Arquivo mensal: maio 2020

“É grave”, diz Weverton sobre vídeo ministerial de Bolsonaro

25-05-2020 Segunda-feira

O senador Weverton (PDT) usou as redes sociais para comentar o vídeo da reunião ministerial de Bolsonaro. Para ele, não chega a ser surpreendente.

“Mas é grave ver ministros com tanto desprezo pela democracia e sem respeito a outros poderes e representantes de entes federativos. Revela muito sobre como o Brasil está sendo conduzido e como chegamos ao caos atual”, afirmou.

Para Weverton, o que é surpreendente nessa reunião, pelos trechos divulgados, é que em plena crise grave de saúde, ouve-se muito falar em política, mas não se vê uma mobilização sincera e preocupada em torno do tema que domina a vida de todos os brasileiros: combate ao coronavírus. “Zero empatia”, concluiu.

Marrapá Por Leandro Miranda

Vídeo comprova crime de Bolsonaro e revela um governo podre

24-05-2020 Domingo

O vídeo da reunião entre o presidente da República Jair Bolsonaro e seus ministros, ocorrida no Palácio do Planalto em 22 de abril, liberado por determinação do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela as entranhas e a essência desse governo. É uma prova robusta do que dissera o ex-ministro Sergio Moro sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal (PF) por interesses pessoais, para proteger seus filhos, amigos e deputados aliados.

A prova está no trecho em que Bolsonaro diz que não pode ser surpreendido com notícias, a seu ver, sem que tenha informado anteriormente pela PF. Se fosse preciso, afirmou, demitiria quem se interpusesse à sua intenção de promover mudança na instituição, ameaça cumprida, imediatamente a seguir, com as demissões do Diretor-Geral da Polícia Federal, do próprio Moro, e, pouco depois , com a troca de comando da Superintendência da PF do RJ. A constatação se soma às provas documentais reveladas pela troca de mensagens entre a Carla Zambelli (PSL-SP) e o ex-ministro Justiça.

Outro aspecto grave da reunião de 22 de abril é que, em mais de duas horas de conversa, não se falou em defesa da vida ou em medidas para enfrentar a pandemia do coronavírus. Mas falou-se em armar a população para enfrentar governadores e prefeitos que adotam o isolamento social, no caso de Bolsonaro – que usou xingamentos escatológicos contra os governadores de São Paulo, João Dória (PSDB), e do Rio de janeiro, Wilson Witzel (PSC), e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) –, e em prisão, no caso da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

Falou-se ainda, no caso do ministro da Educação Abraham Weintraub, em termos chulos, na prisão de ministros do STF, e, no caso do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em aproveitar a pandemia do coronavírus para de “passar reformas infralegais” com vistas a fragilizar a legislação ambiental.

A conclusão é de que esse governo não cumpre o seu dever institucional de defender o povo. Nem de representar a nação brasileira.

Outro fator relevante é que, pouco antes do anúncio de Celso de Mello de liberação do vídeo, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, emitiu nota sobre uma eventual apreensão do celular de Bolsonaro pedida por partidos políticos e encaminhada para apreciação do Ministério Público pelo ministro do STF em tom ameaçador. Heleno afirmou que o cumprimento do pedido poderia ter “consequências imprevisíveis”.

Para agravar ainda mais a situação de Bolsonaro, tem o depoimento empresário Paulo Marinho no Ministério Público Federal sobre suspeita de vazamento de informações da Operação Furna da Onça, que envolve um de seus filhos do presidente, quando no exercício do mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro

A resposta ao conjunto da obra bolsonarista foi pronta e contundente. Várias instituições e personalidades criticaram e repudiaram as ameaças e os xingamentos, com destaque para as bancadas dos partidos de oposição na Câmara dos Deputados (PT, PCdoB, PSOL, PSB, PDT e Rede). O governador Flávio Dino (PCdoB-MA) foi enfático: “Na forma e no conteúdo, a tal reunião ministerial revela um repertório inacreditável de crimes, quebras de decoro e infrações administrativas. Além de uma imensa desmoralização e perda de legitimidade desse tipo de gente no comando da nossa Nação.”

Mas a principal lição é de que Bolsonaro tem, sim, o propósito de romper com o regime democrático, atentando contra a Constituição e os demais Poderes da República.

A reação democrática ao impulso autoritário exibido mais uma vez nesta sexta-feira (22) pode ir além, com a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional para ouvir e investigar todos os envolvidos, e avançar no fortalecimento de uma frente salvação nacional, em defesa democracia e da vida.

PCdoB

Prefeitura de São Luís distribui máscaras reutilizáveis para pessoas em situação de vulnerabilidade social

24-05-2020 Domingo

A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas) entregou máscaras reutilizáveis de tecido para proteção contra o novo coronavírus. Receberam o acessório o público abrigado nas Unidades de Acolhimento da pasta. A entrega iniciou pelos abrigos para pessoa com deficiência e em situação de rua e se estenderá às demais unidades. Ao todo serão entregues 100 mil máscaras. A Semcas também montou e está entregando kits de higiene pessoal para os acolhidos a partir da doação de três mil itens do gênero, destinados pela Equatorial Maranhão, concessionária de energia elétrica no Maranhão. No pacote, também foi incluído um jogo de tabuleiro educativo que ensina sobre o novo coronavírus. As ações integram a política de assistência social da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior que foram reforçadas durante a pandemia da Covid-19. 

