Arquivo mensal: julho 2019

Federação e OAB-MA realizarão ação conjunta em prol da cidadania

24-07-2019 Quarta-feira

O presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão, Famem, Erlanio Xavier, recebeu em audiência na sede da entidade, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB/MA), Thiago Diaz, para debater a construção de uma agenda conjunta com objetivo de promover esclarecimentos sobre assuntos relacionados ao pleito de 2020.


De acordo com as primeiras tratativas entre a entidade representativa dos prefeitos e a seccional da OBA no estado, a partir do mês de agosto terá início uma agenda que percorrerá 15 comarcas no estado do Maranhão, prestando esclarecimentos sobre prazos eleitorais, alterações na Lei Eleitoral,  exigências do TSE e a campanha de combate ao caixa 2 e fake news.


“Os municípios, efetivamente, são os entes públicos mais próximos da sociedade. A Famem e a OAB, como vanguarda na defesa da cidadania e da sociedade, têm essa parceria como uma ferramenta de aproximarmos do cidadão, para que possamos de maneira conjunta fazer a defesa da ordem jurídica do estado democrático, defendendo ações importantes”, afirmou o presidente da OAB, Thiago Diaz.


Erlanio Xavier destacou a importância da parceria para atividades em conjunto nos municípios. “A Famem, como sempre, está à disposição para levar ações pontuais aos municípios. Iremos promover junto com a OAB-MA capacitação e esclarecimentos à população sobre a cidadania”, disse. 
Na audiência com o presidente, Thiago Diaz esteve  acompanhado do presidente da Comissão de Direito Eleitoral, Mauro Ferreira e do advogado Bruno Diaz.  Participaram também o coordenador jurídico e conselheiro estadual da OAB-MA, Guilherme Mendonça, o assessor Jurídico, Ilan Kelson, e os prefeitos de Balsas, Dr. Erik Costa, e o de Sítio Novo, João Pequiá

Nova oficina é oferecida pela gestão do prefeito Edivaldo no Centro de Capacitação em Culinária Típica

23-07-2019 Terça-feira

A Prefeitura de São Luís iniciou, nesta segunda-feira (22), mais uma oficina do Centro de Capacitação em Culinária Típica, que funciona no Museu da Gastronomia Maranhense, uma iniciativa da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior. Depois da imersão aos sabores do milho e seus derivados, dando início às capacitações no espaço, agora foi a vez da macaxeira, outro produto que é a base de muitos pratos da culinária maranhense e de grande aceitação popular. Inserida na programação do Férias Culturais, a oficina tem o objetivo de resgatar as bases gastronômicas do Maranhão e oferecer oportunidade gratuita de capacitação para estimular a geração de emprego e renda aos participantes.

A secretária municipal de Turismo, Socorro Araújo, destacou a importância do uso de produtos populares e regionais como base dos ensinamentos culinários prestados nas oficinas. “Nós vamos trabalhar com o resgate das bases da culinária maranhense. E a macaxeira tem forte presença na base alimentar do maranhense, utilizada em diversos pratos principalmente da culinária tradicional local. A oficina, com certeza, será de grande valor para oportunizar aos participantes conhecer um pouco esse produto tão rico nutricionalmente e seus derivados”, observou a secretária, acrescentando ainda que as oficinas no espaço, seguindo orientação do prefeito Edivaldo, serão periódicas e podem participar todos que tiverem interesse sobre a gastronomia do Maranhão.

Intitulada “Sabores da Terra”, a capacitação conta com 20 participantes e está sendo ministrada pelo chef de cozinha do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), abordando temas teóricos e práticos. Além da produção de pratos muito comuns no Maranhão como o bolo de macaxeira, beiju de coco e mingau de tapioca, por exemplo, são apresentadas ainda aos participantes a história e a importância da gastronomia maranhense. As aulas práticas ocorrem na cozinha industrial do Centro de Capacitação em Culinária Típica do Museu da Gastronomia Maranhense. A etapa prática da capacitação acontece nesta terça-feira (23).

O passo a passo da elaboração desses clássicos da culinária local é apresentado de forma que esses produtos possam ser utilizados não apenas como base da alimentação familiar, mas também como fonte de renda, já que são de grande aceitação popular e agradam também aos paladares mais refinados. Também como parte da oficina, os inscritos participam ainda de um tour guiado pelo Museu da Gastronomia e recebem aulas multimídia para melhor compreensão do conteúdo repassado.

O Museu da Gastronomia, que funciona em um prédio histórico localizado na Rua da Estrela, nº 83, integra o conjunto de ações executadas na gestão do prefeito Edivaldo visando à revitalização do Centro Histórico de São Luís. A proposta da iniciativa é contar a história da culinária maranhense a moradores e turistas, além de ser local permanente de capacitação na área da gastronomia. O espaço já recebeu centenas de visitantes no primeiro mês de funcionamento.

Na primeira oficina promovida no Centro de Capacitação em Culinária Típica do Museu da Gastronomia Maranhense, realizada também este mês, foram abordados conhecimentos sobre o milho, outro produto que tem forte influência sobre a culinária maranhense e nordestina de modo geral. 25 pessoas participaram da oficina, que finalizou com a elaboração de produtos como o manuê, a canjica, a pamonha, entre outros doces. 

Datafolha: 58% não conseguem citar medida positiva do governo Bolsonaro

23-07-2019 Terça-feira

Levantamento evidencia que é crescente a percepção dos brasileiros de que em seis meses Bolsonaro não fez nada para o povo e só prejudicou os direitos dos trabalhadores

Jair Bolsonaro (PSL) está a mais de seis meses na Presidência e até agora não fez absolutamente nada pelo povo. Essa percepção é crescente entre os brasileiros, é o que mostra uma pesquisa do Datafolha, que constatou que 58% dos entrevistados não sabem ou não conseguem citar medida positiva do atual governo. De acordo com o levantamento, divulgado pela Folha de S.Paulonesta sLevantamento evidencia que é crescente a percepção dos brasileiros de que em seis meses Bolsonaro não fez nada para o povo e só prejudicou os direitos dos trabalhadoresegunda-feira (22), quando questionados sobre o que de melhor foi feito, 39% responderam ‘nada’ e outros 19% não souberam responder à pergunta.

O Datafolha apontou ainda que o percentual de brasileiros que não destacam qualquer ação positiva do governo no período – “nada” – sobe para 45% entre as mulheres; para 46% entre entrevistados do Nordeste; e 52% para fiéis de religiões de matriz africana. O número chega a 76% na faixa dos que avaliam a gestão como “ruim ou péssima”. A tendência, inclusive, é que a avaliação no Nordeste piore ainda mais, uma vez que Bolsonaro deixa  mais evidente, a cada dia, seu desprezo e preconceito pela região.

