28-04-2020 Terça-feira
A bancada do PSOL protocolou nesta terça-feira (28) um requerimento de convocação de André Mendonça, recém-nomeado Ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos imediatos sobre o plano de atuação à frente da pasta diante das graves denúncias feitas por seu antecessor, Sergio Moro, de obstrução e interferência nas investigações conduzidas pela Polícia Federal por parte do presidente Jair Bolsonaro.
São palavras textuais do então ministro Sérgio Moro: “o presidente queria uma pessoa que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações de inteligência”. Portanto, a denúncia foi clara: o Presidente da República participou ativamente de medidas de embaraço nas investigações em curso. Ou seja, fica claro que interferir e obstruir as investigações contra ele e seus aliados.
Homem de confiança já aventado como o membro “terrivelmente evangélico” que Bolsonaro indicaria ao Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça vai precisar expor o que planeja fazer diante das graves denúncias, o que dará ao parlamento a medida de sua confiabilidade ou não para o cargo.
“A insistência do presidente em aparelhar a Polícia Federal demonstra, claramente, o medo das investigações que incluem desde a propagação de notícias falsas até rachadinhas e envolvimento com milícias”, afirma o PSOL no pedido de convocação. “Em meio aos escândalos de corrupção que estão em torno do Presidente, a nova nomeação ao Ministério da Justiça é vista com desconfiança pela sociedade brasileira”, conclui o documento.