“As máscaras de proteção fazem parte de uma ação do prefeito Edivaldo para possibilitar a proteção de pessoas em situação de rua e em vulnerabilidade social. Começamos a entrega pelas unidades de acolhimento para que todos os acolhidos tenham máscaras novas, além das usuais que já receberam. Também fomos alvo de uma doação significativa da Equatorial Maranhão, que tornou possível a distribuição de kits de higiene pessoal compostos por sabonete, hidratante, perfume, absorvente, barbeador, escova e creme dental para a população que se encontra acolhida conosco”, destacou a titular da Semcas, Andréia Lauande, que garantiu a distribuição progressiva para os outros abrigos municipais e conveniados, além de estender a entrega, nos próximos dias, para a população de baixa renda.

Já os kits de higiene pessoal, doados pela Equatorial Maranhão, servirão de reforço para os trabalhos realizados pela Semcas, que tiveram de ser intensificados e ampliados por causa da pandemia do novo coronavírus. “Em tempos tão difíceis para todos, a Equatorial vem contribuir em apoio à Secretaria Municipal de Assistência Social com a doação de três mil itens de higiene pessoal às pessoas abrigadas por este órgão. Somos uma empresa com missões e valores voltados à prestação de um serviço com qualidade, foco em gente e em contribuir com o desenvolvimento do nosso estado. Juntos somos mais fortes”, destacou a consultora de Grandes Clientes da Equatorial Maranhão, Vanessa Soares.

BENEFICIADOS

Na sexta (22), a Semcas levou máscaras e kits de higiene pessoal aos acolhidos no Centro Combonianos, situado no bairro Olho d’Água. No local estão pessoas em situação de rua antes acolhidas em abrigo municipal na Vila Luizão e que, por terem diagnósticos de saúde mais delicados, identificados por uma triagem médica, foram isolados logo no início da pandemia de coronavírus na capital por se tratar de grupo de risco. Neste novo espaço, alugado pela Prefeitura de São Luís, os acolhidos contam com um ambiente ainda mais arejado, de quartos e banheiros individuais, essencial para a proteção contra a Covid-19.

Para uma das moradoras do Centro Combonianos, a acolhida e o tratamento oferecidos pela equipe da Semcas são motivos de felicidade em meio à pandemia de Covid-19. “Desde que cheguei no acolhimento, vejo que há uma preocupação de cada um que integra a coordenação dos abrigos. Não tenho palavras para agradecer o que o município tem feito por cada um de nós, que já enfrentamos outros problemas de saúde e ficamos ainda mais vulneráveis ao coronavírus”, destacou Alexia Marques, de 44 anos. Assim como ela, quem também expressa gratidão pela acolhida é o pernambucano Ubiratã José de Lima, de 65 anos. “O atendimento de cada um é muito bom, sou eternamente grato por tudo que fazem por mim”, ressalta.

Outra instituição de acolhimento que também foi beneficiada nesta primeira fase da distribuição de máscaras e kits de higiene realizada pela Prefeitura de São Luís foi a Residência Inclusiva, também no Olho d’Água, que abriga pessoas com deficiência física e mental, a exemplo da jovem Michele Costa, de 29 anos, que está na instituição há quase dois anos. “Estar na Residência Inclusiva foi a melhor coisa que me aconteceu. Aqui é o meu lar, onde eu vivo e convivo com semelhantes. Temos o melhor tratamento que poderíamos ter e sou muito feliz por a equipe se preocupar com a máscara que a gente tem de usar agora, neste momento de combate ao vírus”, frisou. Michele tem mobilidade reduzida e precisa de cadeira de rodas para se locomover.

PROTEÇÃO

A distribuição de máscaras segue recomendação do prefeito Edivaldo que determinou a contratação de microempresas – também a fim de estimular o empreendedorismo local neste momento de pandemia – para a fabricação do acessório de proteção, indispensável para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

De acordo com a Semcas, as máscaras também serão entregues às famílias de baixa renda de São Luís, em conjunto a outras iniciativas sociais, como entrega de alimentos, que vêm sendo realizadas na capital desde março. Por meio do Centro de Referência e Assistência Social (Cras) de cada área da cidade, a Prefeitura, com a iniciativa, visa promover mais proteção individual neste momento.

Presidente do CREF-21, Denise Araújo, faz live sobre “O Futuro do Profissional de Educação Física”

24-05-2020 Domingo

A presidente do CREF-21, Denise Araújo, realizou uma Live no instagtram oficial da entidade para falar sobre o Futuro do Profissional de Educação Física, com a participação do professor paranaense Rony Tschoeke, conselheiro do CREF-9.

Rony abordou os impactos da pandemia pelo novo coronavírus sobre o nosso cotidiano e sobre como podemos enfrentar a crise sanitária profissionalmente de modo a utilizarmos nosso talento para desenvolvermos as competências técnicas e comportamentais necessárias para avançarmos nesses tempos de tanta instabilidade. ‘

A presidente do Conselho Regional de Educação Física do Maranhão destacou a relevância das lives para aproximar os profissionais da categoria do CREF-21, usando a tecnologia para debater sobre os desafios pós-pandemia.

Denise ressaltou que a resiliência e o equilíbrio emocional têm que ser aprimorados para manter a nossa “saúde digital”e para que possamos selecionar e produzir conteúdos que possam inovar e atender aos nossos seguidores nas redes que precisam manter uma rotina de exercícios durante a quarentena.

