Arquivo mensal: julho 2019

O habeas corpus do nordestino e o “Brasil” de Capistrano de Abreu

21-07-2019 Domingo

Os explicadores do Brasil desvendam o sentido da ignorância e da estupidez de Bolsonaro ao se referir aos nordestinos.

Por Osvaldo Bertolino

Há uma tradição do Nordeste que pode ser útil nesse momento em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, se manifesta na sua inteireza. É a autoridade que se empresta ao que pertence a alguém por direito. O chapéu de couro é o seu habeas corpus. Se for pendurado em uma cerca de um terreno litigioso, por exemplo, quem o derruba afronta o valente a quem ele pertence. Quem desrespeita o chapéu, desrespeita o dono. 

Bolsonaro atentou contra o chapéu de couro dos nordestinos. Ou seja: ao chamá-los de “paraíba”, num impulso redivivo dos agudos brados de um certo Adolf Hitler, ele rompeu o limite de qualquer contemporização. Além de abusar de uma palavra que representa muito para o Nordeste e para o Brasil, utilizando-a de forma pejorativa, tentou desqualificar um povo que traz a dignidade na alma. 

A manifestação de Bolsonaro é ideológica. Ela reflete a ideia de um pequeno setor do Brasil que se imagina mais capaz, mais limpo, gente melhor do que os seres considerados primevos por serem descendentes de negros e índios. Gente que joga sobre os pobres toda a responsabilidade pelas mazelas sociais que ela cria, disseminando mitos execráveis como o de que às mulheres cabe o papel de esquentar a barriga no fogão e esfriá-la no tanque, ou o de que os negros são menos dignos por terem mais melanina em suas peles.

É o tipo de gente que promove passeatas pela “moralidade”, pede “mais segurança” e rosna contra o “lulopetismo” e o “comunismo”. São eles também que pregam uma dura política repressiva como prova visível de que o crime não compensa. Para essas pessoas, a solução seria colocar a polícia nas ruas com metralhadoras a tiracolo, implantar uma política de “tolerância zero” e adotar a pena de morte. Gente que, por sua ideologia vassala, escreveria “Brasil” com “z”.

Indústria da maracutaia

Essa é a face pública dos portadores dessa ideologia. A privada é o modo de vida que cultivam, à base de sonegação de impostos em grande escala e de troca favores, sabotando a dinâmica social do país e suas práticas democráticas. Simplesmente não interessa, para eles, que os processos no Brasil funcionem melhor. Se o sistema de transporte público fosse eficiente, o significado de ter um carro de luxo mudaria. Se os serviços de saúde funcionassem, o fato de haver hospitais cinco estrelas seria irrelevante. 

Essa gente passou a vida, de geração em geração, trocando favores, construindo atalhos, traficando influência. Se todos os brasileiros tivessem assegurados os mesmos direitos, por meio de sistemas sólidos e funcionais, toda essa rede de relações obscuras, essa indústria da maracutaia, perderia o sentido. Não dá, evidentemente, para imaginar no Brasil uma coletividade na qual todos se reconheçam e se respeitem como iguais com gente assim governando o país. A quase totalidade dos seus privilégios e status advém da exclusão social.

Esses conceitos e preconceitos, propagados pelos aparelhos de controle ideológico – sobretudo a mídia e as seitas religiosas oportunistas –, são de difícil remoção. Eles estão entranhados na alma dessa gente, são parte daquilo que se pode chamar de sentido absoluto da realidade brasileira. 

Cabral e Colombo

Tudo isso já foi, de certa maneira, estudado, definido e classificado pelos explicadores do Brasil. Compreendê-lo é um exercício básicos para os que lutam por transformações na estrutura social do país. Como disse Oliveira Viana no seu livro Problemas de política objetiva – seu pensamento foi uma das vertentes para o desenvolvimento da Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas –, o desconhecimento do Brasil e dos brasileiros pela elite deste país é completo. 

O termo correto, na verdade, seria desinteresse. Pode ser também ignorância, descaso ou crueldade ideológica, de classe. Para essa gente não existe pobreza, mas somente pobres, como se essa condição fosse uma mera questão de opção de vida. É desse comportamento que surge a ideia de um profeta, de um mito, de um messias capaz de fazer milagres que nenhum Cristo fez.

Capistrano de Abreu (cearensse do município de Maranguape), também um dos mais importantes explicadores do Brasil – dizia-se, conforme o cronista Humberto de Campos, que em seus estudos ele não navegava como Cabral, para descobrir por acaso, mas como Colombo, para confirmar previsões, e que vivia com a sabedoria de consumir a vida como a vela se consome –, ao comentar a obra História do Brasil, de Frei Vicente – o primeiro documento da historiografia brasileira –, descoberta por ele, discutiu a grafia da palavra “Brasil”. Em sua opinião, um homem de bem, de caráter, jamais admitiria que se escrevesse “Brasil” com “z”. 

Flávio Dino rejeita a imposição de ódios, preconceitos, agressões

21-07-2019 Domingo

O governador do Maranhão, Flávio Dino, voltou a ser posicionar contra as declarações discriminatórias de Jair Bolsonaro contra o Nordeste. Para ele o Brasil a maioria dos brasileiros que união, paz e justiça social. Dino também lamentou que Bolsonaro tenha reafirmado a agressão contra ele e o governador da Paraíba, ao invés de se desculpar.

Flávio Dino se manifestou através das redes sociais para dizer que não há rivalidade entre as regiões Sul, Sudeste, Nordeste, Norte, Centro-Oeste do Brasil. “Sei que a imensa maioria da nossa Nação quer união, justiça social e paz”, afirmou. E enfatizou que os brasileiros não devem “aceitar a imposição de ódios, preconceitos, agressões. O Brasil é de todos nós”.


O governador maranhense também comentou o fato de Bolsonaro ter reafirmado as agressões feitas no sexta-feira (18), antes do encontro com jornalistas da imprensa internacional quando se referiu aos governadores do Nordeste, de forma pejorativa, como “governadores de Paraíba” e orientou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a não tratar nada com Flávio Dino, por ser “pior de todos”. Para Dino, ao invés de pedir desculpas, o presidente tentou dissimular seu grave preconceito regional. “Seria mais digno ter se desculpado. Mas o ódio impede um gesto de respeito e grandeza”, afirmou o governante, que arrematou com um verso de Chico Buarque: “Amanhã há de ser outro dia”. 