O despreparo de Bolsonaro e a percepção de que seu desgoverno não fez nada pelos trabalhadores já é evidente até mesmo entre os seus eleitores. Segundo o Datafolha, 17% dos brasileiros que votaram em Jair responderam não ver o que destacar positivamente das ações do governo.

Armas e reforma da Previdência

O instituto perguntou aos entrevistados quais foram as principais iniciativas negativas do governo de Bolsonaro. Para 21% dos brasileiros, o decreto de armas foi a principal medida antipovo. A reforma da Previdência também foi criticada – 12%. A incapacidade e falta de postura de Jair (imagem pública) também aparecem como um dos pontos mais críticos – 9%. Este quesito, segundo o Datafolha, inclui declarações consideradas desnecessárias e/ou ofensivas, relação com os filhos e articulação política.

A pesquisa  foi realizada nos dias 4 e 5 de julho e ouviu 2.086 pessoas, de 16 anos ou mais, em 130 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações da Folha de S.Paulo

Mulheres vítimas de violência têm risco de morte 8 vezes maior

23-07-2019 Terça-feira

Pesquisa feita a partir de dados do Ministério da Saúde aponta os efeitos e consequências dos abusos físicos e psicológicos sofridos pela população feminina

Estudo realizado a partir de dados do Ministério da Saúde indica que mulheres brasileiras expostas àviolência física, mental ou sexual têm risco de mortalidade oito vezes maior em comparação com a população feminina em geral. A Folha de S. Paulo publicou nesta segunda (22) a pesquisa que se baseou em 16,5 mil mortes e 800 mil notificações de violência contra mulheres, entre 2011 e 2016.

Os pesquisadores cruzaram os casos de violência intencional praticada por terceiros ou pela própria vítima (automutilação e tentativa de suicídio) do Sinan (Sistema Nacional de Agravos de Notificação) com dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). Dessa maneira, a pesquisa mapeia uma possível trajetória desde a agressão até a morte de mulheres sujeitas a qualquer tipo de violência. O Brasil é o 5º país no ranking mundial de países que mais matam mulheres, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas pra os Direitos Humanos (ACNUDH).

A pesquisa foi realizada por pesquisadores da USP, UFMG e da Universidade de Toronto, além do Ministério daSaúde e da Vital Strategies, organização internacional que apoia políticas de saúde pública.

A médica Fátima Marinho, uma das autoras do estudo, enfatiza que as mortes poderiam ser evitadas: “Temos a agressão, temos até o endereço da mulher e do agressor, sabemos que ela corre o risco de morrer, e no final da história, ela morre. Morte evitável, mas não estamos conseguindo atuar preventivamente”, disse à Folha de S. Paulo.

O estudo também leva em conta mortes por doenças crônicas desenvolvidas a partir de episódios de violência, por exemplo, uma depressão que levou ao suicídio. Marinho ressalta as terríveis consequências da violência contra a mulher: “Mulheres expostas à violência crônica, como a doméstica, adoecem muito mais, não conseguem se cuidar, têm um profundo desejo de morrer e deixar de sofrer uma tortura constante”. De acordo com a pesquisa, mulheres vítimas de violência tiveram 11 vezes mais riscos de cometer suicídio.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, a socióloga Wânia Pasinato, especialista em violência contra as mulheres e consultora do Conselho Nacional do Ministério Público, cobra mais atenção do governo: “Nós já sabemos que isso acontece. Por que nunca fizemos nada para melhorar a situação dessas mulheres? E o que vamos fazer agora? Cadê as políticas públicas para olhar esse problema com a complexidade que ele tem que ser olhado?”, questiona. Pasinato exige melhor preparo dos serviços públicos para identificar os sinais da violência contra mulher e interromper o processo de agressão e possível piora da situação.

Discursos de ódio

Lamentavelmente, o quadro da violência contra a mulher no Brasil não dá sinais de melhora. A própria socióloga admite isso: “Infelizmente, cada vez mais no Brasil a gente vê um movimento contrário”. Além disso, discursos que vão na contra mão da garantia de direitos, do combate à misoginia e do empoderamento da mulher surtem um efeito negativo e retrógrado na sociedade, como os que faz o atual presidente do país, Jair Bolsonaro, que disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS)“Jamais iria estuprar você, porque você não merece”. E também já fez a seguinte declaração em discurso em 2017: “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, aí no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.

Além das falas machistas, Bolsonaro defende medidas que agravariam a violência contra a mulher, como a flexibilização do posse de armas. O projeto do governo é criticado por diversos especialistas. A major da Polícia Militar do Rio de Janeiro e cientista social, Cláudia Nunes, disse, em entrevista ao UOL, que “qualquer situação que facilite o acesso das pessoas à arma — que vai estar no mesmo ambiente da vítima e do autor — aumenta a probabilidade do objeto ser usado para o feminicídio”.

A advogada Maria Letícia Ferreira, em entrevista à Vice Brasil, falou sobre os possíveis  impactos catastróficos. “Mulheres e crianças são as maiores vítimas da violência no lar. Com a liberação e aumento da circulação de armas de fogo, a letalidade das agressões deve aumentar incidindo sobre os índices de feminicídios”. Maria Letícia faz parte do TamoJuntas, organização que presta assessoria jurídica, psicológica, social e pedagógica gratuita a mulheres em situação de violência.

Mulheres são maiores vítimas de violência

As mulheres representaram 70% das 243.259 vítimas de violência que procuraram o SUS em 2016 para atendimento médico. A maioria das agressões (70%) ocorreu em casa. Ou seja, com uma arma em casa, o risco de morte da mulher aumenta ainda mais. É importante lembrar que as agressões raramente são episódios únicos, e geralmente é um processo violento que se desenvolve dentro de casa.

Em 28% dos casos registrados, a violência era de repetição. Daniel Cerqueira, coautor do Atlas da Violência, disse à Folha de S. Paulo que a sequência de brutalidades é evidenciada no estudo: “Há determinados padrões que começam com violências psicológicas, xingamentos, depois passa para pequenas agressões, às vezes físicas, até chegar às agressões mais violentas. Muitas vezes, o ciclo volta com um suposto arrependimento do perpetuador e começa tudo de novo. É um processo crônico, gradual e evolucionário.”