Para finalizar, Denise Araújo, convidou todos para continuarem acompanhando a série de lives que o CREF-21 vem realizando semanalmente para discutir as pautas de interesse dos profissionais de Educação Física e da sociedade.

35 organizações evangélicas pedem cassação da chapa Bolsonaro-Mourão

24-05-2020 Domingo

Manifesto evidencia o crescimento da oposição de evangélicos a Bolsonaro

Por Magali Cunha

Os impactos e desdobramentos da crise de saúde pública com a pandemia da Covid-19 têm se tornado ainda mais críticos com as sucessivas tensões políticas geradas pelo próprio governo brasileiro. Esta realidade tem movido grupos de evangélicos a posturas mais contundentes, uma vez que esta situação tem resultado em graves consequências, principalmente a perda de milhares de vidas, especialmente da população mais empobrecida.

Neste espírito, 35 organizações e movimentos evangélicos e centenas de pessoas vinculadas a igrejas deste segmento cristão assinam o manifesto “O governante sem discernimento aumenta as opressões – Um clamor de fé pelo Brasil”.

De solidariedade com famílias dos mais de 16 mil mortos por coronavírus e com os profissionais de saúde ao reconhecimento a universidades e a centros de pesquisa, os manifestantes evangélicos e evangélicas repudiam e se indignam com o comportamento antiético do presidente da República que “dá provas que não está à altura do cargo que ocupa”. A gestão é classificada no documento como inadequada que atenta contra a vida humana.

Os evangélicos e evangélicas que assinam o manifesto cobram respostas mais eficientes dos governos e reafirmam que igrejas devem ser responsáveis e não promoverem cultos públicos presenciais, abrindo seus espaços para ações de solidariedade. O texto conclama que as orientações e recomendações das instituições de saúde e científicas sejam seguidas e que o poder público atue de forma coordenada para promover uma economia justa, voltada para o benefício das pessoas, em especial, as mais empobrecidas.

Com base nestas afirmações o manifesto conclui com proposta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que assuma seu papel constitucional e proceda à cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, marcada pela disseminação de mentiras que embasaram a campanha eleitoral em 2018. A justificativa para o pedido é que “a preservação de vidas e da democracia exigem ação imediata”.

Segue a íntegra do documento:

O governante sem discernimento aumenta as opressões – Um clamor de fé pelo Brasil

Nós, de diversas Igrejas, organizações e movimentos de evangélicas e evangélicos pela democracia, manifestamos publicamente:

Nosso luto e profunda solidariedade para com as famílias dos mais de 16 mil mortos que o Brasil identificou até recentemente em meio a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). É momento de “chorar com os que choram” (Rm 12:14-15).

Nosso compromisso cotidiano em ações solidárias de apoio ao atendimento de necessidades específicas de pessoas e famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade nesse contexto de grave crise. “A fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tg 2:17).

Nossa gratidão e solidariedade para com os profissionais de saúde que têm experimentado grande desgaste físico e emocional por estarem trabalhando no enfrentamento direto dessa situação. Nossa oração é para que Deus os guarde e que eles “mantenham a esperança”.

Nosso reconhecimento e apoio a Universidades e Centros de Pesquisa, bem como seus pesquisadores e cientistas que têm se dedicado na busca das melhores respostas e análises para juntos superarmos esta realidade. O momento exige que as tomadas de decisão sejam fundamentadas “no conhecimento que vem do bom senso” (Pv 1:4).

Nosso repúdio e indignação à forma antiética com que o presidente da República tem se comportado nesta grave situação do País, sem assumir a conduta exigida para uma pessoa que ocupa a liderança institucional executiva da nação. Ele tem dado provas de que não está à altura do cargo de Presidente da República. A gestão inadequada durante a pandemia atenta contra a vida humana ao invés de “praticar a justiça e compaixão pelos pobres” (Dn 4:27).

Diante disto, consideramos ser fundamental:

  • Que as respostas dos governos sejam mais eficientes em relação ao devido atendimento às necessidades das pessoas. É essencial que prefeituras e governos estaduais atuem para garantir o cumprimento do isolamento social recomendado, e que o governo federal opere de forma coordenada e adequada na execução de seus compromissos e responsabilidades.
  • Que igrejas e comunidades religiosas, compreendendo a gravidade e urgência do tempo presente, não promovam cultos públicos presenciais e considerem seriamente o uso de suas estruturas e pessoal para o desenvolvimento de ações que contribuam para o apoio a população e para o enfrentamento da pandemia. O momento exige responsabilidade e coragem a fim de preservar vidas.
  • Que sigamos as recomendações e orientações de instituições de saúde e científicas. Reconhecemos a ciência como dom de Deus para cuidar da vida humana e toda a sua criação. A fé e a ciência são aliadas, caminham juntas e exaltam o poder divino.
  • Que o poder público – executivo, legislativo e judiciário – atue de forma coordenada para promover uma economia justa e voltada para o benefício das pessoas, a partir dos mais empobrecidos. Não há nenhuma razoabilidade em se opor a crise na saúde à crise econômica. É falsa tal divisão. O momento é de grave crise na saúde pública e todos os esforços devem convergir para maior preservação possível de vidas. Não se pode minimizar uma situação de pandemia em favor de lucros. O foco precisa ser solidariedade e proteção social em prol da preservação da vida humana.

