Deputados estaduais, federais, órgãos
do Governo do Estado e entidades da sociedade civil reuniram-se, nesta
segunda-feira (13), na Assembleia Legislativa do Maranhão, para discutir a
regularização do território quilombola no entorno do Centro de Lançamento de
Alcântara (CLA). O objetivo é evitar que a população, que reside nessas áreas,
seja afetada negativamente pelo Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, assinado
entre Brasil e Estados Unidos, para o uso comercial do CLA.
O presidente da Alema, deputado Othelino
Neto (PCdoB), pontuou que, embora reconheça a importância do acordo para o
desenvolvimento da região e do país, é preciso, primeiramente, resolver o
passivo que ainda há desde a implantação do CLA, em relação à titulação das
terras, que gerou impactos negativos à população dessas áreas, que teve que ser
remanejada para a construção do Centro.
“Infelizmente, essas populações, que
moravam à beira do mar e que viviam da pesca, tiveram a sua qualidade de vida
reduzida a partir da implantação do CLA. E existe um débito histórico com as
populações. Antes de nós partimos para um novo momento, é preciso que se
resolva esse grande passivo para que, aí sim, se tenha credibilidade e a
população tenha confiança em receber um novo projeto, quanto mais com as características
deste que já foram anunciadas”, afirmou Othelino, frisando que é preciso que o
Governo Federal resolva essa demanda, que está acumulada, para proteger a
população quilombola.
O deputado Rafael Leitoa (PDT), autor
do requerimento que propôs a criação da Frente Parlamentar para a Modernização
do Centro de Lançamento de Alcântara, reforçou que a titulação dessas áreas
deve ser o ponto principal, antes de qualquer outro tipo de discussão, para que
as comunidades sejam contempladas nas suas reivindicações.
“Devemos aproveitar esse momento, em
que o Governo Federal já assinou um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com os
Estados Unidos e quer a aprovação desse acordo com o Congresso, para fazer a
limpeza do pacífico que ficou ainda na instalação do CLA, que começa com a
titulação das áreas. A reunião foi produtiva, porque começamos a ter uma linha
de resolutividade da situação para que a gente possa avançar na aprovação desse
acordo e, a partir daí, com as comunidades sendo contempladas nas suas reivindicações,
ele ter o sucesso que o Governo Federal precisa e, obviamente, o estado do
Maranhão”, completou.
Diálogo
O deputado federal Márcio Jerry
(PCdoB) ressaltou que a bancada maranhense, em Brasília, está em constante
diálogo, criando uma convergência de pensamentos e atitudes, para colocar como
condição fundamental e indispensável, antes da aprovação do acordo pelo
Congresso, a preservação dos direitos das comunidades quilombolas de Alcântara,
com a resolução dos passivos que existem há mais de duas décadas.
“É importante que nós debatamos com
muita tranquilidade a possibilidade de investimentos em Alcântara, que é
importante para o município, para o estado e para o Brasil, mas isso tem que
ser acompanhado de vantagens concretas para a comunidade de Alcântara e
garantia de direitos para as comunidades quilombolas, que são donas ancestrais
daquelas áreas”, assinalou.
“É uma discussão para mostrarmos que
a chegada desses investimentos não são para acabar com o município de
Alcântara, mas, sim, trazer desenvolvimento para a região, desenvolver o
município e o nosso estado mais ainda”, garantiu o deputado federal Júnior
Lourenço (PR), subcoordenador da bancada federal.
O deputado federal Bira do Pindaré
(PSB) ressaltou que é importante que todos os parlamentares do Maranhão se unam
em torno desse debate e, sobretudo, na defesa dos interesses das comunidades
quilombolas. “Esperamos que as questões relativas à titulação, que é uma
questão fundiária, as questões pendentes com as comunidades, possam ser resolvidas
primeiro. Que haja consulta às comunidades sobre esses empreendimentos e que,
assim, a gente tenha um processo transparente, mas, sobretudo, respeitoso. Para
nós, o mais importante são os direitos do nosso povo”, disse.
Para as entidades, a preocupação maior
é com o possível deslocamento das comunidades tradicionais. “Não somos contra o
desenvolvimento, mas não aceitamos as pessoas atropelarem os direitos dos
quilombolas. Queremos a titulação das nossas terras, que é o principal”,
afirmou Pedra Amorim, representante da Associação do Território Étnico
Quilombola de Alcântara (ATEQUILA).
“A gente tem tido um diálogo com o
Governo do Estado, demonstrando que o queremos como nosso parceiro nessa luta e
que isso é importante para o movimento, para as entidades de Alcântara e para a
população. Essa reunião é fundamental para que a gente possa trazer para a
bancada federal a importância daquelas famílias, que lá estão no litoral”,
reforçou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de
Alcântara (STTR), Antônio Marcos Pinho.
O secretário de Estado de Direitos
Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, frisou que o Governo do
Maranhão tem adotado uma postura de mediação, tanto no que se refere à política
aeroespacial, como, também, naquilo que envolve o direito dos quilombolas ao
território. “Nós achamos que conflitos se resolvem conversando, encontrando a
melhor solução, que garanta o direito de todos”.