Daniel é mais um crítico dos serviços públicos que cuidam desses casos. Para o pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), é importante a prevenção secundária da violência, aquela que evita a progressão da violência. “As mulheres já passaram pelo sistema de saúde, já se verificou que elas eram vítimas de violência doméstica e que têm risco, lá na frente, de serem mortas. Poderia ter havido intervenção do Estado. No entanto, nada foi feito e várias delas morreram”.

O estudo demonstra o constante risco de morte que ameaça as mulheres brasileiras. O combate à violência sofrida pela população feminina deveria ser prioridade do governo. Mas Jair Bolsonaro é cegado pelo machismoenraizado na sociedade brasileira. Bolsonaro segue fazendo declarações machistas, legitimando o turismo sexual e defendendo agressores.

Da Redação da Agência PT de Notícias com informações da Folha de S. PauloVice Brasil UOL

Clã Dallagnol: família de ruralistas recebeu R$ 37 mi em desapropriações

23-07-2019 Terça-feira

Família Dallagnol chegou a ter mais de 400 mil hectares de terras no Mato Grosso e recebeu pelo menos R$37 mi em desapropriações que foram contestadas pelo Incra

A família do coordenador da Operação Lava Jato,Deltan Dallagnol, tem um longo histórico de disputa por terras em área da Amazônia Legal no Mato Grosso.  Os conflitos envolvem grilagens, autuações por desmatamento ilegal e  o recebimento de pelo menos R$37 milhões por desapropriações – alto valor que foi contestado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que acredita haver irregularidades no pagamento.

Uma série de reportagens do observatório De Olho nos Ruralistas mostra que a história do clã na região teve início ainda na década de 70. Ao longo desse tempo, a família Dallagnol chegou a ter 400 mil hectares na região de Nova Bandeirantes (MT). A área é equivalente ao país africano Cabo Verde.

Por trás do latifúndio da família há um grande histórico de conflitos – de denúncias de desmatamento ilegal a disputa por terras que gerou uma indenização milionária que já foi contestada pelo Incra.

Em dezembro de 2016, durante o governo de Michel Temer, o clã recebeu R$36,9 milhões pela desapropriação de 37 mil hectares. O valor foi questionado pelo Conselho Diretor do Incra que, em maio deste ano, definiu em uma resolução pelo bloqueio do bens depositados. A portaria assinada pelo presidente do Instituto, general Carlos Jesus Corrêa, aponta que há “indícios de irregularidades” no pagamento.

14 parentes de Deltan estão envolvidos

Os conflitos latifundiários envolvem pelo menos 14 parentes do procurador Deltan: Vilse Salete Martinazzo e Agenor Dallagnol (pais); Sabino Dallagnol e Mathilde Rovani Dallagnol (avós paternos); Derci, Leonar, Veneranda e Iolanda Dallagol (tias); Xavier, Eliseu Eduardo e Eduardo Carlos Dallagnol (tios); Ninagin e Belchior Prestes Dallagnol (primos).

A reportagem esclarece ainda que, embora Deltan não esteja diretamente relacionado aos casos citados, ele é filho e, portanto herdeiro de Agenor, um dos beneficiados pela desapropriação do Incra. E que a sua história está longe do discurso anticorrupção que tenta vender com a Operação Lava Jato.

Familiares de Deltan foram flagrados em desmatamento ilegal

O levantamento mostra ainda que os negócios da família na região são geridos principalmente por Xavier e Leonar – esse último conhecido como “Tenente”. Os dois são irmãos e já foram flagrados em desmatamento irregular.

Eles foram autuados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) por desmatamento ilegal em 2017. Já o “Tenente” chegou a assinar termo de conduta com o Ministério Público Estadual do Mato Grosso por degradação ambiental após ser acusado de destruir vegetação em área de reserva legal.

Os dois tios de Deltan Dallagnol também são acusados de lotear terras ilegalmente. Eles são alvos de um inquérito em Nova Monte Verde, município próximo a Nova Bandeirantes.

Da Redação da Agência PT de Notícias com informações do observatório De Olho nos Ruralistas

Flávio Dino rejeita a imposição de ódios, preconceitos, agressões

23-07-2019 Terça-feira


 O governador do Maranhão, Flávio Dino, voltou a ser posicionar contra as declarações discriminatórias de Jair Bolsonaro contra o Nordeste. Para ele o Brasil a maioria dos brasileiros que união, paz e justiça social. Dino também lamentou que Bolsonaro tenha reafirmado a agressão contra ele e o governador da Paraíba, ao invés de se desculpar.

Flávio Dino se manifestou através das redes sociais para dizer que não há rivalidade entre as regiões Sul, Sudeste, Nordeste, Norte, Centro-Oeste do Brasil. “Sei que a imensa maioria da nossa Nação quer união, justiça social e paz”, afirmou. E enfatizou que os brasileiros não devem “aceitar a imposição de ódios, preconceitos, agressões. O Brasil é de todos nós”.


O governador maranhense também comentou o fato de Bolsonaro ter reafirmado as agressões feitas no sexta-feira (18), antes do encontro com jornalistas da imprensa internacional quando se referiu aos governadores do Nordeste, de forma pejorativa, como “governadores de Paraíba” e orientou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a não tratar nada com Flávio Dino, por ser “pior de todos”. Para Dino, ao invés de pedir desculpas, o presidente tentou dissimular seu grave preconceito regional. “Seria mais digno ter se desculpado. Mas o ódio impede um gesto de respeito e grandeza”, afirmou o governante, que arrematou com um verso de Chico Buarque: “Amanhã há de ser outro dia”. 

Da redação do Portal Vermelho

Jerry: “Bolsonaro não fez em sete meses o que Dino faz em sete dias”

23-07-2019 Terça-feira

O deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), esteve no último final de semana em João Lisboa, interior do Maranhão, para participar da Reunião da Comissão Provisória do Partido Comunista do Brasil, que marcou o ato de filiação do Doutor Enoque Cavalcante, pré-candidato à prefeitura do município.

Além de apoiar a filiação e a candidatura do Doutor Enoque, Márcio aproveitou seu discurso para se mostrar solidário ao governador Flávio Dino, que foi atacado por Jair Bolsonaro antes de uma entrevista para jornalistas internacionais.

“Em João Lisboa começaremos uma eleição mostrando o que já fizemos e o que podemos vamos fazer pela cidade e pelo povo. Eu vim aqui trazer um abraço do Flávio Dino, que é o nosso líder, mas preciso também ser solidário a ele já que o presidente que está aí só fala besteira, fazendo bobagem, prosseguindo trabalhador, humilhando a pátria brasileira, lambendo a bota dos norte americanos, protegendo milicianos… e esse presidente veio criticar o melhor governador do Brasil, mas nossa resposta é simples: Bolsonaro não faz em sete meses o que Dino faz em sete dias”, afirmou o deputado, aplaudido pelo púbico presente.