E propomos a seguinte ação:

  • Que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assuma seu papel constitucional e proceda o imediato julgamento das Ações de Investigação Judicial no (TSE) e que pedem a cassação da chapa de Jair Bolsonaro e de Antônio Mourão em razão da disseminação de mentiras durante a campanha eleitoral; prática que tem se mantido durante o governo, sendo agora alimentada por dinheiro público, como tem sido demonstrado e noticiado. A preservação de vidas e da democracia exigem ação imediata. Não há motivos que justifiquem ainda mais a prorrogação desse julgamento. Para que a justiça seja feita, sob a égide do Estado de Direito e para o bem-estar social e da democracia.

Convidamos irmãs e irmãos a se juntar nesse clamor de fé e ação pelo Brasil.

Junte-se a nós e assine carta que será enviada ao TSE. Acesse o link: https://bit.ly/ClamorBrasil

Aliança de Batistas do Brasil – Associação Projeto Videiras – AMSK Brasil – Coletivo Abrigo – Coletivo Cristãos Pela Justiça – Coletivo Memória e Utopia- Comunidade Cristã da Lapa – Comunidade Cristã na Zona Leste – Congrega – Comunidade Presbiteriana Videiras – Cristãos Contra o Fascismo – Direitos Humanos nos Passos de Jesus – Evangélicas pela Igualdade de Gênero – Evangélicos Trabalhistas – Evangélicos pela Justiça – Evangélicxs pela Diversidade – Fé e Afeto Cristão – Fórum Evangelho e Justiça – Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito – Grupo Fé & Política: Reflexões – Igreja Batista de Direitos Humanos – Igreja Batista Nazareth – Instituto Guarani de Responsabilidade Socioambiental – Igrejas Libertárias! – Miquéias Brasil – Missão Aliança – Movimento Evangélico Progressista – Movimento Negro Evangélico do Brasil – Nossa Igreja Brasileira – Núcleo de Evangélicas e Evangélicos do PT – Núcleo Evangélico 23 – Paz e Esperança Brasil – Primavera Ecumênica – PSOL/PR – Plataforma Intersecções – Rede Fale – Redenção Baixada – Vozes Maria

PCdoB Publicado originalmente na CartaCapital

Drauzio Varella: “Bolsonaro tornará Brasil líder em mortes por Covid-19”

24-05-2020 Domingo

Inexplicavelmente, o governo se exime até de reconhecer a gravidade do mal que aflige todos, especialmente os que perderam – e ainda perderão – familiares e pessoas queridas

Por Drauzio Varella

Fui otimista quando ouvi falar da epidemia que se espalhava na região de Wuhan, na China. Em dezembro do ano passado, as notícias eram de que surgira um novo coronavírus, causador de infecção assintomática ou sintomas gripais de curta duração na maioria das pessoas infectadas. A mortalidade ficaria restrita aos mais velhos: chegaria a 14,8% naqueles com mais de 80 anos. Abaixo dos 40 anos morreriam duas pessoas em cada mil infectadas. Era esse o panorama acessível a quem estava do outro lado do mundo.

Há muito sabemos que os coronavírus são agentes causadores de resfriados comuns. Apenas dois deles estão associados a doenças mais graves, como a Sars e a Mers, epidemias que emergiram na China em 2003, e na Arábia Saudita em 2012, respectivamente, para desaparecer misteriosamente depois de atingir alguns países.

Fui entender a gravidade da Covid-19 nos primeiros dias de fevereiro, quando colegas italianos começaram a enviar vídeos que mostravam o inferno instalado nas unidades de terapia intensiva daquele país. Cientistas de renome e especialistas em saúde pública se enganaram como eu, entre os quais recipientes do Nobel de Medicina e o doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, o Niaid, dos Estados Unidos, cuja carreira acompanho desde o início da epidemia de Aids.

Na verdade, o mundo não foi capaz de avaliar o perigo que vinha da Ásia. A Europa foi pega de surpresa. Os italianos levaram semanas para entender o que se passava, os britânicos também, os suecos mantiveram a população nas ruas, os espanhóis autorizaram uma passeata para comemorar o Dia Internacional da Mulher, que aglomerou 200 mil pessoas no centro de Madri, justo no dia em que a Itália decretava o isolamento social nas cidades do norte.

Os Estados Unidos – que investem em saúde perto de 20% do maior PIB do mundo – assistiram à chegada do coronavírus em Nova York, com hospitais sem leitos suficientes nem máscaras cirúrgicas para atender à demanda dos profissionais de saúde. Para disfarçar a incompetência em adotar medidas antecipatórias, hoje o presidente americano joga a culpa na Organização Mundial da Saúde.

Aqui, logo que o primeiro brasileiro caiu doente, no último dia de fevereiro, ficou claro que o vírus já andava longe demais para ser contido. A julgar pelo que acontecera em outros países, era esperado que centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, se tornassem epicentros da epidemia, mas que a doença chegasse ao mesmo tempo a Manaus, Macapá, Fortaleza e Recife, separadas por milhares de quilômetros, foi surpreendente.

Embora pelo menos 80% dos infectados tenham evolução benigna, aqueles com apresentações mais agressivas que exigem internação em leitos hospitalares e UTIs, provocaram um estresse no sistema, que nem o SUS nem os planos de saúde estavam preparados para suportar. O drama dos hospitais superlotados no Norte do país, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife será repetido em outras capitais e em cidades menores à medida que a epidemia se interioriza. Se o vírus viajou da China para cá em três meses, há alguma razão para ficar aprisionado nas cidades grandes?

Décadas de descaso com a saúde inviabilizaram a agilidade das respostas, para enfrentar o desafio de impedir que o Brasil assuma a humilhante liderança mundial na contagem do número de óbitos, tragédia considerada possível, e até provável, por epidemiologistas respeitados.

