados em três distritos: Sé, Vila Mariana e Pinheiros, os dois últimos, de classes média e alta.

“Semanalmente o número de mortos, tanto confirmados quanto suspeitos, vocês veem que começa na zona central da cidade, mas vai aumentando muito na periferia, Brasilândia, Grajaú, Sapopemba, Cidade Tiradentes, mostrando o quanto isso está se disseminando na periferia e isso se concentra nas áreas que temos favela na cidade de São Paulo”, disse o prefeito Bruno Covas em coletiva no começo do mês.

O sanitarista Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde no governo Dilma, está preocupado: “É a efetiva ‘periferização’ das mortes de Covid-19, revelando toda vulnerabilidade da nossa população e a gravidade do quadro”

Vulnerabilidade dos pobres agrava situaçào

Em entrevista à Rede Brasil Atual, o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro manifestou preocupação com a situação. “É a efetiva ‘periferização’ das mortes de Covid-19, revelando toda vulnerabilidade da nossa população e a gravidade do quadro”, lamentou Chioro, médico sanitarista que comandou a pasta da Saúde entre 2014 e 2015, no governo Dilma.

Segundo o ex-ministro, os moradores de periferias são pessoas que vivem com piores condições sanitárias e têm estrutura habitacional muito mais frágil para poder fazer o isolamento preventivo ou quando houver casos na própria família. “Não têm condições, às vezes, de acesso a produtos de higiene, material de limpeza de roupas, poder separar talheres, roupas de cama. Às vezes dormem na mesma cama e, portanto, potencializa o processo de disseminação da doença”, detalha Chioro.

Para o médico infectologista e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo Gerson Salvador, o crescimento do número de mortes em bairros de periferia evidencia a desigualdade não apenas social, mas também na assistência à saúde.

“A gente está vendo o número de mortos crescendo desproporcionalmente nos bairros mais pobres. Isso reflete uma iniquidade de acesso à saúde”, critica Salvador, lembrando que as regiões periféricas têm um contingente de pessoas que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A gente sabe que outras doenças de transmissão respiratória, por exemplo a tuberculose, acometem de maneira desproporcional as pessoas que vivem na rua, em cortiços e em favelas”, observa. “O risco de transmissão da Covid-19 em pessoas que vivem nessas condições vai ser maior. A falta de assistência e as condições de vida acabam resultando num número desproporcional de mortes na população mais pobre”, aponta o médico.Társio Alves

Na periferia do Recife, quadro precário das residências nas comunidades mais vulneráveis agravam os riscos de infecção pelo coronavírus

Coronavírus se espalha pelas capitais

O quadro visto em São Paulo não é diferente do de outras capitais brasileiras. Em Recife, os bairros da Cohab e Ibura são vizinhos e estão entre os cinco da capital pernambucana com mais números de casos confirmados de Covid-19. O boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde divulgado na terça aponta um dado mais preocupante: quando se fala em número de mortes, a Cohab só está abaixo de Boa Viagem. São 17 óbitos confirmados contra 24 em Boa Viagem. No Ibura, são nove mortes registradas.

Lídia Lins, do Coletivo Ibura mais Cultura, que tem feito ações solidárias na localidade, diz que vê muita gente nas ruas, aglomeradas. Para ela, além da falta de fiscalização e de campanhas educativas, no bairro vivem muitas pessoas que perderam a pouca renda que tinham.

“Muitas pessoas se encaixam no perfil socioeconômico do auxílio emergencial do governo federal, mas não conseguem acessar o benefício. Tem muita gente sem celular e por isso não consegue iniciar o processo também. Além disso, tem celular que nem comporta o aplicativo da Caixa Econômica”, completa. O resultado são ambulantes nas ruas, vendendo seus produtos para sobreviver enquanto aguardam o auxílio.

No Pará, que na quarta (13) registrou 10.344 casos confirmados de Covid-19, com 1.022 mortos, a rede hospitalar sobrecarregada da capital, Belém, já não dá conta do atendimento. Faltam leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para casos graves nos hospitais das redes pública e privada. O atendimento no Instituto Médico Legal e o serviço funerário estão em colapso. A prefeitura abre covas para sepultamentos coletivos no cemitério municipal do Tapanã, na periferia da cidade.