Fonte: Portal Vermelho

Antonia Pellegrino: por que Bolsonaro tem medo de Bruna Surfistinha

21-07-2019 Domingo

Na última quinta (18), Jair Bolsonaro disse que quer mexer na Ancine, porque não pode admitir que façam filmes como Bruna Surfistinha (sic). Eu fiz o roteiro de Bruna Surfistinha e fui premiada pela Academia Brasileira de Cinema por este trabalho, que atraiu 2,2 milhões de espectadores, gerando uma renda de R$ 20 milhões, além de outros R$ 10 milhões em impostos, diretos e indiretos.

Por Antonia Pellegrino*

Sem glamorizar nem estigmatizar a prostituição, trata-se de um dos grandes “cases de sucesso” artístico e comercial de nossa indústria. Para o deputado Bolsonaro, não havia problema em usar o dinheiro do auxílio-moradia para “comer gente”. Já para o presidente Bolsonaro, o problema do País não são os 13 milhões de desempregados nem os supostos laranjas próximos de sua família; são mulheres que fazem sexo serem representadas no cinema. 

A história de Bruna Surfistinha é o pânico de homens como Bolsonaro. Não por ser a história de uma garota de programa, mas porque é a narrativa da liberação de um corpo feminino. Bruna Surfistinha se tornou a garota de programa mais desejada de São Paulo no início dos anos 2000. Qual a mágica? Dar nota aos clientes em seu blog. 

Nessa operação, a um só tempo, ela sai da condição de corpo-objeto que deve servir aos homens para a de objetificar os próprios homens. É uma profunda ruptura na lógica do patriarcado. E é precisamente isso que Bolsonaro chamou de ativismo. Desde o início do movimento das mulheres, as ativistas e teóricas feministas viram no corpo feminino uma chave para compreender as raízes do domínio masculino patriarcal e da construção da identidade social feminina como sendo de segunda classe. 

No livro Calibã e a Bruxa, a historiadora Silvia Federici “mostra que, na sociedade capitalista, o corpo é para as mulheres o que a fábrica é para os homens trabalhadores assalariados: o principal terreno de sua exploração e resistência”. A resistência privada de Bruna Surfistinha, ao ganhar a tela do cinema, torna-se um exemplo de empoderamento, capaz de inspirar outras mulheres. 

Bolsonaro não é o único a temer a liberação feminina. Um dos eixos da crise da democracia liberal é exatamente este. O avanço da ultradireita mundial também é uma reação à nossa emancipação galopante, fruto da quarta onda feminista que arrebatou corações e mentes. 

Para homens como Bolsonaro, é preciso sufocar essa onda, acabar com este tipo de filme “ativista” para destruir este tipo de mulher “perigosa”. E, para esse objetivo, a violência não tem limites. 

O uso de armas de fogo no assassinato de mulheres dentro de residências em que havia posse de armas subiu 29,8%, nos últimos dez anos, segundo o Atlas da Violência 2019. Qual a política pública bolsonarista para combater essa tragédia? Facilitar o porte de armas. 

Sete em cada dez (70%) brasileiros adultos rejeitam esse projeto do presidente Jair Bolsonaro – entre as mulheres, o índice sobe para 78%, segundo o Datafolha. A altíssima rejeição não impacta, o presidente toca reto. Fanatismo acima de tudo, lucro da indústria de armas acima de todos. 

A grande ameaça que a liberdade das mulheres oferece aos fanáticos é a igualdade. A mulher liberada não é antifamília. Muitas vezes, ela é mãe e chefe de família. Só não aceita ser tratada como menor, como objeto. 

O que o presidente ignora é isto: no novo normal, só tem lugar para dois tipos de homem, em desconstrução ou em decomposição. Bolsonaro não vai durar muito.

Antonia Pellegrino, roteirista, é ativista dos direitos das mulheres e coautora do blog #AgoraÉQueSãoElas

Folha.com

Deltan temia que Moro abafasse corrupção de Flávio Bolsonaro

21-07-2019 Domingo

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da operação Lava Jato, em chats secretos, sugeriu que Sergio Moro protegeria Flávio Bolsonaro para não desagradar ao presidente e não perder indicação ao STF.

Por Glenn Greenwald e Victor Pougy, do Intercept Brasil

Em chats secretos, Deltan Dallagnol concordou com a avaliação de procuradores do Ministério Público Federal de que Flávio Bolsonaro mantinha um esquema de corrupção em seu gabinete quando foi deputado estadual no Rio de Janeiro. Segundo os procuradores, o esquema, operado pelo assessor Fabrício Queiroz, seria similar a outros escândalos em que deputados estaduais foram acusados de empregar funcionários fantasmas e recolher parte do salário como contrapartida.

Dallagnol disse que o hoje senador pelo PSL Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, “certamente” seria implicado no esquema. O procurador, no entanto, demonstrou uma preocupação: ele temia que Moro não perseguisse a investigação por pressões políticas do então recém eleito presidente Jair Bolsonaro e pelo desejo do juiz de ser indicado para o Supremo Tribunal Federal, o STF. Até hoje, como presumia Dallagnol, não há indícios de que Moro, que na época das conversas já havia deixado a 13ª Vara Federal de Curitiba e aceitado o convite de Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça, tenha tomado qualquer medida para investigar o esquema de funcionários fantasmas que Flávio é acusado de manter e suas ligações com poderosas milícias do Rio de Janeiro.

O escândalo envolvendo Flávio, que vinha dominando as manchetes, desapareceu da mídia nos últimos meses. A investigação, nas mãos do Ministério Público do Rio, parece ter entrado em um ritmo bem mais lento do que o esperado para um caso dessa gravidade. Moro tampouco dá sinais de que está interessado nas ramificações federais do caso – como o suposto empréstimo de Queiroz para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Nas poucas vezes em que respondeu a questionamentos sobre a situação do filho do presidente, ele repetiu que “não há nada conclusivo sobre o caso Queiroz” e que o governo não pretende interferir no trabalho dos promotores. Entretanto, o caso voltou aos noticiários na segunda-feira, 15 de julho, quando o presidente do STF, Dias Toffoli, atendeu ao pedido de Flávio Bolsonaro e suspendeu as investigações iniciadas sem aprovação judicial envolvendo o uso dos dados do Coaf, órgão do Ministério da Economia que monitora transações financeiras para prevenir crimes de lavagem de dinheiro.