No auge da maior crise sanitária dos últimos cem anos, assistimos à inacreditável negação da realidade por parte das autoridades federais, a quem caberia a responsabilidade inalienável de coordenar e dar sentido ao esforço nacional. Inexplicavelmente, o governo se exime até de reconhecer a gravidade do mal que aflige todos, especialmente os que perderam – e ainda perderão – familiares e pessoas queridas.

O Brasil caiu numa armadilha sinistra. Duas trocas de ministros numa fase crucial da disseminação da epidemia mantêm o Ministério da Saúde de mãos atadas há mais de um mês, enquanto o presidente faz o diabo para acabar com o isolamento social e impor um medicamento inútil, com efeitos colaterais eventualmente graves. Por que essa obstinação? Para dar a ilusão de que existe cura para quem contrair a doença nas ruas?

A situação em que estamos não poderia ser imaginada nem sequer no mais terrível pesadelo.

Vermelho Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

Meio Ambiente: Como Ricardo Salles afeta (ainda mais) a imagem do Brasil no Exterior

25-05-2020 Domingo

Uma fala deplorável do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante a reunião interministerial de 22 abril, veio a público nesta sexta-feira (22). No vídeo da reunião, liberado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Salles sugere ao presidente Jair Bolsonaro que aproveite o foco da imprensa na pandemia para “passar a boiada”. Segundo o ministro, a crise do coronavírua dava margem para que o governo fizesse uma série de mudanças e afrouxasse a legislação do meio ambiente.

“É covardia, falta de transparência total e absoluto desprezo pela opinião pública tentar mexer na legislação ambiental escondido na pior crise de saúde que o país jamais enfrentou”, diz Pedro Passos, presidente da Fundação SOS Mata Atlântica. “Antes havia muita hipocrisia. Agora é sexo explícito, pornografia pura”, resume o ex-ministro do Meio Ambiente Rubens Ricupero.

Para Ricupero – que é um dos mais reconhecidos diplomatas do País –, Salles passou dos limites. “É dizer que a intenção é criminosa com todas as letras. Ele cita a Mata Atlântica. Estão aí para acabar com o bioma mais ameaçado, não contentes em destruir o Cerrado e a Amazônia”, afirma.

Salles, de fato, não escondeu o pragmatismo criminoso em sua declaração. “Precisa ter um esforço nosso aqui – enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto da cobertura da imprensa, porque só fala de Covid – e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, disse ele.

Sem meias palavras, o ministro sugere aproveitar o momento para mudar regras relacionadas ao Ministério do Meio Ambiente, da Agricultura e do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Afirma ter assinado poucos dias antes “uma medida, a pedido do Ministério da Agricultura, que foi a simplificação da lei da Mata Atlântica”. A Mata Atlântica é o bioma mais destruído do país.

Ricupero diz ter ficado espantado. “Não que desconfiasse que isso não existisse, mas em geral as pessoas não dizem estas coisas. Em qualquer país democrático, não só ele (Salles) teria que sair, imediatamente, como seria processado”, diz o ex-ministro. “Não é mais insanidade. É um atentado ao País.” Para o diplomata, a notícia repercutirá negativamente no exterior. “Eles são todos cúmplices disso”, diz, analisando os pares de Salles no governo.

Com ele concorda José Sarney Filho, outro ex-ministro do Meio Ambiente (governo Michel Temer). “Foi uma postura leviana, irresponsável, que demonstra claramente uma política de desmonte. Com certeza isso terá repercussão em um momento em que o desmatamento da Amazônia aumenta e o Brasil aumenta as emissões de gases-estufa”, diz. “Isso seguramente terá repercussões negativas e consequências para o agronegócio brasileiro”.

“Fiquei estarrecida. Ele não é um ministro de Estado do Meio Ambiente. Ele (apenas) exerce o cargo”, afirma a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira. A seu ver, a declaração de Salles “é um desastre para a imagem do Brasil. Este prejuízo imenso não ocorre apenas pela fala dele, mas pela sucessão de erros do governo Bolsonaro”, agrega. “Esta frase só faz agravar a percepção de muitos, aqui e no exterior, que o governo Bolsonaro não tem como prioridade defender o meio ambiente”.

Izabella diz que a fala “revela o apequenamento” de Salles, a “falta de sensibilidade como homem público e sua ausência de humanismo em um momento tão crítico e de tanta dor do Brasil”. Em 22 de abril, data da reunião ministerial, o Ministério da Saúde já registrava 45.757 casos e 2.906 mortos no Brasil por Covid-19.

José Carlos Carvalho, ex-ministro do Meio Ambiente no governo de Fernando Henrique Cardoso, classifica como “lamentável” a fala de Salles. “Estamos todos atônitos. Isso tem repercussão interna porque reforça a percepção que ele age como um antiministro do Ambiente – e, obviamente, reforça a má imagem que o País já tem no exterior”. Para Carvalho, “isso evidencia que Salles foi colocado no ministério deliberadamente para cuidar dos interesses da economia que degrada o meio ambiente”.

Na opinião da ex-presidente do Ibama Suely Araújo – que saiu do órgão assim que Salles assumiu –, a fala do ministro confirma que “ele está lá para desconstruir o que existe de regramentos ambientais”. Salles, diz ela, “é um ministro colocado para desconstruir, não para construir. Tem uma visão antipolítica ambiental. Ele não quer que dê certo”. Para Suely, a fala de Salles revela “uma inação calculada”, que o motivou a “parar com a o Fundo Amazônia, não ter política ambiental”.