“Na sexta-feira Flávio inaugurou uma praça na periferia de São Luís e duas escolas em Tutóia. Se você for para Nova Iorque, a menor cidade do estado, tem praça, tem ponte, tem escola. Do norte ao sul do estado, em todas as cidades do Maranhão, tem obras e serviços do governador Flávio Dino”, completou Jerry.

Flávio Dino: “Reforma da Previdência carrega a marca da injustiça”

23-07-2019 Terça-feira

Na contramão do governo Bolsonaro (PSL), que defende a redução dos investimentos públicos em educação, o Maranhão tem quebrado recordes em salários de professores, inaugurações de novos prédios e desempenho dos estudantes. Governador desde 2015, Flávio Dino (PCdoB) recebeu a reportagem do Brasil de Fato no Palácio dos Leões, sede do Poder Executivo estadual e prédio histórico da capital São Luís (MA), para debater saídas para a crise que o país atravessa.

Por Vivian Fernandes, no Brasil de Fato

Em quatro anos, o Maranhão saltou de zero para 51 escolas de ensino integral funcionando regularmente na rede pública. Os professores com licenciatura e jornada de 40 horas recebem o maior salário de uma rede estadual do país – R$ 5.750,84 – e as notas na avaliação do ensino médio subiram 21%. 

Além de falar sobre educação, Dino analisou temas relevantes da conjuntura, como a reforma da Previdência proposta pelo governo federal e os vazamentos da operação Lava Jato. Segundo ele, “a reforma da Previdência carrega a marca da injustiça e do aprofundamento das desigualdades”.

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: Enquanto o país enfrenta um corte de gastos na Educação, promovido pelo governo federal, o Maranhão é reconhecido por ter políticas progressistas nessa área. Qual o quadro da Educação hoje no estado, em comparação com esse cenário de retrocessos no governo federal? 
Flávio Dino: De fato, é um contraste muito nítido entre o caminho que nós acreditamos e aquele que infelizmente tem sido praticado nesses anos mais recentes no Brasil. Nós consideramos que o principal problema da nossa nação é a profunda desigualdade social e temos a clareza de que só é possível superá-la mediante investimentos consistentes, sérios e continuados na temática da educação, da ciência e da tecnologia. É a política que consegue cuidar do hoje e prospectar o amanhã mais justo. 

Baseados nisso, nós temos travado várias batalhas simultaneamente. É claro que nós partimos de indicadores educacionais historicamente baixos no nosso estado. Nós tivemos um êxito significativo no que se refere ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – índice que mensura a qualidade das escolas públicas estaduais –, com um crescimento quase de 30% em um período relativamente curto nesse primeiro mandato.

Nós vamos continuar essa trajetória de crescimento e temos trabalhado para isso mediante políticas de correção de deficiências infraestruturais nas escolas – reformas, reconstruções, construções de prédios. A essa altura, já passamos de 850 inaugurações na área educacional, de escolas que foram construídas ou transformadas mediante investimentos públicos, alavancados por um fundo, que é o fundo Escola Digna. 

Ao mesmo tempo, apostamos na valorização dos docentes. Nós estamos completando um período bastante longo e inédito em que não há greve de professores, exatamente porque nós temos permanentemente dialogado, negociado e consolidado conquistas, hoje expressas no reconhecimento geral de que nós praticamos o salário mais alto para os professores, de 40 horas e de 20 horas no país – mais de duas vezes e meia o valor do piso nacional. Isso é porque acreditamos que os docentes são fundamentais para que possamos qualificar e aprimorar a educação como nós desejamos.

Temos um conjunto de programas de bolsas de pós-graduação, dobramos o número de bolsas, ampliamos o número de vagas nas universidades estaduais em mais de 40%, temos apoio aos municípios com o programa Pacto Estadual pela Aprendizagem. É um cardápio bastante amplo que, somado, espelha essa prioridade verdadeira, não apenas retórica, que nós conferimos à temática da educação. É a forma prática que nós temos de contrastar com essa visão puramente fiscalista, às vezes hostil à educação, que em alguns setores da política brasileira está instaurada. 

Essa hostilidade se traduz em questões como subfinanciamento na área educacional, mas também em bandeiras ideológicas absolutamente equivocadas, como essa suposta Escola Sem Partido. É como se fosse uma bandeira supostamente neutra, quando na verdade é profundamente ideológica porque tenta aniquilar a reflexão, o pensamento crítico, a filosofia, uma atitude de construção de modelos de sociedade diferente que não tem necessariamente vinculação à um projeto partidário, mas que é um modo pelo qual os educadores procuram colaborar para que as novas gerações possam ter uma percepção, compreensão e formação adequada aos desafios tecnológicos, ambientais e sociais que o Brasil atravessa. 

Aqueles que propõem a chamada Escola Sem Partido visam, na verdade, que nós tenhamos uma escola ineficiente, uma escola ineficaz, uma escola que não prepara os estudantes para a vida. 

Como você e seu governo lidam com o projeto Escola Sem Partido? 
Pela minha experiência como professor na Universidade Federal do Maranhão desde 1994, há 25 anos, eu digo que o professor não pode impor o seu ponto de vista ou censurar os estudantes. Mas, evidentemente, como um ser humano, ele tem suas convicções e é impossível não externá-las.

Se eu vou falar, por exemplo, do federalismo do Brasil ou dos direitos sociais ou individuais, é claro que eu não posso fazê-lo sem levar em conta um conjunto de patrimônios de reflexão que compõem a minha própria formação. 

Eu participo do debate nessa perspectiva e, ao mesmo tempo, como governador do estado, editei um decreto de garantia e segurança jurídica aos professores. É um decreto que explicita aquilo que está na Constituição, que é exatamente a liberdade do ato de ensinar, de aprender. Enfim, a liberdade de cátedra, que é a garantia que os professores da rede estadual do Maranhão têm de que eles, de forma alguma, serão em momento algum, enquanto eu estiver no governo, punidos em razão de praticarem o ato finalístico próprio da função de professor, que é ministrar os conteúdos. É um decreto que visava garantir, e garante, que não haverá censura nas escolas do Maranhão.