No dia 8 de dezembro de 2018, Dallagnol postou num grupo de chat no Telegram chamado Filhos do Januario 3, composto de procuradores da Lava Jato, o link para um reportagem no UOL sobre um depósito de R$ 24 mil feito por Queiroz numa conta em nome da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Segundo o texto, a “transação foi apontada como “atípica” pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e anexado a uma investigação do Ministério Público Federal, na Lava Jato”. “Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. A comunicação do Coaf não comprova irregularidades, mas indica que os valores movimentados são incompatíveis com o patrimônio e atividade econômica do ex-assessor”, escreve o UOL.

A notícia levou Dallagnol a pedir a opinião dos colegas sobre os desdobramentos do caso, e sobre como seria a reação de Moro. A procuradora Jerusa Viecilli, crítica da aproximação de Moro com o governo Bolsonaro, respondeu “Falo nada … Só observo ”. Dallagnol manifestou sérias preocupações com a forma que o ministro da Justiça conduziria o caso, sugerindo que o ex-juiz poderia ser leniente com Flávio, seja por limites impostos pelo presidente ou pela intenção de Moro de não pôr em risco sua indicação ao Supremo: “É óbvio o q aconteceu… E agora, José?”, digitou o procurador. “Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no supremo?”, escreveu. Dallagnol completou, sobre o presidente: “Agora, o quanto ele vai bancar a pauta Moro Anticorrupcao se o filho dele vai sentir a pauta na pele?”

8 de dezembro de 2018 – grupo Filhos do Januario 3

Deltan Dallagnol – 00:56:50 –https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/12/07/bolsonaro-diz-que-ex-assessor-tinha-divida-com-ele-e-pagou-a-primeira-dama.htm
Dallagnol – 00:58:15 – [imagem não encontrada]
Dallagnol – 00:58:15 – [imagem não encontrada]
Dallagnol – 00:58:38 – COAF com Moro
Dallagnol – 00:58:40 – Aiaiai
Julio Noronha – 00:59:34 – 
Dallagnol – 01:04:40 – [imagem não encontrada]
Januário Paludo – 07:01:20 – Isso lembr
Paludo – 07:01:48 – Lembra algo Deltan?
Paludo – 07:03:08 – Aiaiai
Jerusa Viecilli – 07:05:24 – Falo nada … Só observo 
Dallagnol – 08:47:52 – Kkk
Dallagnol – 08:52:01 – É óbvio o q aconteceu… E agora, José?
Dallagnol – 08:53:37 – Moro deve aguardar a apuração e ver quem será implicado. Filho certamente. O problema é: o pai vai deixar? Ou pior, e se o pai estiver implicado, o que pode indicar o rolo dos empréstimos?
Dallagnol – 08:54:21 – Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no supremo?
Dallagnol – 08:58:11 – Agora, Bolso terá algum interesse em aparelhar a PGR, embora o Flávio tenha foro no TJRJ. Última saída seria dar um ministério e blindar ele na PGR. Pra isso, teria que achar um colega bem trampa
Athayde Ribeiro Costa – 08:59:41 – É so copiar e colar a ultima denuncia do Geddel
Roberson Pozzobon – 09:02:52 – Acho que Moro já devia contar com a possibilidade de que algo do gênero acontecesse
Pozzobon – 09:03:19 – A questão é quanto ele estará disposto a ficar no cargo com isso ou se mais disso vir
Dallagnol – 09:04:38 – Em entrevistas, certamente vão me perguntar sobre isso. Não vejo como desviar da pergunta, mas posso ir até diferentes graus de profundidade. 1) é algo que precisa ser investigado; 2) tem toda a cara de esquema de devolução de parte dos salários como o da Aline Correa que denunciamos ou, pior até, de fantasmas.
Dallagnol – 09:05:54 – Agora, o quanto ele vai bancar a pauta Moro Anticorrupcao se o filho dele vai sentir a pauta na pele?
Andrey Borges de Mendonça – 09:21:16 – Uma vez pedi no caso da custo brasil e o pt alegou q era impenhorável segundo a lei eleitoral. O juiz acabou desbloqueando sem ouvir a gente. Mas confesso q nao sei se procede.
Paludo – 09:37:52 – Tem que investigar. E isso que ele sempre diz. Na pior das hipóteses, Podem ir os anéis (filho e mulher), mas ficam os dedos. Seria muito traumático o general assumir no lugar dele.
Viecilli – 10:06:32 – [imagem não encontrada]
Viecilli – 10:06:51 – 
Dallagnol – 10:22:31 – Rsrsrs
Dallagnol – 10:39:47 – [imagem não encontrada]
Dallagnol – 10:41:04 – [imagem não encontrada]
Antonio Carlos Welter – 10:52:11 – O $$ termina na conta da esposa. Vao argumentar que alimentou a campanha. Periga terminar em AIME

A força-tarefa da Lava Jato e os procuradores citados no texto foram procurados para comentários, mas não responderam até a publicação da reportagem. Se o fizerem, atualizaremos o texto.
A situação de Moro – como investigar um caso de corrupção envolvendo o filho do presidente que o indicou ao cargo, ou, ainda corrupção envolvendo o próprio presidente e seus familiares? – levou Deltan a considerar evitar entrevistas sobre foro privilegiado por temer perguntas sobre o caso envolvendo Flávio.

‘Se deve ser investigado? É certo que sim’

No mesmo dia que o grupo conversou sobre o caso Queiroz, Dallagnol conversou com Roberson Pozzobon, também procurador na operação Lava Jato, em um chat privado. Eles aprofundaram a preocupação com entrevistas nas quais a situação de Flávio Bolsonaro poderia ser abordada.
Ao contrário de sua usual ânsia em falar publicamente sobre outros casos de corrupção, Deltan deu a entender que estava relutante em fazer uma condenação mais severa de Flávio por temer as consequências políticas de desagradar o presidente – exatamente como sugeriu que Moro pudesse agir.