“A ideia de fazer no meio da pandemia essas ‘simplificações” – que, na verdade, são desconstruções da política ambiental – mostra deslealdade com os brasileiros”, afirma Suely, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima – uma rede de mais de 50 organizações não-governamentais (ONGs) que trabalham com a agenda climática no Brasil.

“Ricardo Salles, na prática, conclamou o governo para uma força-tarefa tendo em vista a destruição das regras ambientais, aproveitando a crise e tramando contra a própria pasta da qual é titular. Solicitou explicitamente apoio jurídico neste sentido”, continua Suely. A seu ver, Salles “não reúne condições mínimas para continuar a conduzir a Política Nacional do Meio Ambiente. Não tem legitimidade para isso, coloca em risco a imagem do Brasil e o futuro dos brasileiros”.

Para Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), a “descabida declaração do ministro Salles é uma afronta à transparência e ao importante trabalho da imprensa”. Segundo ela, “soa como um canto do cisne diante da força da sociedade civil, dos povos indígenas e quilombolas, da imprensa, do Congresso e do Judiciário na defesa do meio ambiente”.

Repercussão

Na grande imprensa internacional, as primeiras notas sobre a fala de Salles já mostram o prejuízo à imagem do Brasil. Reportagens que repercutiram a reunião enfatizaram o intuito de Salles de desmantelar as proteções ambientais. Conforme o jornal espanhol El País, por exemplo, “o então recém-nomeado Ministro da Saúde, Nelson Teich, olha horrorizado para seu parceiro Ricardo Salles quando ele defende aproveitar o fato de a imprensa estar focada no coronavírus para tornar as leis ambientais mais flexíveis”.

O argentino Clarín descreveu Salles como “aliado do agronegócio brasileiro” e acusa sua intenção de aproveitar o momento da pandemia para emplacar flexibilizações fora das atenções do país. Para Katy Watson, correspondente da BBC na América do Sul, “o vídeo também revelou intenções mais amplas dentro do ministério, como o ministro do Meio Ambiente sugerindo que o coronavírus era uma boa oportunidade – com a imprensa olhando para o outro lado”.

Na França, o Le Parisien publicou que o ministro do Meio Ambiente deseja aproveitar a “oportunidade” da pandemia para enfraquecer regras que “notoriamente atendem à preservação da Amazônia”. Os franceses compartilham parte do bioma amazônico através do departamento ultramarino da Guiana Francesa.

O jornal inglês The Guardian destaca que a filmagem divulgada mostra o ministro do Meio Ambiente pedindo ao governo que adote mais desregulamentação da política ambiental, enquanto as pessoas se distraem com o coronavírus. A mesma reportagem informa que o desmatamento atingiu uma alta de 11 anos no ano passado e aumentou 55% nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com um ano atrás, com grupos ambientais culpando as políticas de Bolsonaro.

O jornal agrega que, solicitado a responder ao vídeo, o Ministério do Meio Ambiente reforçou as declarações de Salles: “Sempre defendi a desburocratização e simplifiquei as normas, em todas as áreas”. A reportagem ouviu a porta-voz do Greenpeace Brasil, Luiza Lima. Segundo ela, “Salles acredita que as pessoas que estão morrendo na fila dos hospitais são uma boa oportunidade para avançar em seu projeto anti-ambiental”.

Die Welt, um dos maiores jornais da Alemanha, destacou que Salles manifestou o desejo de aproveitar a pandemia para “legalizar a mineração e a agricultura na floresta amazônica”. A versão brasileira da agência alemã Deutsche Welle também deu destaque aos trechos citados pelo ministro Ricardo Salles.

Portal Vermelho

Em reunião, Bolsonaro fala em mudar a PF, solta palavrões e dá broncas. Só não trata da pandemia e da saúde do povo brasileiro

24-05-2020 Domingo

Em 22 de abril, quando o Brasil contava com 46.195 pessoas contaminadas pelo Covid-19 e havia enterrado, oficialmente, ao final daquele dia, 2.924 mortos, o presidente Jair Bolsonaro marcou com seu ministério uma reunião histórica. Queria discutir ali os rumos para uma retomada do governo, já então afundado pelo negacionismo, mas se recusando a tratar da saúde do povo brasileiro em meio a um cenário econômico devastador. Nascia para logo morrer o programa Pró-Brasil, um esforço do Planalto para retomar o papel do Estado.

Um mês depois, nesta sexta-feira, 22 de maio, o Brasil assistiu pela televisão e pela imprensa aos bastidores dessa reunião ministerial, com a divulgação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, dos principais trechos do encontro palaciano. Ali, percebe-se um presidente transtornado pela queda de popularidade, com medo de afundar no desgoverno, cercado de ministros bajuladores, mergulhado em paranóia e temeroso da força de opositores.

É putaria o tempo todo para me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa, oficialmente, e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar foder minha família toda de sacanagem, ou amigos meus, porque não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha — que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode o chefe dele? Troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira.