Outro tema relevante na conjuntura é a reforma da Previdência. O senhor vem se posicionando em relação ao tema tanto nas redes sociais, quanto em entrevistas, publicamente, então gostaria que explicasse quais os pontos centrais na sua interpretação sobre essa proposta. 
Acho que deveria ter sido colocada em primeiro lugar uma reforma tributária que fosse mais justa e que tratasse da questão do financiamento do Estado e da crise fiscal de modo mais global. Porque a reforma da Previdência se volta sobre as rendas do trabalho, e não as rendas do capital. 

A reforma tributária permitiria uma visão de conjunto e uma solução mais sistêmica e mais organizada da crise fiscal do Estado brasileiro em todos os níveis. Temáticas como a progressividade do sistema tributário – ou seja, quem pode mais paga mais –, impostos sobre lucros e dividendos – as rendas do capital, que são absurdamente isentas no Brasil – deveriam ser tratadas neste momento, em vez de discutirmos a imposição de sacrifícios àqueles que menos têm.

A reforma da Previdência infelizmente, desde o seu nascedouro, tem essa marca da injustiça e do aprofundamento das desigualdades. Nós procuramos desde o primeiro momento mostrar isso, logo que a proposta foi apresentada. No dia em que foi apresentada, eu já me posicionei no sentido de que havia um conjunto de disposições antissociais, concentradoras de renda e voltadas à privação de renda daqueles que já têm tão pouco. Eu me refiro, por exemplo, aos trabalhadores rurais, ao benefício de prevenção continuada, a chamada capitalização, que iria empurrar o conjunto dos trabalhadores brasileiros para os bancos, para o capital financeiro. 

Apresentamos uma oposição a esses conteúdos em um documento mais amplo, que foi a carta dos governadores do Nordeste, que foi aprovada exatamente nesta sala. Foi o documento em que os nove governadores do Nordeste se posicionaram contra esses retrocessos. É importante sublinhar isso, que as nossas teses, expostas nessa carta e aprovadas aqui no Maranhão foram vencedoras [na Câmara].

Não obstante reconhecermos isso, nós consideramos que, no Senado, é necessário refazer o debate, porque alguns temas particularmente me causam um especial incômodo. Especialmente, a forma como a aposentadoria é calculada. Porque houve um duplo sacrifício aos trabalhadores – não é questão apenas da idade mínima. A idade mínima é um debate, pela questão demográfica, no mundo inteiro, mas não foi apenas a questão da idade mínima que eles alteraram: houve uma dupla perda na forma como as aposentadorias serão calculadas. 

Em primeiro lugar, em vez de calcular sob a média de 80% das maiores contribuições, passou a ser sob a média de todas as contribuições. Antes, o trabalhador tinha descartado do cálculo da sua aposentadoria as menores contribuições por uma questão de justiça, porque ao longo da vida se presumia que 80% seria algo mais justo do que a média de todas. Além disso, foi aprovado um redutor de 60% sob essa média, que já é baixa. O percentual é de 60% para quem tiver contribuição mínima, e só chega a 100% da média quem trabalhar por 40 anos. Então, de fato isso vai empurrar o valor das aposentadorias para baixo. 

Vinculada a essa questão, temos regras absurdas sobre as pensões por morte. Acho um escândalo o que foi aprovado, porque o redutor aí é de 50%. Ou seja, se um trabalhador na ativa infelizmente falecer por uma circunstância própria da vida, imaginemos, a sua viúva terá uma pensão equivalente a 50% do que ele teria se ele tivesse aposentado. É 50% sob 60% da média, que já é baixa. É um valor muito baixo, podendo ser inferior ao salário mínimo. Isso, na minha avaliação, é inconstitucional, porque nenhuma renda do trabalho nos termos do artigo sétimo da Constituição pode ser menor do que um salário mínimo. 

Espero que seja possível, na continuidade do voto parlamentar, que essas e outras questões sejam apresentadas para que nós tenhamos uma ponderação entre uma visão hegemônica, infelizmente, de que é preciso e urgente fazer a reforma da Previdência, mas ao mesmo tempo que isso não seja feito sem um senso básico de justiça social. 

É bíblica essa temática das pensões por morte, está no livro de Isaías. Portanto, há alguns milênios há uma regra civilizacional segundo a qual as viúvas e viúvos merecem uma proteção da sociedade. A forma contemporânea pela qual essa proteção se manifesta não é propriamente a benemerência, a caridade, mas sim, a seguridade social. 

O senhor tem formação em Direito, foi juiz, professor. Hoje, a forma como a Justiça opera está se desvelando para a sociedade, ainda mais depois dos vazamentos em relação à operação Lava Jato, aos procuradores – e em especial no caso do ex-presidente Lula (PT). Como o senhor vê esse cenário e como avalia o comportamento de setores do Ministério Público e do Poder judiciário? Que consequências deveriam ter os vazamentos da Lava Jato? 
É uma conquista civilizacional, democrática, liberal, portanto mais do que secular, que um processo judicial seja conduzido por um juiz imparcial. Essa é uma construção que está nos principais livros de filosofia política, e que vem de Aristóteles, na filosofia grega. Então, é claro que se um processo judicial é conduzido por alguém que não tem imparcialidade, significa na prática que nós tivemos a anormalidade de um “processo judicial sem juiz”. Foi isso que aconteceu em relação ao ex-presidente Lula.

Não havia juiz ali. Havia só a acusação, porque o juiz jogava junto com o acusador. Eu fui juiz federal por 12 anos, e qualquer pessoa sabe que tem que procurar ouvir ambas as partes e ponderar sobre aquilo que é dito pelas duas partes. Isso é uma garantia constitucional, está no artigo 5º, inciso 55 da Constituição da República.

O que nós tivemos ali: o juiz era quem aconselhava a acusação, orientava a acusação, coordenava a acusação, dirigia a acusação, ao mesmo tempo em que menosprezava a defesa. Em um dos diálogos, chega a chamá-la de “showzinho”. Então ele não estava, com sinceridade, levando em conta o que ambas as partes estavam dizendo no curso do processo.

A consequência que deve daí ser extraída está no Código de Processo Penal há algumas décadas, que diz que, se um juiz aconselha uma das partes, ele deve ser considerado suspeito. Mais adiante, em outro artigo, está dito que Se uma sentença é proferida por um juiz em suspeição por sua parcialidade, essa sentença é nula.

Alguns argumentam que outras instâncias confirmaram [a condenação]. Não importa, porque a atividade de produção de provas no sistema jurídico brasileiro é feita apenas na primeira instância. Então, é como se fosse um vício que aderisse ao processo, e não importa onde o processo vai, ele vai com aquela nulidade insanável, insuperável, porque as provas foram produzidas de modo contaminado, porque foram produzidas e avaliadas originariamente por um juiz parcial. 