8 de dezembro de 2018 – chat privado

Roberson Pozzobon – 09:12:41 –  Em entrevistas, certamente vão me perguntar sobre isso. Não vejo como desviar da pergunta, mas posso ir até diferentes graus de profundidade. 1) é algo que precisa ser investigado; 2) tem toda a cara de esquema de devolução de parte dos salários como o da Aline Correa que denunciamos ou, pior até, de fantasmas.
Pozzobon – 09:13:05 – Tava escrevendo esse tuíte agora mesmo
Pozzobon – 09:13:11 – “Informação de que um ex-assessor do deputado estadual e senador eleito pelo PSL, Flávio Bolsonaro, movimentou 1,2 milhão de reais entre 2016 e 2017”. Se deve ser investigado? É certo que sim. É para isso que servem os relatórios de inteligência financeira do COAF. Pontuar as suspeitas no meio de bilhões de transações diárias https://www.terra.com.br/noticias/brasil/movimentacao-atipica-de-ex-assessor-de-flavio-bolsonaro-pode-levar-a-investigacao,8bb3ff45edd7744a4cad8dab9d014e87963u9zqu.html
Dallagnol – 10:04:00 – Não sei se convém o nível 2. Não podemos ficar quietos, mas é neste momento um pouco como com RD. Vamos depender dele pra reformas… Não sei se vale bater mais forte
Pozzobon –10:07:15 – Pois é
Pozzobon – 10:07:26 – To na msm dúvida


Depois de sugerir diferentes declarações que poderiam dar sobre o caso de Flávio, Dallagnol concluiu: “Só pode ser lido como chapa branca”. Pozzobon concordou e deu o seu veredito: “O silêncio no caso acho que é mais eloquente”.

Um mês e meio depois, no dia 21 de janeiro de 2019, no mesmo grupo, Dallagnol disse ter sido convidado pelo Fantástico, da rede Globo, para uma entrevista sobre foro privilegiado (a emissora preferiu não comentar o assunto). O procurador estava ansioso para falar do caso que a produção do programa indicou ser o foco da matéria – denúncias envolvendo o deputado federal Paulo Pimenta, do PT –, mas relutou em aceitar o convite por receio de que tivesse que falar também das tentativas de Flávio Bolsonaro de usar o foro privilegiado para barrar as investigações, mesmo que o caso tenha ocorrido quando ainda era deputado estadual, antes de sua posse como senador.

‘Acho q não é uma boa; além da bola dividida Flávio Bolsonaro’

Dallagnol expressou sua relutância, calculando que o risco de ter que tratar do assunto era maior que os eventuais benefícios da entrevista: “Eu não vejo que tenhamos nada a ganhar porque a questão do foro já tá definida.” Os colegas da Lava Jato concordaram que a melhor opção era rejeitar o convite do Fantástico para evitar o que chamaram de um “bola dividida Flávio Bolsonaro” (a emissora preferiu não comentar o assunto).

21 de janeiro de 2019 – grupo Filhos do Januario 3

Dallagnol – 16:44:44 –  Pessoal, temos um pedido de entrevsita do fantástico sobre foro privilegiado. O caso central é bom, envolvendo o Paulo Pimenta, se isso for verdade rs. O risco é eles decidirem no fim focar no Flávio Bolsonaro eusarem nossas falas nesse outro contexto. De um modo ou de outro, o que temos pra falar é a mesma coisa. Além disso, algumas informações que buscam não temos (são da PGR). A questão é se é conveniente darmos entrevista para essa reportagem ou não. Eu não vejo que tenhamos nada a ganhar porque a questão do foro já tá definida. Diferente de uma matéria sobre prisão em segunda instância…
Dallagnol – 16:44:44 –  Dr., Geovani, da RBS vai mandar e-mail pedindo entrevista com vc para o Fantástico. Matéria ésobre foro privilegiado. Eles levantaram uma história sobre o Paulo Pimenta que responde a um processo que desceu do STF. E tb vão abordar a questão do caso do filho do Bolsonaro/Queiroz.
Dallagnol – 16:44:44 –  Ele pediu a entrevista para até quarta-feira. Assim que o e-mail chegar, colocamos aqui.
Dallagnol – 16:44:44 –  Prezados, boa tarde Domingo, iremos exibir, no Fantástico, uma reportagem na qual iremos abordar um processo por estelionato a que o deputado Paulo Pimenta responde no Supremo. Teremos uma entrevista exclusiva de um primo dele, laranja de um esquema envolvendo compra e venda de arroz, com envolvimento do ex-diretor do Dnit, Hideraldo Caron. Essa suspeita contra o Pimenta será nosso principal case numa reportagem sobre os casos em que políticos perderam o foro, devido ao entendimento do Supremo de que a prerrogativa só existe para crimes cometidos durante o mandato e que dizem respeito ao mandato. Assim, citaremos também o caso F. Bolsonaro, que surgiu após o início da nossa apuração. Iremos incluir, ainda, um levantamento do STF mostrando a quantidade de processos que baixaram para o primeiro grau, os políticos que possuem maior número de processos, etc. Assim, pergunto se o doutor Deltan poderia gravar conosco, para falar dos reflexos da restrição do foro para os envolvidos na Lava-Jato e também sobre a questão do foro, em si. Vocês tem um levantamento de quantos políticos investigados estão nessa situação, ou seja, já estão respondendo no primeiro grau? Já dá pra afirmar que esses processos estão tramitando de forma mais rápida? Quantos recorreram para manter os procedimentos no STF? No aguardo Muito obrigado
Dallagnol – 16:44:48 – O que acham?
Julio Noronha – 16:50:02 – Acho q não é uma boa; além da bola dividida Flávio Bolsonaro, e de ser pauta já definida pelo STF, Paulo Pimenta já nos representou algumas vezes
Antonio Carlos Welter – 16:59:18 – Pelo Pimenta não vejo problema. O ruim é a bola dividida. Mas não dividir pode ser pior. Fica seletivo
Welter – 17:03:00 – Se falar em tese, não vejo problema. Mas e a Raquel, não vai chiar de novo?


‘XIIIIIIIII’

Os diálogos fazem de um pacote de mensagens que o Intercept começou a revelar em 9 de junho – série conhecida como Vaza Jato. Os arquivos reúnem chats, fotos, áudios e documentos de procuradores da Lava Jato compartilhados em vários grupos e chats privados do aplicativo Telegram. A declaração conjunta dos editores do The Intercept e do Intercept Brasil explica os critérios editoriais usados para publicar esses materiais.

Em outras conversas privadas, procuradores do MPF também comentaram o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Queiroz. “Não tenho dúvida de que isso é mensalinho”, escreveu o procurador regional da República Danilo Dias, acrescentando em seguida “No mesmo esquema de Mato Grosso com Silval Barbosa”.