Em Alagoas, com 2.761 casos confirmados e 164 mortes até quarta (13), os três bairros de Maceió com maior número de mortes são da periferia. A informação consta em uma plataforma online do governo do estado. Quando observados os bairros com maior número de casos confirmados, vão para o topo da lista dois bairros nobres da capital: Jatiúca e Ponta Verde. Os bairros mais pobres, e com mais mortos, aparecem mais abaixo na lista de casos, revelando que na periferia está a maior taxa de mortalidade.

No Rio Grande do Sul, o coronavírus aos poucos chega à periferia de Porto Alegre. O avanço é ilustrado pela mudança no perfil da procura por hospitais que atendem a pacientes graves internados em UTIs para adultos.

Se antes a maioria era atendida no Hospital Moinhos de Vento e no Mãe de Deus, cujo tratamento ocorre apenas por convênio ou particular, na segunda (11), quatro a cada dez casos graves em UTIs estavam no Hospital Conceição, que atende sobretudo moradores da zona norte da Capital e da Região Metropolitana, pelo SUS. A seguir, está o Hospital de Clínicas, cuja maioria dos pacientes também recebe atendimento gratuito.

Cenário de risco acende alerta

O cenário acendeu o alerta para o risco do avanço do coronavírus em regiões mais vulneráveis, onde as chances de infecção são maiores por uma série de fatores – incluindo necessidade de trabalhar diariamente e consequente exposição a riscos, menor espaço na residência para isolamento, acesso mais restrito a água encanada para lavar as mãos e falta de dinheiro para comprar álcool em gel ou mesmo sabonete.

Os casos na periferia são, em geral, de gente que trabalha como babá ou empregada doméstica para pessoas da classe média ou alta que viajaram ao exterior, resume Jean Andrade, presidente e fundador da ONG Alvo Cultural. “A periferia ainda não sentiu os efeitos mais graves, mas o coronavírus já está chegando e as pessoas têm que se preocupar. A população idosa segue aquilo que o presidente manda e não usa máscara nem álcool gel. Quem tem mais cuidado são os jovens e os adultos”, descreve o ativista.

A prefeitura de Porto Alegre confirma a chegada do coronavírus à periferia e afirma que o cenário é consequência natural da transmissão comunitária. Mas a Secretaria Municipal da Saúde não divulga os bairros com maior incidência – a justificativa é evitar falsa sensação de segurança em regiões com menos casos.

A entrada da Covid-19 na periferia de Porto Alegre ocorre de forma lenta e gradual graças ao distanciamento social, segundo o médico epidemiologista e secretário adjunto de Saúde, Natan Katz. “Se, em algum momento, identificarmos maior quantidade de casos em um lugar comparado a outro, pensaremos em medicina específica no local, com uma mudança de flexibilidade diferente do resto de Porto Alegre”, ressalva o médico.

Críticas à ‘imunidade de rebanho’

O médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Evaldo Stanislau Affonso de Araújo, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, critica autoridades que negligenciam as medidas de distanciamento social, se fundamentando na ideia de que é preciso deixar o vírus da covid-19 se disseminar para que supostamente as pessoas possam criar imunidade, a proposta batizada de “imunidade de rebanho”.

“Para a gente ter esse efeito protetivo de imunidade de rebanho, a gente teria que ter de 60% a 70% da população disposta. Só que para chegar nesse percentual, o custo em vidas e em saúde é inaceitável do ponto de vista ético”, contesta o médico.

“Esse não é um raciocínio normal. É muito mais próximo ao de um genocida, de uma pessoa desconectada da realidade, do que de um pensamento científico minimamente razoável. Porque está aí um pequeno percentual da população exposta – pelo que estudos demonstram em base populacional – e já há esse grande e inaceitável impacto na nossa saúde e na vida das pessoas”, conclui Araújo, em referência às mais de 13 mil mortes já registradas no país. 

PT