Jair Bolsonaro

Aos palavrões, dando berros e soltando broncas, Bolsonaro desnuda sua administração. É chefe de um governo perdido e derrotado. Seus auxiliares estavam mais preocupados em agradá-lo. Nas quase duas horas de reunião que vieram a público agora, não há nenhuma palavra sobre um plano para enfrentar a pandemia do coronavírus. “O grande ausente da reunião é o Covid-19”, destaca o senador Jaques Wagner (PT-BA).https://www.youtube.com/embed/JLNw5dcqbaI?feature=oembed&modestbranding=1&showinfo=0&rel=0

Suspeitas confirmadas

Apesar disso, a reunião tem um mérito. Confirma as suspeitas que pesam contra Bolsonaro, acusado de querer interferir ilegalmente sobre órgãos de Estado. Como num filme de gângsteres, Bolsonaro foi acusado pelo seu braço direito e colaborador de primeira hora, o ex-ministro da JustiçaSérgio Moro. O algoz de Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou e prendeu o ex-presidente, sem provas, tirando-o da disputa presidencial, acusou o chefe de querer mudar a Polícia Federal para enterrar uma investigação contra a sua família. Um crime, sujeito à perda do mandato.

A confissão está cristalina, gravada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República. E é dita pelo próprio Bolsonaro. “É putaria o tempo todo para me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa, oficialmente, e não consegui. Isso acabou”, reclamou o presidente. “Eu não vou esperar foder minha família toda de sacanagem, ou amigos meus, porque não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha — que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode o chefe dele? Troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”.

Esse homem não tem condições de ser presidente da República. Mal educado, boca suja, desqualificado. Não tem preparo administrativo, político, humano. É agressão e briga o tempo inteiro. Proteção do povo, nada. Nenhuma fala sobre assegurar renda, emprego, vida.

Gleisi Hoffmann

Os indícios de crime de responsabilidade cometidos pelo presidente da República estão comprovados. Ele, de fato, não apenas confessou que queria interferir na Polícia Federal, como cumpriu a promessa. No dia 24 de abril, Sérgio Moro descobriu que o presidente havia exonerado o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, e, naquele mesmo dia, anunciaria a sua demissão do Ministério da Justiça. Resumindo: Bolsonaro não apenas trocou o Superintendente da Polícia Federal no Rio, como também o diretor-geral da PF e o próprio ministro da Justiça.

Impeachment é o caminho

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), disse que o vídeo da reunião ministerial escancarou o despreparo de Bolsonaro para estar à frente da Chefia do Estado Brasileiro. “Esse homem não tem condições de ser presidente da República. Mal educado, boca suja, desqualificado. Não tem preparo administrativo, político, humano. É agressão e briga o tempo inteiro. Proteção do povo, nada. Nenhuma fala sobre assegurar renda, emprego, vida”, desabafou. Gleisi acredita que o vídeo confirma que o país só terá saída para a crise em que se encontra com o impeachment de Bolsonaro.

Em nota, os líderes dos partidos de oposição também repudiam o episódio. “A reunião ministerial revela o baixo nível dos integrantes do atual governo. Como bárbaros, jogam a República no caos, desrespeitam as leis, as instituições e ignoram a Constituição”, criticam os deputados José Guimarães (PT-CE), que lidera a Minoria; André Figueiredo (PDT-CE), que comanda a Oposição; Alessandro Molon (PSB-RJ); Enio Verri (PT-PR); Perpétua Almeida (PCdoB-AC); Wolney Queiroz (PDT-PE); Fernanda Melchionna (PSOL-RS); e Joenia Wapichana (Rede-RR).

“O vídeo desfaz qualquer legitimidade do atual governo no comando dos destinos da Nação, pois escancara o desprezo à democracia, à vida e às conquistas civilizatórias do povo brasileiro”, continua a nota. “Ademais, indica a tentativa de formação de milícias em defesa de um projeto antinacional e antidemocrático”.

O vídeo desfaz qualquer legitimidade do atual governo no comando dos destinos da Nação, pois escancara o desprezo à democracia, à vida e às conquistas civilizatórias do povo brasileiro. Ademais, indica a tentativa de formação de milícias em defesa de um projeto antinacional e antidemocrático.

Nota dos partidos de oposição

Adversários a abater

O choque dos palavrões e do tom desafiador de Bolsonaro, um traço de sua personalidade autoritária e paranóica, ficam escancarados no vídeo do encontro ministerial. Entre tantos impropérios ditos pelo presidente num encontro oficial no Palácio do Planalto, na mais vergonhosa reunião ministerial da história da República, alguns momentos mostram sua disposição de tratar adversários políticos como inimigos a serem abatidos. Agora sabe-se porque Bolsonaro defende com tanta veemência a distribuição de armas aos seus seguidores e milícias. Para garantir a força de sua vontade, como um chefete de uma republiqueta.

“Olha como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Por isso eu quero que o povo se arme, a garantia de que não vai aparecer um filho da puta e impor uma ditadura aqui. A bosta de um decreto, algema e bota todo mundo dentro de casa. Se ele estivesse armado, ia para rua. Se eu fosse ditador, eu armava como fizeram todos no passado. Um puta de um recado para esses bostas: estou armando o povo porque não quero uma ditadura, não da para segurar mais. Quem não aceita…”, ameaçou o presidente.

Eu quero que o povo se arme, a garantia de que não vai aparecer um filho da puta e impor uma ditadura aqui. A bosta de um decreto, algema e bota todo mundo dentro de casa. Se ele estivesse armado, ia para rua. Se eu fosse ditador, eu armava como fizeram todos no passado. Um puta de um recado para esses bostas: estou armando o povo porque não quero uma ditadura, não da para segurar mais

Jair Bolsonaro

Ataques a governadores

Bolsonaro ainda atacou governadores de estado e prefeitos que vêm defendendo o isolamento social, medida que o presidente teme porque estaria impedindo a retomada da economia, um erro, já que o problema do país é o coronavírus, e não a disposição das autoridades públicas em barrar o contágio da doença. “O que os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! Isso é uma verdade. O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo, esse estrume do Rio de Janeiro, entre outros, é exatamente isso”, criticou.