Uma discussão ocorreu no dia 11 de dezembro de 2018, quando, num grupo chamado Winter is Coming, a subprocuradora-geral da República Luiza Frischeisen compartilhou um link para uma matéria do Jornal Nacional sobre o caso. O telejornal explicou que “a análise do relatório do Coaf revela que a maior parte dos depósitos em espécie na conta do ex-motorista de Flávio Bolsonaro coincidem com as datas de pagamento na Assembleia Legislativa do Rio” e que “o Coaf apontou que Fabrício teve uma movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão durante um ano.”

‘Não tenho dúvida de que isso é mensalinho’

A subprocuradora, que havia enviado o link original, recapitulou o conhecido esquema de corrupção e previu os próximos passos da investigação: “Pessoas da mesma família empregá-la , depósito de parte dos salários de servidores em dias de pagamento, outros depósitos , resta saber quem recebia os saques . Agora vem a quebra do sigilo. Vamos aguardar a investigação geral do MPRJ quanto aos assessores”. Frischeisen está na lista tríplice escolhida pelos membros do MPF para substituir a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, cujo mandato se encerra em setembro.

Uma outra procuradora do MPF, Hayssa Kyrie Medeiros Jardim, explicou que o esquema praticado por Flávio se tratava de “Esquema equivalente ao descoberto na Dama de espadas”. Em seguida, a procuradora compartilhou um artigo da Tribuna do Norte, publicado no dia 12 de novembro de 2018, que revelava o funcionamento de um esquema similar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. No caso, uma organização criminosa formada por servidores e ex-presidentes da casa realizou desvios milionários por meio de um esquema com funcionários-fantasma.

Frischeisen comparou o caso de Flávio a um outro, também no Rio de Janeiro, envolvendo a deputada estadual Lucia Helena Pinto de Barros, conhecida como Lucinha, “acusada de desviar dinheiro público em contratação de funcionário fantasma”. Citando uma nota do MPRJ, a procuradora disse que “MPRJ já fez denúncia sobre caso semelhante envolvendo funcionário fantasma”, indicando que haveria precedente para uma denuncia contra Flávio. No decorrer da conversa, nenhum dos procuradores discordou da declaração enfática de que Flávio teria praticado corrupção.

Segundo a revista Veja, que teve acesso ao documento que embasou a quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro, o Ministério Público do Rio de Janeiro vê indícios que sugerem a prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete do então deputado. O caso seria, então, ainda mais grave do que os outros casos citados pelos procuradores.

11 de dezembro de 2018 – grupo Winter is coming

Danilo Dias – 22:09:47 – Não tenho dúvida de que isso é mensalinho
Dias – 22:10:10 – No mesmo esquema de Mato Grosso com Silval Barbosa
Anna Carolina Resende – 22:10:48 – SUPRIMIDO
Hayssa Kyrie Medeiros Jardim – 22:11:18 – Xiiiiiiiii
Luiza Frischeisen – 22:13:46 – Pessoas da mesma família empregá-la , depósito de parte dos salários de servidores em dias de pagamento , outros depósitos , resta saber quem recebia os saques . Agora vem a quebra do sigilo . Vamos aguardar a investigação geral do MPRJ quanto aos assessores .
Roberto Dassié – 22:15:11 – [áudio não encontrado]
Jardim 22:15:12 – Esquema equivalente ao descoberto na Dama de espadas
Jardim – 22:15:12 –http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/rita-confirma-desvios-na-assembleia/432729

Um mês depois, no dia 17 de janeiro, os assessores de imprensa de Dallagnol, num grupo de chat privado entre o procurador e os profissionais, trataram de uma solicitação enviada pelo então repórter do Intercept Rafael Moro Martins (hoje editor em Brasília), que cobrava um posicionamento oficial de Dallagnol sobre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Queiroz. Na mensagem, o repórter observou que o procurador vinha sendo “ativo nas redes sociais em assuntos que não dizem respeito à atuação da FT e do MPF.”

Dallagnol comentou as repetidas cobranças nas redes sociais por um posicionamento mais contundente sobre o caso Queiroz: “vi mta cobança na rede social, mas achava que eram mais robos”. Sua assessoria, no entanto, disse que a cobrança era orgânica e previsível: “era previsível, sim”, “essa cobnrança não é só de robôs”, “os jornalistas tb estão atentos”.

Foi então que a assessoria elogiou Dallagnol por seu posicionamento firme em relação ao caso de Flávio. “isso reforça o apartidarismo”, escreveu um assessor em um chat. O assessor também criticou a posição de Moro: “saem contar que a fala de Moro sobre Queiroz foi muito ‘neutra’. não teve firmeza, sabe? para muita gente, pareceu que Moro quis sair pela tangente”. Ele, a assessoria disse, “ficou em cima do muro”.

A preocupação do assessor de Dallagnol sobre as motivações de Moro no caso envolvendo Flávio foi enviada no chat em janeiro, pouco mais de um mês depois do próprio procurador debater o caso com os colegas.

No chat, Dallagnol não disse nada em resposta às críticas e à aparente disposição de Moro – famoso por sua severidade contra corrupção – de proteger Flávio. Essa conversa, entretanto, ocorreu cerca de dois meses depois que o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, como demonstrado previamente pelo Intercept, ter dito à procuradora Janice Ascari, num chat privado: “sobre a saída do Moro pro MJ, mas temos uma preocupação sobre alegações de parcialidade que virão . . . tenho medo do corpo que isso possa tomar na opiniã pública.”

Moro já foi questionado diversas vezes sobre sua aparente apatia diante não somente da investigação sobre a corrupção de Flávio, mas também de outros escândalos envolvendo o governo Bolsonaro, como as denúncias de que o PSL teria utilizado um esquema de laranjas nas eleições de 2018. Quando perguntado, Moro em geral alega não ter controle sobre a Polícia Federal, como fez novamente em entrevista concedida ao Correio Brasiliense no começo de julho: “A PF está apurando os fatos e deve chegar a conclusões. E à medida que estão sendo feitas as diligências, (elas) estão sendo informadas ao presidente”.

A afirmação de Moro de que ele não tem controle sobre a Polícia Federal – em resposta às críticas de que ele protegeu Bolsonaro e PSL – deveria ser vista com muito ceticismo. Durante anos, ele também insistiu que não desempenhou nenhum papel nas operações da Lava Jato, algo que as reportagem do Intercept, da Folha e da Veja provaram ser claramente falso.