Além disso, se argumenta que os vazamentos seriam ilegais. Em primeiro lugar, é preciso sempre lembrar: a prova publicada por um jornalista é protegida constitucionalmente pelo chamado sigilo de fonte. Não basta eu dizer que uma prova é ilícita. Quem se sente prejudicado por uma publicação de uma reportagem deve provar que aquela prova é ilícita. Não basta alegar que é um hacker. Esse hacker não pode ser ficcional, não pode ser um fantasma.

Por que é necessária esta prova? Porque, em verdade, a obtenção desses conteúdos pode derivar de vários fatores. Havia várias pessoas ali, que tinham acesso. Outro detalhe: eram telefones e computadores funcionais, públicos. Nós temos jurisprudência no Brasil que até computadores de empregados em empresas são considerados como integrantes do patrimônio da empresa. E, portanto, os e-mails dos empregados transmitidos por um computador da empresa podem ser acessados pela empresa para produção de provas, inclusive. Há um precedente do TRF [Tribunal Regional Federal] da 4ª região que diz isso.

Por ser um telefone e computador funcionais, portanto, públicos, isso pode ter passado pela mão de dezenas de pessoas. Então, são especulações. Não basta dizer que a prova é ilícita; isso teria que ser, de fato, comprovado. E, finalmente, mesmo que os vazamentos fossem considerados provas ilícitas, vamos imaginar que isso fosse verdade.

Ainda assim, juridicamente e legalmente falando, elas não podem ser jogadas no lixo, uma vez que há um entendimento de que as provas, mesmo que ilícitas, podem ser usadas quando se trata de defender e proteger a liberdade de alguém, que é o caso concreto. Ou seja, nessa última hipótese, demonstrado que houve um hacker e a ilicitude da prova, ainda assim o conteúdo dos diálogos pode e deve ser levado em conta quando da precessão de direitos de liberdade de pessoas que estivessem ou que estejam, como é o caso, injustamente presas.

Então, eu não tenho nenhuma dúvida quanto à relevância desse fato. E não adianta tentar impor pontos de vista. Há uma comunidade jurídica nacional e internacional assistindo escandalizada a isso que aconteceu. Sem dúvida, se nós pegarmos as últimas décadas, é o maior escândalo judicial da história deste país. É preciso dizer isso com todas as letras. Eu acho um desrespeito aos juízes e membros do Ministério Público deste país dizer que aquele tipo de coisa é normal, porque não é. Cotidianamente aquilo não acontece, porque é ilegal. Então essa defesa que eu tenho feito leva em conta, claro, esse conjunto de convicções jurídicas e o compromisso que todo cidadão deve ter, independentemente da sua preferência partidária. Não se trata aqui de gostar ou não do presidente Lula: se trata de respeitar ou não a Constituição. 

Eu me insiro e me inscrevo nas fileiras daqueles que acreditam que a Constituição e as leis devem ser cumpridas por todos. De fato, a situação reclama uma atitude firme dos órgãos de controle quanto a esses abusos e, ao mesmo tempo, uma atitude cidadã mais ampla — independentemente de convicções ideológicas — de proteção das garantias que não são do ex-presidente Lula ou de qualquer outra pessoa, mas da sociedade. Foi isso que foi ferido nesse processo, infelizmente, viciado.

É preciso respeitar as pessoas, a história de vida e trajetória delas, e é possível, sim, dizer tudo isso que eu estou dizendo, com convicção, e, ao mesmo tempo, continuar a ser como eu sou: um militante de defesa da probidade e da moralidade administrativa.

Nós, que viemos de outras regiões do país, olhamos os governos estaduais do Nordeste como uma espécie de cordão de oposição ao governo federal. Quais são essas articulações que vocês vêm promovendo aqui no Nordeste? O Fórum de Governadores do Nordeste pode criar alguma esfera de proteção mínima ou de, pelo menos, crítica em relação a algumas políticas em nível nacional? 
Na verdade, são múltiplas faces que se organizam e articulam visando exatamente à proteção de conquistas que o Brasil viveu essencialmente desde a Constituição de 1988. Há vários governadores, não só do Nordeste, que têm também se alinhado com essa concepção de defesa da institucionalidade democrática.

É muito importante que haja articulações que transcendam os limites da esquerda política. A própria experiência do Fórum de Governadores do Nordeste é positiva nesse sentido. São vários partidos políticos a governadores, de quatro ou cinco partidos diferentes, mas que atuam em sentido convergente com esse ponto de interseção que é a proteção daqueles que menos têm e a proteção da democracia.

Nós temos, portanto, uma face de interlocução nacional, de política mais ampla e, ao mesmo tempo, a atividade de governança, do exercício concreto da função de governar nossos estados. Intercambiamos também visões, experiências e práticas. O Consórcio se presta a isso, os vários consórcios que hoje existem. No caso do Consórcio Nordeste, nós procuramos também fazer exatamente esse reforço mútuo em que nós nos apoiamos reciprocamente, inclusive do ponto de vista administrativo. 

Teremos agora, nesses dias, mais algumas reuniões nessa direção, porque o federalismo cooperativo e a cooperação horizontal entre os estados são um caminho também de ajudar a otimizar recursos públicos, de gastar menos e melhor, de nós vermos coisas que deram certo aqui e podem dar certo em outro estado, e vice-versa. Então, procuramos sempre intervir conjuntamente, seja na dimensão política, seja na dimensão administrativa.

Em algumas entrevistas, o senhor demonstra predisposição a projetar seu nome, se houver convergência, como futuro candidato a presidente. Que perspectivas o senhor enxerga para o futuro do país? Como o senhor se vê dentro da perspectiva da unidade da esquerda ou das forças progressistas? 
Esperança e desespero são conceitos-chaves de compreensão da realidade neste momento. É preciso, portanto, alimentar a plantinha da esperança, todos os dias, para evitar exatamente a sua antítese, que é a perda de perspectiva de que mudar a conjuntura é possível.

Eu sou militante da esperança e da mudança. É uma conjuntura hostil, árida e desafiadora em todos os aspectos, não só no sentido estrito da arena institucional, do Estado, do governo A ou B.

Nós temos também desafios sociais, de convencimento, de debates sociais. Porque, em muitos momentos, nós vimos emergir valores de extrema direita e fascistas que, às vezes, até nos surpreendem, porque são marcados pela agressividade. Agora, até eventos literários e culturais são objeto desse tipo de agressividade, de tentar impedir as manifestações legítimas de pensamento e opinião. 