A bronca ainda foi estendida aos prefeitos de algumas cidades, como o tucano Arthur Virgílio Neto (PSDB). “Aproveitaram o vírus, tá um bosta de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um bosta. Que quem não conhece a história dele, procura conhecer, que eu conheci dentro da Câmara, com ele do meu lado, né?”, disse Bolsonaro.

A ministra dos Direitos HumanosDamares Alves, também faz ameaças aos prefeitos e governadores. Na reunião, ela ameaça “pegar pesado” contra os administradores de cidades e estados que tomaram medidas mais rígidas de isolamento contra o coronavírus. “O nosso ministério já tomou iniciativa e nós tamos pedindo inclusive a prisão de alguns governadores”, afirmou. Nenhuma palavra de admoestação do presidente. Ou dos colegas do primeiro escalão do governo.

A gente tá perdendo a luta pela liberdade. É isso que o povo tá gritando. Não tá gritando para ter mais Estado, pra ter mais projetos, pra ter mais… O povo tá gritando por liberdade, ponto. Eu acho que é isso que a gente tá perdendo. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF

Abraham Weintraub

Ameaças ao Judiciário

O vídeo mostra ainda ataques até aos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal. Na reunião ministerial, Bolsonaro ouviu, calado, o ataque do ministro da Educação, Abraham Weintraub. “A gente tá perdendo a luta pela liberdade. É isso que o povo tá gritando. Não tá gritando para ter mais Estado, pra ter mais projetos, pra ter mais… O povo tá gritando por liberdade, ponto. Eu acho que é isso que a gente tá perdendo. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”, atacou o ministro. Não ouviu nenhuma reprimenda do presidente da República.

Nem mesmo quando Weintraub disparou contra os políticos em geral e a própria capital da República. “Eu não quero ser escravo nesse país. E acabar com essa porcaria que é Brasília. Isso daqui é um cancro de corrupção, de privilégio”, atacou o ministro da Educação. “Eu não quero ser escravo de Brasília. Eu tinha uma visão negativa de Brasília e vi que muito pior do que eu imaginava”, confessa. Também ali, não foi perturbado pelo presidente ou qualquer outro colega de ministério, nem mesmo do vice-presidente da República, General Hamilton Mourão.

PT

Famem emite nota de pesar pelo falecimento do ex-prefeito João Epifânio, de Lima Campos

24-05-2020 Domingo

A Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem) lamenta o falecimento do ex-prefeito de Lima Campos, João Epifânio, na madrugada deste domingo (24). Ele estava internado no Hospital Carlos Macieira, em São Luís, tratando de Covid-19. 

Um político influente, João Epifânio foi prefeito e vice-prefeito do município maranhense. Deixamos nossas condolências a todos os familiares, amigos e moradores de Lima Campos neste momento de tristeza. 

FAMEM

Rede Solidária de Comércio Virtual criada pelo Governo do Maranhão abre cadastro para empreendedores do setor formal e informal

24-05-2020 Domingo

Vender seus produtos, ter acesso a capacitações e linhas de crédito para impulsionar seus negócios. Essa é a proposta da plataforma virtual ReSolVi – Rede Solidária de Comércio Virtual, criada pelo Governo do Estado, em apoio a empreendedores formais e informais do Maranhão. Pela ferramenta, os empreendedores poderão comercializar itens e serviços, mesmo durante o período de distanciamento social causado pela pandemia. O projeto é coordenado pela Secretaria de Estado do Trabalho e da Economia Solidária (Setres) e recebe inscrições pelo site: http://www.trabalho.ma.gov.br/Resolvi.

Estão aptos a participar da plataforma empreendimentos solidários, familiares, microempreendedores, autônomos, prestadores de serviços e demais trabalhadores que atuam no setor formal e informal da economia. Para se inscrever, devem utilizar o CPF, sendo pessoa física; ou o CNPJ – Cadastro de Pessoa Jurídica. Os empreendedores podem acompanhar o cadastro e obter informações pelos links da Setres no Instagram (@resolvicomerciovirtual), Facebook e Twitter (@somosresolvi). 

O objetivo é ampliar os resultados e alcançar a população, ajudando a superar esse momento difícil, pontua o titular da Setres, Jowberth Alves. O gestor ressalta que além das ações diretas realizadas pela secretaria, há várias parcerias firmadas com outros órgãos estaduais para reforçar o trabalho de apoio aos micro e pequenos empreendedores maranhenses. “Vamos estender esse diálogo a outras organizações e unidos e com atenção aos protocolos, reerguer o setor”, reforça Jowberth Alves.

Uma vez cadastrados, os empreendedores passam por avaliação para confirmar a disponibilidade dos produtos e serviços ao consumidor e receberem os pedidos e contratações. Integrante do Grupo de Mulheres Babaçu é Vida, Rosimar Carvalho, do município de São Mateus, parabeniza a iniciativa da ReSolVi. “A plataforma é uma luz no fim do túnel, no meio desta crise. A esperança é que sermos vistos e vendermos nossos produtos”, diz. Mais de 500 pequenos negócios estão inscritos na plataforma.