 Fonte: The Intercept (colaborou  Amanda Audi)

Forró e reggae atraem grande público à orla marítima no Mais Viver Praia

21-07-2019 Domingo

O forró universitário da banda paulista Falamansa e o reggae de ‘responsa’ do grupo maranhense Raiz Tribal levaram milhares de pessoas à Praia do Caolho, no prolongamento da Avenida Litorânea, neste sábado (20). Os shows abrilhantaram a agenda de atividades da segunda edição do Mais Viver Praia, realizado pelo Governo do Estado, na Praia do Caolho. O projeto acontece todos os sábados de julho, sempre a partir das 16h, levando à orla marítima uma vasta programação com atrações esportivas, culturais, de saúde, lazer e cidadania.

O secretário de Estado do Turismo (Setur), Catulé Junior, avaliou como um grande sucesso mais esta noite de programação. “Toda a agenda do Mais Viver Praia foi pensada para que os maranhenses possam se divertir em um dos maiores atrativos da cidade, que é a praia e também para atrair o turista a conhecer e prestigiar a programação que é bastante variada”, avaliou o gestor. O projeto é coordenado pela Setur em ação conjunta com diversas outras secretarias de Estado.

O público dançou, cantou e aplaudiu a apresentação do Falamansa, que se apresentou às 19h. A banda comemora seus 20 anos de carreira e no show relembrou grandes sucessos e inéditas, tiradas do mais recente trabalho, intitulado ‘Falamansa 20 anos’, gravado ano passado em CD e DVD e que vem sendo divulgado em todo o país.

Tato Cruz, vocalista do Falamansa, descreveu o show em São Luís como especial e emocionante (Foto: Handson Chagas)

“É uma emoção estar em São Luís, cidade onde já fizemos shows e sempre fomos muito bem recebidos. Esse é um momento especial para a banda e não poderíamos deixar de comemorar com os maranhenses”, enfatizou Tato Cruz, vocalista do grupo.

No show foram cantados grandes sucessos como Xote dos Milagres, Avisa, Xote Universitário, A Falta, Esperando na Janela, Oh Chuva, Tô Rindo à Toa e Xote da Alegria, que quando cantadas pelo grupo fizeram o público sair do chão.

“Adorei o show. Gosto do Falamansa e do forró universitário que é animado e de letras bem dançantes. A organização do evento está de parabéns por essa programação tão bacana”, disse a auxiliar administrativo Ana Cláudia Martins Cerveira, 32 anos.

Programação contou ainda com uma série de atividades de lazer, esporte, saúde e cidadania para o público (Foto: Handson Chagas)

O assistente de tecnologia Antônio Carlos Ataíde, 25 anos, também elogiou a opção de lazer para as férias. “É uma alternativa de diversão para as férias e tendo a praia, que todo maranhense gosta, como atrativo foi uma ideia muito boa”, declarou.

O reggae cadenciado e marcante da banda Raiz Tribal complementou a agenda cultural do evento. Na estrada há 16 anos, a banda é formada pelos músicos Gill Ennes, Keké Ennes e Léo Maranhão. No show, o grupo brindou o público com reggaes conhecidos e também autoriais divulgadas no CD Pra Você, mais recente trabalho dos artistas.

A programação contou ainda com uma série de atividades de lazer, esporte, saúde e cidadania para atrair o público. Entre estes, espaços com venda de produtos artesanais maranhenses, lanches; ações de orientação de saúde e avaliação nutricional; educação ambiental com distribuição de mudas; momento de relaxamento com quick massagem; ações de entretenimento com jogos, contação de histórias e aulão de zumba; além de distribuição de brindes ao público.

Comédia Pão com Ovo diverte público com espetáculo promovido pela gestão do prefeito Edivaldo

21-07-2019 Domingo

A comédia Pão com Ovo garantiu boas gargalhadas ao público que lotou o Complexo Deodoro, na noite deste sábado (20), em mais uma edição do Arte na Praça, atividade inserida na programação do programa Férias Culturais, iniciativa desenvolvida pela gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior, como o objetivo de proporcionar, no mês das férias escolares, opções para que moradores e turistas conheçam mais sobre a riqueza e as belezas que fazem São Luís patrimônio mundial da humanidade. A programação do Férias Culturais acontece até dia 31 de julho, nos espaços do Centro Histórico da capital por meio de apresentações que incluem teatro, música, teatro, dança, história e as tradições locais.

O Complexo Deodoro, agora amplamente restaurado e revitalizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com a Prefeitura de São Luís, foi palco para o espetáculo da trupe formada por Dijé, Clarice e companhia, que divertiu o público com um novo formato da comédia Pão com Ovo, com novo elenco e outras histórias que fazem referência às características peculiares do modo de ser e de viver do maranhense.

A secretária municipal de Turismo, Socorro Araújo, destacou a iniciativa que tem ocupado os espaços públicos com muita arte, lazer e diversão. “É muito bom ver que as pessoas estão voltando a frequentar e apreciar os espaços históricos, agora restaurados. O programa Férias Culturais, que é uma feliz iniciativa do prefeito Edivaldo desenvolvida por todo o mês de julho, vem com essa proposta de aliar história, cultura e entretenimento por meio de atividades como esta aqui, no meio da praça, na qual valorizamos a arte e o artista local, além de possibilitar aos moradores e turistas a chance de se encantarem com os novos espaços agora restaurados. E a comédia Pão com Ovo, além de divertir muito as pessoas, tem toda essa maranhensidade que buscamos preservar na nossa cultura”, observou a secretária.

O secretário municipal de Cultura, Marlon Botão, também destacou a ação como mais uma iniciativa louvável para valorizar as artes e a cultura local. Disse ainda que a comédia Pão com Ovo, que já é sucesso de público em São Luís e que conquistou plateias também de outros estados brasileiros, não poderia ficar fora da programação que é feita para proporcionar entretenimento e alegria. “O Férias culturais é mais uma iniciativa da gestão do prefeito Edivaldo de grande aceitação popular, que vem com esse viés de trazer a população para ocupar os espaços públicos e participar ativamente da vida da sua cidade. Outro aspecto importante é que a ação contempla diversos gêneros artísticos para promover entretenimento com cultura e agradar a todos os gostos e idades”, pontuou o secretário Marlon Botão.

O espetáculo Pão com Ovo conta as histórias engraçadas vividas pelas personagens maranhenses Dijé (Adeílson Santos), Clarisse Milhomem (César Boaes) e o motense José de Ribamar, interpretado por Davyd Dias. Após a apresentação, o ator César Boaes enalteceu a iniciativa. “Estamos muito felizes de participar desse projeto. E esse espaço aqui, que um dia recebeu tantos eventos cívicos, volta a ser novamente ocupado com arte e cultura. O local é um marco na vida das pessoas da cidade e uma iniciativa como esta nos deixa imensamente satisfeitos”, disse o artista.