Realmente é uma conjuntura muito grave, não há dúvida. Mas, com tudo isso, eu acho que nós temos um patrimônio que nos autoriza a alimentar a esperança, que é esse patrimônio de conquistas, de vitórias, de articulações mais amplas de organizações da sociedade civil. E, no plano da política também, nós tivemos agora mesmo na reforma da Previdência uma prova de que, apesar de uma correlação de forças terrivelmente desfavorável, é possível ter vitórias, evitar retrocessos, obter conquistas. Então, mesmo no pior momento, você consegue exercer uma resistência que não seja apenas simbólica, uma resistência eficaz e efetiva que produz resultados.

Então, por tudo isso, eu procuro sempre alimentar essa ideia da esperança em um Brasil soberano, justo e que não naturaliza as desigualdades sociais e regionais. Mas, pelo contrário, que se indigna com as desigualdades sociais e regionais e mantém, portanto, a emotividade e o coração sintonizado com as pessoas mais pobres, com aqueles mais desvalidos, e autenticamente sente a dor do outro como sua também – o que é, ao meu ver, um paradigma fundamental para se ter uma atitude transformadora. 

Quando eu viajo pelo Brasil, eu vejo essas realidades sociais tão duras que existem em meu estado e em todos os estados brasileiros. Há pouco tempo, por exemplo, em São Paulo, caminhando pela Avenida Paulista e vendo legiões de desempregados e o que isso produz: aumento da população de rua, famílias inteiras sendo destruídas pela terrível mácula econômica do desemprego. 

Eu acho que esse é o principal desafio: manter a esperança e o coração sintonizado com os explorados, oprimidos e desvalidos. Porque esses são a razão de ser da nossa atuação política, a nossa defesa sincera, contundente, apaixonada de que eles possam ter acesso a direitos. Com tudo isso, mantendo esses paradigmas, eu acho que nós estamos vivendo um hiato histórico, ou seja, um intervalo de tempo que vai passar. Como eu disse, com efeitos, infelizmente, deletérios e perenes, mas é um período. Eu vejo assim. É como uma tempestade.

Por isso, nós temos que atualizar o nosso programa e olhar para frente. É claro que é impossível construir uma plataforma progressista e democrática para o Brasil sem se apoiar em tradições importantes tão enraizadas na sociedade: o trabalhismo com inspiração varguista – mas também o trabalhismo de João Goulart, de Leonel Brizola – e, de outro lado, o lulismo. 

Eu acho que são as duas correntes populares que demandam sempre um olhar respeitoso de quem atua politicamente. São plataformas inafastáveis para que a gente possa atualizar o nosso programa sobre essas experiências históricas, nos apoiando nelas, corrigindo erros, mas prospectando, sobretudo, um discurso que tenha aptidão de mobilizar a sociedade falando para frente: o Brasil que a gente quer. 

Não é esse Brasil que esmaga e maltrata os que menos têm. É o Brasil que se compadece com a dor deles e é o Brasil que, portanto, mobiliza recursos públicos, o orçamento público e energia social para que essas pessoas possam ter sua cidadania e seus direitos respeitados.

Atualização programática, diálogo e união. Esse hiato ou essa tempestade só passa se nós conseguirmos melhorar o ambiente, como temos melhorado, creio eu, entre os vários partidos do campo popular e, sobretudo, aquelas pessoas que não têm partido político, mas que, em algum momento, caminharam conosco e não deixaram de caminhar. Nós temos que ter uma atitude respeitosa em relação a todas as pessoas que pensam diferente e, aí sim, é como eu me situo hoje e vou continuar a me situar. Procurando ajudar nesse processo de união, aglutinação e convergência, naquilo que me cabe, em meu estado, no Maranhão, no Nordeste, e como militante da causa social, popular e democrática, que é o que eu fui e sou a vida inteira.

Portanto, não me imagino necessariamente com figurino de candidato, com o papel de candidato. Eu posso ser candidato, posso não ser e isso não vai mudar nada em minha vida pessoal ou atuação. Eu vou continuar atuando como sempre atuei e me coloco como uma pessoa que está à disposição para ajudar mediante o diálogo com outros tantos para que a gente possa virar a página terrível desses últimos anos e conseguir, de fato, fazer o Brasil sonhar e sorrir de novo com esperança e alegria, porque é essa a vocação do nosso povo.

Manifesto une entidades em defesa do ensino público

23-07-2019 Terça-feira

As entidades também convocaram paralisação nacional para 13 de agosto.

Fonte: Hora do Povo

Entidades da educação lançaram Manifesto em Defesa do Ensino Superior Público e Gratuito. O documento surge após o lançamento do programa “Future-se” que abre espaço para a privatização das instituições federais de ensino.

No manifesto, entidades como a Andes, a CNTE, UNE, UBES e ANPG denunciam que o governo Bolsonaro escolheu a universidade como inimiga de sua gestão e o faz ao promover cortes financeiros que ameaçam o tripé ensino, pesquisa e extensão, ao desvalorizar o trabalho dos docentes e dos técnico-administrativos, promover campanhas difamando o papel de escolas, institutos federais e universidades e perseguir professores e cientistas.

As organizações entendem que estão colocadas com o programa, as intenções de desresponsabilizar o Estado na garantia do financiamento da educação superior, pôr fim à carreira pública de servidores federais da educação, entre outros.

Para o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o Future-se “altera os eixos históricos que sustentam o caráter público e socialmente referenciado das instituições”.

“As universidades e institutos federais são patrimônios de toda a sociedade e têm que ser defendidos por toda a população. O que também está em jogo são os serviços que as instituições prestam para toda a sociedade”, destaca o sindicato.

O manifesto é assinado pelas entidades: Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet), Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes), Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e União Nacional dos Estudantes (UNE).

Leia o manifesto na íntegra:

Manifesto em Defesa do Ensino Superior Público e Gratuito

“A educação no Brasil vem enfrentando grandes ataques por parte do governo federal: cortes financeiros que ameaçam o tripé da universidade brasileira (ensino, pesquisa e extensão), desvalorização do trabalho dos docentes e dos técnico-administrativos, campanhas difamando o papel de escolas, institutos federais e universidades, perseguição a professores e cientistas. Apesar do papel estratégico das instituições de ensino para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no país, assim como para a formação de qualidade e a oferta de serviços necessários para a sociedade brasileira, o atual governo escolheu a Universidade como inimiga de sua gestão.