O espetáculo no Complexo Deodoro promoveu ainda momentos de interação com o público, que reagiu às brincadeiras com muito riso e alegria, como aposentada Fátima Pereira, 65 anos. “Além de assistirmos a esse espetáculo de puro riso e alegria, nós aproveitamos também para conhecer os novos espaços revitalizados, como o Complexo Deodoro, que ficou simplesmente lindo depois de restaurado”, disse ela.

A dona de casa Angelina Coutinho, 54, também pontuou a ação como positiva em todos os aspectos. “Estou adorando participar de todos os eventos. Já assisti à Serenata Histórica e agora dei muitas gargalhadas com o Pão com Ovo”, disse.

A autônoma Andréa Araújo, 29 anos, também exaltou a ideia do projeto. “Como diz a música: a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. E arte é o que temos aqui, nesse lindo espaço restaurado e com a população apreciando o que sua cidade tem de melhor”, relatou.

FÉRIAS CULTURAIS

A programação do Férias Culturais continua neste domingo (21), com a Feirinha São Luís na Praça Benedito Leite. A partir das 15h, uma programação infantil, com a Banda Carrossel Encantado, leva as crianças no Complexo Deodoro. O programa conta ainda com atividades como o Sarau Histórico, Passeio Serenata, Roteiro Reggae e o Conheça São Luís. Na versão deste ano, o Férias Culturais trouxe como novidades apresentações de Blues, Jazz e uma programação infantil.

Gestão do prefeito Edivaldo promove concerto da banda da Guarda Municipal no Arthur Azevedo pelos 30 anos da corporação

21-07-2019 Domingo

Uma apresentação em quatro atos, com a presença de músicos da Guarda Municipal de São Luís e instrumentistas convidados do Exército Brasileiro e da Polícia Militar do Maranhão. Assim será o Concerto de Banda de Música, evento que será promovido pela Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania (Semusc), na próxima terça-feira (23), no Teatro Arthur Azevedo, a partir das 19h. A apresentação faz parte de uma extensa programação organizada pela gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior em comemoração aos trinta anos da Guarda Municipal.

No primeiro ato do concerto, haverá a apresentação da Banda da GMSL com músicos convidados do Exército e da PM, que tocarão o Hino Nacional, o Hino de Louvação a São Luís e o hino que foi composto para a Guarda Municipal. No segundo ato, serão executadas composições clássicas da Música Popular Brasileira (MPB) e canções de artistas e grupos culturais maranhenses.

No terceiro ato, o concerto trará uma apresentação exclusiva do Projeto Banda de Música Juvenil da Guarda Municipal que, por sua vez, executará músicas nacionais e locais. O grupo é composto por crianças e adolescentes, com idades entre seis e 16 anos, das comunidades do Coroadinho, Vila Conceição, Primavera e Vila Palmeira que fazem parte da iniciativa da GMSL. No quarto e último ato, todas as bandas se unem na apresentação, tocando ritmos e músicas diferentes para os convidados do evento.

O secretário municipal de Segurança com Cidadania, Heryco Coqueiro, explica o objetivo da ação. “Além de celebrar as três décadas da GMSL, outro objetivo do Concerto da Banda de Música da Guarda Municipal é mostrar a harmonia e a integração que existe entre as forças de segurança presentes na cidade, por meio do talento de seus integrantes que se apresentarão no evento”, conta o secretário da Semusc.

A Banda da Guarda Municipal conta hoje com mais de 50 integrantes que se apresentam nos mais variados eventos da capital maranhense, como em solenidades oficiais da Prefeitura de São Luís, praças públicas, igrejas, desfiles cívicos e militares e em concertos didáticos em escolas públicas municipais.

HOMENAGENS 

Durante o concerto, também haverá um momento especial pelo 30º aniversário da Guarda Municipal, com a entrega de certificados aos amigos da guarnição e homenagem a guardas municipais que tiveram serviços relevantes ao longo das três décadas de existência da corporação. Serão homenageados ex-comandantes da Guarda Municipal, compositores do hino da corporação e autoridades que tenham contribuído para os avanços e serviços prestados pela GMSL em São Luís.

COMPETIÇÃO 

Ainda como parte da programação oficial de aniversário da GMSL, realizada durante todo o mês de julho por meio de atos cívicos, culto ecumênico, seminário, caminhada, travessia marítima e concerto de banda de música, a Semusc promoverá, na próxima sexta-feira (26), uma Competição de Tiros no estande do 24º Batalhão de Infantaria de Selva (24º BIS), pela manhã.

O torneio de tiros contará com a participação de equipes formadas por integrantes do Exército Brasileiro e da Polícia Militar. Os competidores vão passar por uma sequência de alvos com distâncias diferentes e sequências de tiro no alvo diferente (quadrante dividido em partes coloridas). O primeiro, segundo e terceiro lugar vão receber troféus específicos do torneio.

Prefeitura de São José d Ribamar recebe veículos para beneficiários de programas sociais

20-07-2019 Sábado

Comunidades atendidas pelas políticas públicas de assistência social, em especial moradores com baixa locomoção ou deficiências físicas, já podem comemorar. Nesta quinta-feira (18) foram entregues pela Prefeitura Municipal de São José de Ribamar dois veículos, um carro de passeio e um micro-ônibus, que serão implantados nos programas da Secretaria Municipal de Assistência Social, Trabalho e Renda (SEMAS).

Os veículos são fruto de uma emenda parlamentar destinada ao município pelo deputado federal Hildo Rocha (MDB), que também se fez presente na entrega dos veículos à população. Intitulados de MOB-Suas, por serem equipamentos de mobilidade do Sistema Único de Assistência Social, os veículos são adaptados para receber e transportar pessoas com deficiência, com conforto e segurança.

Em seu discurso, o prefeito Eudes Sampaio agradeceu o apoio do deputado federal Hildo Rocha e reafirmou a continuidade e os esforços para beneficiar os ribamarenses. 

“O governo está trabalhando, todos os dias estamos nas ruas fazendo tudo o que a prefeitura pode fazer pela população de São José de Ribamar e para isso contamos com a ajuda do Hildo Rocha. Estou cumprindo com o meu dever, que é de trabalhar por este povo que me elegeu, sem medo de enfrentar os problemas, pois a gente só resolve problemas enfrentando”, disse Eudes Sampaio.