Nos últimos dias, a grande imprensa vem noticiando sobre um projeto de reforma da “autonomia financeira” para a educação superior pública federal imposta pelo Ministério da Educação. Embora as informações ainda sejam difusas, trata-se do maior e mais profundo ataque à autonomia das instituições de ensino, abrindo caminho para a privatização do ensino superior e cobrança de mensalidades. Trata-se de mais um passo rumo à destruição de todo nosso sistema educacional.

Em uma só medida, Bolsonaro e Weintraub pretendem:

desresponsabilizar o Estado na garantia do financiamento da educação superior, aprofundando os cortes e contingenciamento já iniciados;
pôr fim à carreira pública de servidores federais da educação, estimulando a concorrência perversa com novos ingressos pelo sistema de contratação privada, sem qualquer garantia ou estabilidade de emprego;
reverter a democratização da universidade que permitiu nos últimos 15 anos a entrada de milhares de estudantes de segmentos historicamente excluídos, como pobres, negros, índios, mulheres.
É importante ressaltar que os cortes nos orçamentos das universidades atingem não apenas o ensino, mas também o desenvolvimento científico de pesquisas que, por exemplo, contribuem para o descobrimento de vacinas, medicamentos e a produção de alimentos, assim como a extensão da universidade, por meio da qual estudantes, professores e técnicos prestam serviços para as comunidades (por exemplo, hospitais universitários e escolas).

Esses ataques contra as instituições de ensino superior fazem parte de um projeto político que mata os sonhos da juventude brasileira e o futuro do país ao destruir serviços públicos e retirar direitos sociais. Parte desta mesma agenda é a Reforma da Previdência que, após ser aprovada em primeiro turno, será votada em 6 de agosto.

Diversas universidades já alertaram que não conseguem chegar ao próximo semestre se os cortes não forem revertidos. Agências de fomento não conseguirão pagar as bolsas de estudos de pós-graduação. A UFMT, por exemplo, teve sua energia elétrica cortada, significando que aulas não serão dadas, pesquisas não serão concluídas e a prestação de serviços será prejudicada. Além disso, estudantes que dependem de políticas públicas não conseguirão permanecer na universidade.

A política que Bolsonaro e seu ministro vem apresentando caminha na contramão da valorização do Ensino Superior. Países desenvolvidos investem em educação e ciência públicas e em momentos de crises financeiras contribuem para a retomada do desenvolvimento brasileiro. Enquanto anuncia cortes na educação e ciência, o governo triplica o orçamento para propaganda do governo, compra parlamentares para aprovação de seus projetos e permite o gasto de mais de R$ 1 bilhão de reais por dia para o pagamento de juros da dívida pública brasileira.

Diante desse cenário, precisamos estar atentos e preparados na resistência e em defesa da educação e da ciência públicas. Precisamos mobilizar cada vez mais a sociedade para lutar contra as medidas do governo Bolsonaro, dentre elas a sua tentativa de destruir a Previdência Pública por meio da PEC 6/2019 e a Educação Pública por meio de cortes orçamentários e do novo Programa Ministerial.

Em defesa da educação pública e gratuita conclamamos a todos e todas para a construção da Greve Nacional da Educação em 13 de agosto. Também destacamos a necessidade de uma Greve Geral para derrotar a política de privatização dos serviços públicos e a destruição dos direitos e conquistas da classe trabalhadora e do povo brasileiro.

Em defesa da educação pública e gratuita!

Contra a privatização e os cortes nos investimentos em educação!

Construir a Greve Nacional da educação em 13 de agosto!

Combater a retirada de direitos e a destruição dos serviços públicos!

Assinam este Manifesto: Andes-SN, ANPG, CNTE, Fasubra, Fenet, Proifes, SINASEFE, UBES e UNE

Jô Soares critica Bolsonaro em carta aberta

23-07-2019 Terça-feira

Em documento publicado em francês e em português, ele compara presidente a ditadores.

Jô Soares, humorista e escritor, escreveu uma nova carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro. Publicada na Folha de S. Paulo desta segunda-feira (22), a carta foi escrita com uma mistura de francês e português.

Em linguagem irônica e descontraída, a carta traz assuntos polêmicos envolvendo a família do presidente, como a indicação do deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o cargo de embaixador do Brasil em Washington, Estados Unidos.

Jô Soares ironiza a escolha do filho de Jair Bolsonaro para representante do país nos EUA e ainda relembra fatos históricos nos quais ditadores nomeavam familiares despreparados para cargos públicos. “Quel idê genial de nomé vostre fils come ambassadeur”, afirma o apresentador.

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Leia a carta na íntegra:

Monsieur le president: come je sé que, etant troglodite, vous parlé multilangues, je comence em françois, langue de la diplomacie mondiale pour que ningán duvide: parabiéns! Parabiéns! parabiéns! Quel idê genial de nomé votre fils Eduardô come ambassadeur! Tout come il faut respetant les regles: premier, comemoré la idé certe, 35 ans. 

Alors, petite feste, troque de petit presents etc. Chanté le parabiéns, apagué les veles, comê le bolê! Comê le bolê! E depuis le present principale: lui, qui há dejá une graduation em hamburguér et talvois une pos-graduation em cheeseburguér? Aussi, si nous avons deja um ex-president, FHC, pourquoi ne pas tenté aussi um ambassadeur KFC?Après ça, il faut tenté une master degre em pipoque. 

Afinale de contes, nous devons aproveité les oportunités que la vie nous oferece. Par exemple: Votre Majesté savé que Rafael Leonidas Trujillo Molina, quand a assumí le podê em 1930, a la Republica Dominicana, a nomé son filhô Ramfis, com a pene quatre ans de idé, coronel de salário y privilégios del Exército dominicano?

En 1938, le president Jacinto B. Peynado (president que sucessé a Trujillo) promové le coronel Ramfis Trujillo Martinez, de neuf ans, a general de brigada, promoción que fu outorgué “en mérito al serviço” em se constituant nel plus jeune general del histoire du monde? Regardé les fotôs: nést pas fôfe?

Bien avant, Napoleon, lembré dele? Nomée irmains e parents come rois de la Holandá, roi de Náples (aquel da pizzá), roi de Espanhe e rois da Westphalie. (Je ne coné pas Westphalie mais pesquisé avec vos amis dans le Twitter pour savoir onde é que fique.)
%u200BEnfin, chegue de converse. Jagarre dans le pape mais sempré pour colaboré avec Votre Majesté.

Signé: Jô Soares, influencieur analogique

Em verité: José Eugenio Soares, oficial da Ordem de Rio Branco