O presidente do Conselho Municipal do Direito das Pessoas com Deficiência, Divaldo Falcão, que é deficiente visual, agradeceu prefeito Eudes Sampaio pelo empenho em garantir condições dignas para os ribamarenses atendidos pela SEMAS e ao deputado Hildo Rocha.

“Aqui estão as pessoas que foram delegadas por nós, cidadãos de São José de Ribamar, que realmente trabalham por nossa gente. Parabéns a nossa cidade e toda a equipe, e obrigado por essas pessoas que estão à frente desse trabalho, que junto aos cidadãos ribamarenses trazem esse benefício que não é para um, é para todo o povo ribamarense”, ressaltou Divaldo.

O deputado federal Hildo Rocha aproveitou para enaltecer o trabalho realizado pela gestão municipal, que tem diariamente se dedicado a sanar problemas e proporcionar melhorias na qualidade de vida da população ribamarense.

“O Eudes é um homem competente e muito dedicado. Esteve em Brasília buscando recursos para o município, numa grande peregrinação em busca de melhorias para a cidade. E é por isso, por esse esforço que São José de Ribamar está entre as 30 cidades em todo o país que receberam um micro-ônibus desse tipo”, ressaltou o deputado.

Bolsonaro deve ter pesadelo ao ver Flávio Dino governar, diz Manuela

20-07-2019 Sábado

A agressão de Jair Bolsonaro aos nordestinos, qualificados pejorativamente como “paraíbas”, e ao governador Flávio Dino, “o pior de todos, na opinião do presidente, gerou um onda de protestos e solidariedade. A ex-deputada Manuela d’Ávila que contrapôs o exitoso governo de Dino no Maranhão ao desastre de Bolsonaro em pouco mais de seis meses como mandatário do Brasil. Para Manuela, a situação provoca pesadelo no presidente de extrema-direita.

Manuela d’Ávila se manifestou através de seus perfis nas redes sociais. Ela pergunta por que Bolsonaro ataca Flávio Dino e responde em tom de questionamento. Seria porque o governo maranhense “paga o maior salário do país aos professores, ao invés de transforma-los nos inimigos do Brasil? Porque Flávio Dino abriu uma universidade enquanto cortam a luz das Universidades Federais? Porque Flávio Dino constrói hospital enquanto Bolsonaro deixa de fabricar remédios que salvam vidas contra o câncer?”. E enfatiza dizendo que o Maranhão conquistou “tudo isso com um orçamento restrito”. Aguda, Manuela conclui dizendo que “para alguém como Bolsonaro deve ser mesmo um pesadelo ver Flávio Dino governar.”

Quanto ao fato de Bolsonaro chamar os nordestinos de paraíba, Manuela afirma que “no Rio de Janeiro, há uma expressão racista que diz que todo nordestino é Paraíba. Ou seja, paraíba é o nome genérico dado a qualquer nordestino. Bolsonaro é carioca. Em São Paulo o termo equivalente é baiano”. Ela considera muito grave a frase em que o presidente afirma “Dos governadores de ‘Paraíba’, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”. Para Manuela “estamos diante de um caso análogo ao de racismo pelo qual ele foi réu no STF” e pergunta “o Presidente da República pode ofender dessa maneira a população de nove Estados do Brasil?” 

Flávio Dino poderá denunciar Bolsonaro por racismo

20-07-2019 Sábado

O governador do Maranhão, Flávio Dino, avalia ir à Procuradoria-Geral da República contra Jair Bolsonaro pelo crime de racismo. Durante o café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (20), Bolsonaro criticou Dino e se referiu aos estados da região Nordeste pelo termo “Paraíba”, termo considerado pejorativo para se referir a nordestinos fora da região, especialmente no Rio de Janeiro, estado de Bolsonaro.

Bolsonaro disse que, dos governadores do Nordeste, o pior é Flávio Dino. “Dos governadores de ‘Paraíba’, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”, afirmou o presidente, dirigindo-se a Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil. Dino, que é de um partido de oposição a Bolsonaro, o PCdoB, conversou com a coluna do jornalista Guilherme Amado, da revista Época, sobre o caso. 

Como o senhor recebeu a declaração?

Hoje (sexta-feira) ele estava em um dia inspirado. Essa postura sectária dele foi contra diversos setores ao mesmo tempo. Foi contra a Miriam Leitão (Bolsonaro mentiu, afirmando que a jornalista Miriam Leitão inventou ter sido torturada na ditadura militar), os artistas (Bolsonaro ameaçou extinguir a Ancine, caso não haja um filtro cultural nos filmes financiados com dinheiro público), contra quem passa fome (Bolsonaro afirmou que não se passa fome no Brasil) e contra os nordestinos. Ele tem a cada dia piorado.

O senhor fará algo sobre a declaração?

É uma declaração criminosa. Configura um crime, previsto na lei que trata de racismo. Ele não pode falar assim. O presidente da República, ao dizer algo desse tipo, está praticando e incentivando que outros pratiquem o crime de racismo. Se ele não se explicar, vamos tomar providências junto à PGR para apurar a atitude dele.

Seria o crime de racismo?

Não só. Pode configurar também o crime de ameaça, ao dar uma determinação a um subordinado dele, o Onyx Lorenzoni, que não dê recursos “a esse cara”. Isso configura uma ameaça. Eu já o cobrei no Twitter e estou esperando para ver o que é isso. Realmente é uma coisa grave. É inédito. Mesmo na ditadura, o (presidente João Figueiredo) mantinha uma relação com vários governadores da oposição, como Franco Motoro, Leonel Brizola. O mesmo aconteceu com o Fernando Collor, com o Fernando Henrique. É atípico que ele determine ao ministro que coordena o governo que persiga um governador. Por que isso?

Como o senhor avalia a relação do presidente com o Nordeste?

Ele tomou poucas iniciativas em relação ao Nordeste. Quando ele nos chamou (os governadores do Nordeste), nós fomos. Foi um diálogo respeitoso, de parte à parte. Nós atendemos mostrando que não há nada agressivo da nossa parte, mas ninguém vai abrir mão de suas ideias para que ele fique feliz. Isso é o mínimo da visão democrática. Temos opiniões diferentes, mas exigimos respeito. Não vamos aceitar desrespeito, agressividade, beligerância com o Nordeste. Estamos esperando uma retratação.
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 Fonte: Revista Época